03/06/2008
Amar a Deus

 

 

A EXCELÊNCIA DO AMOR
 
Padre Inácio Vale.
  
            O grande místico  São João da Cruz (1543-1591), caracteriza o amor ardentíssimo e contemplativo ao Senhor Deus por três excelências principais: Primeiro, ama a Deus a alma, não de si mesmo, mas por Ele; o que é uma excelência admirável, porque ama assim pelo Espírito Santo, como o Pai e o Filho se amam; o que o próprio Filho declara no evangelho segundo São João: “A fim que o amor com que Tu me amaste, esteja neles, e eu também esteja neles” (João 17,26).
            A segunda excelência é amar a Deus em Deus; porque nesta união ardente a alma se absorve em amor de Deus, e Deus se entrega à alma com grande veemência. “Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira à minha  alma por ti, ó Deus! (Salmo 42,1).
            A terceira excelência do amor supremo é que a alma ama a Deus neste estado pelo que Ele é; quer dizer, ama-o não somente porque Ele se mostra para com ela generoso, bom e glorioso, etc., mas muito mais ardentemente, porque Ele é tudo isto essencialmente. “... Em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém. (1 Pedro 4,11b).
            São João da Cruz, viveu, ensinou e morreu na excelência do amor de Deus. Seus escritos provocam em nós a ousadia do amor ardente à Deus. Disse ele: “A linguagem que Deus entende melhor é a suave linguagem do amor”.
            Como devemos amar a Deus com a mesma intensidade que amou São João da Cruz?
            O escritor Chuck Colson, relata com muita propriedade, como ele descobriu essa dificuldade em saber como devemos amar ao Senhor nosso Deus: “Um aspecto que se vê em todo os livros da Sagrada Escritura, é claro, é o amor de Deus pela humanidade e como Ele demonstra esse amor através do sacrifício do seu Filho na cruz. Quanto mais eu lia sobre isso, mais eu queria saber sobre o outro lado - ou seja, como fazer para demonstrar o meu amor por Ele. De algum modo, parecia ser essa a chave para o que estava faltando na vida cristã. O maior de todos os mandamentos, de acordo com Jesus, é “amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” (Mateus 22,37). Eu tinha decorado essas palavras, contudo, na verdade, nunca havia pensado realmente sobre o que significavam em termos práticos; ou seja, sobre como eu podia cumprir esse mandamento. Ponderei se outras pessoas não sentiam a mesma coisa. Então perguntei a uma porção de cristão mais experientes de que forma eles amavam a Deus.
            O efeito cumulativo da minha pesquisa, escreveu Colson, me convenceu de que a maioria de nós cristãos professos, não sabemos, de fato, como amar a Deus. Além de não termos dedicado tempo para pensar no significado do maior de todos os mandamentos no nosso dia-a –dia, também não o temos obedecido” (extraído de Loving God – “Amando a Deus” -, de Chuck Colson, pp.15-16).
            Como devemos fazer para demonstrar o nosso amor ao bondoso Pai Celestial? É apenas um sentimento ou uma caminhada pela fé? É uma atitude racional ou paixão do coração? Ou um pouco de tudo? Colson escreveu um livro inteiro acerca do significado de amor a Deus. O seu estudo o levou a incluir aspectos da vida cristã tais como obediência, santidade, arrependimento e sofrimento.
            Nosso Senhor Jesus Cristo falou muitas vezes: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (João 14,15). Com certeza, a obediência aos mandamentos do Senhor Jesus é uma parte importante da implicação prática de amá-lo. Santidade é o fator fundamental. Arrependimento é o meio que o bom Deus nos dá para dar as costas ao pecado e caminhar em direção a ele. Viver na obediência á Palavra de Deus, na confissão de pecados, e na busca da perfeição, tudo isso são sinais do nosso amor para Deus nosso Senhor. “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5,48).
            O que significa amar a Deus por excelência? Significa querer ardentemente estar com Ele na luz da contemplação. Quando amamos uma pessoa, queremos estar ao seu lado para sempre.
            O salmista Davi expressou esse amor: “uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor , e inquirir no seu templo” (Salmo  27,4).
            A excelência do amor a Deus é expresso várias vezes nos Salmos. O Salmo 84 é um clamor profundo de todo o ser que almeja viver na presença do Todo Poderoso: “Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos! A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo” (Salmo 84,1-2).
            Cultivar a excelência do amor a Deus é, em muitos aspectos, igual a qualquer outro tipo de relacionamento – leva tempo. Tempo para passar com ele – ouvindo, dialogando, amando, meditando e saboreando da sua augusta presença.
            Tudo isso envolve crise e sofrimentos. “O verdadeiro amor – o não fingido (Romanos 12,9) – tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta e nunca falha” (I Coríntios 13,7-8).
            São Pedro Julião Eymard (1811-1868), disse: “O amor não transfere a ninguém as suas obrigações. O amor tudo faz por si mesmo, é a sua glória”. São Pedro Julião de Eymard, era o santo que nutria um amor apaixonado pela Santíssima Eucaristia. Só podia sair do seu coração de amor a Jesus Eucarístico essas palavras: “Há pessoas que amam até a loucura os pais, os amigos, e não sabem amar o bom Deus. O que se faz com a criatura, é o que se deve fazer com Deus. Somente ao bom Deus é preciso amá-lo sem medida, cada vez mais. No juízo não serão tanto os nossos pecados que nos aterrorizarão, e nos serão censurados. Estão irrevogavelmente perdoados. Mas Nosso Senhor nos censurará por seu amor: ‘Criaturas, vós não fizestes de mim a felicidade de vossa vida?! Vós me amastes bastante para não me ofender mortalmente, mas não para viver de mim?!’
            O santo do coração eucarístico diz mais: “O amor só triunfa quando é em nós uma paixão vital.” Esta paixão vital, nos leva a excelência do amor adorador ao Senhor Deus. No amor de adoração, diz o reverendo George D. Watson: “A alma deleita-se na luz divina, sorri com seu favor, estremece com ternura diante de sua majestade, encanta-se com sua beleza, bebe da sua doçura, sente-se incapaz de achar, palavras adequadas para louvá-lo. É o amor que permanece em silêncio, contemplando a Deus com santo temor e um profundo apreço pela pessoa dele”.
            São Paulo apóstolo escreveu: “O amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Romanos 5,5).
            Iluminados pelo divino Espírito Santo, tomado pela graça de Jesus Cristo, tenhamos a excelência do amor a Deus. Amém 
  
Pe. Inácio Jose do Vale
Professor de História da Igreja
Seminário Teolégico da Santíssima Trindade
e-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com
 
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OBS: Como o Padre Inácio fala deu um Colson, lembrei da história de jovem chamado Charlie Carlson, que muitos não conhecem. O padre fala do amor a Deus. Pois este jovem nos deu uma mostra.
 
Eis, em síntese, a sua história:

... Que me comoveu muito, até às lágrimas. Circula na internet a história de um pequeno soldado americano, chamado Charlie Carlson da Guerra da Secessão, que aos 17 anos foi para o front de batalha. Lá foi ferido e precisou ter amputado um braço e uma perna. Um médico judeu o atendia.

Este jovem demonstrava um imenso e ardente amor por Jesus, que lhe fora ensinado pela mãe, desde pequenino. E em nome deste amor, o menino quis ser operado - serrado - sem a anestesia, nem de clorofórmio usada na época, nem de conhaque, porque "existia a possibilidade de ele morrer durante a "cirurgia" e ele não queria chegar diante de Jesus, nem drogado, nem bêbado".

Esta valentia dele, surpreendeu e emocionou muito ao médico judeu, que fez a operação, enquanto ele mordia o travesseiro com os dentes. Mas cinco dias depois ele veio a morrer, deixando uma carta para a mãe, onde contava sobre a operação e o médico.

O grande problema é que este médico judeu, odiava a Jesus, até o mais fundo da alma. Passaram-se 10 anos, tempo em que este médico travou uma intensa luta interior contra Jesus.

Mas rendendo-se a um chamado interior, adentrou uma Igreja no bairro do Brooklin, em Nova York , e lá, naquele mesmo dia, ouviu o depoimento emocionado de uma mãe, que falava de seu querido filho Charlie Carlson, falecido na guerra, e operado pelo tal médico Judeu.

Por um destes fantásticos encontros que Deus proporciona - nada acontece por acaso - estavam ali, aquela mãe santa, falando emocionada de seu bravo e valente filho, enquanto o médico judeu estava presente. Este veio abraçou a mãe e lhe disse: sou eu o médico judeu que operou seu filho...

Encurtei a história, mas é mais ou menos assim. Enquanto a escutava meus olhos se encheram de lágrimas e meu coração disse: este menino é um santo! É um verdadeiro mártir. Deve com certeza estar no Céu.

Como o Cláudio me telefonou logo a seguir, pedi a ele que colocasse este nome: Charlie Carlson, em oração! E a resposta de Jesus, foi:  "Charlie Carlson, de fato, guerreia no Céu! Deus o tomou cedo por causa de sua bravura e coração bonito: alegra o Céu! E as milícias celestes ganharam grande aliado: "São Charlie Carlson!" "Amém!" "Jesus!" 
  
São Charlie Carlson, mais um amigo nosso no Céu. Um dia o veremos, bravo menino, e exemplo de martírio, exemplo de amor a Deus. Um espelho para o que vem! Pessoas e almas como ele, realmente emocionam a gente, e alegram o Céu. São verdadeiro "orgulho" até para Deus que o criou. Não acham?
 
Nossa Mãe pediu que usássemos de São Charlie para os problemas de guerras. Sim, e podemos aproveitar e pedir a intercessão do médico judeu, para a conversão de Seu povo. Ele também se salvou.

Fonte: Recados do Aarão

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