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30/09/2007
Por que caímos?

 

 

(Segue mais um artigo de autor novo, que não quer se identificar. E a todos instigamos que façam isso todos aqueles que perdem horas e dias em papos furados no orkut e mensager, porque podem ter certeza: escrver é uma forma de oração! Talvez seja a melhor escola fé possível!)
 
Na nossa estrada rumo ao céu, frequentemente nos deparamos com pedras no caminho. E na grande maioria das vezes tropeçamos nelas e acabamos caindo. Embora tenhamos nos munido com as melhores intenções, nossos bons própositos afundam no visgo da prática. Descobrimos muitas vezes entre lágrimas, uma das maiores verdades contidas na Bíblia, em Mateus 7, 14: "Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram."
 
Na verdade a pedra que nos faz cair é uma só. Embora disfarçada de várias maneiras, sua essência é sempre a mesma. E qual é essa pedra? A mesma que fez cair Lúcifer e seus sequazes: o orgulho.
 
"Não servirei!"
 
Geralmente tentamos agir com reta intenção em todas as oportunidades. Com o marido, com a esposa, com os filhos, com os amigos, no trabalho, na igreja, em todas as ocasiões tentamos parecer virtuosos, bons e honestos. Muitas vezes, deixamos de satisfazer nossas próprias vontades em favor do próximo, para aprendermos a nos desapegar das coisas e nos assemelharmos ao nosso Mestre, Jesus Cristo. E também, mesmo não admitindo muito para nós mesmos, para parecermos bons aos olhos dos outros. Queremos agradar.
 
Até aí, tudo parece ótimo. Porém, nem sempre somos compreendidos ou retribuídos pelo próximo por nossos atos, e o ressentimento que sentimos por isso já é uma pedra. Por mais que nos esforcemos para relevar, é verdade que nos magoa profundamente o sermos mal-entendidos ou não valorizados. "Faço tanto por você (pelo marido, pelo filho, pela comunidade) e você não me dá valor!". Que mãe ou esposa já não disse essa frase no calor de uma discussão?
 
 Bem, todos nós queremos ser recompensados pelas coisas que fazemos, principalmente quando de um maneira ou de outra isso exige algum tipo de sacrifício de nossa parte. É bastante natural e humano fazer algo e desejar recompensa. Mas Jesus já nos alertava quanto à verdadeira recompensa que devemos almejar, em Mateus 6, 2: "Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa."
 
Na maioria das vezes muito do sofrimento que temos pode ser imputado exclusivamente a nós mesmos. Uma mãe que não se esforça por educar os filhos desde cedo na via do temor a Deus e do respeito filial, pouco poderá reclamar quando mais tarde os mesmos forem desobedientes, incrédulos e relapsos. "É de pequenino que se torce o pepino."
 
Quantos homens e mulheres, levados por uma paixão fulminante, se casam só para depois descobrir que terminada a paixão, bem pouca afinidade existia realmente entre eles? Pois no namoro não se aplicaram em conhecer verdadeiramente a futura cara-metade, se deixaram levar por mera atração física e foram cegados pela paixão, fizeram uma má escolha. E agora vivem um casamento infeliz.
 
Então, primeiramente, antes de reclamar de nosso sofrimento devemos procurar muito honestamente qual foi nossa parcela de contribuição para que este se instalasse em nossa vida. E fatalmente descobriremos que é uma parcela grande. Quando não a culpa toda. Mas como é difícil assumirmos nossas culpas! "Ah, eu me casei sim com Fulano, mas eu não sabia, eu não tenho culpa dele ter esse gênio! ... Meu filho não me escuta! Eu faço de tudo por ele, dou tantos conselhos, mas ele é tão teimoso! ... "
 
É exatamente aí que entra o orgulho.
 
O orgulho de não admitir que o sofrimento é a conseqüência natural de nossos próprios erros. Achamos que Deus tem o dever de nos socorrer nas nossas dificuldades, e efetivamente sim, Ele nos ajuda, mas por misericórdia Dele, não por merecimento nosso. Pois se o nosso sofrimento é por nossa própria culpa, não estamos colhendo nada além daquilo que plantamos para a nossa vida. E admitir isso sinceramente para si mesmo infelizmente é uma coisa muito rara.
 
São Tiago explica isso brilhantemente no capítulo 1, 14-15: "Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e alicia. A concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte."
 
Talvez o ato que ocasionou nosso sofrimento de hoje tenha ficado lá no passado, de forma a não nos lembrarmos mais. Mas ele existe. Está lá, e com honestidade, encontraremos.
 
Por exemplo, um caso que acontece com bastante freqüência nos dias de hoje: a mulher engravida durante um namoro, mas por motivos diversos o casamento não se realiza. Geralmente quando isso acontece, o pai da criança acaba rejeitando tanto a mãe quanto o filho, cobrindo a mãe solteira e o filho de injúrias, principalmente se este pai chega a se casar com outra mulher e constitui outra família. E a mãe arca praticamente sozinha com todas as responsabilidades referentes à criança, vivendo uma vida extremamente difícil e cansativa. Claro que o comportamento deste pai não se justifica, mas é certo a mulher engravidar antes do casamento? Será que se ela tivesse mantido a castidade aconteceriam todas essas coisas? Sei que muitos podem pensar: "ela não fez o filho sozinha". Sim, mas é como diz o ditado: "quando um não quer, dois não brigam".
 
É um exemplo que dá o que pensar. E mais uma coisa: já imaginaram quantos milhares de crianças foram trazidas ao mundo, fora do casamento, devido a esta subversão brutal do plano divino, onde a mulher, desde pequena é educada para ser uma fêmea, não para ser uma valorosa mãe de família? Culpa da sociedade ou culpa de cada um, mais da jovem, mas também de seu parceiro? Que, aliás, é erradamente ensinado a ser macho e não pai de família responsável! Quando ambos deveriam lutar arduamente contra tudo isso, pois o sexo foi feito maravilhoso por Deus, mas para a procriação e só depois do casamento. O sexo é talvez a maior pedra de tropeço no caminho do homem e da mulher, e vencer este espinho da carne, conduz ambos à virtude, que se conquista com o dom da piedade.
 
Ora, Deus colocou no coração da mulher o PUDOR, um natural sentimento de recato e de reserva, que a faz naturalmente preservar-se na intimidade. O que aconteceu foi que a mulher aos poucos esmagou este recato, esqueceu este pudor, e abriu-se à exposição sexual. Quando uma mulher expõe metade dos seios à mostra e fica feliz quando um homem pousa ali os seus olhos gulosos – ela sente isso sim – perdeu já o caminho de Deus, e caminha “feliz” pelo pecado. O mesmo pecado que comete o homem que a “devora” desta forma!
Ambos se tornam adúlteros, mesmo sem e até antes de se tocaram fisicamente!
 
Noutro dia, eu viajava por uma rodovia, e passei a observar os outdoors espalhados de ambos os lados, e notei que imensidades deles trazem fotos de mulheres, com as pernas abertas, arreganhadas, em poses já nem diria sensuais, mas diretamente agressivas. Mesmo que ela traje o jeans, ou calça colante, o ato de se mostrar de pernas abertas é um convite ostensivo ao coito, ao ato sexual, e disso bem sabe o diabo que inspira tais cartazes. Se pelo menos ela se mostrasse linda, mas de pernas fechadas! Quem sabe não venderia mais? Me dirão que estou errado? Mulheres! Se façam apenas esta pergunta: Maria Santíssima, acaso vestiria uma calça sensual daquelas e se desnudaria em foto desta forma? Sabem isso choca tanto, que o simples citar como exemplo já agride! Pois da mesma forma agride a Deus!
 
O que geralmente acontece é que em vez de admitir nossos erros, achamos mais confortável jogar a culpa nos outros, ou nas circunstâncias. A mulher diz: os homens é que não entendem! Tenho corpo lindo é para mostrar! Não sou culpada de eles serem “tarados”. Isso também é orgulho. E tende a se agravar com o tempo. Acabamos gostando de viver no colchão macio da mentira. Gostamos de sermos tidos como os "injustiçados" e que a culpa é dos outros. Gostamos de pensar: "Eu sou bom, fulano é que é malvado e me faz sofrer". É mais fácil ter pena de si mesmo e ficar se lamentando do que enfrentar as situações com coragem e humildade. Muito mais fácil. Mas Deus não se deixa enganar, e é por isso que às vezes, a graça demora a vir... Passam-se dias. Meses. Anos.. E a graça não vem.
 
Então, o grito "não servirei" já não parece tão odioso: "rezo tanto, peço tanto, e Deus não me atende!!"  Ficamos desanimados. Desencorajados. Tudo parece estar contra nós. Já não temos mais vontade de rezar. Nem de fazer o bem ao próximo. Achamos que caminhar já não vale a pena.
 
É nesse buraco da nossa fé que as seitas prosperam. É mais fácil ir num centro espírita, num terreiro de macumba, pedir milagres, fazer despachos, do que aceitar carregar com humildade a cruz que na maioria das vezes, fomos nós mesmos que colocamos nos ombros. E nesses lugares poderemos continuar sentindo pena de nós mesmos confortavelmente, pois que moral, que ensinamentos decentes podemos encontrar em lugares como estes? Eles farão de tudo para incentivar esses maus sentimentos em nós, pois é de nossas frustrações que sai o ganha-pão deles. Nós buscamos ali, nada mais que a solução fácil e imediata de todos os nossos problemas, e que não exija esforço de conversão de nossa parte.
 
Todas as vezes que alguém for a um centro ou terreiro vai ouvir o seguinte diagnóstico: "você tem um encosto, um feitiço, uma maldição que alguém jogou em você que atrapalha a sua vida!" Era tudo que precisávamos ouvir, para podemos continuar desempenhando nosso papel de "coitadinhos"! Rejeitamos toda a nossa responsabilidade por nossos atos que vieram a nos causar sofrimento, para botar a culpa no feitiço, no encosto! Que conveniente! E você voltará ali ainda muitas vezes e deixará ali seu pobre dinheirinho, porque lhe é mais fácil ver o médium botar a culpa nos outros. A assim você se afunda, porque vai ali mais porque o tal lhe diz exatamente o que você quer ouvir.
 
Há muita gente que passa a vida inteira assim. E depois da morte, diante de Jesus no julgamento particular, o despertar é bastante duro. É horrendo! Às vezes sem volta, pois a pessoa se acostuma tanto com essa situação que se recusa de todas as maneiras a aceitar a realidade. A falda de humildade – antítese do orgulho – faz com que a pessoa nunca se dobre diante da realidade flagrante: a de que ela é a única culpada de tudo isso! Até porque, seu primeiro ato de rebeldia é buscar em satanás, uma reles criatura, quilo que tinha tão fácil em Deus, o Supremo Senhor.
 
Por isso também os ensinamentos da Igreja Católica tem estado tão fora de moda. Pois a Igreja, ensinando corretamente a Palavra do Senhor, mostra claramente o valor e a necessidade da humildade na vida das pessoas. Ser verdadeiramente humilde não significa se degradar, se desvalorizar completamente: "Eu não presto". “Minhas orações não servem de nada!” Não, não é isso, mas sim admitir seus erros, admitir suas fraquezas, e lutar para vencê-las. Essa luta diária contra si mesmo leva a vida toda, pois sempre seremos tentados pelo orgulho a nos recusarmos a admitir que estamos errados. É uma verdadeira batalha, pois o orgulho é a raiz do pecado original, o pecado que trazemos em nós desde quando nascemos, e carregamos suas conseqüências pela vida inteira: "Sereis como deuses". Desde Eva continuamos com a mesma idéia fixa!  
 
Claro que há muitas situações onde não somos diretamente culpados pelo nosso sofrimento. Pagamos pelos erros de outrem. Utilizando o exemplo acima, a criança filha da mãe solteira sofre, pois o pai é negligente com ela. Às vezes rude. A criança não teve a felicidade de nascer no seio de uma família bem estruturada. E isso causa grande sofrimento pela vida toda.
 
Mas a criança pode aprender com esse erro, perdoar a mãe e o pai, procurar agir com bondade e paciência para com eles, vivendo sua vida com alegria e coragem, aceitando essa condição que ela não pode mudar. Pois, se ela se revoltar contra isso, tornando-se uma pessoa amargurada, revoltada, quem será mais atingido por essa revolta? Ela própria! Nesse exemplo podemos ver que nem todos os sofrimentos são culpa nossa, mas em todos os casos não aceitar o sofrimento com humildade e coragem pode nos trazer males ainda piores.
 
É na aceitação humilde do sofrimento que consiste a verdadeira paz de espírito. Mesmo que o mundo possa estar desabando ao nosso redor, podemos confiar na misericórdia de Deus, pois nos reconhecemos pecadores e imperfeitos, mas sabemos que Deus nos ama exatamente como somos. Menos nosso pecado! E quanto mais nos procuramos conhecer a nós mesmos, mais nos maravilhamos com Deus, que nos ama exatamente como somos! Apesar de sermos o que somos!
 
E assim, compreenderemos plenamente as bênçãos que Deus nos concede diariamente. Pela oração constante, Deus nos dá força, coragem, consolo e se torna nosso companheiro de jornada. Armados da verdadeira humildade, nosso caminhar se tornará mais leve, e as pedras e as quedas, menos freqüentes. E quando acontecer de caírmos, devemos sempre nos lembrar que para Deus, a beleza não está em não cair, e sim na coragem de se levantar!
 
Ele mesmo nos garante isso, em Ezequiel 33, 11: "Dize-lhes isto: Por minha vida - oráculo do Senhor Javé -, não me comprazo com a morte do pecador, mas antes com a sua conversão, de modo que tenha a vida. Convertei-vos! (...)" Começa pelo orgulho, dali segue para justificação, que descamba em uma teimosia cada vez mais obstinada, e acaba levando a alma à perda eterna. Ai de quem tentar se justificar diante do Juiz Eterno!
 
Gostaria de terminar este texto com a belíssima oração da Mãezinha: (Lucas 1, 45-55)
 
"Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre."
 
Abraços

Fonte: Recados do Aarão

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