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04/05/2008
TEOLOGIA MORTA
(O
artigo que segue, descreve por palavras complicadas aquilo que há
tantos anos temos escrito por linhas simples. Material para todo gosto
e entendimento. Apenas discordo de que a teologia da libertação
esteja em cinzas, agora, mas tenho certeza de que ela virará cinzas,
em BREVE. Um raio de Deus a fulminará, e não demora. O Brasil pagará
parte da conta, do ACORDAR para a realidade. Este tipo de
teologia não vem de Deus, mas é inspirada por satanás. Sim porque
é a falsa teologia do paraíso aqui, onde ele é príncipe e
quer ser deus).
TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO: "NEM SÓ
DE PÃO VIVE O HOMEM" Por Martín Zavala M.P.D. Tradução:
Carlos Martins Nabeto
Fonte: http://defiendetufe.org/site/content/view/73/2/
As Cinzas da Teologia da Libertação
Parece que alguns esqueceram esta afirmação de Jesus Cristo:
"Nem só de pão vive o homem" (Mateus 4). É urgente uma
mudança de visão parar e equilibrar a ação pastoral.
INTRODUÇÃO Há alguns dias, me chegou a notícia da realização de
mais um Congresso da Associação de Teólogos João XXIII, que é na
verdade um evento de teólogos progressistas ou liberais onde o
denominador comum é o ataque contra a hierarquia da Igreja. Nessa
ocasião, a hierarquia foi acusada de estar desaparecida, em uma espécie
de "inverno eclesial".
O evento comemorou também o 25º aniversário da dita Associação;
entre seus fundadores e promotores encontram-se sacerdotes religiosos
e diocesanos. Em seus congressos, ao longo dos anos, participaram os
principais promotores da Teologia da Libertação, inclusive alguns
que representam as versões mais radicais dessa corrente teológica: o
peruano Gustavo Gutiérrez, o bispo mexicano Samuel Ruiz, o catalão
Pedro Casaldáliga, o ex-ministro sandinista Fernando Cardenal, J.L.
Segundo etc.
Da mesma forma, com idéias afins, não poderíamos deixar de
mencionar outros promotores de maior ou menor relevo como Leonardo
Boff (Brasil), Jon Sobrino (El Salvador), Hans Küng (Alemanha),
Rosemary Radford Ruether (Estados Unidos), Julio de Santa Ana
(Uruguai), Sergio Arce (Cuba), Maria-Pilar Aquino (México), Marcos
Villamán (República Dominicana),Liliana Gallo (Colômbia), Eduardo
de
la Lerma
(Argentina), Sixto García (Estados Unidos), Enrique Dussel (Suiça),
Fernando Torres (Colômbia) Juan José Tamayo e J.M.Vidal (Espanha).
Outros semelhantes são: Tissa Balasuriya, Marcelo Barros, Teófilo
Caebestreno, Oscar Campana, Víctor Codina, José Comblin, Lee Cormie,
Eduardo de
la Serna
, José Estermann, Benedito Ferraro, Eduardo Frades, Luis Arturo
Garcia, Ivone Gevara, Diego Irarrazabal, João Batista, María e José
Ignácio Vigil, Carlos Mesters, Pablo Richard, Luis Rivera, Paulo
Suess, Luiz Carlos Susin, Faustino Teixeira, José María Vigil etc.
É, pois, aproveitando o 25º Aniversário de um dos meios de difusão
da chamada Teologia da Libertação que compartilho as seguintes
reflexões:
1. DA PANACÉIA À DECADÊNCIA. GRAÇAS
A DEUS!
Creio que ninguém pode duvidar que houve contribuições positivas
desta corrente religiosa para a Igreja. De fato, o Papa João Paulo II
chegou a dizer para os bispos do Brasil que ela "era necessária".
Também não se pode negar o seu influxo no campo teológico e
pastoral a nível mundial. No entanto, ao mesmo tempo, não podemos
esquecer o que foi assinalado pela Congregação para a Doutrina da Fé
em 1984, então presidida pelo card. Joseph Ratzinger, atual Papa
Bento XVI, que afirmava: “A presente instrução possui um fim mais
preciso e limitado: atrair a atenção dos pastores, teólogos e todos
os fiéis sobre os desvios e riscos de desvio, ruinosos para a fé e
para a vida cristã, que implicam certas formas da Teologia da Libertação
que recorrem, de modo insuficientemente crítico, a conceitos tomados
de diversas correntes do pensamento marxista”.
Esta advertência de maneira nenhuma deve ser interpretada como uma
desautorização de todos aqueles que querem responder generosamente e
com autêntico espírito evangélico à 'opção preferencial pelos
pobres'. De maneira nenhuma poderá servir de pretexto para aqueles
que se entrincheiram numa atitude de neutralidade e de indiferença
perante os trágicos e urgentes problemas da miséria e da injustiça.
Pelo contrário, obedece à certeza de que os graves desvios ideológicos
que assinala conduzem inevitavelmente para trair a causa dos pobres.
Hoje, mais do que nunca, é necessário que a fé de numerosos
cristãos seja iluminada e que estes estejam decididos a viver
integralmente a vida cristã, comprometendo-se na luta pela justiça,
liberdade e dignidade humana, por amor aos seus irmãos deserdados,
oprimidos ou perseguidos. Mais do que nunca, a Igreja se propõe a
condenar os abusos, as injustiças e os ataques à liberdade, onde
quer que se registrem e de onde provierem, e a lutar, com seus próprios
meios, pela defesa e promoção dos direitos do homem, especialmente
na pessoa dos pobres. (Libertatis Nuntius, Instrução sobre alguns
Aspectos da Teologia da Libertação).
Deste modo, o então Cardeal e atual Papa Bento XVI sintetizava a razão
do documento, pois unido aos elementos positivos, já nessa época se
manifestavam vários elementos contrários à fé cristã em algumas
correntes dessa teologia. Não há dúvida de que o influxo da
Teologia da Libertação se deixou sentir no positivo e no negativo em
muitas esferas eclesiais. Graças a Deus, os influxos negativos dessa
corrente, em sua versão mais radical, estão se desvanecendo em razão
das mudanças sócio-políticas ocorridas no mundo e dos diferentes
mecanismos eclesiais que o magistério da Igreja adotou.
Alguns mecanismos eclesiais que ajudaram a diminuir o seu
influxo negativo foram: A nomeação de bispos que estão em maior
sintonia com o Magistério da Igreja e em comunhão com o Papa; A
publicação de documentos orientadores sobre o tema, como a
"Instrução sobre alguns Aspectos da Teologia da Libertação"
e um outro chamado "Liberdade Cristã e Libertação"; A
"Apostolos Suos", de 1998, sobre "a natureza teológica
e jurídica das Conferências Episcopais" para precisar seu papel
e evitar maiores desvios; A "Ex Corde Ecclesiae", de 1990,
sobre as universidades e institutos de formação católica, para
reforçar sua identidade ou catolicidade unidas ao Magistério; A
"Instrução sobre a Vocação Eclesial do Teólogo", de
1990, para demonstrar sua complementaridade ao permanecer unido ao
Magistério eclesiástico; O "Catecismo da Igreja Católica",
que apresenta o que devemos crer, viver e celebrar de maneira orgânica
e sistemática; Sobretudo, a "Dominus Iesus", de 2000, que
esclarece os elementos cristãos essenciais para se evitar o
relativismo e o subjetivismo teológico e pastoral; A notificação
direta, de 2006, "sobre os Erros nas Obras do Pe. Jon Sobrino SJ.”,
o qual é um dos maiores promotores da Teologia da Libertação; Por
fim, o documento "Respostas a algumas Questões acerca de certos
Aspectos sobre a Doutrina da Igreja", de julho de 2007. Além
disso, os sínodos, consistórios e visitas "ad limina"
auxiliaram a reforçar a identidade e fidelidade ao Magistério da
Igreja, tão atacado pelos "teólogos liberais" e sua
teologia em "chave libertadora". Antes vista como a grande
solução (panacéia), passou à decadência e agora está quase que
em estado vegetativo. Teólogos renomados deixaram sua cátedra uma
vez que sua "doutrina" ou "versão" do Evangelho
na verdade não era compatível com a fé da Igreja. Graças a Deus,
vemos reduzir cada vez mais seus promotores, revistas, ideólogos,
congressos, associações, seguidores, bispos, lemas, teólogos etc.
Os elementos negativos de sua versão mais radical estão
desaparecendo do mapa eclesial por "extinção" e não
"poucas dores de cabeça". Ao mesmo tempo, seus elementos
positivos vêm sendo integrados, ainda que não da forma como deveria
ocorrer. Como disse muito bem o sacerdote Miguel Revilla acerca do 25ºaniversário
[da Associação]: "Que bom que seja celebrado entre eles e se
felicitem mutuamente, deixando em paz os milhões de católicos que
seguem o ensino do sucessor de Pedro e não o magistério progressista
[da Teologia da Libertação]". Deus respondeu à oração de um
profeta de nossos tempos, o Pe. Flaviano Amatulli, que denunciando os
abusos de alguns pastores e líderes “libertacionistas" disse:
"Senhor: liberta-nos dos libertacionistas!". Graças a Deus,
as ações anteriormente assinaladas e outras mais da parte daqueles
que se mantiveram fiéis ao Magistério da Igreja reduziram os danos e
seus promotores têm desaparecido da esfera eclesial. Porém, ainda
restam algumas cinzas...
2. ONDE HOUVE FOGO, RESTAM CINZAS...
Esta é a razão principal deste artigo. Se onde houve fogo restam
cinzas, é inevitável que onde houve um grande incêndio restem também
uma quantidade ainda maior de cinzas. E esse é o grande problema
eclesial de nossos dias! Mas neste caso devemos dizer também:
"Onde houve gelo, o frio tende a cair", parafraseando uma
"teóloga" da libertação que no mencionado Congresso disse
que havia um "inverno eclesial". É indubitável que há
lugares e ambientes onde isso ocorre, entretanto isso se dá
precisamente - como consequências secundárias - pelo fato de muitos
seminários, institutos e universidades católicas terem adotado,
durante muito tempo, essa corrente teológica. Assim, ainda que esta não
esteja mais presente fisicamente, restaram suas "cinzas" ou
o "gelo". Entre os grandes problemas e desafios enfrentados
pela Igreja atualmente, já não se enumeram os "teólogos da
libertação ou liberais", nem a corrente teológica por eles
promovida. Não! O problema grave, de proporções internacionais, é
as "cinzas" ou seqüelas que deixaram dentro de amplos
setores eclesiais e que muitos não estão conseguindo perceber. Como
missionário em diversos países de todo o continente [americano]
nestes quase 18 anos, pude analisar o desenvolvimento e impacto da
"Teologia da Libertação" e constatei tristemente que as
"cinzas" são maiores e mais graves do que alguns imaginam.
E se queremos enfrentar [esses problemas] com visão cristã neste início
de milênio, precisamos apontar [essas cinzas] e colocá-las de lado
para que a luz de Cristo possa brilhar com
plenitude.
2. PRIMEIRA CINZA: O EXCESSIVO
HORIZONTALISMO DA FÉ
A partir do Concílio Vaticano II, novos ventos sopraram na Igreja,
servindo para impulsioná-la a viver sua fé em conformidade com os
tempos atuais. No entanto, ao mesmo tempo, surgiram grandes desequilíbrios
em razão de uma má interpretação do mesmo, ou melhor, pela
polarização de alguns aspectos teológico-pastorais. Entre estes,
cabe destacar a sobrevalorização da dimensão horizontal da fé,
polarizado pela Teologia da Libertação, onde a opção pelos pobres
se converteu no eixo central do ser e do dever teológico-pastoral.
Quase imperceptivelmente, sem nos darmos conta, o valor positivo da
projeção social do Evangelho ou promoção humana foi se convertendo
no "eixo" sobre o qual gira a pastoral. A Teologia da
Libertação, com uma "opção pelos pobres" baseada na luta
de classes e em um reducionismo da salvação em favor da libertação,
foi desaparecendo pelas causas já apontadas. Porém, a
"cinza" ficou manifesta como se fosse algo positivo,
transformando-se em um excessivo "horizontalismo da fé",
atualmente muito mais perigoso e extenso em amplos setores eclesiais.
Já o papa João Paulo II e alguns bispos apontaram no documento
"Igreja na América", fruto do Sínodo [da América]:
"De outro lado, como assinalaram alguns Padres sinodais, deve-se
perguntar se uma pastoral orientada de modo quase exclusivo às
necessidades materiais dos destinatários não esteja defraudando a
fome de Deus que têm esses povos, deixando-os assim em uma situação
vulnerável diante de qualquer oferta supostamente espiritual. Por
isso, 'é indispensável que todos tenham contato com Cristo mediante
o
anúncio querigmático gozoso e transformador, especialmente através
da pregação na liturgia'" (nº 73, Exortação Apostólica
Ecclesia in America). É triste, mas é certo. Se uma
meia-verdade pode produzir mais dano que uma mentira, um desequilíbrio
pastoral permanente pode ser mais danoso que uma heresia, a qual é
mais simples de ser detectada. Uma mentalidade simplista e ingênua
poderia pensar: "Que mal poderia haver em se fazer uma opção
pelos pobres, os órfãos, os imigrantes, os analfabetos, os
oprimidos, os indígenas...? Que mal poderia surgir quando a pastoral
é centrada em hospitais para enfermos, asilos para idosos, centros de
atendimento para aidéticos, casas para mães solteiras, entidades de
assessoria legal para imigrantes, restaurantes para os pobres, escolas
de alfabetização, escolas-oficinas de costura e carpintaria, fundações
de assistência social, escolas católicas, órgãos de defesa dos
direitos humanos, abrigos para mulheres mal-tratadas, dispensários médicos
em zonas marginalizadas? O que há de mal? Quase nada. Mas se formos
ler de novo e com atenção, falta a razão principal de todo o
anterior e o que distingue a Igreja de ser uma mera organização de
promoção humana. Falta JESUS CRISTO!
Todas as linhas de ação mencionadas acima podem ser adotadas também
por um ateu, um muçulmano ou um seguidor da Nova Era. Um humanismo
com verniz de Cristianismo. Nada mal, porém... Nada mal, se fôssemos
uma organização de assistência pública. Nada mal, se fôssemos um
órgão governamental de promoção social. Nada mal, se fôssemos um
centro autônomo de prevenção ao câncer. Nada mal, se fôssemos uma
divisão da Cruz Vermelha. Nada mal, se fôssemos uma organização não-lucrativa
de assessoria legal. Nada mal, se fôssemos uma fundação para o
desenvolvimento social.
Nada mal, se fôssemos um instituto de liderança socio-política.
Nada mal, se fôssemos apenas uma Organização Não-Governamental...
O problema não está em fazer o que foi apontado, mas a realidade em
muitas dioceses e paróquias de todo o continente é que existe um
desequilíbrio pastoral, que se preocupa em cobrir as necessidades
materiais, criando um vazio espiritual que está sendo preenchido
pelas seitas e pela Nova Era. Como disse certo teólogo americano:
"Em diversos lugares da América, a Igreja Católica fez opção
pelos pobres... E os pobres fizeram opção pelos pentecostais".
Óbvio! O pobre e necessitado encontra refúgio para suas necessidades
materiais na Igreja Católica, mas não encontra especialistas na
mesma proporção para as suas necessidades espirituais; terminam,
assim, procurando uma
seita evangélica ou até mesmo um bruxo ou astrólogo para curar os
seus males [espirituais]. Muitas "Martas" preocupadas com o
material e poucas "Marias" aos pés
do Mestre. Não se trata de acabar ou diminuir o primeiro, mas
aumentar o segundo dada a grave urgência. A "primeira
cinza" da Teologia da Libertação que deve ser varrida é
"uma pastoral orientada de modo quase exclusivo para as
necessidades materiais dos destinatários, que acaba por defraudar a
fome de Deus que esses povos têm", tal como indicou o documento
"Igreja na América". Temos defraudado o homem de hoje, pois
ao vermos tão de perto o sofrimento humano, desfocamos o valor do
divino: Avançamos na projeção social da fé, mas perdemos na dimensão
pessoal do Evangelho; Ganhamos na promoção humana, mas perdemos na
promoção divina; Redescobrimos o valor do homem, mas esquecemos da
supremacia de Deus; Melhoramos na ordem temporal, mas pioramos na
ordem espiritual; Supervisionamos a ortopráxis, mas nos
desinteressamos pela ortodoxia; Defendemos a vida humana, mas deixamos
de defender a fé divina; Enriquecemos a prática da caridade, mas
empobrecemos a ação pastoral;
Falamos de libertação, mas silenciamos a salvação;
Especializamo-nos nas necessidades materiais, mas viramos novatos nas
necessidades espirituais; Valorizamos o corpo, mas descuidamos a alma;
Pusemos os pés na terra, sim; mas nosso coração deixou de estar no
céu.
Se você duvida disso ou pensa em duvidar, leia antes as notícias diárias
da Agência Fides, fundada "para dar a conhecer as obras das missões".
Acesse durante 5 dias consecutivos as notícias divulgadas ali e em
outros meios eclesiais e perceba como 4 entre 7 notícias dizem
respeito a obras de promoção humana. Até os meios católicos estão
vendo mais "notícia" nas questões sociais do que nas
evangelizadoras.
Se faltam vocações e missionários ou se as congregações
religiosas estão diminuindo, nem se fala. Sejamos honestos e deixemos
de culpar o materialismo, o secularismo ou o hedonismo. O problema não
vem de fora, mas de dentro. Nos setores onde caíram as
"cinzas" da Teologia da Libertação vivida como uma
sobrevalorização da promoção humana, ali é que se paga as
conseqüências: algumas congregações de religiosos e religiosas,
algumas dioceses, alguns seminários, algumas universidades "católicas"
e alguns centros de formação. A infidelidade a Deus demonstrada por
um desinteresse ao eminentemente espiritual tem um [alto] preço a ser
pago. Irmão sacerdote, Irmã religiosa,
Irmão bispo, devemos pedir perdão ao homem atual por defraudá-lo do
bem supremo: o próprio Deus. Porém, sobretudo, pedir perdão a Deus,
pois a medida do homem não se encontra no próprio homem, mas na
altura de Jesus Cristo.
Não podemos calar a verdade sobre o homem, a verdade sobre a Igreja e
a verdade sobre Deus. É por isso que as pedras (=seitas e Nova Era)
estão gritando (cf. Lucas 19,40). Se na sua diocese, instituto
religioso ou paróquia isso não acontece, não se preocupe. Como
dizemos no México: "Te digo, João, para que me entendas,
Pedro". O horizontalismo da fé é uma "cinza" da
Teologia da Libertação que deve ser removida com urgência. Tal como
o convite feito há alguns dias atrás por Sua Santidade Bento XVI:
"...não apenas para os jovens, mas também para as comunidades e
os próprios pastores de 'tomar cada vez mais consciência de um dado
fundamental para a evangelização: onde Deus não ocupa o primeiro
lugar, ali onde não é reconhecido e adorado como o Bem supremo, a
dignidade do homem se põe em perigo'".
4. SEGUNDA CINZA: A PERDA DO SAGRADO
Como conseqüência lógica da "cinza" anterior, brota a
segunda como efeito inevitável. A última página escrita pelos
"teólogos liberais" se converte na cinza onde a dimensão
vertical na teologia e na pastoral brilha por sua ausência. É óbvio
que ao desequilibrarmos a dimensão horizontal da fé
[supervalorizando-a] acabamos infravalorizando o plano vertical da
mesma. Por isso, hoje em dia é muito comum nas "homilias" não
se falar do céu, da salvação, do purgatório, da conversão
pessoal, do juízo, do pecado mortal, da imoralidade, do valor da Bíblia,
dos sacrilégios, do adultério, da castidade, da vida eterna e muito
menos do inferno e de Satanás. Novíssimos, realidades últimas ou
escatologia -não importa o nome - isso e tudo o que cheira a
"espiritual" está em último lugar na escala dos temas a
ser pregados na homilia dominical; são esquecidos ou silenciados por
não poucos sacerdotes, bispos e, sobretudo, pelos teólogos. Os
seguidores das cinzas da Teologia da Libertação radical chamam:
"Fanático religioso" àquele que crê nos exorcismos;
"Antiquado" ao sacerdote que passa horas no confessionário;
"Espiritualistas" aos que promovem cursos para aprender a
orar; "Fundamentalistas" àqueles que promovem o uso da Bíblia
na pastoral; "Conservadores" aos que estimam em alto grau o
sentido sagrado e sacrificial da Missa; "Retardados" àqueles
que falam de Satanás como um ser espiritual; "Pré-conciliares"
aos que decidem defender a fé; "Ignorante" aquele que fala
da escatologia transcendente da Escritura. Todavia, no ano passado,
durante um congresso organizado pela Conferência dos Religiosos e
Religiosas do Peru (CONFER), ramo local da Conferência
Latino-Americana dos Religiosos e Religiosas (CLAR), foi lançado em
Lima um duro ataque contra os novos carismas, espiritualidades e
movimentos. Em muitas dioceses, onde há líderes com essa forma de
pensamento, são os movimentos eclesiais que sofrem os ataques,
perseguições e obstáculos para o seu apostolado. Para eles, os
piores são os cursilhistas, a Renovação Carismática, o MVC, os
neo-catecúmenos, a defesa da fé, as oficinas de oração... Existem
centenas de testemunhos e abusos conhecidos e vividos pessoalmente por
sacerdotes ou líderes cuja única posição válida é a da Teologia
da Libertação. Falam de "libertação" mas acabam sendo
"opressores" no mesmo estilo do presidente Hugo Chavez. Eis
aí a grande "cinza" deixada pela Teologia da Libertação
em seus 25 anos de vida. Imagine se tivesse durado 40 ou 50 anos...
Sejamos honestos e sinceros; se queremos avançar, é urgente
recuperar o valor inigualável do celestial. Ainda que a alguns isso
lhes pareça "angelismo", pouco importa a nós e pouco
importa ao Papa. Importa a ti? Você deve decidir entre "agradar
aos homens ou agradar a Deus" (Atos 5,29). Com razão, ganha força
a seguinte frase do agora Papa Bento XVI: "Ter uma fé clara,
baseada no credo da Igreja, costuma ser rotulado como
fundamentalismo". Isso foi dito pelo Card. Ratzinger poucas horas
antes de ser eleito sucessor de São Pedro. Por que devemos nos
queixar da falta de compromisso do leigo, da escassez de vocações
sacerdotais, do materialismo reinante, da redução de membros da vida
religiosa e da pouca atração da vida sacerdotal se naquilo que deveríamos
ser especialistas - no sagrado ou religioso – o temos eliminado,
expulsando-o como se fosse um estrangeiro indesejado? Nós mesmos,
[sacerdotes], em muitos ambientes, lugares e setores eclesiais, temos
visto o claramente sagrado como um obstáculo a mais.
Igualmente, há algum tempo atrás, disse o então Card. Ratzinger:
"Esta Europa, cristã de nome, é, há 400 anos, a cunha de um
novo paganismo. A imagem da Igreja na era moderna está caracterizada
fundamentalmente no fato de que se converteu em uma igreja de pagãos.
Já não se trata, como outrora, de pagãos convertidos ao
Cristianismo, mas de uma igreja de pagãos que se intitulam todavia
cristãos, porém que na realidade se converteram em pagãos". O
mesmo podemos dizer da América e nada mais
se pode esperar quando o sagrado é passado para o segundo, terceiro
ou último plano. Como diria João Paulo II: "Se não há lugar
para Cristo, não há lugar para o homem". Tampouco sobre este
aspecto podemos deixar de mencionar Paulo VI quando disse:
"Não há verdadeira evangelização enquanto não se
anuncia o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério
de Jesus de Nazaré, Filho de Deus. A história da Igreja a partir do
discurso de Pedro na manhã de Pentecostes, se mistura e se confunde
com a história deste anúncio. Em cada nova etapa da história
humana, a Igreja,impulsionada continuamente pelo desejo de
evangelizar, não tem mais que uma preocupação: a quem enviar para
anunciar o mistério de Jesus? Em qual linguagem anunciar este mistério?
Como expandir e chegar a todos aqueles que devem escutar? Este anúncio
- querigma, pregação ou catequese - adquire uma posição tão
importante na evangelização que, com freqüência, é na realidade
um sinônimo. No entanto, não deixa de ser um aspecto" (Evangelii
Nuntiandi nº 22).
Esquecer o importante para atender o urgente não é um bom
princípio pastoral. É necessário voltar ao Deus que dá vida e
sentido à missão da Igreja e a toda autêntica teologia.
"A finalidade da missão é uma humanidade transformada em uma
glorificação viva de Deus, o culto verdadeiro que Deus espera: este
é o sentido mais profundo da catolicidade, uma catolicidade que já
nos foi doada e para a qual, no entanto, devemos avançar sempre de
novo. Catolicidade não apenas expressa uma dimensão horizontal, a
reunião de muitas pessoas na unidade; inclui também uma dimensão
vertical: somente dirigindo nosso olhar a Deus, somente abrindo-nos a
Ele, podemos chegar a ser realmente um". (Bento XVI, Homilia na
Festividade de São Pedro e São Paulo, 29.05.2005).
Não seria por esta "falta" de olhar a Deus que isto
ocorre: a pouca importância em visitar o Santíssimo; a falta de
templos expiatórios onde sempre esteja exposto o Jesus sacramentado;
o desaparecimento de muitos lugares de adoração noturna por falta de
apoio do sacerdote e desinteresse das pessoas; a redução das vocações
à vida religiosa; a ausência da "hora santa" em muitas paróquias
ou a pouca assistência à mesma e a irreverência na Sagrada
Eucaristia mediante os inúmeros abusos litúrgicos? Como disse um irmão
em Cristo: "Reconheçamos quão mal temos interpretado a
criatividade e a participação que exige o nosso tempo. A Igreja de
Nicéia, a Igreja de Constantinopla, a Igreja de Latrão, a Igreja de
Trento e a Igreja do Concílio Vaticano II são as mesmas. A Igreja
Católica, Apostólica e Romana não nasceu há meros 40 anos". A
Igreja de Cristo, como sua esposa (Efésios 5,25), nasceu de sua
crucificação e não pode ser outra Igreja. Irmão sacerdote, Irmão
bispo, perder o valor do sagrado é forçar as pessoas buscarem nas
"amantes espirituais" (=seitas) o que não lhes manifestamos
sobre a presença divina e salvadora de Jesus Cristo. O povo não está
apenas sedento de paz e justiça; o povo está sobre tudo sedento de
Deus e o vazio deixado pelo materialismo, o consumismo e o
capitalismo... Ou reajustamos a dimensão vertical da nossa fé, como
diz o Papa, ou aumentarão as seitas e a Nova Era. Recuperar o valor
do sagrado e sobretudo o imenso valor da Missa é "unir o céu e
a terra" (Ecclesia de Eucaristia nº 8). Será esta perda ou
diminuição do sagrado manifestado em sintomas como: o fato de que a
grande maioria dos movimentos que têm surgido nas últimas décadas não
foram fundados por sacerdotes nem religiosos; ou o fato de que os
abusos na Eucaristia, assinalados no documento sobre as normas litúrgicas,
manifestam esta perda do sagrado dentro do sacratismo. Às vezes, na
pastoral, se critica que muitas paróquias desenvolvem sua pastoral de
forma "sacramentalista", isto é, centradas no cultual, ou
relacionada com os sacramentos. No entanto, cremos que o problema é
ainda maior, pois já nem sequer "nisso" somos
especialistas, já que a queixa constante de muitos leigos é o pouco
apreço ou desinteresse pelas "coisas sagradas" da parte de
muitos sacerdotes. Talvez no caso do padre Pio, com sua incrível força
de atração de milhares ou milhões para a sua obra, não é por seus
"estigmas", mas porque nele viram refletido o ideal de um
sacerdote que viveu em plenitude seu sacerdócio, como deveria fazer
qualquer outro sacerdote. E em honra à verdade e em um ambiente de sã
autocrítica, falemos a verdade: Não há crise de vocações
sacerdotais. A partir da perspectiva que estamos abordando, trata-se
melhor de uma crise de fé em muitos pastores, manifestada por uma
sobrevalorização da dimensão horizontal da fé e uma queda da
verticalidade da mesma. São "cinzas" da Teologia da Libertação
que muitos ainda seguem sem perceber e já não podemos nos calar sob
pena de sofrer outras conseqüências. Uma prova simples e 100% infalível
de que não existe uma crise de vocações é o fato indiscutível de
que os institutos religiosos, seminários, dioceses e movimentos que
reequilibraram a dupla dimensão da fé não sofrem de falta de vocações.
Por que os Legionários de Cristo, Lumen Dei, Apóstolos da Palavra,
Servidores da Palavra, Escravos da Eucaristia, Instituto do Verbo
Encarnado, Servas dos Sagrados Corações, Opus Dei e inclusive o
Neo-Catecumenato têm vocações sacerdotais nos mesmos lugares onde
os outros não as tem? A resposta é muito simples para aquele que
deseja a verdade: o fator comum entre eles é que a todo
"sagrado" estão lhe dando seu justo valor na forma de
viver, crer, celebrar e defender a fé. Reequilibraram a dimensão
vertical e horizontal da fé. Ao contrário, há outros que não o
fazem e pagam as conseqüências. Todos os acima mencionados e outros
ainda desenvolvem uma grande obra de promoção humana, porém,
removeram também as "cinzas" e manejam a dupla dimensão
simultaneamente. Não se pode querer ter vocações sacerdotais e
religiosas sem se manifestar com clareza o divino da nossa fé. Não
se pode colher onde não foi semeado. Evangelizar e sacralizar o
sagrado, ainda que pareça ser redundante, é uma prioridade. Temos
assim o que disse Nosso Senhor Jesus Cristo: "Aquele que pode,
que entenda"; ou como dizemos no México: "Sapateiro, aos
teus sapatos".
5. TERCEIRA CINZA: OS LIBERAIS
EM VIAS DE EXTINÇÃO
No início do artigo, mencionamos que um dado irreversível é o
desaparecimento "por extinção" dos teólogos da libertação,
pois não possuindo a semente da vida, não há quem queira seguir os
seus passos. Embora eles aleguem que [estão desaparecendo] pela
"perseguição", na verdade [desaparecem] pela "extinção",
pois não há quem dê um passo à
frente por algo que venha desaparecer. No entanto, se queremos ser
mais precisos e realistas, não devemos perder de vista que ainda
existem alguns de seus seguidores em quase todo o mundo. Dois ou três
em cada diocese já não declaram abertamente
sua filiação à Teologia da Libertação para não prejudicar seus
interesses pessoais. O grave, aliás, não é que sejam muitos. Não!
O grave é que se encontram em postos-chaves nas dioceses, seminários,
institutos de teologia etc., e a partir daí, nem fazem nem deixam
fazer, filtrando sutilmente sua ideologia. Calar esta verdade não é
típico de cristãos e deixá-la passar sem fazer nada é uma traição
ao Evangelho. As características comuns dessas pessoas se manifestam
de diversas maneiras e graus, porém geralmente são estas:
Preocupam-se mais com a linguagem inclusiva do que pela sagrada
Eucaristia. Atacam constantemente a hierarquia da Igreja. Falam de
ecumenismo como se fosse indiferentismo. Se alguém fala contra a
Teologia da Libertação, então é pior; a pessoa tem que sair dali
pois acaba sendo vista como alguém pior que um herege.Se alguém não
se alinha [com a Teologia da Libertação] é rotulada como retrógrado
pré-conciliar. Os exemplos a serem imitados são Boff, Gutierrez,
Sobrino, Casaldáliga... A pessoa pode falar mal do Papa, mas nunca
pode falar mal destes outros, pois farão o impossível para expulsá-la
da sua paróquia ou diocese.Formam círculos de isolamento entre seus
companheiros afins. Isto lhes serve para proteção, mas também para
atacar e não deixar entrar em sua esfera nenhum "papista",
qualificando desta maneira aqueles que estão em comunhão com o Santo
Padre. Atacam pelas costas, pois perderam a capacidade de dialogar.
Chamam todo grupo de CEB's (=Comunidades Eclesiais de Base), quer uma
comunidade de evangelização, quer um grupo de oração ou círculo bíblico...
Fazem isto porque como já quase não existem nem crescem, dão essa
aparência ao relatar que em sua diocese existem CEB's.
"Desmistificam" - segundo eles - a Palavra de Deus.
Sentem-se defraudados pela eleição do Cardeal Ratzinger como novo
Pontífice. Pensam nos pobres, mas vivem como ricos. Têm o escritório
como lugar favorito para o apostolado.
Pensam pelos pobres ao invés de deixá-los pensar por si mesmos. A
falta da vivência da fé provoca nestes uma asfixia espiritual, pois
ninguém dá o que não tem. Para eles, Ratzinger era um
"atraso" e a "Dominus Iesus" uma contradição;
agora alguns não sabem o que fazer ou se dedicam a outras tarefas.
Sua teologia moral é questão de atitudes e o aborto e a
homossexualidade coisas sem importância. Sua teologia tem como
plataforma uma disfarçada análise marxista da realidade, onde a
"luta de classes" é o principal. Nos "possuídos"
apenas vêem uma patologia psicológica; nos
"estigmatizados", uma projeção psicossomática; e nos
"místicos", indivíduos com sérios transtornos mentais.
A Bíblia para eles é secundária e deve ser lida sob a chave
libertacionista. Sua interpretação tende a considerar quase tudo
como simbólico e o Magistério da Igreja é deixado de lado, pois
dizem que não é infalível e por isso mesmo não deve ser obedecido.
Nunca falam de Satanás e exorcismo; "Deus os livre disso!".
Amam a "libertação", mas desconhecem a doutrina social da
Igreja. Já não afirmam serem aderentes à Teologia da Libertação,
mas seus corações e atos dependem dela. Agora imagine estes irmãos,
com algumas destas características, que continuam sendo reitores de
seminários, diretores de institutos de teologia, superioras de
comunidades religiosas, coordenadores da pastoral vocacional,
professores de universidades católicas, vigários de pastoral,
associados da pastoral juvenil, diretores espirituais em seminários,
coordenadores ou secretários em órgãos diocesanos... Por isso
estamos assim...
Oito exemplos disto:
- Há
poucos anos, teólogos liberais da Associação de "Teólogos"
João XXIII redigiram uma carta em que pediam a renúncia do Papa
João Paulo II. Eles mesmos atacam constantemente a hierarquia. O
problema, todavia, é que muitos deles são professores em
universidades católicas, em faculdades de teologia e em seminários,
onde se "forma" ou "deforma" os sacerdotes
desta época em que vivemos. Não é necessário pensar muito para
se imaginar as conseqüências.
- Também
há alguns anos, um superior geral de uma conhecida ordem
religiosa foi entrevistado por uma agência "católica"
de notícias e disse: "A HERESIA atual é o abandono dos
pobres, a injustiça etc.". Ou seja, segundo ele, a missão
eclesial é não deixar que haja pobres no mundo. Se assim pensa o
superior geral, o que não pensarão muitos dos religiosos dessa
Congregação espalhados pelo mundo e que "formam" os
agentes de pastoral das paróquias...
- Teólogos
da libertação se reuniram na Universidade de Notre Dame para
"refletir" sobre o fenômeno proselitista das seitas e
seu crescimento. Sua conclusão foi: para as seitas não
crescerem, dever-se-ia permitir a ordenação de mulheres
sacerdotisas, admitir sacerdotes casados e considerar normal o
homossexualismo praticado por alguns sacerdotes. Com essa espécie
de "catedráticos" e "teólogos", não fazem
falta os inimigos!
- Pouquíssimo
valorizado é o sagrado em alguns setores eclesiais. Há alguns
dias saiu a notícia de um bispo cujo "companheiro"
homossexual o denunciou por alguns problemas ocorridos entre eles.
O surpreendente neste caso não foi esse fato em si, mas alguns
católicos que com toda a tranqüilidade afirmaram que isso fazia
parte de sua vida privada e o que importava é que o bispo estava
sempre comprometido com "as causas dos pobres". Pelo
visto estes irmãos em Cristo já não consideravam mais o
sagrado, como também a moral. O importante para eles era "a
Igreja dos pobres", a "opção pelos pobres", as
"causas dos pobres", o "pecado social", a
"injustiça social"... O resto podia ser desconsiderado.
- Os
livros escritos por teólogos desta linha, com seus concebidos
erros e ataques ao Magistério da Igreja, são normalmente
vendidos nas livrarias católicas de muitos países. Autores como
Leonardo Boff, Clodóvis Boff, Gustavo Gutierrez...
- Há
alguns dias, um bispo austríaco renunciou, pois em sua diocese
havia muitas queixas acerca de uma série de abusos que estavam
ocorrendo na liturgia. O Vaticano anunciou que o bispo de Linz,
Mons. Maximilian Aichern, de 72 anos, renunciou a diocese que
governava desde 1982. Sua renúncia foi aceita de acordo com a
norma do cânon 40 do Código de Direito Canônico, que justifica
esta renúncia em razão de "enfermidade ou outra razão
grave". A renúncia geralmente é feita após os 75 anos. De
fato, há alguns dias um amigo nos informou sobre um certo
professor de religião que ensinava e defendia em um colégio católico
a homossexualidade como algo normal no Cristianismo.
- Em
diversos lugares do continente, existem institutos de teologia
ligados às dioceses, onde há professores que apóiam esta
corrente teológica, embora os alunos tentem se fortalecer na fé,
para lutar por sustentá-la apesar de seus mestres atacarem o Papa
e o Magistério da Igreja. Às vezes, os próprios sacerdotes
preferem não enviar os leigos comprometidos de sua paróquia.
Agentes de pastoral "aprendem" erros como: o Magistério
da Igreja não é importante; qualquer religião vale a mesma
coisa; o importante não é evangelizar, mas erradicar a pobreza;
[a Igreja] deve se atualizar e ordenar mulheres sacerdotisas; o
homossexualismo não é um mal, mas uma opção de vida; a fé não
precisa ser defendida, mas sim os pobres; a Bíblia serve apenas
para a fé subjetiva; a Igreja Católica está repleta de erros...
- Poucos
meses antes da Conferência Geral dos Bispos em Aparecida
(Brasil), um sacerdote que atua como comunicador em um escritório
do Vaticano para a América Latina disse: "Da Igreja Católica,
comunidade das comunidades, se espera excelência e exemplo em
cada ação que humaniza a sociedade secularizada... Não se trata
de encarar a idéia de que nossa Mensagem de Salvação deve ser
buscada pelos demais, já que é certo que a nossa missão é 'ir
evangelizar todos os rincões da terra'; este mandato divino se
traduz em ser discípulos que utilizamos instrumentos que a Divina
Providência nos colocou à disposição, assim como faria o Apóstolo
das Gentes, Paulo de Tarso". Assim,segundo este sacerdote e
comunicador, o evangelizar pode ser"traduzido" em
humanizar a sociedade e o porém é que muitos pensam como ele.
Por isso estamos assim.
Não há dúvida de que todos os sacerdotes, bispos, religiosos,
professores de seminários e líderes leigos devem dar uma boa lida e
estudada na carta magna sobre a evangelização: a "Evangelii
Nuntuandi" (Para Anunciar o Evangelho), do Papa Paulo VI. Isto
porque muitos conceitos básicos e fundamentais estão sendo
deformados com graves conseqüências. Por tudo isso, muitos
sacerdotes preferem não enviar os fiéis de sua paróquia para esses
"institutos católicos". Óbvio, pois ao invés de formar...
"deformam" a fé cristã. Não se esqueça, todavia, que
restam alguns "liberais" em diversos graus por aí. Contudo,
os que ainda existem continuarão promovendo um grande dano à Igreja.
Oremos para
que se convertam à plena comunhão com a Igreja, unindo-se ao Magistério
eclesial do Papa, ou seja, Bento XVI. Ao mesmo tempo, é urgente que
os bispos tomem conhecimento deste assunto, pois a eles foi confiado o
rebanho, para conduzi-lo ao redil de Jesus Cristo.
6. AS SEITAS E A NOVA ERA: CONTAS A PAGAR MOTIVADAS PELO
HORIZONTALISMO DA FÉ
Se para cada tese existe uma antítese; para cada ação uma reação;
e para cada força centrífuga existe outra igual, porém em sentido
contrário chamada centrípeda, então os desequilíbrios na teologia
e na pastoral produzidos pelas cinzas da Teologia da Libertação
radical não fizeram por esperar. Em relação ao avanço das seitas
religiosas e da Nova Era, algo que precisamos sublinhar e que já está
caindo em domínio público é o fato de que os vazios pastorais que
possuímos estão sendo preenchidos pelas seitas fundamentalistas e
pelo neopaganismo da Nova Era. São as contas que estão sendo
cobradas de nós diariamente. Um antropocentrismo disfarçado de
Cristianismo e uma perda do sagrado que esquece de colocar Deus no
centro da fé não pode ficar sem pagar. Muitos líderes católicos em
todos os níveis têm se dedicado completamente à promoção humana e
invertem os melhores recursos humanos e econômicos no seguinte: ajuda
ao indigente; alimentação para os pobres; criação de oficinas de
formação técnica; organização de cursos de alfabetização; criação
de organismos diocesanos de assessoria aos imigrantes; apoio aos
asilos de idosos; criação de instituições católicas de apoio jurídico;
edificação de colégios católicos; criação de centros de apoio às
mães solteiras...
Por acaso isto é ruim? Logicamente que não! Pelo contrário, é
excelente e deve aumentar muito mais. O problema grave é que na área
pastoral e de evangelização não estamos nos mesmos níveis e é
também onde deveríamos ser especialistas. Não são poucos os casos
onde há um verdadeiro horizontalismo da fé, onde a pastoral e a
evangelização ocupam o quinto ou sexto lugar de importância na paróquia
e na diocese. Faz-se urgente equilibrar as forças e isso depende em
algo grau dos líderes: bispos, sacerdotes e leigos. Uma forma muito
simples de medir quais são as prioridades na pastoral é verificar
quanto dinheiro se reverte para a promoção humana e quanto para a
evangelização, tanto em nível paroquial quanto diocesano. O
resultado tem sido inacreditável. Muitos líderes são especialistas
em promoção humana e débeis
em pastoral. A
grande maioria do dinheiro revertido em muitos lugares vai para
projetos de obras sociais.Existem dioceses onde há apenas um único
centro de evangelização e 10 ou 20 obras de promoção humana: médicas,
legais, assistenciais, educacionais, recreativas, sanitárias... Essas
obras são más? Não! Porém o desequilíbrio é gritante, pois a
pastoral profética ou evangelizadora não está na mesma proporção.
O líder católico é especialista em "caridade" e o líder
protestante, em "evangelização". Que maravilha! Por isso
as seitas, apesar de todos os seus erros e absurdos doutrinários,
continuam crescendo e não passam por problemas de falta de
compromisso, falta de vocações, nem falta de recursos econômicos.
Até os muçulmanos mais fundamentalistas estão crescendo em todo o
mundo. Por isso, milhões de católicos têm abandonado a fé para ir
fortalecer as fileiras do sectarismo. Ser líder de visão é corrigir
este aspecto; de outra maneira, alegremente continuarão a dizer:
"Graças à Igreja Católica continuo a ter apoio legal, físico,
alimentício e educacional; mas como também preciso de Deus, vou
procurar aqueles que me o dão". Como afirmou certo teólogo:
"A Igreja fez a opção pelos pobres, mas os pobres fizeram opção
pelos pentecostais". A cidade de Chiapas, no México, é um
exemplo disso e a verdade é que não são poucas as dioceses e paróquias
onde a evangelização é mais pobre que os pobres. Nesses locais
resulta que os especialistas no sagrado não são os líderes católicos,
mas os pastores protestantes. É urgente equilibrar este aspecto e
"varrer as cinzas" acima mencionadas, se na verdade queremos
acelerar o Reino de Deus na plenitude do Evangelho. Correções de
fundo devem ser feitas, atentando para o que o Magistério da Igreja
tem se pronunciado a respeito e aceitando a remoção das
"cinzas". Eis porque Jesus disse: "Nem só de pão vive
o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" (Mateus
4,4). Chegamos a um nível tão extremo que as fundações e
organismos católicos estão dispostos a apoiar economicamente
projetos sociais, educativos, legais, juvenis e até habitacionais
(!), mas a grande maioria não está disposta e nem pensa em apoiar
economicamente projetos pastorais e de evangelização, missionários,
estações de rádio, programas de televisão etc.
Brilham por sua omissão! Se você duvida, basta consultar o
diretório de fundações católicas para ver quantas fundações apóiam
obras de promoção humana e quantas apóiam a evangelização. Os
principais recursos humanos, econômicos e espirituais não estão
sendo empregados para a evangelização, para colocar o sagrado em
primeiro plano. Não será por isso que não estão surgindo vocações
para o seminário e a vida religiosa em muitos lugares? Não será
isto uma das razões para o crescimento das seitas?
Não seria isto um fator que impede o crescimento da comunidade ou que
resulta no fechamento dos templos católicos? Você não acredita que
a falta de especialistas no sagrado cause a falta de compromisso econômico
e pastoral dos católicos?
Pessoalmente estamos convencidos que sim! Não pode o homem de
hoje querer se aproximar das "coisas celestiais" se apenas
escuta falar das coisas terrestres, mesmo quando estas se tratam de
obras de caridade promovidas para ajudá-lo. De fato, as comunidades
protestantes que mais trabalham no pastoral não conhecem nenhum dos
problemas anteriores e, ao mesmo tempo, os institutos religiosos católicos
que equilibraram [as dimensões vertical e horizontal da fé] também
não lhes faltam vocações, nem contribuições
em dinheiro. Ao
contrário, as igrejas do protestantismo histórico que também caíram
[no erro de pregar] um evangelho social sofrem as mesmas conseqüências
e todas elas estão diminuindo o seu ritmo de crescimento.
É indubitável que este tema das seitas e o excessivo horizontalismo
da fé nos mostra que o crescimento das seitas às custas da Igreja
Católica é uma "conta" que está sendo paga pela falta de
equilíbrio pastoral, provocado em boa parte pelas "cinzas"
da Teologia da Libertação. As "cinzas" servem para nutrir
as "algas" e estas são consideradas como os primeiros
organismos vivos que apareceram sobre a terra.
Seguindo esta analogia, a "cinza" de nos centrarmos no
humano, esquecendo o divino, está se convertendo no
"nutriente" para que o homem regresse às primitivas
religiosidades pagãs, que ressurgem através da Nova Era. Por favor,
não se esqueça novamente do nº 76 das conclusões do Sínodo da América,
quando fala dos desafios das seitas. Os bispos e o Papa afirmam aí:
"De outro lado, como assinalaram alguns Padres sinodais, deve-se
perguntar se uma pastoral orientada de modo quase exclusivo às
necessidades materiais dos destinatários não esteja defraudando a
fome de Deus que têm esses povos, deixando-os assim em uma situação
vulnerável diante de qualquer oferta supostamente espiritual. Por
isso, 'é indispensável que todos tenham contato com Cristo mediante
o anúncio querigmático gozoso e transformador, especialmente através
da pregação na liturgia'". Ser líder de visão é começar a
reequilibrar os níveis de promoção
humana e evangelização. A Igreja existe para evangelizar (Evangelli
Nuntiandi nº 14). Estabelecer as bases da fé é essencial. De outro
modo, documentos eclesiásticos virão e irão, mas se as bases não
estiverem bem construídas, pouco efeito causarão. Não devemos nos
esquecer que a Cruz tem um madeiro horizontal que abraça tudo o que
se relaciona com a humanidade, mas também tem um madeiro vertical,
que une o homem com a Divindade. E essa cruz tem um Deus-Homem que se
chama Jesus Cristo.
Já é tempo de "cristianizar a Cristologia", para que
resplandeça a imagem perfeita do homem perfeito, Cristo Jesus. É
urgente possuir idéias claras e distintas na pastoral. Não esqueçamos
o que muitos teólogos liberais esqueceram e nos legaram como
"cinzas". Lembremos sempre que: “Na mensagem que a Igreja
anuncia há certamente muitos elementos secundários, cuja apresentação
depende em grande parte das mudanças de contexto. Tais elementos
mudam também”.
Porém, existe um conteúdo essencial, uma substância viva, que não
pode ser modificada ou deixada de lado sob pena de desnaturar
gravemente a própria evangelização" (Papa Paulo VI, Evangelii
Nuntiandi nº 25). "A evangelização também deve conter sempre
- como base, centro e cume de seu dinamismo - uma clara proclamação
de que
em Jesus Cristo
, Filho de Deus feito homem, morto e ressuscitado, se oferece a salvação
a todos os homens, como dom da graça e da misericórdia de Deus. Não
uma salvação puramente imanente, à medida das necessidades
materiais ou inclusive espirituais que se esgotam no quadro da existência
temporal e se identificam totalmente com os desejos, as esperanças,
os assuntos e as lutas temporais, mas uma salvação que ultrapassa
todos esses limites para se realizar em uma comunhão com o único
Absoluto Deus, salvação transcendente, escatológica, que começa
certamente nesta vida, mas que tem o seu cumprimento na
eternidade". (Papa Paulo VI, Evangelii Nuntiandi nº 26). Que
meus estimados teólogos da libertação me desculpem, mas as cinzas
que deixaram provocaram seqüelas muito graves e a melhor maneira de
varrer essas "cinzas" é deixá-las a descoberto, para que
os pastores, que devem "vigiar e apascentar o povo de Deus",
tomem ações concretas para colocar Deus como o centro da nossa fé.
A Constituição "Lumen Gentium" exorta os bispos para que
"com vigilância apartem da sua grei os erros que a ameaçam"
(25a) e convida os leigos para"difundir e defender a fé"
(11a). Recuperemos a identidade da nossa missão para sermos fiéis ao
Evangelho de Jesus Cristo.
"Queremos confirmar uma vez mais que a tarefa da evangelização
de todos os homens constitui a missão essencial da Igreja; uma tarefa
e missão que as mudanças amplas e profundas da sociedade atual
tornam cada vez mais urgentes. Evangelizar constitui, com efeito, a
felicidade e vocação própria da Igreja, sua identidade mais
profunda. Ela existe para evangelizar, isto é, para pregar e ensinar,
ser canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus,
perpetuar o sacrifício de Cristo na Santa Missa, memorial de sua
morte e ressurreição gloriosa" (Papa Paulo VI, Evangelii
Nuntiandi nº 14). Com efeito, se alguém tem ainda alguma dúvida,
recordemos o seguinte, já que as "cinzas" da Teologia da
Libertação têm provocado o aumento do problema em graves dimensões,
a ponto de muitos nem sequer enxergarem o problema que há muito tempo
foi denunciado pelos bispos e pelo Papa: "Não há razão
para esconder, com efeito, que muitos cristãos generosos, sensíveis
às dramáticas questões que trazem consigo o problema da libertação,
ao querer comprometer a Igreja no esforço de libertação, têm
sentido freqüentemente a tentação de reduzir sua missão às dimensões
de um projeto puramente temporal; de reduzir seus objetivos a uma
perspectiva antropocêntrica; [de reduzir] a salvação, da qual [a
Igreja] é mensageira e sacramento, a um bem-estar material; [de
reduzir] sua atividade - esquecendo toda preocupação espiritual e
religiosa - a iniciativas de ordem política ou social. Se isto fosse
assim, a Igreja perderia o seu significado mais profundo. Sua mensagem
de libertação não teria qualquer originalidade e se prestaria a ser
monopolizada e manipulada pelos sistemas ideológicos e partidos políticos.
Não teria autoridade para anunciar, da parte de Deus, a libertação.
Por isso, quisemos sublinhar na mesma alocução de abertura do Sínodo
'a necessidade de reafirmar claramente a finalidade especificamente
religiosa da evangelização'. Esta última perderia sua razão de ser
se desviasse do eixo religioso que a dirige: antes de mais nada, o
reino de Deus, em seu sentido plenamente teológico" (Papa Paulo
VI, Evangelii Nuntiandi nº 32). Estimado irmão bispo,
sacerdote ou religioso, reitores de seminários e professores de
teologia, Agentes de pastoral e
leigos em geral, o Papa Bento XVI em pouquíssimo tempo [de
pontificado] tem dito verdades urgentes e valiosas para vivermos a fé
com autenticidade. Um desses convites é "não apenas para os
jovens, mas também para as comunidades e os próprios pastores",
de "tomar cada vez mais consciência de um dado fundamental para
a evangelização: onde Deus não ocupa o primeiro lugar, onde não é
reconhecido e adorado como o Bem supremo, a dignidade do homem se põe
em perigo". O rumo pastoral deve ser corrigido e preciso, não se
esquecendo que "nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra
que sai da boca de Deus" (Jesus Cristo). Deus te abençoe
abundantemente. Não se esqueça que, para ser um autêntico cristão,
devemos lutar para conhecer, viver, pregar,celebrar e defender a fé.
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Para citar este artigo: MPD, Martín Zavala. Apostolado
Veritatis Splendor: TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO
Fonte: Recados do Aarão
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