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28/11/2007
As
seitas
O
PROBLEMA DAS SEITAS
(Padre Inácio José do Vale)
Segundo o estudioso dos movimentos religiosos o Padre Oscar Quevedo,
SJ, existem, só no Brasil, mais de 56 mil seitas e religiões.
“O problema das seitas que invadem a América Latina impugnando a fé
católica de nossas populações é muito grave e, como se depreende
dos seguintes dados”:
Na
América Latina a cada 400 pessoas abandonam a fé católica.
Na
Guatemala 25% da população já é protestante.
Em El Salvador
cerca de 30% dos católicos já passaram para as seitas.
No
México em 1970 os protestantes eram 880.000. Hoje são perto de
5.000.000 (cinco milhões).
“No Brasil também é evidente o avanço das seitas resultante, em
grande parte de ataques preconceituosos à Igreja Católica e da ignorância
religiosa do povo brasileiro”.
Consciente disto escreve o Papa João Paulo II na Carta Apostólica
sobre a Igreja na América: “Os progressos proselitistas das seitas
e dos grupos religiosos na América não podem ser contemplados com
indiferenças. Exigem da Igreja nesse continente um profundo estudo
que se deve realizar em cada nação e também a nível internacional
para descobrir os motivos pelos quais não poucos católicos abandonam
a Igreja”.
“O remédio a opor a tal problema é a intensificação do estudo
das verdades reveladas, especialmente dos pontos controvertidos pelos
novos pregadores”, afirma o especialista no assunto, o Teólogo
Beneditino Dom Estêvão Bettencurt (1).
Vejamos uma explicação abissal desse grande apologista da fé católica:
“A catequese tem-se ressentido de inoportuna timidez, tem aprimorado
sua metodologia, mas não raro apresenta um conteúdo muito diluído“para
não assustar” os catequizandos. A ignorância religiosa do povo
católico torna-o mais sujeito ao arrastão das seitas, cuja pregação
não raro deixa o católico perplexo e sem resposta, quando apresentam
argumentos inconsistentes. A multiplicidade de propostas religiosas
que bombardeiam o povo de Deus, se de um lado, é lamentável, de
outro lado tem a vantagem de obrigar os fieis a aperfeiçoar sua formação
doutrinaria para não serem carregados pelo vendaval” (2).
PROJEÇÃO
A
religiosidade do povo brasileiro aumentou, os evangélicos
(pentecostais e tradicionais) continuam cada vez mais numerosos, mas o
declínio do catolicismo, que era de 1% ao ano desde 1972, estancou
entre 2000 e 2003, e, a partir daí, acompanha o crescimento
populacional do país. A esta conclusão chegaram os analistas do
Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), cujo
economista-chefe, Marcelo Néri, apresentou recentemente no Rio de
Janeiro, o trabalho “Economia das religiões: mudanças recentes”,
interpretação dos dados do censo de 2000 e da Pesquisa de Orçamentos
Familiares (POF, 2003), realizados pelo IBGE.
Uma
projeção para 2007 indica que o Brasil, com uma população, hoje,
de 188,7 milhões de habitantes, teria 139,24 milhões de católicos e
43,64 milhões de evangélicos – 28,8 milhões de pentecostais e
14,8 milhões de evangélicos tradicionais.
“Esses dados são surpreendentes até para o Vaticano, onde se tinha
como certo que os católicos eram de 67% da população brasileira.
Posso assegurar que são 73,79%. Houve reação do catolicismo nesta década”,
diz Marcelo Néri (Valor 03/05/2007), p. A4).
FÉ FRAGILIZADA
No
encontro do Papa Bento XVI com os Bispos do Brasil na Catedral da Sé
em São Paulo
, em seu discurso de 11 de maio de 2007 disse:
“Entre os problemas que afligem a vossa solicitude pastoral está,
sem duvida, a questão dos católicos que abandonaram à vida
eclesial. Parece claro que a causa principal, dentre outras, deste
problema, possa ser atribuída à falta de uma evangelização
em que Cristo
e a sua Igreja estejam no centro de toda explanação. As pessoas mais
vulneráveis ao proselitismo agressivo das seitas – que é motivo de
justa preocupação – e incapaz de resistir às investidas do
agnosticismo, do relativismo e do laicismo são geralmente os
batizados não suficientemente evangelizados, facilmente influenciáveis
porque possuem uma fé fragilizada e, por vezes, confusa, vacilante e
ingênua, embora conservem uma religiosidade inata” (3).
No
outro discurso do dia 13 de maio de 2007, na sessão inaugural dos
trabalhos da V. Conferência Geral do Episcopado da América Latina e
do Caribe, na sala de Conferencia do Santuário de Aparecida, o Santo
Padre afirmou: “Percebe-se, contudo, certo enfraquecimento da vida
cristã no conjunto da sociedade e da própria pertença à Igreja Católica,
devido ao secularismo, ao hedonismo, ao indiferentismo e ao
proselitismo de numerosas seitas, de religiões animistas e de novas
expressões pseudo-religiosas” (4).
O
fenômeno das seitas para Igreja Católica é o grande desafio para
sua obra evangelística. A Igreja se defronta com ataques violentos
das seitas. Hoje o ataque vem com a alta tecnologia dos meios de
comunicação, internet e grandes editoras. Para lutar contra a Igreja
forma até partidos políticos e financiam converções de pessoas
influentes. Daí devemos alertar, instruir e conscientizar o povo católico
dessa engenhosa armação!
“Instruir o povo amplamente, com serenidade e objetividade, sobre as
características e diferentes das diversas seitas e sobre as respostas
às injustas acusações contra a Igreja” (Documento Santo Domingo,
n. 141).
O
Documento de Santo Domingo (CELAM, 12/10/1992), se manifestou sobre o
terrível perigo atual das seitas:
“O problema das seitas adquiriu proporções dramáticas e chega a
ser verdadeiramente preocupante, sobretudo pelo crescente
proselitismo”(n. 139).
O
Papa João Paulo II tinha consciência do perigo das seitas em
afirmar: “Certamente a expansão de seitas ‘constitui uma
ameaça para a Igreja Católica...’ (RM,50)”.
O
Santo Padre disse que na Conferencia de Santo Domingo em outubro de
1992, ficou claro para os bispos o seu perigo:
“O Documento final descreveu com clareza e precisão essas seitas e
movimentos, mostrou suas características e modos de atuar, deixou
claro os interesses políticos e econômicos envolvidos na sua expansão
em todos os continentes... (Conclusões do IV CELAM nn. 139 152)”.
Diante desse problema sectarista qual é a resposta?
Quem responde é o Papa Bento XVI. Na época era o Cardeal Joseph
Ratzinger, Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé.
“A resposta mais radical às seitas passa através “da descoberta
da identidade católica: é preciso uma nova evidência, uma nova
alegria, se posso dizer, é preciso mesmo um novo ‘brio’ (que não
contradiz a indispensável humildade) de sermos católicos. Deve-se
lembrar, além disso, que esses grupos atraem também porque propõem
às pessoas, sempre mais sozinhas, isoladas e inseguras, uma espécie
de ‘pátria da alma’, o calor uma comunidade. É justamente esse
calor, essa vida que, infelizmente, parece falar frequentemente entre
nós: onde as paróquias, esses núcleos básicos irrenunciáveis,
souberam revitalizar-se, oferecendo o sentido da pequena Igreja que
vive em união com a grande Igreja, ali os sectários não puderam se
estabelecer de modo significativo. A nossa catequese, além disso,
deve desmascarar o ponto sobre o qual insistem esses novos ‘missionários’,
isto é, a impressão de que a Escritura é lida por eles de modo
‘literal’, enquanto os católicos a teriam enfraquecido ou
esquecido. Essa literalidade é frequentemente a traição da
fidelidade. O isolamento de frases individuais e de versículos
desvia, faz perder de vista a totalidade: lida no seu conjunto, a Bíblia
é realmente ‘católica’. Mas é preciso que isso seja demonstrado
através de uma pedagogia catequética que habitue à leitura da
Escritura na Igreja e com a Igreja” (5).
O QUE É SEITA?
O
teólogo Dom Estêvão Bettencurt,OSB, diz que “uma seita (vem de
sectário é uma dissidência ou um grupo fechado que julga estar o
mundo corrupto, e pretende ter a verdade como patrimônio seu e solução
para todos os problemas da humanidade. Os membros das seitas são
geralmente submetidos a um regime autoritário, imposto por um líder
“iluminado” que lhe dificulta o senso crítico”.
A
multiplicação de seitas em nossos dias se explica, em grande parte,
por duas causas:
1)
O Individualismo subjetivismo e relativista da mentalidade moderna a
partir de Martinho Lutero (século XVI );
2)
A insegurança do homem contemporâneo, que sente angustia diante da
crise da sociedade e se dá por feliz, quando alguém, em nome de
Poder Superior, o acolhe e lhe propõe certezas e garantias (ainda que
fantasiosamente fundamentadas) (6).
O
doutor
em Ciências Sociais Giorgio
Paleari define assim: “Em seu sentido originário, seita representa
um grupo que contexta uma doutrina ou uma estrutura eclesiástica e,
como tal, constitui-se numa dissidência”.
Diz
mais: “Todo movimento religioso minoritário pode ser definido como
seita”.
A
teologia tomou essa palavra emprestada da língua latina. Ela
significa, antes, uma maneira de seguir um mestre e, sucessivamente,
revestiu-se de um significado de recusa e de separação, afirma
Paleari (7).
Portanto, a seita é um ajuntamento de crentes que acreditam cegamente
nos ensinos de seu líder. Este é tido como iluminado, profeta, guru,
santo, etc.
A
seita nasce de um cisma provocado por heresias, poder, dinheiro, luxúria
e loucuras.
É
visível no arraial das seitas o fanatismo, intolerável, proselitismo
e fechamento.
SEITA E A IGREJA
O
renomado teólogo John Vander Ploeg, O.P., doutor em teologia e doutor
em Sagrada Escritura
e membro da Academia Real de Ciências da Holanda afirma
magistralmente: “Nosso Senhor não fundou uma seita, mas a Igreja
que é a Universal, isto é, Católica” (8).
Quem, primeiramente, tentou uma definição de seita, relacionada ao
contexto social, em contraposição ao termo Igreja, foi sociólogo
alemão, Max Weber. Ele define Igreja como sendo uma Instituição de
Salvação, e seita, como um grupo dissidente mais rígido e fechado.
Seus adeptos devem ter comportamento exemplar. Desviar-se do modelo de
comportamento que a seita impõe comporta na expulsão do grupo
religioso. (cf. Weber, Max. “Tipos de Comunidade Religiosa”. In:
Economia Y Sociedad. México, Ed. F. Perez Alvarex, 1964).
Tamanha diferença existe entre seita e a Igreja de Cristo. Esta
conduz a salvação, aquela à perdição.
A
Santa Igreja Católica foi fundada uma única vez pelo Redentor e
Salvador Jesus Cristo, a seita foi e é fundada sempre por homens
pecadores, egoístas e de moral duvidosa.
A
Igreja do Deus vivo é coluna e sustentáculo da verdade (1 Tm 3,15),
a seita do deus deste mundo (2 Cor 4,4) é coluna de areia e sustentáculo
de falsas promessas.
“A Igreja é comunhão no amor. Esta é sua essência e o sinal
através do qual é chamada a ser reconhecida como seguidoras de
Cristo e servidora da humanidade” (DA n. 161).
Na
seita não existe comunhão e sim um ajuntamento por meio do medo e da
chantagem emocional pregada pelo líder. Aqui está assência das
seitas. O líder ajunta e pela ‘prisão mental’ os sectários
seguem e servem somente a seu grupo e ao líder. O individualismo e o
descaso com as questões sociais, são características principais das
seitas.
A
nossa missão é ser fiel a Cristo e a sua Igreja.
O Doutor da Igreja São João Crisóstomo e exortava: “não te
afaste da Igreja: nada é mais forte do que ela. Ela é a tua esperança,
o teu refúgio. Ela é mais alta que o céu e mais vasta que a terra.
Ela nunca envelhece”.
CONCLUSÃO
Só
a Igreja Católica tem um brilho único, uma beleza única, uma
riqueza de santos única e um Deus único verdadeiro para uma indefectível
Igreja única, fiel e verdadeira Esposa Imaculada do Esposo glorioso e
Imaculado.
Essa Igreja guiada na luz do Divino Espírito Santo, nunca vacilou e
jamais vacilará. Dizia Santo Agostinho, Doutor da Igreja e Bispo de
Hipona, no Norte da África: “Vacilará a Igreja se vacila o seu
fundamento, mas poderá talvez Cristo vacilar? Visto que Cristo não
vacila, a Igreja permanecerá intacta até o fim dos tempos”.
“Esta é a única Igreja de Cristo, que no símbolo professamos uma,
santa católica e apostólica, e que o nosso Salvador, depois de sua
ressurreição, confiou a Pedro para que ele a apascentasse (Jo
21,17), encarregando-o, assim como os demais apóstolos, de difundirem
e de a governarem (cf. Mt 28, 18-20), levantando-a para sempre como
“coluna e esteio da verdade” (1 Tm 3,15). Esta Igreja como
sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja
Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão
com ele, ainda que fora do seu corpo se encontrem que, na sua
qualidade de dons próprios da Igreja de Cristo, conduzem para a
unidade católica” (Constituição Dogmática Lúmen Gentium, nº.
8).
“Sem mancha alguma, brilha a Santa Madre Igreja nos sacramentos com
que gera e sustenta os filhos; na fé que sempre conservou e conserva
incontaminada; nas leis santíssimas que a todos impõe, nos conselhos
evangélicos que dá; nos dons e graças celestes, pelos quais com
inexaurível fecundidade produz legiões de mátires, virgens e
confessores. Nem é sua culpa se alguns de seus membros sofrem de
chagas ou doenças; por eles ora a Deus todos os dias: “Perdoai-nos
as nossas dívidas” e incessantemente com fortaleza e ternura
materna trabalha pela sua cura espiritual”. (Papa Pio XII, Encíclica
Mystici Corporis, 65).
Não
temos palavras para descrever a felicidade de sermos católicos. É
imensurável essa graça, esse amor e fé à Santa Igreja Católica
Apostólica Romana.
Tudo para glória, louvor, honra e adoração a Santíssima Trindade.
Pe. Inácio José do Vale
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da Igreja
Faculdade de Teologia de Volta Redonda
Email: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com
REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIAS
(1) Pergunte e Responderemos, abril de 2007, p. 154.
(2) Pergunte e Responderemos, fevereiro de 2007, p. 366.
(3) Conferência Nacional dos Bispos do Brasil / Pronunciamentos do
Papa Bento XVI no Brasil. Brasília: Edições CNBB, 2007, p. 30.
(4) Idem, p. 63.
(5) Ratzinger, Joseph. A fé em crise? O Cardeal Ratzinger se
interroga / Joseph Ratzinger, Vittorio Messori, São Paulo: EPU, 1985,
p. 87.
(6) Pergunte e Responderemos, n. 417 / 1997, p. 56.
(7) Paleari, Giorgio, Religiões do Povo, São Paulo: AM Edições,
1990, p. 86.
(8) Rifan, Dom Fernando Áreas. O Magistério Vivo da Igreja, orientação
pastoral, Campos-RJ: 2007, p. 48.
Alves, Rubem. Protestantismo e repressão. São Paulo: Ática, 1979.
Monteiro, Douglas Teixeira. “Igrejas, seitas e agências: aspectos
de um ecumenismo popular”. In: Valle, Edênio e Queiroz, José. A
cultura do Povo. São Paulo: Cortez e Moraes / EDUC, 1979.
Weber, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. Brasília:
UnB,
1981.
Aquino, Prof. Felipe. Falsas Doutrinas-seitas e religiões, 7ª / ed.
– Lorena: Cléofas, 2006.
Oliveira, Raimundo de Seitas e heresias, um sinal do fim dos tempos,
32ª ed. – Rio de Janeiro: 2007.
Documento de Aparecida. Texto Conclusivo da V Conferencia Geral do
Episcopado Latino-Americano e do Caribe. 2ª ed. – Edições CNBB,
Paulinas e Paulus: 2007.
Vam Baalem, J.K. O Caos das Seitas. São Paulo: Imprensa Batista
Regular, 1970.
Fonte:
Recados do Aarão
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