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02/10/2007
ENTREVISTA
(Este
sacerdote da entrevista, tem sido muito elogiado pelos meus amigos de
Cuiabá como um grande e santo sacerdote. Vale a pena ler esta
entrevista)
Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior*, Reitor do Seminário
Arquidiocesano de Cuiabá, foi convidado pelo Padre Jonas Abib para
estar junto com o Sistema Canção Nova de Comunicação, comentando
os acontecimentos mais importantes da visita do Papa Bento XVI ao
Brasil.
Em entrevista ao nosso site de notícias, ele fala sobre o Sumo Pontífice
e as características que o tornam um dos teólogos mais importantes
para a Igreja atual:
noticias.cancaonova.com: Quem é o Papa Bento XVI ?
Padre Paulo Ricardo: O Papa Bento XVI certamente é um dos maiores teólogos
vivos na atualidade, ele não é somente o Papa, ele como pessoa já
tem qualidades extraordinárias que fazem dele alguém muito especial.
O Papa Bento XVI nasceu na Alemanha, e encontrou na sua vida
sacerdotal uma vocação especial, a vocação de teólogo. Esse foi
sempre o gosto dele, o sonho dele, e assim que ele foi ordenado padre,
já entrou para a vida acadêmica. Tornou-se professor, foi professor
em várias universidades da Alemanha, e foi convidado pelo cardeal de
Colônia para ser um dos especialistas, consultores, do Concílio
Vaticano II, e foi justamente como grande teólogo que, no final da década
de 70, ele foi escolhido pelo Papa Paulo IV, para ser o Cardeal
Arcebispo de Munique, que é a diocese da qual ele provém.
O Papa Bento XVI então começou uma trajetória de serviço para a
Igreja no mundo inteiro. Em 1981, ele foi convidado pelo Papa João
Paulo II para ser Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e
terminou sendo escolhido como sucessor do Papa João Paulo II.
noticias.cancaonova.com: O que há de característico no pensamento de
Bento XVI?
Padre Paulo Ricardo: Bento XVI é antes de tudo um teólogo muito
fiel. A forma como ele faz teologia demonstra uma mentalidade muito
sadia, existem teólogos que gostam de ser originais, querem mostrar
para as pessoas pensamentos novos, originais, para mostrar que são
grandes e que são importantes. Bento XVI não tem nada disso, ele
quer simplesmente, como teólogo, prestar um serviço às pessoas, e
é certamente isso que marca o pensamento dele. Ele reflete sempre
como homem de Igreja, como alguém que recebeu a fé antes de si e que
vai deixar a fé, também, depois que ele morrer. Então ele é
simplesmente um herdeiro, que vai deixar uma herança, e essa é a
grandeza do pensamento de Bento XVI.
noticias.cancaonova.com: Existe algum ponto específico que marca,
como grande teólogo, o Pontificado do Papa Bento XVI?
Padre Paulo Ricardo: A grandeza deste Papa está justamente no fato de
ele ser um homem com uma visão espiritual extraordinária, ele como
um bom médico, é capaz de fazer o diagnóstico do paciente e de
receitar o remédio exato. Aqui é que está o ponto mais importante.
A Igreja Católica é como se fosse um grande hospital que tem uma
quantidade enorme de recursos, remédios, instrumentais, mas todos
esses recursos não servem para nada se não houver um médico que
diga qual a doença do paciente. Se a doença não for identificada,
os remédios serão inúteis.
noticias.cancaonova.com: E qual é a doença que o Papa identifica no
homem atual?
Padre Paulo Ricardo: O Papa Bento XVI, com esta sua visão espiritual,
foi capaz de compreender a gravidade da crise espiritual do
cristianismo moderno. Ele deu uma longa entrevista para um jornalista,
chamado Peter Seewald. Essa entrevista foi publicada num livro chamado
Sal da Terra** e o jornalista pergunta assim:
A crise atual da Igreja é a maior crise da história da Igreja? O
Papa responde dizendo que certamente é uma crise importante comparado
às duas crises que ela viveu no início da sua historia. A crise gnóstica
e a crise ariana. Quando o Papa disse isso o jornalista se espantou e
perguntou para ele: "Mas, a crise protestante não foi uma crise
importante também?" O Papa respondeu que certamente essa foi uma
crise relevante, porém não tocou nas raízes da Igreja, porque os
protestantes continuaram crendo em Jesus e na Santíssima Trindade;
mas a crise da Igreja atual, a crise do cristão moderno, toca nas raízes
dessa instituição.
Ou seja, o que o Papa está dizendo é que o problema verdadeiro do
cristão moderno é que ele não crê mais em Jesus. Ele quer ser
cristão, mas não crê mais em Jesus, por isso é uma crise que toca
nas raízes da Igreja.
noticias.cancaonova.com: E como é que o Santo Padre pensa em resolver
esta crise?
Padre Paulo Ricardo: O Papa Bento XVI está propondo novamente para os
católicos – e não somente para os católicos, mas para o mundo
inteiro –, a figura de Jesus de Nazaré. No último dia 16 de abril,
ele publicou um livro chamado “Jesus de Nazaré”, que em breve será
lançado também no Brasil. Nesta obra, o Papa apresenta a pessoa de
Jesus de uma forma extraordinária. Nela, ele fala da vida de Jesus,
mas apresentada com uma tal inteligência espiritual e teológica, que
certamente, ele marcou a história de seu Pontificado com essa obra.
Na minha opinião o livro “Jesus de Nazaré” é a obra mais
importante do Pontificado de Bento XVI até agora.
noticias.cancaonova.com: E o que o Papa diz nesse livro?
Padre Paulo Ricardo: O Papa apresenta a figura de Jesus, mas ele quer,
como teólogo, resgatar a fé em Jesus, porque existe uma tendência
no mundo moderno de ler os Evangelhos a partir daquilo que ele chamou
de "dogma dos tempos modernos".
noticias.cancaonova.com: E qual é o dogma dos tempos modernos?
Padre Paulo Ricardo: É a convicção de que Deus não interfere no
mundo. A partir desse ponto de vista é que as pessoas querem ler a Bíblia,
ou seja, de que Deus não interfere no mundo. Se é assim, Deus não
pode fazer milagres. Não pode entrar na nossa vida, porque Ele não
interfere. Quando o Evangelho diz que Jesus multiplicou os pães, logo
os teólogos modernos dizem: não se trata de um milagre, Jesus
ensinou a partilhar o pão.
Quando o Evangelho diz que Jesus curou um leproso, os teólogos
modernos dizem: Não, não se trata de um milagre, é que os leprosos
eram excluídos e Jesus os incluiu de novo na sociedade. Se é assim,
a conclusão deles é clara: Não há interferência de Deus no mundo.
E se não há interferência de Deus no mundo, Jesus não é o Filho
de Deus que se fez homem. Ele é simplesmente um profeta, um pregador.
E assim as pessoas querem aos poucos ir tirando esta centralidade da
figura de Cristo. O Papa quer justamente propor Jesus como remédio
para a crise atual.
Então, esse é o diagnóstico de sua Santidade: o cristão atual quer
seguir o cristianismo, mas já não crê mais em Jesus como Filho de
Deus, que se fez homem e que veio nos visitar e caminhar conosco neste
mundo. O homem moderno crê em Jesus como figura admirável da história.
Só existe um remédio: mais uma vez responder àquela pergunta que
Jesus fez a Pedro: "E vocês o que dizem que eu sou"?
Precisamos voltar à fé dos apóstolos, à fé de Pedro, e essa é a
maravilha da Visita de Bento XVI ao Brasil. Ele é Pedro, que mais uma
vez vem responder quem é Jesus.
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* Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior pertence ao clero da
Arquidiocese de Cuiabá (MT) e é reitor do Seminário Cristo Rei, de
Cuiabá. Nasceu no dia 7 de novembro de 1967 e foi ordenado sacerdote
no dia 14 de junho de 1992.
Atualmente, leciona nos cursos de Filosofia e Teologia, além de
servir à Câmara Eclesiástica de Cuiabá, à Paróquia Nossa Senhora
das Dores (Barão de Melgaço – MT) e ao Sínodo Arquidiocesano de
Cuiabá.
Em 2002, a Santa Sé o nomeou consultor da Congregação do Clero, em
assuntos de catequese.
**Sal da Terra – O Cristianismo e a Igreja Católica no limiar do
Terceiro Milênio
Joseph Ratzinger – Diálogo com Peter Seewald.
Fonte:
Recados do Aarão
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