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10/10/2007
Intolerância

 

 

Liberdade de expressão x intolerância (3º Artigo de um anônimo)
 
Eis um tema muito em voga hoje em dia: a intolerância e a liberdade de expressão. E de fato, nunca em todos os tempos, o homem expressou tão livremente os seus pensamentos e sentimentos. Podemos hoje propor e discutir qualquer assunto, ter qualquer idéia, mesmo que seja a mais estapafúrdia, louca e sem sentido, e ainda assim divulgá-la, sempre encontrando quem nos ouça, nos compreenda e inclusive, que nos apóie. Até na loucura! Principalmente na mentira!
 
Porém, é preocupante notar que a famosíssima frase de Voltaire, "Posso não concordar com nenhuma palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-la", tão utilizada pelos partidários da "liberdade de expressão" não serve para todos. Quero dizer: serve para os maus dizerem tudo o que bem entendem, de quem quiserem, sem que os bons tenham direito de se defender, sequer de os contraditar.
 
Pois na realidade, a tão falada liberdade de expressão hoje em dia nada mais é do que uma desculpa das pessoas para justificarem seus maus atos, seus pecados. E todo aquele que ousar levantar a voz contra tais comportamentos, está indo contra a "liberdade de expressão" delas. Querem um exemplo clamoroso? Os homossexuais.
 
Só eles têm direitos! Infelizmente todos os que discordam deles não têm a mesma liberdade de expressão que eles e não podem discordar de seus atos, porque senão estarão sendo moralistas, homófobos e retrógrados. Ora, se eu quero exatamente ser moralista e retrógrada, a tal "liberdade de expressão" acaso não me garante esse mesmo direito? Se eu não posso utilizá-la como bem entender, então essa "liberdade de expressão" é falsa. Pior ainda: é tendenciosa, pois ela não atende aos interesses de todos. Então na verdade, atende aos interesses de quem especificamente? A uma minoria radical e imoral, que quer ser diferente, e não aceita que se lhes aponte os erros. Ora no dia em que uma sociedade não mais combater a corrupção moral, assina seu atestado de morte.
 
E esse foi só um exemplo entre tantos que eu poderia citar, mas existem centenas. Em verdade os perseguidores hoje se tornaram gritantes, arrogantes e cheios de empáfia, pois só julgam direitos apenas os seus próprios, e NUNCA os dos que os contradizem. Os que não concordam com seus pecados! De fato, chega a ser repugnante a atitude daqueles que se acham no direito de dizer tudo o que bem quiserem dos outros, mas não aceitam de forma alguma que se fale algo a seu respeito e de que não gostem. E isso deve valer para ambos os lados, ou não existe esta liberdade que eles propalam. E não somente entre dois que se debatem, mas também na defesa daqueles que se ama.
 
Por exemplo, tal pessoa tem o direito de defender ao seu pai, a sua mãe ou seus amigos de alguma maledicência. Mas desta forma, se eu chegar para ele e disser com todas as letras: tua mãe é uma prostituta! Ele terá de se calar, e de aceitar de cabeça baixa, sob pena de me negar a mesma “liberdade de expressão”. E se ele reclamar lhe poderei aplicar a pecha de “preconceituoso”, de “retrógrado” e de “dogmatista”. Ou não? Se um homossexual tem o direito de me acusar de homófobo – e com isso me levar para a cadeia – devo ter o direito igual de chamá-lo de heterófobo – o contrário de homófobo – e levá-lo também as barras dos tribunais. Ou não? Tem que valer a mesma lei!
 
No Brasil, a liberdade de expressão é um direito recém conquistado. Nos anos 60 e 70, uma pessoa podia sem muito esforço literalmente morrer pelas suas idéias, como bem sabemos. Depois da repressão maciça, tomou-se o caminho inverso: "É proibido proibir", já dizia Caetano Veloso. Mas esta frase, quem colocou na boca dele foi satanás! Se nós católicos temos uma Lei, se temos os Mandamentos de Deus e da Igreja que nos proíbem de fazer certas coisas erradas – que nós chamamos de pecados – quem é o homem para dizer que não se podem combater tais atos? Claro que todos nós somos livres! Até para dizer o que bem nós entendemos, mentir, enganar, mas devemos saber que tudo aquilo que ofende ou lesa o outro é um limite que não pode ser transposto.
 
E a grande maioria das pessoas acabou se esquecendo aquela sábia admoestação de São Paulo: "Tudo me é permitido; mas nem tudo me convém". Na ânsia de experimentar tudo, de poder falar livremente sobre tudo, acolhem-se diariamente os maiores absurdos. Que não podem, em hipótese alguma, ser questionados. Não se aceitam nem as regras do mais elementar bom senso. Nem do pudor! Nem da moral! Negam aos bons o mais elementar dos direitos de defesa! Enquanto isso, os maus podem dizer o que bem entendem, podem praticar os atos mais nefandos e expressar os mais sórdidos desejos de seus corações, sem serem proibidos de nada. E isso está sendo implantando como lei, em todo mundo!
 
Para nós, cristãos em especial os católicos, a situação é mais grave ainda. Se para uma pessoa de bom senso já é extremamente difícil ser ouvido, para um cristão católico está ficando praticamente impossível ter direito à liberdade de professar publicamente sua fé, a moral cristã e defendê-la. A liberdade de expressão tão falada de hoje, na verdade repudia toda e qualquer forma de renúncia, de abnegação, de desprendimento. Mas nós devemos saber que são esses os materiais de que é feita a estrada estreita para o céu.
 
Vejam o raciocínio tortuoso de uma pessoa: Quanto à opção sexual de Jesus, se ele foi gay ou não, simplesmente não interessa! Isso não mudará em nada a sua bondade, os seus milagres e os seus ensinamentos para o mundo. Ora tal pessoa deve ter no mínimo um fundamento cristão, pois concorda que Jesus foi bondoso, e como fez milagres sabe que é um Deus, pois somente Ele faz milagres. Mas ela se torna repulsiva, no tempo em que aceita o primeiro enunciado da frase, aventando e aceitando e difundindo a hipótese hedionda de que Jesus fosse um homossexual. Já imaginaram o alcance deste horror! Nem os demônios teriam coragem de sugerir isso!   Bem: eu só quero ver ela sustentar esta posição, diante do Juiz Eterno: Nosso Deus e Senhor, Jesus Cristo!
 
Então, milhares de pessoas se julgam no direito de ofender ao nosso Deus, de maldizê-lO publicamente, mas não concordam que temos o direito de defendê-lO, sob a alegação de “preconceito” ou de “dogmatismo religioso”. Isso nos permite observar que para eles a recíproca não é verdadeira! Isso quando todo católico, ou de outra religião, tem o direito constitucional de defender a sua crença, a sua fé, e principalmente o Nome de seu Deus. E em nome deste direito, uma pessoa que detratasse Jesus Cristo desta forma, deveria ser passível de condenação, caso não tivesse condições de provar aquilo que afirma. E é óbvio que não tem! Ou seja: ofendem por ofender! Mentem, por mentir! Como querem exigir uma lei que lhes permita isso impunemente?
 
Interessante observar que, em 100% dos casos, os ataques são desferidos pelos filhos das trevas unicamente contra Jesus e Maria, no que atingem a Igreja Católica. E faço então uma pergunta: por qual motivo esta gente não ataca Maomé? Estes solertes facínoras não batem em Maomé porque sabem que seus seguidores se levantam imediatamente enfurecidos e são capazes de metralhar a quem sequer sustentasse a hipótese maligna de que Maomé fosse gay. E tal é a situação que se pode perguntar: por qual motivo os gays que tanto afrontam nosso Deus, que tanto defendem a tal de liberdade de expressão não programam uma parada em Bagdá, Cabul, ou em Tearã? Porque ao invés de se pavonear em Jerusalém, não tentam dançar diante da Caaba? Não fazem isso, porque lá seriam fuzilados! Por outro lado, eles atacam Jesus e Maria, porque nós, os católicos não mais os defendemos!
 
Por isso, para os poucos que ainda lutam pela verdade, está cada vez mais difícil remar contra a maré. E pior ainda, suportar o escárnio dos "livre-pensadores", que infelizmente, de livres não têm nada, pois para uma pessoa realmente poder julgar imparcialmente, deve conhecer bem todos os ângulos da questão, para depois tomar partido, coisa que eles não se preocupam em fazer. Eles somente aceitam o que lhes convêm, o que melhor afina com suas idéias já pré-concebidas, e toda fonte que venha desmentir essas idéias está atentando contra "sua liberdade de expressão", sendo rejeitada como tendenciosa e manipuladora. Eles abrem mão da verdade para não abrir mão da sua "liberdade". Em resumo: vivem em um conto de fadas. E este é o caminho da perda eterna!
 
Tal estado de coisas causa muita tristeza, mas não deveria causar surpresa, pois já nos alertava São Judas: "No fim dos tempos virão impostores, que viverão segundo as suas ímpias paixões; homens que semeiam a discórdia, homens sensuais que não têm o Espírito." E realmente, tais pessoas não têm em si o Espírito de Deus e sim o espírito das trevas, porque contra o pecado, jamais se poderá levantar o preconceito! Pecado é pecado, é falta grave, é dogmaticamente eterno, e, portanto, indefensável! Jamais então, poderemos ser tolerantes com o pecado! E intolerância só pode ser invocada, em relação à pessoa, por questão de raça, credo, cor da pele ou defeito físico.
 
Por isso nós católicos temos a obrigação e o dever de nos opormos firmemente a tudo que esteja contrário a fé e à doutrina cristã. Devemos ser luz para o mundo, mundo esse que anda tão escurecido pelas idéias "libertadoras" de certas pessoas, que na verdade, querem escravizar e subjugar a todos com o seu modo de pensar, não admitindo que ninguém seja contrário a elas. Como disse o humorista Millôr Fernandes: "democracia é quando eu mando em você; ditadura é quando você manda em mim". E isso leva a tirania do pecado!
 
A tolerância: "Mas vós, caríssimos, edificai-vos mutuamente sobre o fundamento da vossa santíssima fé. Orai no Espírito Santo. Conservai-vos no amor de Deus, aguardando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna. Para com uns exercei a vossa misericórdia, repreendendo-os, e salvai-os, arrebatando-os do fogo. Dos demais tende compaixão, repassada de temor, detestando até a túnica manchada pela carne." (Carta de São Judas 1, 20-23)
 
Nesses versículos, observa-se a condenação de uma tendência muito perigosa, mas infelizmente muito comum, que se observa entre os católicos hoje em dia; a tolerância que leva ao silêncio conivente e conveniente, diante dessa tão mal utilizada "liberdade de expressão". Muitas pessoas pensam da seguinte maneira: "Deus é amor! Quem sou eu para julgar o meu próximo?"
 
De fato, é um grande pecado julgar o próximo. Mas em que consiste o julgamento? No julgamento, eu me coloco no lugar de Deus. Decido quem vai para o inferno e quem não vai. "Fulano não presta". Em compensação, repreender atitudes erradas ou pecados é coisa bem diferente. Cristo amava o pecador. Mas odiava o pecado, pois disse à adúltera: Vai. Segue em paz o teu caminho! Mas também disse: Não tornes a pecar. E Jesus nunca pode ser acusado de intolerante, porque defendia a Lei Eterna e os mandamentos! Mas ele sempre defendeu os pecadores como pessoas humanas, e como filhos de Deus!
 
Em primeiro lugar, temos que considerar que também se peca por omissão. Se nós vemos uma pessoa pronta a pular de uma ponte e podendo, não a impedimos, pelo contrário, até a incentivamos, dizendo: "Estamos num país livre! Se você quiser, pode pular! Quem sou eu pra te condenar se você quer pular? Deus é amor!" Nada disso! Temos obrigação de fazer de tudo para demovê-la desta louca idéia, porque isso poderá acarretar-lhe o castigo. Da mesma forma devemos agir em relação a alma: A alma também morre, pois para Deus, uma alma que se perde está morta e para sempre.
 
As leis de Deus, ao contrário das leis humanas, são eternas. Em Mateus 24, 35, lemos: "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão." Então, não é porque um comportamento seja tolerado hoje em dia pelos homens que ele tenha deixado de ser crime para Deus. As leis de Deus não foram mudadas e estão plenamente em vigor, como nos tempos de Jesus. Por isso, jamais devemos deixar de exortar, mas sempre com brandura, como está escrito: Porém, não deveis considerá-lo como inimigo, mas repreendê-lo como irmão (2 Tes 3,15)
 
Toda vez que vemos uma pessoa fazendo algo contrário às Leis de Deus, e não a repreendemos, estamos pecando por omissão. Sim, como todo carinho e amor, não com brigas e contendas! Não com soberba, achando-me impoluto! Talvez a pessoa aja assim por ignorância. Mas se nós, sabendo da verdade, não dizemos nada e a deixamos perseverar no erro, isso nos será cobrado. Não poderemos alegar desconhecimento diante do Juiz Eterno. Até porque o próprio Jesus nos incitava a praticarmos a correção fraterna, uns dos outros.
 
Isso sem falar no amor que devemos ao próximo, amor maior esse que nos leva a desejar para ele a salvação eterna. E a salvação eterna é impossível quando se vive em uma vida de pecados, sem arrepender-se. Principalmente hoje em dia, nesses tempos de "tudo pode", devemos ser vigilantes e estar sempre prontos para ensinar o caminho da verdade. Até porque somos responsáveis também se eles caírem. Como vemos em Judas 1, 22-23: Para com uns exercei a vossa misericórdia, repreendendo-os, e salvai-os, arrebatando-os do fogo. Dos demais tende compaixão, repassada de temor..
 
Muitas pessoas preferem se calar e ser omissas, do que enfrentar a opinião alheia e serem tidas como puritanas e retrógradas. Isso se chama respeito humano. Isso é tão nocivo quanto o mal em si. Como dizia Martin Luther King: "O que me assusta não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons".  Enquanto ficamos calados e inativos, o mal prospera. E se infiltra em toda parte. E depois disso, será que realmente temos direito de reclamar quando este nos atinge, a nós ou a nossas famílias?
 
Outro motivo para as pessoas se calarem diante dos atos errados de alguém é a auto-justificação. Sabemos que certas coisas que alguém faz são erradas, mas nós também já as cometemos ou desejamos cometer esses mesmos atos ilícitos. Então, não falamos nada para poder nos justificar mais tarde: "ah.. mas fulano também faz". Então, primeiramente não queremos corrigir nossas más tendências, e nem advertir o outro, mesmo sabendo que isso é errado.
 
Também nos sentimos constrangidos em apontar o caminho da verdade, porque sabemos que somos fracos e praticamos muitos atos errados durante as nossas vidas. Por exemplo, um ex-usuário de drogas, pode se sentir inibido em dizer ao próximo que ele está errado em se drogar, pois ele mesmo já caiu nessa fraqueza. Porém, nessas ocasiões é que devemos ser ainda mais firmes, pois sabemos as conseqüências dos maus atos por termos vivido em nossa própria pele. E teremos ainda mais autoridade para repreender, por experiência própria, podendo dizer: "Eu fui por esse caminho e não deu certo".
 
Outro motivo, ligado ao anterior, mas motivado por sentimentos egoístas, é o de querer ver a pessoa "se dar mal". Por exemplo: eu sei que me drogar ou embebedar-me faz muito mal, porém eu vou deixar que o outro faça isso, "para ele aprender por si mesmo. Afinal, eu sofri, deixa ele sofrer um pouco também". Isso é falta de caridade. Se nós amássemos de fato o próximo, não desejaríamos para ele o que não desejamos para nós mesmos.
 
Um último motivo, mas não menos importante é que alguns não repreendem ou lutam pela verdade com medo de serem malvistos e perseguidos. Mas a Palavra de Deus nos adverte de que se nos dispomos a pregá-la, deveremos nos preparar para as perseguições. As trevas odeiam a luz, e quem é portador da luz pode sempre esperar que as trevas irão querer apagá-la.
 
Assim sendo, devemos sim, sem receio algum, ensinar, repreender e corrigir. Devemos lutar contra essa falsa "liberdade de expressão" que assola nossa sociedade. Mas cabe um alerta: devemos ser enérgicos, mas não arrogantes. E usar sempre a Palavra de Deus, porque ela é cortante e eficaz! Devemos agir com paciência, amor e humildade. Para essa tarefa, como todas em nossa vida, devemos pedir continuadamente a Sabedoria do Pai, a Graça do Filho e o Discernimento do Espírito Santo, sem jamais nos esquecer do Amor de Nossa Senhora. Sempre procurando aprender mais, para melhor ensinar.
 
E que tudo seja feito para maior honra e glória de Deus! Sigamos como disse São Paulo a Timóteo: Prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir. E como disse a Tito: seja hospitaleiro, amigo do bem, prudente, justo, piedoso, continente, firmemente apegado à doutrina da fé tal como foi ensinada, para poder exortar segundo a sã doutrina e rebater os que a contradizem. 
 
Quanto aos que são chamados a atenção Paulo também exorta: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor. Não desanimes, quando repreendido por ele; pois o Senhor corrige a quem ama e castiga todo aquele que reconhece por seu filho (Pr 3,11s). Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos.
 
Como está no livro da Sabedoria: quem não aceita a correção é um néscio!

Fonte: Recados do Aarão

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