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02/03/2007
15:55:39 Outros Autores - Deus existe? Texto formatado com uma série de artigos enviados pelo Padre Inácio José Vale, que estão sob sua responsabilidade. Trata-se porém de uma voz sacerdotal que precisa falar, e por isso lhe abrimos este espaço. Futuramente parte deste material poderá ir em livro conforme Nossa Senhora lhe pediu. (Aarão) AMAR A DEUS “Amo-vos, ó meu Deus, e só desejo o céu para ter a felicidade de vos amar perfeitamente. Amo-vos, ó meu Deus, e só temo o inferno porque lá jamais se terá a doce consolação de vos amar”. S. João Maria Vianney O Santo Cura D’Ars Os maiores problemas de nosso tempo não são tecnológicos, pois estes nós controlamos razoavelmente bem. Nem mesmo são políticos ou econômicos, porque as dificuldades nessas áreas, por deslumbrantes que sejam, são grandemente derivativas. “Os maiores problemas são morais e espirituais, e, a menos que possamos fazer algum progresso nesses domínios, talvez nem mesmo sobrevivamos. Foi assim que declinaram no passado culturas adiantadas”. Assim afirma o erudito pensador cristão D. Elton Trueblood. Colabora com esse pensamento o escritor Gregg Easterbrook que diz: “No Ocidente, a maior carência de nossa era não é a pobreza material, mas a pobreza espiritual”. O ser humano tem sonhos, desejos, realizações e um vazio na alma que sexo, dinheiro, poder, fama, posições sociais, diploma e religiões não podem preencher e nem garantem a verdadeira felicidade. O sociólogo canadense Riginald W. Bibby escreveu: “O homem tem necessidades que só a religião cristã pode suprir”. Em contrapartida, o Dr. Ronald F. Ignglehart, pesquisador da Universidade de Michigan, E.U.A., e responsável pelo estudo sobre a Ética Mundial, disse que a religião está perdendo a influência nos países desenvolvidos. É por isso que o aborto, depressão, crimes, suicídios, tragédias e outras terríveis infelicidades, tem acontecido nesses países sem que o poder econômico tenha solucionado os problemas existenciais. O romancista russo Fiodor Dostoievski disse: “Há um vazio no coração do homem do tamanho de Deus”. O homem só se realiza completamente em Deus. O amor ao bom Deus é a fortaleza da verdadeira vida e de certezas eternas, transforma o ser humano e responde às perguntas mais profundas da alma. A tecnologia não tem respondido as perguntas mais cruciais do ser humano. A ferida da alma não tem sido curada pelo avanço da medicina. A fome afronta e as guerras envergonham e desmoralizam os governos mundiais. A segurança está sendo humilhada pela violência e a vida está sendo terrivelmente ameaçada pela cultura de morte. O medo toma conta da sociedade e a crise perturba a consciência. “Se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela”. (Salmo 127,1). O ser humano tem procurado em tudo e em todas as coisas quietude para seu coração. Tem gastado fortunas para conseguir a paz de espírito e a tão procurada e desejada felicidade. Santo Agostinho foi um especialista nessa caminhada. Procurou em todas as coisas o sossego para sua alma e não encontrou. Escreveu em suas Confissões: “Tú nos fizeste para Ti e nosso coração não descansará enquanto não repousar em Ti”. “ A procura de Deus é a procura pela felicidade, o encontro com Deus é a própria felicidade”. O historiador inglês Arnold Toynbee disse: “ A verdadeira missão do homem e glorificar a Deus e usufruí-lo para sempre”. A essência própria do amor é glorificar o bom Deus e a nossa total dedicação ao seu serviço. A nossa vontade firme de se dar, se tanto for necessário, de se imolar todo pelo Senhor Deus e pela sua obra, de preferir o seu divino agrado do nosso e ao das criaturas. Amar o bom Deus é, ao mesmo tempo, a mais doce necessidade, o mais sublime dever, e o maior privilégio de uma criatura para com seu criador. Está escrito em Deuteronômio 11,13: "Amar ao Senhor teu Deus, e de todo o teu coração, de toda a tua alma e todo o teu entendimento”. Amar a Deus é ter fé e confiança em colocar as nossas vidas de forma ilimitada às mãos do Todo Poderoso. É uma necessidade diante da certeza de um futuro sem fim que temos diante de nós. Tudo na criação e na santa revelação nos ensina a entregar-nos por toda a eternidade nas mãos sacrossantas de Nosso Senhor Jesus Cristo em que tranqüilamente nos aconchegamos hoje. Nossa segurança ilimitada em Deus garante satisfazê-lo como nada mais, porque corresponde à sua eterna fidelidade, honra sua veracidade e constitui-se numa silenciosa adoração de todos seus atributos perfeitos. Deus honra para sempre aqueles que o amam. São Francisco de Paula, o santo da caridade, afirmava: “Cultivai o santo amor a Deus e servi-o com grande temor”. O autor do Tratado do Amor de Deus, um dos grandes mestres da espiritualidade cristã, São Francisco de Sales, explica abissalmente o nosso dever de amar a Deus. “É o amor que deve prevalecer sobre todos os nossos amores e reinar sobre todas as nossas paixões: e é o que Deus reclama de nós, que entre todos os nossos amores o seu seja o mais cordial, dominando sobre todo o nosso coração; o mais afeiçoado, ocupando toda a nossa alma; o mais geral, empregando todas as nossas potências; o mais elevado, enchendo todo o nosso espírito, e o mais firme, pondo em exercício toda a nossa força e vigor”. E conclui com um magnífico arrebatamento de amor: “Eu sou Vosso, Senhor, e não devo ser senão para Vós; a minha alma é Vossa, e não deve viver senão para Vós; a minha vontade é Vossa, e não devo amar senão para Vós; o meu amor é Vosso, e não deve tender senão para Vós. Devo amar-vos como meu primeiro princípio, pois sou de Vós; devo amar-Vos mais que o meu ser, pois o meu ser subsiste por Vós; devo amar-Vos mais que a mim mesmo, pois sou tudo para Vós e em Vós”. A SANTA HUMILDADE “No xadrez da oração a humildade é dama que dá mate ao rei, que é Cristo”. Santa Teresa de Jesus - Doutora da Igreja São Hugo, bispo da Ordem Cartusiana, visitando os hospitais, dava aos enfermos pasto de espiritual doutrina, e particularmente aos infectos de lepra, ou com chagas asquerosas, inclinando-se, lhos beijava afetuosamente. Achando-se uma vez presente a este vistoso espetáculo, o chanceler de Lincôlnia, por nome Guilherme, admirou tanta humildade, e depois, receando a vanglória no bispo, o tentou dizendo: São Martinho com o seu ósculo sarava os leprosos; não fazeis vós outro tanto. Respondeu o santo: O ósculo de Martinho sarava os leprosos, porém o ósculo dos leprosos sara a minha alama. O padre Manuel Bernardes (1644-1710), da Congregação do Oratório de Lisboa, filósofo, poeta e escritor notável, um dos mais célebres clássicos da literatura portuguesa, afirmava com categoria: “Não há coisa tão segura como a humildade, nem mais arriscada que a soberba”. São Macário, egípcio, ensinava aos seus discípulos: “O humilde não cai, porque onde há de cair, se está debaixo de todos?”. A soberba, o orgulho nasceu no coração do Diabo. Esse é o principal pecado no coração do homem. A derrubada do primeiro casal, foi devido a esse terrível pecado, pelo o qual tinha sido Satanás expulso do céu (Isaías 14:11-16; Ezequiel 28:11-19; Lucas 10:18). No jardim do Édem, o casal trocou: A humildade pela soberba De servo para ser senhor A santidade pelo pecado A vida pela morte A verdade pela mentira Deus pelo diabo Por isso disse o apóstolo São Paulo: “Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador” (Romanos 1,25). Ofereceu-se à santa Teresa de Jesus um pensamento: por que razão seria Deus tão amigo da humildade – e sentiu que no seu interior lhe respondia: Porque sou a mesma verdade. Muitos santos definem a humildade pela verdade. São João Apóstolo disse que não há verdade no diabo, ele é o pai da mentira (João 8:44). O casamento perfeito é o da humildade com a verdade. Diabólico é o casamento da soberba com a mentira. Dizem que os lobos fogem do cheiro da pólvora e o maior teólogo americano (Jonathan Edwards) disse que: “Nenhuma outra coisa deixa a pessoa fora do alcance do diabo como a humildade”. A cruz é o único caminho para a humildade. A vida de cruz é a vida do cristão humilde. Ela elimina o orgulho de ser senhor de si mesmo e mostra o caminho de ser escravo de Jesus Cristo, Nosso Senhor. Afirma S. Agostinho de Hipona: “Fia-te de Deus constantemente, e deixa-te nas suas mãos sem reserva; não queiras ser dono de ti mesmo, e entregue à tua disposição. Professa ser escravo daquele clementíssimo, gloriosíssimo e utilíssimo Senhor”. E diz mais: “Onde há humildade, aí há caridade”. São Bento de Núrsia, ensinava aos seus monges a não serem orgulhosos. Dizia: “Vendo o bem em si mesmo, atribuí-lo a Deus e não a si”. “Não querer ser chamado santo antes de o ser, mas ser primeiro, para então ser assim chamado de verdade”. Para São Bento, o primeiro degrau da humildade é a obediência sem demora”. A humildade alegra o coração misericordioso de Deus. Enquanto o orgulho é uma abominação aos olhos de Deus. O orgulho consta na lista dos sete pecados capitais. Os outros são: avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça. Os Santos Padres da Igreja, ensinam com razão que ele é a raiz de todos os outros pecados, e que ademais corrompe muitos atos virtuosos, porque nos leva a praticá-los com intenção egoísta. O eruditíssimo teólogo AD. Tanquerey diz que “ o pecado do orgulho opera para si, ou para agradar aos homens, em lugar de trabalhar para Deus. É a causa da infelicidade. O orgulhoso vive perturbado, agitado e infeliz”. O apóstolo da humildade, São Pedro diz que “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (I Pedro 5:5). O mestre de espiritualidade, o francês M. Olier, afirma que “Deus resiste aos soberbos, porque, como o soberbo ataca diretamente e aborrece a soberania divina, Deus lhe resiste ás pretensões insolentes e horríveis; e, como se quer conservar no que é, abate e destroi o que se eleva contra si”. Outro ínclito pensador cristão francês, Jacques Bossuet, diz: “O orgulho é a depravação mais profunda: por ele o homem, entregue a si mesmo, considera-se como seu próprio Deus; pelo excesso do seu amor próprio”. Como é horrível e arrivista um clérigo orgulhoso. Em suas costas está montado o demônio. Exortava S. Gregório Magno: “Não passam assim as coisas, até mesmo entre os membros do clero, que querem ser chamados doutores e procuram avidamente os primeiros lugares e os cumprimentos?”. O Senhor Deus não suporta pessoas orgulhosas. Está escrito no Salmo 147:6 “O Senhor eleva os humildes, e abate os ímpios até a terra”. Por divina revelação foi ensinada aos filhos de Deus a “santa humildade”. O primeiro sinal do cristão é o amor e o segundo é a virtuosíssima humildade. Devemos Ter muita reverência ao bom Deus por meio da humildade. Devido a sua amabilíssima misericórdia e maravilhosa graça, nós não somos destruídos eternamente, já que somos miseravelmente pecadores. O grande místico S. Bernardo de Claraval, afirma que há estreita afinidade entre a graça e a humildade. AD. Tanquerey diz: “E também o fundamento de todos as virtudes; é, se não a mãe, ao menos a matriz de todas elas, sob um duplo aspecto a saber: sem ela não há virtude sólida, com ela todas as virtudes se tornam mais profundas e perfeitas”. Diz mais: “A humildade é, pois, uma virtude muito prática e santificadora, que abraça o homem inteiramente”. Viver a santidade, a via unitiva e chegar a gloriosa contemplação, Santa Teresa de Jesus, nos ensina o caminho da virtude. Diz a Doutora da Igreja: “Humildade, humildade; por esta se deixa vencer o Senhor a quanto dele queremos”. Humilhai-vos! (I Pedro 5,6) A ERA DA SUPERFICIALIDADE “A superficialidade é a maldição do nosso tempo. A necessidade urgente hoje não é de um maior número de pessoas inteligentes, ou dotadas, mas de pessoas profundas.” Richard J. Foster - Teólogo Americano Para o filósofo judeu Martin Buber, que influenciou definitivamente o pensamento do século XX, a essência do homem define-se por dois tipos de relação com outros homens: Uma relação inclusiva, amorosa, do tipo “eu e tu”, e uma relação manipulada, restritiva, do tipo “eu e isso”. Os computadores serão sempre um “isso”, algo cuja relação com um ser humano não atingirá a profundidade de sentimentos de uma verdadeira relação entre pessoas. O ser humano, portanto, é insubstituível pela tecnologia. No meio da crise que atinge os fundamentos de nossa existência, encontramo-nos na incompatibilidade da solidão e do vazio que emana do sentimento de impotência diante de montanhas de problemas e dificuldades, de indiferença, insensibilidade e superficialidade. A tristeza, angústia e revolta nessa encruzilhada de falta de sentido onde quase tudo é esquematizado em cima da produção e do consumo, da idolatria do mercado e do lucro. É muito mais triste quando o sistema religioso, capitalista, coopera com uma falsa esperança de paraíso terrestre, para idolatria do supermercado da fé. Segundo o poeta e frei Clemente Kesselmeier, OFM “o destino do mundo foi confiado à nossa capacidade de pensar, agir, amar, transformar. Sentimos que o consumo não satisfaz. O barulho dos computadores não é a música de nossos corações. Só Deus pode plenificar o abismo do coração”. Vivemos a era da cirurgia plástica, do hedonismo, narcisismo, da hipocrisia, da desvalorização da vida pelo capital. Exemplo: A tragédia do incêndio ocorrido no supermercado Ycuá Bolaños, em Assunção, capital do Paraguai, no último dia 01 de agosto 2.004. Vivemos as grandes tragédias gregas da antigüidade, do Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, elas continuam atuantes em nossa era. Vivemos a banalização da ética e da moral e a superficialidade da bondade, do amor e dos valores espirituais. A falta de transparência no relacionamento humano é gritante. O relativismo da pós modernidade é a morte da verdade absoluta. A artificialidade impera e determina o fim de muitos projetos que já sabemos de antemão que não são duradouros. Disse o poeta francês Pierre Corneille: “A violência está apenas onde a bondade não tem valor”. O ilustre psiquiatra inglês Ronald Laing disse: “Destruímos a nós mesmos pela violência disfarçada de amor”. O monge e escritor Dom John Main, OSB, disse: “cada vez mais pessoas se dão conta de que, de alguma maneira, na vida moderna perdemos contato com o que é essencial. Perdemos contato com nosso próprio ser essencial, nosso próprio centro”. Devemos refutar a superficialidade, não podemos perder o essencial e limpar o nosso coração da maldade. Disse Santo Agostinho de Hipona: “Nisto consiste a nossa vida: exercitar-nos desejando... o bem deve encher tua alma. Joga fora o mal... Será preciso esvaziar o conteúdo do jarro. Limpar bem o próprio vaso”. Na nossa sociedade, eminentemente competitiva, é possível ter muito mais, e não se sentir melhor. Por mais que consigamos, estamos sempre insatisfeitos porque queremos ser o melhor do mundo. As pessoas, no mundo ocidental, apesar da afluência econômica, não se tornaram mais felizes nos últimos 50 anos. Muitas pessoas melhoram de vida economicamente, vivem mais tempo e são mais saudáveis. No entanto, não estão felizes e nem satisfeitas. Hoje é possível medir esse grau de insatisfação, pois a psicologia econômica, disciplina só agora sistematizada, conseguiu resultados qualitativos muito interessantes, revelados, este ano, no estudo de Richard Layard de título “Happiness: has social science a chue?. Carlos Alberto Rabaça, sociólogo e professor, afirma: “O homem do racionalismo e do positivismo apostou tudo no avanço da ciência e da técnica e ganhou abundantemente com isso. Os benefícios materiais que conseguiu foram superiores aos seus sonhos mais ambiciosos, mas não justificam sua razão de viver. Dessa forma desapareceram os grandes princípios do cenário da vida humana, e seu lugar foi usurpado por pseudo-atores que variam seu disfarce dia a dia”. O discurso de mudanças em nossa sociedade é superficial devidos a esses pseudo-atores. Dentro desse contexto a vida humana torna-se uma comédia de mau gosto. Observou Leon Tolstói: “Todos pensam em mudar a humanidade e ninguém pensa em mudar a si mesmo”. Vivemos a era do cinismo, da ironia, do deboche e da revolução dos idiotas, como afirmava Nelson Rodrigues. O pensador Alfredo Adder dizia: É mais fácil lutar por princípios do que viver por eles”. O ser humano está vivendo uma grande ilusão e uma enorme fantasia na plena era da internet. Cada vez mais estamos vendo pessoas alienadas, manipuladas e enganadas pela tecnologia de ponta. Elas pensam que sabem, tem a pretensão de serem entendidas, contudo estão ludibriadas pelas ideologias do sistema. Tais pessoas sem lucubração vivem fora da realidade no seu mundo aluado. O filósofo e psicólogo alemão Erich Fromm disse: “É preciso despertar, descartar as ilusões e ver a realidade como ela é”. Conhecido como um neofreudiano, Fromm dá maior destaque aos elementos culturais que aos freudianos propriamente ditos. Segundo ele, deve ser dada mais ênfase à estrutura social, na formação do indivíduo. Escreveu que “o homem moderno criou a máquina, tornou-se seu senhor. Mas na realidade vive, hoje, como seu escravo: correndo, esfalfando-se para seguir seu ritmo.” Diz mais: Dinheiro, prestígio e poder transformam-se em seus incentivos e fins. Tudo é importante para ele, menos sua vida e a arte de viver. É a favor de tudo, exceto de si mesmo”. No século XIV, se as pessoas fossem perguntadas sobre o que queriam na vida, diriam que buscavam a salvação divina. Hoje a resposta é: “ser rico e famoso.” Existe uma espécie de culto que faz com que as pessoas não consigam enxergar o que realmente querem da vida, diz o psicanalista inglês Adam Phillips. São Paulo Apóstolo, escrevendo à igreja de Corinto disse: “o deus (diabo) deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus II Co 4,4”. O diabo do egoísmo, da soberba, da avareza, da prepotência, da luxúria, da corrupção, da maldade e da superficialidade tem cegado o ser humano de ver a caridade para com o próximo, de ver a sua responsabilidade social e de ver o bem maior, Deus. O homem na sua superficialidade tem sido prolixo à banalidade. Numa antropologia hamartiológica o homem é para São Paulo Apóstolo “um ser miserável”. Para Santo Agostinho “é um verme soberbo”. Para Santo Tomás de Aquino “é um anjo montado num porco”. Para João Calvino “é um ser depravado total”. Carl G. Jung disse que “o homem é um enigma para si mesmo. Está se tornando cada vez mais óbvio que o maior perigo para a humanidade não é a fome, nem os micróbios, nem o câncer, mas o próprio homem”. Devemos examinar o enigma do homem para traze-lo a originalidade, a autenticidade e a verdade abissal. Deus fez o homem a sua imagem e semelhança; Gn 1,26. Deus fez o homem reto; Ecl 7,29. Deus colocou em seu coração a eternidade; Ecl 3,11. Deus amou o homem de tal maneira que deu seu filho para ser crucificado; Jo 3,16. Nós éramos inimigos de Deus, mas pela morte de Jesus Cristo, fomos reconciliados com Deus; Rm 5,10. A verdade abissal é Cristo que liberta o homem de toda ideologia escravocrata. Está escrito: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará." (Jo 8,32). Bertrand Russel disse: “Para o homem, em verdade, uma existência não examinada não vale a pena viver.” Realmente, só na verdade a vida tem sentido. No estado da verdade não há espaço para superficialidade e para coisas fúteis. O homem não pode e não deve perder seu tempo com as utopias do mundo. O seu tempo é para Deus. O Santo Cura D’Ars gostava de dizer: “Quem não tem tempo a perder com Deus, perde seu tempo”. “O homem só se compreende a si mesmo em relação a Deus, que é plenitude de verdade, de beleza e de bondade... A verdadeira paz floresce quando no coração se vence o ódio, o rancor e a inveja: quando se diz não ao egoísmo e a tudo o que leva o ser humano a debruçar-se sobre si mesmo e a defender o seu próprio interesse”, afirma o Papa João Paulo II. O homem, encontrando a plenitude da verdade, não pode mais viver o teatro da superficialidade, o circo da falsa alegria e a manipulação e alienação tecnológica. A verdadeira paz e a felicidade que tanta gente procura, só pode ser encontrada na graça e no amor do bom Deus. O lindo pensamento de Santa Teresinha do Menino Jesus diz tudo: “Amo a Deus até a loucura, por todos aqueles que não O amam. Guardando a Deus, tudo é graça. Tudo, com exceção de Deus, tudo é vaidade”. DOMINGO É O DIA DO SENHOR “Este é o dia que o Senhor fez, regozijemo-nos e alegremos-nos nele” (Salmo 118,24) “Participem da missa todos os domingos. O cristão é o homem da Santa Missa”. Papa João Paulo II Domingo, no Novo Testamento, é chamado de ‘O dia do Senhor’ . Em latim, ‘dominica die’, de onde deriva o nome nas línguas neolatinas, por exemplo: no espanhol, ‘ domingo; no italiano, ‘domenica’; e no francês, ‘dimanche’, faladas por cerca de 400 milhões de pessoas”. Domingo é um vocábulo exclusivo do cristianismo. Essa palavra, bem como as suas análogas, não existia em nenhuma língua do mundo até o final do século 1°, quando o apostolo São João criou a expressão grega: Κυριακη ημερα (Kyriake hemera), vertida para o latim como: dominica die. Antigos documentos da Igreja primitiva, transcritos para o russo, relatam que João, encarcerado na ilha de Patmos, chorava muito ao chegar o primeiro dia da semana, ao lembrar-se das reuniões para a Ceia do Senhor, celebrada sempre nesse dia: “No primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão...”(At 20,7). E foi justamente em um “primeiro dia da semana” que Jesus, ressuscitado, lhe apareceu e lhe revelou os maravilhosos eventos do Apocalipse. (Ap 1,10) Certamente que todo o livro não foi elaborado naquele mesmo dia. Mas o fato indiscutível é que Jesus apareceu a João exatamente no “primeiro dia da semana”. Isso explica porque a Ucrânia e a Rússia trocaram os nomes do primeiro dia da semana, que entre os pagãos era chamado “dia do sol”, por uma expressão tão ou mais significativa do que aquela adotada nos países de línguas neolatinas. Lemos na Bíblia Ucraniana, João afirmando que foi arrebatado no “dia da ressurreição” (Dien voscrecii). De igual modo, na Bíblia Russa também lemos: “Eu fui arrebatado em espírito, no dia da ressurreição”. Aliás, na língua russa, todos os dias da semana ficaram subordinados ao dia da ressurreição! Por exemplo: segunda-feira, em russo, é pondielnik (“o dia após a ressurreição”); terça-feira, voftornik (“o segundo dia após a ressurreição”); quarta-feira, sreda (“terceiro dia após a ressurreição”), e assim por diante. TESTEMUNHOS SOBRE O DOMINGO “No dia chamado (pelos pagãos) dia do sol, todos os nossos que moram na cidade e nos campos se reunirão num mesmo lugar... Reunimo-nos todos em tal dia por ser aquele em que Jesus Cristo nosso Salvador ressuscitou dos mortos.” Afirmava São Justino (+165 d.C. ) Santo Inácio de Antioquia (+107 d.C.), “modelando nossas vidas segundo o dia do Senhor”, ensinava aos cristãos magnesianos. O domingo, desde o início do cristianismo, sempre foi o dia por excelência da Eucaristia. Por exemplo, nas Atas dos Mártires, encontramos o testemunho dos cristãos conhecidos como mártires do domingo, da província romana da Abitínia, no norte da África. Seu martírio ocorreu por volta do ano 304 d.C. Era uma época de perseguição aos cristãos, ordenada pelo imperador Diocleciano. Quando questionados porque estavam reunidos, prontamente responderam: “Muito conscientemente celebramos a ceia do Senhor no domingo, porque não é licito omitir a ceia do Senhor e não podemos viver sem celebrar o dia do Senhor”. Tertuliano, um célebre escritor do início do cristianismo, dizia: “Sem domingo não existem cristãos”. Documentos escritos nos três primeiros séculos, muito antes de Constantino existir (280-337 d.C.), adotaram e conservam, todos eles, a mesma expressão concebida pelo apostolo João para referir-se ao glorioso dia da ressurreição de Jesus Cristo. “O dia do Senhor, em Apocalipse 1,10, é tido pela maioria dos autores como domingo”. “O primeiro dia da semana é, sem dúvida o dia do Senhor, referido em Apocalipse 1,10.” A mais antiga menção ao domingo (dia que não existia no calendário pagão) está nos papiros de Oxyrhynchus – data de 291d.C. afirma o professor Dr. Dirk Obbink, do departamento de língua grega da Universidade de Oxford e pesquisador dos papiros Oxyrhynchus. A SINGULARIDADE DO NOME DOMINGO (João 16,22) “E Jesus, tendo ressuscitado na ,manhã do primeiro dia da semana...” (Mc 16,9) “E, no fim no fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro” (Mt 28,1) “E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol” (Mt 16,2). “E no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado, e algumas outras com elas” (Lc 24,1). “E no primeiro dia da semana, Maria Madalena vai ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu pedra tirada do sepulcro” (Jo 20,1). “Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro dia da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco” (Jo 20,19). “E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até a meia noite ” (At 20,7). “No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, que não se façam as coletas quando eu chegar” (1Co 16,2) Domingo é o nome exclusivo do cristianismo, criado por João para caracterizar e distinguir o dia da vitória de Jesus sobre a morte, consumando a libertação de toda a humanidade. O DOMINGO E A SANTA MISSA São Basílio Magno fala do “santo domingo, honrado pela ressurreição do Senhor, primícia de todos os outros dias”. Santo Agostinho chama o domingo “sacramento da Páscoa”. A Santíssima Eucaristia é o centro de toda a vida a vida cristã e o cerne da Santa Igreja de Deus. Santa Teresa de Ávila não se cansava de repetir a suas irmãs: “Sem a Santa Missa, que seria de nós? Todos aqui em baixo pereceríamos, já que unicamente isso pode deter o braço de Deus. Sem ela, certamente a igreja não duraria e o mundo estaria perdido, sem remédio.” Para meditação: “Domingo sem Missa, semana sem graça”. DEUS EXISTE? “Nunca houve uma sociedade humana em que a idéia de Deus não estivesse presente, normalmente como agente controlador e criativo. Isso se aplica até ás sociedades que deliberadamente optaram por um sistema de governo secular”. Assim escreveu John Bowker no seu livro God -A Brief History (Deus – Uma Breve História). O professor de Física Ulrich J. Becker, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA, declarou ao comentar a existência de Deus: “Como posso existir sem ter tido um criador? Não sei de uma resposta convincente a esta pergunta.” Contradiz isso os conceitos científicos dele? O professor respondeu: “Se você descobriu como gira uma das engrenagens no ‘relógio’ – você pode especular sobre como as demais giram, mas você não tem como chamar isso de científico e é melhor deixar de lado a pergunta sobre quem deu corda ao relógio.” Contrário á opinião de alguns, muitos respeitados homens da ciência não descartam a idéia de que existe um Deus – um Grande Cérebro por trás da criação do universo e do homem. Considere mais dois exemplos disso. Quando se pediu ao professor de Matemática John E. Fornaess, da Universidade de Princeton, a sua opinião sobre a existência de Deus, ele disse: “Creio que existe um Deus e que ele dá estrutura ao Universo em todos os níveis, desde as partículas elementares até os seres vivos, e os superaglomerados de galáxias.” O professor de Física Henry Margenau, da Universidade de Yale, disse que estava convencido de que as leis da natureza foram criadas por Deus, acrescentando: “Deus criou o Universo do nada, num ato que trouxe também á existência o tempo.” Daí ele observou que no livro The Mystery of life´s Origin (O Mistério da Origem da Vida), três cientistas explicam que a existência de um Criador é uma explicação plausível para a origem da vida. Apoiando esse conceito, o astrônomo Fred Hoyle declarou que crer que a primeira célula surgiu por acaso é como crer que um tornado, que fustigasse um depósito de sucata cheio de peças de avião Boeing 747 desmontadas e espalhadas, poderia produzir um 747. Um estudo divulgado em 1997 revelou que 4 em cada 10 cientistas americanos acreditavam em Deus como pessoa. Essa proporção havia permanecido praticamente sem alteração desde 1914, quando foi realizada uma pesquisa similar. É compreensível que essa proporção seja menor em países onde prevalece um ponto de vista mais secular, como por exemplo nos países da Europa. No entanto, o jornal britânico The Guardian noticiou que “o nível de crença religiosa é maior entre os profissionais das ciências exatas, como física e geologia, e menor entre os profissionais de ciências sociais, como a antropologia”. Acrescentou: “O Reino Unido tem organizações como Cristãos na Ciência.” O jornal também observou que na Grã-Bretanha “o número de estudantes de ciências que freqüentam a Igreja é bem maior em proporção do que os estudantes de belas-artes”. Mesmo assim, parece que a maioria dos cientistas faz pouco caso da idéia de um Criador. Seu desprezo exerce forte pressão sobre os colegas. O astrônomo Allan Sandage explica que “há uma certa relutância em revelar ser alguém que acredita em Deus”. Por que se dá isso? “A humilhação”, diz ele – a desaprovação e a censura dos colegas – “é muito severa”. Alguns cientistas dão-se conta de que rejeitar a Deus é um caminho escolhido não por evidência sólida cuidadosa, mas por apego a conjecturas e especulações. Portanto, depois duma vida inteira de pesquisa e trabalho científicos bem sucedidos, o astrônomo Allan Sandage comentou: “Foi o estudo da ciência que me fez chegar à conclusão de que o mundo é muito mais complexo do que a própria ciência pode explicar. É somente por meio do sobrenatural que consigo entender o mistério de tudo que existe”. O físico australiano Paul Davies usou um argumento similar. “Sem dúvida, muitos cientistas... desdenham da noção de que pode existir um Deus, ou mesmo um princípio criativo impessoal.” Ele acrescentou: “Pessoalmente, não compartilho de seu desdém... Não posso crer que a nossa existência no Universo seja um mero golpe do destino... um acidente no grande drama cósmico.” Grandes cientistas eram também grandes homens de fé no Criador, como o italiano Galileu Galilei (1564-1642), o inglês Isaac Newton (1642-1727), o polonês Nicolau Copérnico (1473-1543),e o alemão Albert Einstein (1879-1955), Nobel de Físico em 1921, pela descoberta do efeito foto-elétrico, disse: “Quanto mais acredito na ciência, mais acredito em Deus”. O criador da teoria da relatividade afirmou: “A ciência sem religião é paralítica; a religião sem a ciência é cega”. O astrônomo, matemático e físico Galileu disse: “Tanto as Escrituras Sagradas como a natureza procede da Palavra Divina... Duas verdades nunca podem contradizer-se”. O pai da cosmologia moderna, o inglês Stphen Hawking, acha fascinante a chamada “hipótese teológica”, a idéia de que entender Deus seria o alvo supremo da física, mas alerta para o fato de que o caminho para chegar lá é a ciência, e não a metafísica ou o misticismo. Quando lhe perguntam se Deus teve um papel no Universo antes do Big Bang, a explosão primordial que teria criado o cosmo, Hawking admite que sim. “Acha que só Ele pode responder porque o Universo existe”, diz o famoso astrofísico. (Veja,19/12/01, p.133). “Foram minhas pesquisas que me levaram a Deus” afirmou Antoine Henri Becquerel (1852-1908), Nobel de Física em 1903, por ter descoberto a radioatividade. Muitos cientistas não vacilam em declarar que acreditam num Criador. Embora tenham uma vaga idéia sobre quem é Deus, alguns deles mesmo assim concordam que a evidência aponta para um Projetista Inteligente. Observe os seguintes comentários: “Cada animal é, de certa forma, projetado especialmente para se ajustar ao ambiente específico em que vive. Não posso deixar de atribuir a complexidade de tal projeto a um Criador, em vez de as forças evolucionárias movidas ao acaso”. Bob Hosken, bioquímico Australiano. “Como cientista, vejo o mundo em minha volta e observo mecanismos de engenharia com uma complexidade tão notável que chego à conclusão de que há um projeto inteligente por trás de tal ordem complexa”. Andrew Mcintosh, Matemático britânico. “A complexidade da natureza indica claramente que existe um Criador. Cada sistema físico e biológico, quando compreendido, mostra incrível complexidade”. John K. G. Kramer, Bioquímico canadense. “A ordem no mundo vivo é muitíssimo evidente. Foi estabelecida por uma Força superior que eu pessoalmente chamo de Deus. É nesse sentido que a fé está de acordo com a verdade científica e a completa, em vez de contradizê-la, fornecendo um entendimento mais simples do Universo”. Jean Dorst, Biólogo francês. O grande cientista francês Louis Pasteur (1822-1825), fundador da microbiologia, descobridor da vacina, que revolucionou a medicina e salvou muitas vidas dizia: “A pouca ciência afasta de Deus, e muita ciência leva a Deus”. Medite na colossal afirmação do intelectual francês Victor Hugo (1802-1885): “ Deus é o invisível evidente ”. ALIENAÇÃO DO FERVOR RELIGIOSO “A era moderna é tão religiosa como qualquer período histórico anterior e, em alguns lugares, é ainda mais”. Peter Berger, Sociólogo e Teólogo - Professor na Universidade de Boston, EUA. Depois do 11 de setembro de 2001, do funeral impactante do papa João Paulo II, da sinistra doença da depressão e da guerra contra o terrorismo mundial, iniciou-se uma atenção especial para o papel da religião no nosso mundo pós-moderno. Tenhamos muito cuidado com o fervor religioso na era da internet. Vivemos a era da “rede internacional da alienação religiosa”. O senso crítico não existe na multidão. A manipulação em nome de Deus é um escândalo, é um atentado a verdade. Escreveu a romancista e poetisa inglesa Edith Sitwell: “O público acreditará em qualquer coisa, desde que não esteja fundamentada na verdade”. O pensamento cristão foi e sempre será da qualidade transubstancial da vida humana. Afirma o cardeal Dom Geraldo Magella: “Nós não queremos quantidade, queremos cristãos autênticos”. A visão profética dos cristãos autênticos é a glória do martírio pela pregação da verdade que liberta o ser humano de toda e qualquer alienação: política, social, econômica, cultural e principalmente religiosa. É mais fácil enganar as pessoas em nome de Deus e da fé, do que em outro contexto. “O mundo deseja ser enganado”, dizia o poeta e humanista alemão Sebastian Brant. Os cristãos autênticos decretam: “O mundo precisa encontrar a verdade”. Somente o conhecimento da verdade cristã, liberta o alienado, o manipulado e o engano dos falsos líderes religiosos, que pregam um fervor religioso capitalista. O papa Bento XVI afirma: “As religiões são consideradas todas equivalentes. Mas isso é falso. Existem, de fato, formas religiosas degeneradas e corruptas, que não edificam o homem, mas o alienam”. Diz sobre as seitas: “A cada dia nascem novas seitas e se realiza aquilo que diz São Paulo Apóstolo sobre o engano dos homens, sobre a astúcia que tende a induzir ao erro”. “A igreja está definitivamente na moda”, diz Adriano Schwartz, doutor em teoria literária pela USP. Qual é a igreja que está na passarela da moda? Não é a Igreja de Cristo, da Virgem Maria e dos santos apóstolos, dos Padres do Deserto, dos mártires, dos apologistas, dos monges, da tradição patrística, dos santos doutores, da Sagrada Escritura, como Palavra de Deus, da Teologia da Cruz, do Papa e da Santíssima Eucaristia . Não é a Igreja definida pelo Doutor da Graça, Santo Agostinho como: Una, Santa, Católica e Apostólica. Não é a Igreja que luta pela justiça social. A igreja que está na moda é a que prega a teologia da prosperidade, o fervor religioso do carismatismo emocional e da catarse, é a igreja do discurso pétreo dos três ‘pês’: “placebo, paliativo e panacéia”, é a igreja da corrupção política e econômica, é a igreja dos profissionais oportunistas. Afirma o Dr. Haroldo Malheiro D. Verçosa, professor de direito comercial na USP: “Verdadeiramente existe no fundo de tudo uma luta pelo poder político e econômico, na qual a religião participa como um pretexto, freqüentemente cooptada por oportunistas, tal como fez o imperador Constantino no passado”. A matriz do pandemônio da alienação do fervor religioso é o Estados Unidos. O pesquisador George Barna calcula que, só nos Estados Unidos, mais de 10 milhões de pessoas que se definem como nascidos de novo encontram-se atualmente sem igreja. As pessoas ficaram desiludidas e cansadas e muitas não querem voltar para a igreja local na sua condição atual. O teólogo Philip Yancey declara que há muita gente desapontada com a Igreja nos Estados Unidos. O teólogo protestante diz mais: “Parece-me que a Igreja está mais propensa a afastar as pessoas de Deus do que a aproximá-las Dele”. O presidente da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos Jack Graham disse: “A Aliança Batista Mundial (ABM) está se tornando uma organização marginalizada e vem tendo uma influência cada vez menor para o Evangelho de Cristo no mundo”. Uma crítica desse porte à ABM demonstra a decadência protestante nos Estados Unidos. A decadência dogmática protestante nos Estados Unidos é definida a partir do avivalista de Nova Iorque, advogado e pregador presbiteriano Charles Finney (1792-1875). O pastor Michael S. Horton afirma que Finney “não apenas abandonou o princípio fundamental da Reforma (a justificação pela fé), tornando-se um rebelde contra o cristianismo evangélico, como também rejeitou as doutrinas que tem sido acreditadas por católicos e protestantes (tais como o pecado original e a expiação vicária). Por isso, Finney não é simplesmente um arminiano, mas um pelagiano. Ele não é apenas um inimigo do protestantismo evangélico, mas também do cristianismo histórico, no mais abrangente sentido da palavra”. O avivalista novaiorquino transformou a doutrina ortodoxa reformada de avivamento, para o avivalismo herético arminiano e pelagiano. O resultado dessa mudança hoje nos Estados Unidos e em outras partes do mundo, é a alienação do fervor religioso. Daí o fundamentalismo, fanatismo e o “evangelho sem cruz”. “Qualquer evangelho que proclama o amor de Deus sem ressaltar que seu amor O levou a pagar, na pessoa de seu Filho, na cruz, o preço final pelos nossos pecados, é um falso evangelho”, diz o pastor James Montgomery Boyce. A miseriabilidade da “graça barata” dos crentes americanos, envergonha o mundo. Leiamos a reportagem dos três jornalistas de Atlanta e Nova Iorque: William C. Symonds, Brian Grow, John Cady, de cujo título: Igreja Evangélica é grande negócio nos Estados Unidos. (Jornal Valor, 07 de Julho de 2005, p. A12) Igreja é o que não falta em Houston, uma cidade mergulhada no coração do chamado Cinturão Bíblico americano. Portanto, é surpresa que a maior da cidade – e dos EUA – esteja localizada em uma esquina deteriorada que a maioria da população jamais sonharia em visitar. Ainda assim, 30 mil pessoas enfrentam nos fins de semana o trânsito ruim das vias estreitas que levam à Igreja Lakewood, para ouvir o pastor Joel Osteen com suas mensagens de otimismo. Um homem de 42 anos e aparência jovem, com um sorriso constante no rosto, ele garante aos milhares que aparecem a cada um dos cinco cultos do fim de semana que “Deus tem um grande futuro para você”. Seus cultos são tocantes e sempre incluem sua esposa, Victoria, que lidera os fiéis e sua mãe Dodie, que discute passagens da Bíblia. Osteen é tão popular que quase quadruplicou a freqüência desde que assumiu o púlpito de seu falecido pai em 1999, conseguindo fiéis de outras igrejas, além de multidões de não convertidos. Osteen diz: “Outras igrejas não evoluem e perdem fiéis por não mudarem com os tempos”. O pastor Joel é um dos empreendedores evangélicos da nova geração que estão transformando sua ramificação do protestantismo em um dos grupos religiosos mais influentes e de mais rápido crescimento nos EUA. O sucesso fulminante desses empreendedores é moldado no setor empresarial. Eles tomam emprestadas ferramentas que vão do marketing de nicho à contratação de profissionais com MBA para conseguirem números maiores de fiéis. Para atingir essas massas, os lideres mais espertos estão criando Escolas Dominicais que se parecem com a Disney World e cafés nas igrejas com o mesmo tipo de apelo da rede Starbucks. Embora a maioria mantenha uma visão religiosa rígida, eles descartam os hinos antiquados em favor da adoração multimídia e criam serviços para atender todos os tipos de necessidades do consumidor, de aconselhamento em divórcios e ajuda a pais com filhos autistas. Como Osteen, muitos oferecem uma mensagem de otimismo entrelaçada com uma religiosa. Para fazer os novatos se sentirem em casa, alguns deixam de lado o simbolismo religioso padrão – até os quesitos básicos como a cruz e os bancos – e projetam igrejas que se parecem mais com casas de espetáculos modernas do que com locais tradicionais de adoração. (Ler: Rm 12:1,2; Tg 4:1-6; I Pd 1:14-19; I Jo 2:15-17). Os novos líderes dessas igrejas estão disseminando suas idéias de todas as maneiras possíveis. O Novo Testamento, por exemplo, está sendo encartado em revistas de moda voltadas para diferentes segmentos de mercado – existe até uma versão hip-hop e uma voltada para garotas adolescentes. A música cristã atrai milhões de jovens – que de outro modo jamais pisariam em uma igreja – proporcionando de tudo, de rock alternativo ao punk e o “screamo” (músicas com letras religiosas que não são cantadas e sim gritadas). (Ler: Hab 2:9,10; Amós 5:23, Ef 4:31). No entanto, na medida em que eles prosperam, tensões crescentes estão havendo com os protestantes da corrente principal, que se sentem ofendidos por suas políticas conservadoras e marketing descarado. “Jesus não era capitalista; é só ver o que ele diz sobre o quanto é difícil entrar no céu se você é um homem rico”, afirma o reverendo Robert W. Edgar, secretário geral do Conselho Nacional de Igrejas de tendências liberais. Especialmente controvertidos são lideres como Osteen, que defendem a riqueza material e dizem aos seus seguidores que Deus quer que eles sejam prósperos. Em seu livro, Osteen fala do desejo de sua esposa, Victoria – uma loira exuberante que se veste com roupas da moda - de querer comprar uma bela casa alguns anos atrás, antes que o dinheiro entrasse no orçamento da família. Ele achou que seria impossível. “Mas Victoria teve mais fé”, escreveu ele. “Ela me convenceu de que poderíamos viver em uma casa elegante... e vários anos depois isso aconteceu”. (Ler: Mt 6:19-21; 19:21,22; Lc 14:33; I Tm 6:7-11). “Daquele que acredita que o dinheiro pode fazer tudo, pode-se suspeitar com fundamento que será capaz de fazer tudo por dinheiro”. Benjamim Franklin Ex presidente dos EUA Alguns líderes evangélicos reconhecem que o materialismo flagrante pode aumentar o espectro da comercialização. Kurt Frederickson, um diretor do Seminário Teológico Fuller, de Pasadena, na Califórnia, alerta: “Precisamos ser cuidadosos quando um pastor vira um executivo-chefe e passa a se orientar pelo mercado, caso contrário poderá haver uma reação contra as mega-igrejas, assim como há contra a Wal Mart”. Muitos evangélicos afirmam estar só tentando atender as demandas não cumpridas pelas igrejas tradicionais. Craig Groeschel fez uma pesquisa de mercado com pessoas da área que não freqüentam igrejas – e ouviu muita coisa. “Eles diziam que as igrejas estão cheias de hipócritas e que são chatas”, lembra-se. Então, criou a igreja da Vida para acabar com esses preconceitos, com animados serviços multimídias em um ambiente que se parece com algo entre um concerto de rock e uma cafeteria. Uma vez estabelecidas, algumas igrejas ambiciosas transformam a disseminação de seu conhecimento em um grande negócio. A Igreja Comunitária de Wilow Creek, em IIlinois, criou um braço de consultoria chamado Wilow Creek Assn. Ele ganhou US$ 17 milhões no ano passado, em parte com a venda de consultoria de marketing e administração para 10.500 igrejas –membros de 90 denominações. Jim Mellado, o MBA por Harvard que o administra, comprou em 2004 um número surpreendente de 110 mil igrejas e prepara líderes para fazerem seminários sobre tópicos como liderança eficiente. “O impulso empresarial vem do mandamento bíblico de transmitir a mensagem”, diz o fundador da Wilow Creek, Bill Hybels, que contratou Greg Hawkins, MBA por Stanford e ex-consultor da Mckinsey, para conduzir a administração diária da igreja. Os métodos da Wilow Creek viraram caso de estudo na Harvard Business School. A abordagem voltada para o consumidor adotada por Hybels é evidente na Wilow Creek, onde ele aboliu vitrais, bíblias e até a cruz no recém-construído santuário para 7.200 pessoas, de US$ 72 milhões. O motivo? Uma pesquisa de mercado sugeriu que esses símbolos tradicionais podem afastar pessoas que não vão à igreja. Todo esse crescimento, mais o dízimo que muitos evangélicos encorajam, está gerando rios de dinheiro. Uma igreja americana tradicional possui menos de 200 membros e um orçamento anual de US$ 100 mil. Uma mega-igreja atrai em média US$ 4,8 milhões, segundo estudo feito em 1999 pelo Hartford Seminary, um dos poucos que existem sobre o assunto. O dinheiro está alimentando o boom de construção dessas igrejas. Apesar de seu sucesso, cuja continuidade aparentemente não tem como ser impedida, os evangélicos precisam lutar com forças poderosas da sociedade americana. As fileiras de americanos que não demonstram ter nenhuma preferência religiosa quadruplicaram desde 1991, para 14% segundo pesquisa recente. As grandes denominações – incluindo a Igreja Metodistas Unidos e a Igreja Presbiteriana – vêm encolhendo há décadas e já perderam mais de 1 milhão de membros somente nos últimos dez anos. Hoje, os protestantes da corrente principal respondem por apenas 16% da população dos EUA, segundo o cientista político John C. Green, da universidade de Akron. Rica, bela e bem sucedida, a cantora pop star Madonna disse: “Nós, americanos, somos obcecados por valores totalmente errados, como ser bonito, ter dinheiro no banco, ser bem sucedido”. Muitas igrejas estão vivendo na porta larga e no caminho espaçoso, Mt 7:13,14. Na Reforma protestante foi dito: Cristo sim, Igreja não. Na Revolução Francesa: Deus sim, religião não. Na Revolução Científica: Evolucionismo sim, criacionismo não. Na Revolução Comunista: O homem sim, Deus não. No Pluralismo Religioso da pós-modernidade os axiomas são: Relativismo sim, dogmatismo não. Não à ortodoxia da fé cristã bíblica e patrística. Os próprios crentes estão negando a sã doutrina apostólica, (II Timóteo 4,1-5) Peter Berger diz: “O que a modernidade traz consigo, mais ou menos inevitavelmente, não é secularização, mas pluralismo – a coexistência pacífica de distintos grupos raciais, étnicos ou religiosos na mesma sociedade”. Fervor religioso no divino Espírito Santo sim, alienação, fundamentalismo, fanatismo e relativismo jamais. “Se alguém tem o dom do serviço, exerça-o como capacidade proporcionada por Deus, a fim de que em todas as coisas, Deus seja glorificado, por Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o poder, pelos séculos dos séculos. Amém. (II Pedro 4,11) A FONTE DA VERDADEIRA FELICIDADE “A nossa vida não deve ser caracterizada por inquetações que geram ansiedades, e sim pela fé que produz felicidade”. Charles H. Spurgeon (1834 – 1892) - Teólogo Inglês Objetivo a ser alcançado em todos os tempos, a felicidade só agora começa a ser estudada pela ciências sociais. As pessoas, no mundo ocidental, apesar da afluência econômica, não se tornaram mais felizes nos últimos 50 anos. Muitas ficaram ricas, trabalham mais, vivem mais tempo e são mais saudáveis. Contudo não estão mais satisfeitas. Hoje é possível medir esse grau de insatisfação, pois a psicologia econômica, disciplina só agora sistematizada, conseguiu resultados qualitativos muito interessantes, revelados, este ano, no estudo de Richard Layard de título “Happiness: has social science a chue?”. Na sociedade em que estamos vivendo, terrivelmente alienada, consumista e competitiva, é possível ter muito mais e não ser feliz. Por mais que consigamos, estamos sempre infeliz e insatisfeitos, porque as coisas terrenas não saciam os nossos desejos. O filósofo e escritor latino Sêneca (4 a.C. – 65 d.C.) disse: “Se não estou satisfeito com o que tenho, mesmo se possuísse o mundo, ainda me sentiria na miséria!” Só Deus realiza os mais profundos e insaciáveis desejos do ser humano. Afirma com categoria São Bernardo de Claraval (1090 –1153): “Deus fez de ti um ser de desejo, e o teu desejo é o próprio Deus”. Alguns anos atrás, perguntou-se a pessoas na França, na Alemanha, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos: “O que é preciso para ser feliz?” Dentre os entrevistados, 89 por cento disseram que isso requer boa saúde; 79 por cento mencionaram a satisfação no casamento ou na vida em comum; 62 por cento salientaram as recompensas da paternidade e da maternidade; e 51 por cento citaram uma carreira bem sucedida. Embora a sabedoria popular diga que o dinheiro não garante a felicidade, 47 por cento dos interrogados estavam convencidos de que ele a garante. O que os fatos revelam? Primeiro, note o suposto vínculo que há entre o dinheiro e a felicidade. Uma pesquisa feita entre as cem pessoas mais ricas nos estados Unidos mostrou que elas não eram mais felizes do que as outras em geral. Além disso, embora muitas delas quase tenham dobrado o seu patrimônio nas últimas três décadas, não são agora mais felizes do que antes, segundo os peritos em saúde mental. Na realidade, um relatório comentou: “No mesmo período, os casos de depressão dispararam. O suícidio de adolescentes, triplicou. O número de divórcios dobrou”. Em cerca de 50 países diferentes, pesquisadores que estudaram a relação entre o dinheiro e a felicidade chegaram á conclusão de que não se pode comprar a felicidade. Que relação importante com a felicidade têm fatores taís como boa saúde, casamento feliz e carreira bem sucedida? No entanto, será que alguns vão a extremos para conseguir a felicidade? O filósofo Eric Hoffer chegou à conclusão que sim. “A procura da felicidade é um dos principais motivos da infelicidade.” Isso certamente é verdade quando procuramos a felicidade nos lugares errados. O lugar certo é o coração do ser humano. O caminho é Jesus Cristo e a fonte é a Palavra de Deus. Disse Santo Agostinho de Hipona: “A procura de Deus é a procura da felicidade, o encontro com Deus é a própria felicidade”. É para Deus, pois, que é mister orientar todas as nossas ações e pensamentos. Conhecê-lo, amá-lo, servi-lo e assim, glorifica-lo, eis o fim da nossa vida e da nossa verdadeira felicidade. “Infeliz quem conhece todos essas coisas (terrenas) e não Vos conhece, ó meu Deus! Feliz quem Vos conhece, embora ignore todo o resto. Quanto a quem Vos conhece e conhece também as coisas terrenas, não é mais feliz por conhecê-las, mas é unicamente o conhecimento que tem de Vós que o faz feliz”. Santo Agostinho de Hipona (354 – 430) - Teólogo, Filósofo e Doutor da Igreja A CRUELDADE HUMANA “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jeremias 17,9) O ínclito teólogo e filósofo, bispo de Hipona (Norte da África, atual Tunísia), o mais célebre dos Doutores da igreja Ocidental, Santo Agostinho (354-430), mostra como o homem diante de Deus se torna uma pergunta sobre si mesmo e, com isto, faz uma penetrante experiência de sua realidade. É o que ele se expressa em suas confissões: “Grande é a força da memória. Não sei que mistério tremendo, Deus meu, é uma profunda infinidade de mil coisas, e isto sou eu. Pois que sou eu, Deus meu? Que natureza é a minha? É uma vida vária de mil maneiras e excessivamente imensa”. O ser humano, tem consciência da sua natureza perversa e cruel. O intelectual R. S. Peters disse: “O homem é um animal que segue regras”. Contudo, as regras mudam de acordo com as pressões, ambições e idéias dos que as inventam. O maior orador romano Marco Túlio Cícero (106-43 a C.) em um dos seus discursos vociferou: “A amizade começa onde termina ou quando conclui o interesse”. O ser humano sabe maquinar os seus interesses egoístas e malévolos. E de chocar o maquiavelismo no pensamento humano. A natureza pecaminosa dos filhos de Adão, proliferou todo tipo de corrupção na face da terra. “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicou sobre a terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. E Deus arrependeu-se de ter criado o homem”. (Gênesis 6,5 e 6). “A mente do homem é como um depósito de idolatria e superstição; de modo que, se o homem confiar em sua própria mente, é certo que ele abandonará a Deus e inventará um ídolo, segundo sua própria razão”, afirmava o reformador francês João Calvino (1509-1564). O patriarca Abraão disse que era pó e cinza, (Gênesis 18,27). O sofredor Jó declarou que o homem é de bem poucos dias e cheio de inquietações. É como uma flor que se seca, desaparece como uma sombra e não permanece, (Jó 14,1 e 2). O salmista Davi escreveu: “ Sou um verme e não homem” (Salmo 22,6). Jesus disse aos seus discípulos: vós sois maus. (Mateus 7,11). Os discípulos Tiago e João disseram: Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu, para que destrua os samaritanos? (Lucas 9,54). São Paulo Apóstolo escreveu aos cristãos de Roma dizendo: “De fato, estou ciente de que o bem não habita em mim, isto é, na minha carne. Pois querer o bem está ao meu alcance, não porém, realiza-lo. Não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero. Ora, se faço aquilo que não quero, então já não sou eu que estou agindo, mas o pecado que habita em mim. Portanto, descubro em mim esta lei: quando quero fazer o bem, é o mal que se me apresenta”. (Romanos 7,18-21). A mente humana é o campo de batalha tanto para bondade, quanto para maldade. O bem e o mal são intrínsecos às pessoas. A diferença entre o homem e o animal está no prazer e no divertimento. Assim afirma o historiador inglês James Anthony Froude: “Os animais ferozes nunca matam por prazer. Só o homem se diverte com a tortura e a morte de seus semelhantes”. Para o filósofo grego Aristóteles (384 – 322 a C.) a diferença está no fato de pensar. Para ele nada caracterizava melhor o homem do que a prática de raciocinar e executar. Seguindo este pensamento, o erudito pensador francês Blaise Pascal (1623-1662), é o teórico moderno da autoconsciência do homem em afirmar: “O homem não passa de um caniço, o mais fraco da natureza, mas é um caniço pensante”. Ninguém pode duvidar da capacidade construtora da mente humana. Grande pode ser o ato nobre, quanto ato bárbaro. O ser humano é um palco de hipocrisia. Ronald Laing (1927-1989), psiquiatra inglês, confirma dizendo: “Destruímos a nós mesmo pela violência disfarçada de amor”. Jesus Cristo ensinou às multidões e aos seus discípulos contra as práticas falsas dos lideres religiosos da sua época, declarando: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Fechai às pessoas o Reino dos Céus, mas vós mesmos não entrais, nem deixais entrar aqueles que o desejam. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Percorreis o mar e a terra para converter alguém, e quando o conseguis, o tornais merecedor do inferno, duas vezes pior do que vós”. (Mateus 23,13-14). O PALCO FOI MONTADO Líderes pensantes formularam suas idéias destruidoras disfarçadas no bem comum. “O mais fraco da natureza, mas é um caniço pensante” – as palavras de Pascal - exprimem bem a grandeza do ser humano que domina o universo – não por sua força física – e sim pela sua capacidade de pensar, sentir e agir. Essas operações se realizam no seu íntimo e, ao se externarem, manifestam sua riqueza ou pobreza interior. A pessoa, quando não desenvolve a sua riqueza interior, diminui-se até chegar ao nível de uma fera acuada. A mais bela característica do ser humano é pensar e agir bem em prol da valorização da vida. “O homem pode organizar a terra sem Deus, mas sem Deus só a pode organizar contra o homem: o humanismo exclusivo é desumano”, dizia o Papa Paulo VI na admirável encíclica O Desenvolvimento dos Povos. Teóricos do pensamento moderno, montaram suas peças no teatro da infelicidade. O homem foi protagonizado no papel de desgraçado. Até hoje o mundo sofre e vai sofrer muito mais, devido a tais teorias. O inglês Charles Darwin (1809 – 1882), autor da teoria da evolução, coloca a consciência humana no mesmo nível do instinto do animal. Segundo esta teoria, a consciência seria apenas uma forma do instinto da conservação de si mesmo. Determinadas sensações de prazer e tudo que no momento é útil e proveitoso, foi tido como bom, e o que é desagradável e prejudicial foi tido como mau? O filósofo Frederico Nietzsche (1844-1900), defensor da teoria da evolução, vê o homem como um ser de transição, um laço estendido sobre o abismo entre o animal e o super-homem. A seus olhos o homem é uma combinação de algo grande e terrível, sendo que precisamente a tendência humana para a grandeza rasga o abismo daquilo que causa terror. Escreveu: “O homem é um cabo estendido entre animal e super-homem, um cabo sobre um abismo. Um perigoso andar-para-o-outro-lado, um perigoso meter-se-a-caminho, um perigoso olhar-para-trás, um perigoso arrepiar-se e ficar parado. O que é grande no homem é o fato de ele ser ponte e não meta, o que pode ser amado no homem é o fato de ele ser passagem e declínio”. O pai do comunismo, o alemão Karl Marx (1818 – 1883), filósofo e economista, em seu pensamento faz o homem depender totalmente da sociedade. Marx pregou o homem revolucionário e a luta de classes. O fundamento do seu pensamento é o materialismo, que vê na matéria a única substância originária e a base de toda realidade. O comunismo entende o homem como ser político-material. Exclui qualquer possibilidade transcendental do ser humano, ou seja, a religião está fora. O pensamento filosófico de Marx é uma grande mentira destruidora. Ainda hoje, infelizmente, tem gente que acredita no comunismo como verdade transformadora. O comunista russo Vladimir Lênin (1870 – 1924), disse: “Uma mentira repetida com suficiente freqüência torna-se verdade”. Dois filósofos: Raymond Aron e Karl Popper foram os primeiros pensadores a identificar no marxismo a genética da crueldade. Nos marxistas eles denunciaram a tirania, a ambição descontrolada, a imprecisão científica e o descompromisso com a verdade. Popper via no marxismo uma teoria tão tola quanto a professada pelos astrólogos. Afirma George Steiner, americano especialista em questões éticas: “A singularidade do extermínio dos judeus da Europa pelos nazistas não está tanto em seu alcance – o stalinismo sacrificou um número de vida ainda maior -, mas em sua motivação. Toda uma categoria de seres humanos, desde a infância, foi proclamada culpada de ser. Seu crime foi a existência, o simples direito a vida”. Mao Tse-Tung (1893 – 1976), fundador do estado comunista chinês, assumiu o poder em 1949, depois de uma guerra civil que durou mais de vinte anos. Em 1958, o ditador Mao lançou a campanha “o grande salto para frente”, que matou de fome 30 milhões de pessoas – isso porque para tentar industrializar o país em tempo recorde, foi deportada para as cidades boa parte dos agricultores chineses. O resultado foi que a produção agrícola caiu drasticamente. Depois veio a repressão puramente ideológica. Entre 1966 e 1977, a grande revolução cultural proletária, criada para acabar com o que seriam resquícios burgueses, transformou milhões de universitários em guardas autorizados a destruir museus, fechar escolas e prender intelectuais e políticos. Vladimir Putin, presidente da Rússia, demonstrando nostalgia dos tempos do comunismo disse: “A morte da união Soviética foi a maior catástrofe geopolítica do século”. O escritor argentino Jorge Luis Borges (1899 – 1986), escreveu que “mais grave que ruína, que a derrota na guerra, é a decadência moral, a falta de ética”. NAZISMO Mas de 100 milhões de pessoas perderam a vida nas guerras no século XX. O estoque de bombas nucleares existente é suficiente para destruir a humanidade muitas vezes. A raça humana está ameaçada pelo terrorismo no mundo inteiro. Em seis anos, a Segunda Guerra tinha matado 60 milhões de pessoas. “O século XX”, diz o professor de história Hugli Thomas, “foi dominado pela metralhadora, pelo tanque, pelo B – 52, pela bomba nuclear e, finalmente, pelo míssil. Suas características são guerras mais sangrentas e destruidoras do que as de qualquer outra era”. “A guerra é uma das constantes da história”, escreveram os historiadores Will e Ariel Durant, “e não tem diminuído, apesar da civilização e da democracia”. Certamente, “o homem tem dominado o homem para desgraça sua”. (Eclesiastes 8,9). A crueldade é companheira de viagem do ser humano desde tempos imemoriais. O homem é mau, perverso e cruel. Não existem limites para o homem praticar a infelicidade dos outros. O Reich do ditador nazista Adolf Hitler (1889 –1945), que pretendia durar 1000 anos, acabou pulverizado em doze. O mundo nunca mais foi o mesmo depois do pensamento infernal do nazismo. O intelectual irlandês Edmund Burke (1729 – 1797), afirmou: “No meio de um povo corrupto a liberdade não pode durar muito”. Nenhum homem pode receber poderes absolutos. Para que seu mau não seja sem proporções. “O poder tende a corromper, o poder absoluto corrompe absolutamente”, exclama o historiador Lord Acton (1834 – 1902). “Hitler tinha uma casca humana em cujo interior havia apenas o desejo de destruição”, declarou o historiador alemão Sebastian Haffner. Os nazistas mataram homens, mulheres, crianças e velhos. Eles eram abatidos a tiros, mortos de fome, asfixiados em câmaras de gás e seus corpos jogados em monturos, covas rasas, abandonados em vagões de trem. Tudo isso foi fotografado, filmado, registrado, relatado pelos sobreviventes até que não restou dúvida das dimensões de um crime que ultrapassou o imaginável. O choque causado pelo holocausto colocou a humanidade diante da necessidade de criar mecanismos para que uma tragédia como aquela não mais se repetisse. Uma das lições que se tiraram do holocausto foi justamente não esquecer jamais. Estima-se que os nazistas tenham matado de forma sistemática, em ritmo industrial, 6 milhões de judeus, entre eles 1,5 milhão de crianças, 3 milhões de homossexuais, ciganos, comunistas, deficientes físicos e testemunhas de Jeová. Não estão incluídas nessas contas as matanças ocasionais de civis na Polônia, na Rússia e em outros países ocupados. O historiador inglês Antony Beevor, escreveu que: “em Stalingrado, os soldados alemães deixavam os prisioneiros russos sem comida e eles tinham de comer carne humana para sobreviver”. Magda Goebbels, esposa de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler, sedou os seis filhos do casal e os envenenou, um a um, colocando uma cápsula de ácido prússico entre seus dentes. Ela não queria que eles crescessem num mundo “sem a beleza do nazismo”. Magda era uma fanática pelo regime brutal do monstro Hitler. Joseph Goebbels dizia que “uma mentira, de tanto ser repetida, se tornava verdade”. Pela violência que os nazistas cometeram, dá para entender a tamanha crueldade que existe no ser humano. Os atos mais primitivos perduram na raça humana. AS DUAS BOMBAS O escritor americano Isaac Asinov sentenciou: “A violência é o último refúgio do incompetente”. A primeira bomba atômica foi jogada no dia 6 de agosto de 1945 e arrasou quase toda a cidade de Hiroshima, aniquilando 80.000 pessoas num flash mortal. A segunda atingiu Nagasaki três dias depois e matou 40.000. Depois de três anos de trabalho altamente secreto, o Projeto Manhanttan traduzira a teoria da relatividade de Einstein para a realidade devastadora: uma arma que usava a energia liberada pela fissão do átomo. Os efeitos da bomba atômica foram tão estranhos quanto mortais. Quem estava perto das explosões simplesmente evaporou, deixando silhuetas brancas no solo escurecido. Outros morreram lentamente, com a radiação esfolando-os vivos e devorando seus órgãos. O câncer aumentou o número de mortos, que chegou perto dos 200.000 em Hiroshima. A nuvem em forma de cogumelo deixou um sinal bem claro da maldade humana para sempre. A tecnologia a serviço do homem tornou-se arma contra ele mesmo. O mundo vai ser destruído, com as armas de destruição de massa. A inteligência tecnológica do homem vai prestar tal serviço. “Ciência e arte são etapas em processo, não criam critérios absolutos. O mais ridículo é que cada geração acredita que atingiu o estágio mais avançado e, em alguns casos, definitivo do conhecimento e da civilização. Em nome dessa certeza, equívocos e crimes são cometidos”, escreveu o jornalista brasileiro Carlos Heitor Cony. Na era da internet, do projeto genoma, da clonagem e da conquista espacial, ainda vivemos a brutalidade de Caim. O teólogo e escritor Leonardo Boff disse: “Vivemos tempos de barbárie coletiva como jamais na história, pois mais da metade da humanidade vive em condições de miséria quando teríamos meios econômicos e técnicos para impedir essa tragédia. Mas não o fazemos pela voracidade do capital mundial, que se rege estritamente pela competição e não pela cooperação”. CONCLUSÃO A história registra que em toda sociedade houve escravidão. Seja: política, econômica, social e religiosa. Na Idade Moderna, do século XVI ao XIX, o tráfico transoceânico de escravos transformou quatro continentes: europeus exportavam através do Atlântico de 10 a 15 milhões de escravos africanos, despejando-os nos horrores da escravidão. A maior migração forçada da História começou lentamente e acompanhou a expansão européia de conquista e comercio. Os primeiros escravos africanos chegaram ao Novo Mundo em 1509, mas foram poucos até 1530, quando Portugal, primeira nação européia a negociar com os reinos negros da África ocidental, começou a mandar escravos para as plantações de cana-de açúcar no Brasil. O sofrimento da travessia era imenso. Arrancados de suas famílias, acorrentados e levados a pé até o litoral, amontoados em barracões para o embarque, a horrível humilhação e degradação dos escravos não tinha fim. Ficavam semanas, meses, acorrentados em porões de navios, lado a lado com doentes, agonizantes e mortos, sem saber que destino teriam. O comediógrafo latino Tito Macio Plauto (c 254 – 184 a C) foi enfático em afirmar: “Lupus est homo homini – O homem é lobo para o homem”. O filósofo e poeta sergipano Tobias Barreto de Meneses (1839 – 1889), vendo a escravidão do negro africano no Brasil, em angústia desabafou: “Deus enviou Seu filho para libertar o homem e contemplo tantos homens escravos”. Jean Paul Sartre (1905 – 1980), filósofo e poeta francês, o maior pensador do existencialismo, decreta: “Tudo é absurdo, nada tem sentido. O homem é uma paixão inútil. O inferno, são os outros”. Comecei este artigo citando Santo Agostinho e termino com ele. O bispo de Hipona, afirmava ser o homem um abismo, mais insondável do que o fundo do mar, inacessível a qualquer outro, unicamente perscrutável ao olhar de Deus. “Se abismo significa indevassabilidade, não pensamos então que o coração do homem seja um abismo? Que coisa há mais insondável do que este abismo? Homens podem falar, podem ser vistos, quando movem os seus membros, podem ser ouvidos quando falam: mas os seus pensamentos, quem pode devassá-los? O seu coração, quem lhe pode lançar um olhar? Quem será capaz de perceber o que agita o seu interior, de que é ele capaz em seu íntimo, o que trama em sua consciência, o que pensa, o que quer ou não quer?” Não sei qual é o mais profundo abismo, o fundo do mar ou a crueldade no coração do homem. Uma coisa eu sei, a ação do Criador é abissal e hipotalássica na alma humana. O Doutor da Graça, Santo Agostinho disse: “Deus é mais profundo no homem do que o mais íntimo do próprio homem”. O SOFRIMENTO “Sejamos pacientes nas nossas adversidades e suportemo-las por amor aos homens, como fez Jesus”. São Francisco de Paula(1416-1507) Fundador da Ordem dos Mínimos “Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, prepara a tua alma para a provação. Endireita o teu coração e sê constante, não te perturbes no tempo do infortúnio. Conserva-te unido a ele, e não te separes para que tenhas bom êxito, no teu momento derradeiro. Aceita tudo o que te acontecer, e tem paciência perante as vicissitudes da tua humilhação, porque no fogo se prova o ouro e os eleitos de Deus, no cadinho da humilhação”.(Eclesiástico 3,1-5). O serviço do Senhor Deus é bastante árduo; não é um papel indicado para qualquer pessoa. Pelo relato das Sagradas Escrituras, dá para perceber que as pessoas que são mais usadas por Deus como instrumentos na obra dEle passam por grandes sofrimentos. Não é de admirar então que São Paulo Apóstolo exortasse o seu discípulo Timóteo para que se fortalecesse a fim de passar por tribulações: “Portanto, não se envergonhe de testemunhar do Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro dele, mas suporte comigo os meus sofrimentos pelo evangelho, segundo o poder de Deus...Suporte comigo os meus sofrimentos, como bom soldado de Cristo...Suporte os sofrimentos...”(II Timóteo 1,8; 2,3; 4,5). A santa Palavra de Deus desmente as doutrinas de “parar de sofrer” que são ensinados por diversas seitas e literaturas de auto-ajuda. Aqui entra a teologia da prosperidade com seu engano de paraíso terrestre. A realidade das adversidades e as duras provações na vida cristã, não são fáceis. Muitos cristãos ficam assustados e abalados pelas lutas e perseguições a ponto de deixarem o serviço do Senhor Deus. Disse Jesus Cristo: ”No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. (João 16,33). Ninguém pede para entrar na tormenta do sofrimento, mas, para sair dele, pede bastante seu fim. O ser humano sai aprovado ou reprovado. Quando sai aprovado é porque teve paciência de suportar os infortúnios da tormenta. Deu a volta por cima com perseverança. Quando sai reprovado é porque foi impaciente, foi murmurador, foi blasfemador. Cometeu tragédias para si e para os outros. Não entender o sofrimento é sofrer mais ainda. Disse o poeta alemão Johann Goethe (1749-1832), “O homem que não é posto a prova não evolui”. “O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos”. “Bem-aventurado é o homem que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor Jesus tem prometido aos que o amam”. (Tiago 1, 8. 12). O filósofo alemão Gottfried Leibniz (1646-1716), argumentou que coisas ruins parecem acontecer a pessoas boas porque não temos a onisciência de Deus. A afirmação é de Dom Bosco: “Se tudo na nossa vida corre como nós sonhamos, podemos ter uma certeza: Deus nos esqueceu”. O manual “Streams in the desert “ de Lettie Cowman nos deixa lições memoráveis sobre a providência divina: “...Quando Deus quer santificar alguém Ele lhe manda provações, tempestades. A vida dos homens, aqueles que esculpiram seu nome no livro da história, com seus feitos, foram marcados pelo sofrimento e pelas incompreensões humanas”. “O crisol é para a prata, e o forno para o ouro, mas o Senhor prova os corações”. (Provérbios 17,3). Simone Weil, parisiense que nasceu em 3 de fevereiro de 1909: Em 1936, viajou para a Espanha a fim de ajudar os republicanos que sofriam na guerra civil. Sofreu os horrores da guerra. Adoeceu e foi forçada a voltar para a França. Debilitada, já não conseguia lecionar, quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial. Conheceu o padre Ferrin em junho de 1941, do convento Dominicano de Marseilles, preso dois anos depois pela Gestapo. Nesse tempo, Simone Weil abriu-se para o conhecimento de Deus. Correspondeu-se longamente com o padre Ferrin. Depois da invasão da França pelos nazistas, voluntariou-se para trabalhar no serviço do Governo Provisório da Resistência. Mas, mesmo no exílio, sua identificação com os que sofriam sob o regime de Hitler foi tão grande que, fraca e doente, disciplinou-se a comer uma ração, semelhante à que os seus patriotas eram submetidos na região ocupada pelos alemães. Assim, sua saúde foi se deteriorando. Morreu solidária aos seus irmãos franceses em 29 de agosto de 1943, aos 34 anos de idade. Seu pensamento ficou para sempre na história. “O amor a Deus é puro quando a alegria e o sofrimento inspiram uma igual gratidão”. Não é por acaso que São Francisco de Paula é o santo da humildade, da penitência e da caridade. É porque ele viveu a paixão de Cristo de forma radical. No dizer do grande escritor francês Jacques Bossuet (1627-1704): “Foi enviado por Deus para fazer renascer no seu século o espírito de mortificação e penitência, que é verdadeiro espírito do Cristianismo, naquele tempo, quase apagado pela moleza”. Disse São Francisco de Paula: ”Lembrai-vos da Paixão de Cristo Nosso Senhor e Salvador e pensai que foi pelo seu infinito amor que desceu à terra para salvar-nos; que por nós sofreu tantos tormentos e toda classe de sofrimento humano, sem rejeitar nada, por nosso amor e dando exemplo de perfeita paciência e amor”. Peçamos ao bom Deus paciência, amor e muita graça, para suportarmos os sofrimentos eu nossas vidas, até aquele dia glorioso. (Romanos 8,18). O SENTIDO DA VIDA “Viveremos numa época de mudanças extremamente rápidas, que acabam gerando ansiedade e tensão em níveis nunca antes vistos na história da humanidade”. Dr. Jorge A. Costa e Silva Diretor de Saúde Mental Para Organização Mundial da Saúde Que mudanças tem notado, durante a sua vida? Poderia mencionar algumas? Por exemplo, considere o progresso que se fez no campo da medicina. Graças às pesquisas nesse campo, a expectativa média de vida em alguns países aumentou de menos de 50 anos, no início do século 20, para bem mais de 70 anos hoje! Pense também em como fomos beneficiados pelo uso apropriado do rádio, da televisão, dos telefones celulares e aparelhos de fax, DVD, Internet. Também, não podemos desconsiderar os avanços na educação, nos transportes e nos direitos humanos, visto que todos esses têm melhorado a vida de milhões de pessoas. Naturalmente, nem todas as mudanças foram para melhor. É impossível desconsiderar os efeitos devastadores do contínuo aumento da criminalidade, do rápido declínio dos valores morais, do crescente uso de drogas, do aumento vertiginoso dos divórcios, da inflação cada vez maior e da crescente ameaça do terrorismo, capitalismo, corrupção, fundamentalismo religioso, depressão e a mídia como fábrica das ilusões. Vivemos em uma era paradoxal. De um lado a Internet e do outro a ignorância. Disse José Saramago: “A ignorância está se expandindo de maneira aterradora”. É por isso que o diretor de cinema, o canadense Denys Arcand disse: “O mundo como o conhecemos está prestes a acabar e dar lugar a uma nova Idade Média”. Ao longo dos séculos, muitos procuraram respostas na religião. Depois que Sidarta Gautama (Buda) contemplou um enfermo, um idoso e um cadáver, ele buscou iluminação (ou sentido) na religião, mas sem crer num Deus pessoal. Outros têm recorrido à sua própria religião. E as pessoas hoje em dia? Muitas enfocam a sua atenção na ciência, descartando a religião e “Deus” como irrelevantes. Na verdade, a tendência de descartar a religião ou a Deus tem raízes em filosofias de homens que deram ênfase à razão pura e simples. Charles Darwin achava que o conceito de “seleção natural” explicava melhor o mundo natural do que o da existência de um Criador. Sigmund Freud ensinou que Deus era uma ilusão. E o conceito de que ‘Deus está morto’ vem desde os dias de Friedrich Nietzsche. As filosofias orientais são similares. Mestres do budismo afirmam não ser necessário saber sobre Deus. Quando ao xintoísmo, o professor Tetsuo Yamaori disse que “os deuses são meros seres humanos”. Embora o ceticismo a respeito de um Criador seja amplo, é justificável? Você com certeza conhece exemplos de ‘fatos científicos’ do passado que, com o tempo, revelaram-se totalmente errados. Conceitos como ‘a Terra é plana’ e ‘o Universo inteiro gira ao redor do nosso globo’ prevaleceram por séculos, mas o nosso conhecimento hoje é maior. Que dizer de conceitos científicos um pouco mais recentes? Por exemplo, o filósofo David Hume, do século 18- que não aceitava um criador – não sabia como explicar o complexo design biólogo existente na Terra. A teoria de Darwin tentava explicar como as formas de vida se desenvolveram, mas não explicou como a vida começou, ou que sentido ela tem para nós. À parte dos motivos pelos quais certas pessoas dispensam um Criador, as perguntas a respeito da vida e seu sentido ainda persistem. Um dia depois da descida do homem na lua, o teólogo Karl Barth disse, quando lhe perguntaram o que ele achava desse triunfo tecnológico: “Isso não resolve nenhum dos problemas que me tiram o sono”. Hoje o homem voa no espaço e avança a passos largos no ciberespaço”. Ainda assim, pessoas refletivas vêem a necessidade de ter um objetivo, algo que lhes dê sentido à vida. O grande teólogo americano Francis Schaeffer disse: ”Há uma razão para se viver, construir e amar”. Essa razão é amar a Deus. Aqui está o sentido fundamental da vida. O papa João Paulo II disse: O homem só se compreende a si , mesmo em relação a Deus, que é plenitude de verdade, de beleza e de bondade...”. Muitos cientistas se dedicam a estudar o universo, mas ainda assim sentem um vazio, porque não conseguem encontrar um significado duradouro para a vida. Por exemplo, o físico Steven Weinberg escreveu: “Quanto mais o Universo nos parece compreensível, tanto menos entendemos seu objetivo”. A revista Science citou o conceito do astrônomo Alan Dressler: "Quando os pesquisadores dizem que a cosmologia revela a ‘mente’ ou as ‘obras’ de Deus, eles atribuem ao divino o que no final das contas talvez seja o que menos importa no universo: a sua estrutura física”. Dressler indicou que o mais importante é o sentido da existência humana. Ele observou: ‘As pessoas abandonaram a velha crença de que o homem é o centro do Universo, mas precisam resgatar a crença de que somos a chave para o sentido da vida”. É evidente que cada um de nós deve estar profundamente interessado no significado de nossa existência. O mero fato de admitir a existência do Criador, ou Projetista-Mestre, e a nossa dependência dele, não dá automaticamente sentido à nossa vida. Isso se dá em especial porque a vida nos parece tão curta. Muitos se sentem como o Rei Macbeth, de uma das peças de William Shakespeare: “A vida é sombra passageira. Um pobre ator que chega, agita a cena inteira, Diz seu papel e sai. E ninguém mais o nota. É um conto narrado aí por um idiota, Cheio de sons, de fúria e não dizendo nada”. -Macbeth, Ato V, Cena V; tradução de Artur de Sales. Pessoas no mundo todo se identificam com essas palavras, mas quando se vêem diante de uma crise grave, talvez ainda clamem a Deus por ajuda. Eliú, um sábio da antiguidade, disse: "Por causa da multidão de opressões eles clamam por socorro...E no entanto, ninguém disse: 'Onde está Deus, o Grandioso que me fez?’ É ele quem nos ensina mais do que aos animais da terra , e nos faz mais sábios do que mesmo as criaturas voadoras dos céus Jô 35:9-ll”. As palavras de Eliú salientam que nós, humanos, não somos a verdadeira chave para o sentido da vida. A chave é o nosso Grandioso Criador, e qualquer significado real para a nossa existência logicamente envolve a ele e depende dele. Para encontrarmos tal sentido e a profunda satisfação que issi traz, precisamos conhecer o Criador e harmonizar nossa vida com a sua vontade. Está escrito: “E a vida eterna é esta : que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. Jo 17.3. Conhecer o Criador significa conhecer Jesus Cristo, como único Senhor e poderoso Salvador das nossa almas. Escreveu São Paulo Apóstolo: “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas as coisas, e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo. (Fp3,8). “Ganhar a Cristo, aqui está o verdadeiro sentido da vida e vida eterna”. O NEO-RELIGIOSO Estamos vivendo a era da pós-modernidade. Na Europa, a era pós-cristã. O 5o período da História Universal. -A era da economia capitalista; -A era da política neo-liberal; -A era da sociedade liberal com a sua prática bem definida: hedonista e narcisista. Também estamos vivendo a era dos novos movimentos religiosos. Neo-Pentecostalismo; Neo-Catolicismo; Neo-Espiritismo. Nova Era. Teologia da prosperidade, onda apostólica, batalha espiritual e onda gospel estão dentro do contexto do neo-pentecostalismo. Renovação carismática católica, comunidades: recado, Shalon, Betânia e os “padres-cantores”, estão dentro do contexto do neo-catolicismo. A Legião da Boa Vontade (LBV), Vale do Amanhecer e Família Gaspareto (Zibia, Luiz, Irineu), estão dentro do contexto do neo-espiritismo. Paulo Coelho, Sherley Mc Laine raelianos, panteísmo ecológico, ufologia e filosofias orientais fazem parte da Nova era. A teologia liberal está presente em algumas igrejas históricas, dando suporte a prática homossexual e as igrejas gays. 7 CARACTERÍSTICAS APOSTÓLICAS 1) São chamados e escolhidos por Cristo para o ministério apostólico. Mt 4.18-22; Jo 15.15,16; At 1.17,25. 2) São discípulos de Jesus, entendem o ministério do Reino de Deus. Mc 4.11; Mt 16.12; At 1.21,22. 3) Tem revelação, visão e contemplação. Mt 16.17; 17.1-9; At 10.10,17; 23.11; Gl 1.12,16; ICo 9.1; I Co12.1-4. 4) São desprovidos de bens materiais. Mt 4.22; 19.21,29; Lc 14.33; At 4.36,37; II Co 11.27,28; Fp 4.12. 5) Tem a missão específica do martírio. Mt 5.11,20; 10.16-22,28; Jo 16.1,2; IITm 4.6-8. 6) Pregam onde Jesus não é conhecido. II Co 10.16; Rm 15.20. Daí o apóstolo é um missionário. Mc 16.15-20; Mt 28.19,20. É um embaixador. Ef 6.20. Não tem Pátria. Mt 10.23; At.1.8. (Todos os apóstolos de Cristo, morreram mártires, em terras estrangeiras, exceto João). 7) São detentores de poderes miraculosos. São acompanhados de sinais, prodígios e maravilhas. (Como: cegos veêm, surdos ouvem, mudos falam, paralíticos andam, e o principal sinal: MORTOS SÃO RESSUSCITADOS.) Mt 10.8; II Co 12.12; At 5.15; 9.40; 20.9-12. DEFINIÇÕES TEOLÓGICAS “Teologia é a ciência de Deus e das relações entre Deus e o universo”. A H.Strong(1835-1921) Teólogo Americano “A teologia trata das coisas divinas e dos atos humanos, enquanto nos conduzem ao conhecimento perfeito de Deus, e, por conseguinte, ao AMOR”. Tomás de Aquino(1225-1274) Teólogo Dominicano “A teologia é a parte da metafísica que trata da causa primeira, da divindade”. Aristóteles(384-322 a.aC.) Filósofo Grego “O discurso sobre Deus e sobre Cristo”. Orígenes(185-254) Teólogo Alexandrino. Pai da teologia Oriental SOFRER E VENCER “As promessas de Deus são quais balsas flutuantes que nos impedem de afundar, quando entramos nas águas da aflição”. Thomas Watson Teólogo Inglês Entre as histórias contadas por antigos mestres chineses, há uma que fala de uma certa mulher que perdera o seu único filho. O seu sofrimento foi profundo, e ela sentia-se inconsolável. Então ela procurou conselho com um sábio filósofo. Ele lhe disse: “Eu lhe devolverei o seu filho se você me trouxer algumas sementes de mostarda. Mas há uma condição: As sementes precisam vir de um lar onde nunca tenha existido qualquer sofrimento.” Com ansiedade a mulher começou a sua procura. Ela foi de casa em casa. Em todas elas lhe foi dito que lá também se experimentou tragédia e dor. Ela voltou até o filósofo, dizendo: “O sofrimento é comum a todas as pessoas!” Aquela mulher aprendeu uma valiosa verdade! O sofrimento atinge a todos. Ninguém é imune, nem o indivíduo mais confiante e seguro de si, e nem a pessoa mais rica que você possa encontrar. Todos sofrem, embora esses sofrimentos não sejam iguais para todos. O sofrimento de uma criança que se cortou no dedo, é diferente do sofrimento de uma avó recolhida a um asilo, onde é esquecida por seus familiares. O sofrimento de um homem frustrado em sua profissão, é diferente do sofrimento de um adolescente frustrado no amor. O sofrimento de uma mulher num lar infeliz, pode ser diferente do sofrimento do seu marido na mesma situação. O cientista alemão Albert Einstein disse certa vez: “O homem que acha que a sua vida não tem sentido não é apenas infeliz, mas também muito mal preparado para a vida”. Nesse entendimento, algumas pessoas buscam dar um sentido à sua vida dedicando-se às artes, à religião, às boas obras, ao esporte, à pesquisa científica e a campanha humanitária para minorar o sofrimento alheio. O físico Steven Weinberg escreveu: “Quanto mais o universo nos parece compreensível, tanto menos entendemos seu objetivo”. A revista Science citou o conceito do astrônomo Alan Dressler: “Quando os pesquisadores dizem que a cosmologia revela a ‘mente’ ou as ‘obras’ de Deus, eles atribuem ao divino o que no final das contas talvez seja o que menos importa no Universo: a sua estrutura física”. Dressler indicou que o mais importante é o sentido da existência humana. Ele observou: “As pessoas abandonaram a velha crença de que o homem é o centro do Universo, mas precisam resgatar a crença de que somos a chave para o sentido da vida”. O rabino Nachman de Breslau disse: “A história da vida se passa sobre uma ponte longa e estreita. Para atravessá-la, o essencial é não ter medo”. Jesus Cristo disse: “Estreita é a porta e apertado é o caminho que leva à vida, poucos há que a encontrem”. (Mt 7,14). Cristo também disse: “Não temas, ó pequeno rebanho”. (Lc 12,32). O papa João Paulo II afirma: “Não tenhas medo”. Não podemos ter medo do sofrimento e das cruzes. Somos a chave do bom Deus. Ele também abre a nossa vida para vitória e para o consolo. Disse Santo Agostinho: “Ninguém vence sem lutar. Por isso não pedimos a Deus que nos livre das tentações, mas que nos preserve do mal”. Que o divino Espírito Santo nos ilumine sobre o mal da falta de sabedoria e da nossa irresponsabilidade. Muitas vezes o sofrimento bate a nossa porta devido a falta de controle dos nossos desejos e aspirações erradas. “A causa real da maioria de nossos grandes problemas está situado entre a ignorância e a negligência”, afirma o poeta alemão Johann Goethe. Disse o escritor francês Jacques Attali: “Todo mundo procura satisfazer desejos e encontrar prazer inventando incessantemente novos desejos. Os homens querem a Terra prometida, mas pressentem que ela não lhes bastará”. Tem pessoas que sofrem por falta de domínio próprio. Tem gente que é um poço de problemas. E pior, que perturbam pessoas inocentes. Mesmo possuindo o bastante estão insatisfeitas. O terrível é quando culpam Deus, a igreja, a família e o próximo pela sua insensatez. O pensamento do filósofo latino Sêneca diz o resultado para tais pessoas. “Se não estou satisfeito com o que tenho, mesmo se possuísse o mundo, ainda me sentiria na miséria!”. VENCER O ser humano cresce pelos obstáculos que vence - física, moral e espiritualmente. As provações, as tentações, os perigos fortalecem a alma. Os sofrimentos e privações do filho pródigo levaram-no ao arrependimento. O sofrimento prova a sinceridade do verdadeiro cristão. Se estivessem isentos de padecer os que ingressassem na igreja, esta se encheria de hipócritas. A tristeza, a solidão e angústia tem ensinado muitos a serem mais sensatos, a fazerem mais verdadeira estimativa do mundo e seus interesses, a terem mais simples confiança em Deus. Tem aberto os olhos de muitos para o sofrimento dos outros e transformado a ostensiva rudeza em terna e delicada simpatia. O sofrimento ajuda a santificar e faz a pessoa ser mais amada e amar piedosamente. Disse Santa Teresa de Jesus: “Quanto mais santos, mais afáveis”. O grande pensador cristão João Mohana escreveu: “Por mais que se pense, diga e escreva, nunca será possível dar propriamente uma idéia adequada à sua libertação interior e à sua ascensão espiritual. É um desses fenômenos que só se pode sentir, viver, gozar e sorver – nunca definir”. O bom Deus permite que sobrevenham infortúnios, aflições a seus filhos. Estas coisas são providências suas, visitações da misericórdia a fim de trazê-los de volta quando se desgarram de seu lado, e dar-lhe mais profundo senso de sua maravilhosa presença e providencial cuidado. Os cristãos chineses que vivem a sua fé debaixo do regime comunista, acreditam que às vezes, Deus os envia à prisão para levar a Santa Palavra de Deus aos presos. Outras vezes o diabo os quer presos para impedir seu ministério, de forma que tem de discernir em cada aprisionamento a vontade de Deus para eles. O abissal pensamento do Dr. Edward Judson deixa-nos consciente do sofrer e vencer: “O sofrimento e o êxito andam juntos. Se estais sendo bem sucedido sem sofrimento, é porque outros sofreram antes de vós. Se estais sofrendo sem ter êxito, é para que outros o tenham depois de vós”. Escreveu Ana Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça em seu livro A Harmonia das Coisas e dos Seres: “A harmonia das coisas e dos seres está no sacrifício e na compensação. Sem dor não há prazeres, Nem corolas ao sol sem raízes no chão. É preciso que alguém se sacrifique pela felicidade de outro ser”. É preciso que sempre alguém abdique de tudo o que sonhou, daquilo que mais julga merecer, para que outro se exalte e glorifique no delírio radioso de colher o fruto que esse pranto amadurou”. Antes de se tornar escritora profissional, com mais de 40 livros, roteiros de filmes e peças de teatro, a francesa Marguerite Duras (1914-1996) viveu profundamente suas dores. Deu à luz um natimorto, perdeu pessoas próximas na Segunda Guerra Mundial, militou na resistência ao nazismo. De uma forma e de outra, os sofrimentos viraram palavras. Suas obras extraem matéria-prima de sua vida. Pois são as agruras da infância e da adolescência na Indochina, hoje Vietnã, para onde foram os pais no fluxo da colonização francesa na Ásia, que ela usa como guia para a construção de Barragem contra o Pacífico (1950), mais de três décadas antes de voltar a essa questão com viés erótico em O amante (1984), seu livro mais vendido e premiado. Foi na penumbra fria de uma prisão de Londres que o inglês, ínclito pensador cristão John Bunyan, preso injustamente por causa de sua fé, escreveu a alegoria O Peregrino, a cuja leitura muitos devem em grande parte sua formação espiritual e uma vida vitoriosa. O Peregrino é um dos livros mais lidos depois da Sagrada Escritura. Os sofrimentos do piedoso Jó têm trazido consolo e esperança para milhões de pessoas. Os três dias de cegueira de São Paulo Apóstolo transformaram um implacável perseguidor da Santa Igreja de Deus, no maior missionário do amor de Deus e maior teólogo da graça de Cristo. Os mártires no meio das suas torturas, diziam que jamais haviam estado em semelhante festa. O martírio dos santos tornou-se sua coroa de glória. Afirma São Paulo Apóstolo: “Combati o bom combate, terminei a corrida, permaneci fiel. A partir de agora, já me aguarda a merecida coroa, que me entregará, naquele dia, o Senhor, justo juíz e não somente a mim, mas a todos os que anseiam pela sua vinda”. (II Tm 4.7,8). O eremita da caridade, São Francisco de Paula disse: “Pelo amor de Deus, esforçai-vos em observar os preceitos do Senhor. Conformai-vos nas coisas prósperas seguindo adversas com a divina vontade”. Nosso Senhor Jesus Cristo nos consola com essas santas palavras: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. (Jo 16.33) FELIZ QUEM VOS CONHECE “Guardando a Deus, tudo é graça. Tudo, com exceção de Deus, tudo é vaidade”. Santa Teresinha do Menino Jesus Por nossa natureza, temos uma sede insaciável de felicidade, de um amor sem medida que nenhuma criatura conseguirá aplacar e só pode ser atendida pelo próprio Deus. O famoso teólogo francês Réginald Garrigou-Lagrange, O.P, na obra La vie éternelle et Ia profondeur de l'âme, explica: "A profundidade de nossa vontade é tal, que só Deus pode preenchê-la e atraí-la irresistivelmente." A este propósito, exclama Santo Agostinho: "Infeliz quem conhece todas essas coisas (terrenas) e não Vos conhece, ó meu Deus! Feliz quem Vos conhece, embora ignore todo o resto. Quanto a quem Vos conhece e conhece também as coisas terrenas, não é mais feliz por conhecê-las, mas é unicamente o conhecimento que tem de Vós que o faz feliz, contanto que, conhecendo-Vos como Deus, glorifique-Vos também como Deus e Vos dê graças por vossos dons, e não se perca na vaidade de seus próprios pensamentos." Deus pôs no coração do homem a eternidade (Ec 3,11). O homem foi criado para adorar a Deus e ser feliz. Todo desejo humano só é realizado plenamente no Bom Deus. São Bernardo de Claraval disse: “Deus fez de ti um ser de desejo, e o teu desejo é o próprio Deus”. Enquanto o ser humano procurar nas vaidades o seu prazer carnal, mais vazio ficará o seu ser. O romancista russo Fiódor Dostoiévski disse: “Há um vazio no coração do homem do tamanho de Deus”. A verdadeira felicidade só existe em Deus Pai, Eterno e Todo-Poderoso. Escreveu Santo Agostinho: “Fizeste-nos Senhor, para Ti, e nosso coração está inquieto, enquanto não descansar em Ti”. O engano da indústria da Auto-Ajuda, das terapias alternativas, do espiritualismo, do hedonismo e do narcisismo, da teologia da prosperidade, do relativismo, do materialismo, tem causado a infelicidade mortal de muita gente. “Tudo, com exceção de Deus, tudo é vaidade”. Tudo sem a fé, sem a graça e sem o conhecimento do Bom Deus, tudo é desgraça e infelicidade. É para Deus, pois, que é mister orientar todas as nossas ações e pensamentos. Conhecê-lo amá-lo, servi-lo, e assim glorificá-lo, eis o fim da vida, a fonte de toda a felicidade. “Quem ama a Deus, encontrará alegria em todas as coisas; quem não ama a Deus, em nenhuma coisa encontrará verdadeiro prazer”. Santo Afonso Maria de Ligório OS DONOS DA IGREJA "Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais, nem deixais entrar aos que estão entrando”. (Mt 23:13) Sempre admiramos a dedicação de muitas pessoas no trabalho nas igrejas de tempo integral para o serviço do Reino de Deus, cuidam do Templo; Altar; Secretaria; Catequese; Portaria; Estacionamento; Limpeza; Setor de informação; Construção; Cantina; Berçário; Decoração; Evangelização; Visitas etc... Gente de valor que merece nosso apoio, respeito, carinho e muito amor. Mas nessas andanças missionárias, encontramos verdadeiros donos da igreja e das coisas da comunidade, que não permitem a ajuda e a entrada de outras pessoas e não dão lugar a ninguém. Gente que é dona até do lugar no banco da igreja. São verdadeiros afundadores da igreja. Como explicar isso? Poderíamos dizer que muitos são levados pelo medo de que outros estraguem o que fez até agora. Podemos pensar que sejam movidos pelo zelo, mas podemos pensar que sejam pessoas que se auto-afirmam exercendo o poder ou sejam pessoas desequilibradas que nem sequer percebem o que fazem e que os outros também são capazes. Essas pessoas precisam estar cientes de que são culpadas de muita gente se afastar da igreja. Essas pessoas atrapalham a caminhada da comunidade e do grupo, formam guetos e igrejinhas, só elas sabem, só elas são capazes, só elas dão o palpite certo. Ninguém pode dizer nada, porque não aceitam ou porque não adianta falar com receio do que podem aprontar. Todo o membro é chamado a servir à igreja e a sua comunidade, mas cada um deve ter um "desconfiômetro" para perceber a hora em que está demais e já fez o que devia fazer. Não é a glória para ninguém dizer que é um fiel ou membro há vinte, trinta, quarenta ou cinqüenta anos da igreja. Principalmente quando as coisas não prosperam. Será que nessa igreja não há ninguém capaz? Quando essas pessoas são forçadas a entregar o cargo, quantas dificuldades criam, quantas críticas fazem e chegam até a se afastar da igreja. É bom que fiquem sabendo que não serviram à igreja, mas a igreja os serviu por tanto tempo. Serviram a si mesmos, a seu orgulho, sua vaidade. Já receberam sua recompensa. Não souberam fazer de tal modo que a mão direita não soubesse o que a mão esquerda fez. Quem sabe servir é aberto para os outros. Acolher é o primeiro verbo declamado por quem verdadeiramente ama a sua igreja e a Jesus Cristo. Palestrando em uma certa igreja, para um pequeno grupo de membros, uma senhora me disse que ela era fundadora e “chefe” a cinqüenta anos daquela igreja. Eu disse, que ela era também afundadora e que já deveria ter morrido. Ela pulou, gritou e soltou um "pool!!!" Porque havia muitas pessoas que queriam entrar para a igreja e somente assim haveria oportunidade para elas. Somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de ser feito.” Albert Camus, filósofo francês (1913-1960) SEITA E CULTO “O herege é ovelha na lã, raposa nas entranhas e lobo nas obras”. São Bernardo de Claraval 1. Sentido neutro Para estabelecer a conceituação de seita, é preciso remontar à etimologia do vocábulo e ao uso que dele se fez ao longo da História. A palavra seita deriva diretamente do latim clássico secta (de sequi=seguir), e indicava um grupo que seguia um mesmo mestre ou uma mesma doutrina filosófica, literária, política. Nem o termo latino secta, nem o seu equivalente grego hairesis, tinham, na língua clássica, qualquer nota pejorativa ou ofensiva. Assim, dizia-se em latim: “sectam stoicorum sequi” – “seguir a seita dos estóicos” (Cícero), no sentido de “seguir a escola filosófica dos estóicos”; como em grego se dizia “seguir a heresia peripatética” ou a “heresia estóica”, para indicar as escolas (ou “seitas”) de Aristóteles e de Zenon. 2. Sentido Negativo A palavra secta – ao que parece – adquiriu sua nota pejorativa ao ser empregada pela Vulgata para traduzir o vocábulo grego hairesis, o qual é empregado com significado negativo em algumas passagens do Novo Testamento. A palavra secta deixou de lembrar seu sentido primitivo de seguir e passou a significar uma separação em relação à ortodoxia ou à disciplina da Igreja. Por essa razão, muitos talvez baseados no sentido novo que a palavra secta (seita) havia adquirido, foram buscar-lhe outra etimologia no verbo secare = cortar, separar. Tal etimologia, embora incorreta, ajuda a captar inteiramente o sentido atual do vocábulo seita, que é o de separação, dissidência. Pela relação já apontada entre os dois vocábulos, para a conceituação de seita é preciso estudar o termo grego hairesis (heresia), que a Vulgata traduz por secta (seita) cinco das nove vezes em que ele ocorre no Novo Testamento (escrito nessa língua, à exceção do Evangelho de São Mateus). 3. "Seita" e "Heresia", termos correlatos Hairesis, etimologicamente, indica a ação de conquistar; metaforicamente, passou a significar escolha, preferência, sobretudo na ordem doutrinária; de onde a significação de escola filosófica, literária pó política e de seita religiosa, sem a idéia de desaprovação ou censura. Já entre os judeus a palavra grega hairesis (heresia) servia para designar as seitas, ou seja, as correntes religiosas, quer as ortodoxas, quer as que se afastavam das tradições rabínicas. Assim, os Atos dos Apóstolos referem-se à seita dos saduceus (5,17) e mais adiante à seita dos fariseus (15,5). São Paulo, defendendo-se diante do Procônsul romano Festo e do Rei Agripa, emprega o termo seita (em grego hairesis) num sentido não pejorativo: “Há muito tempo que (os judeus) me conhecem e, se quiserem, atestarão que vivi segundo a seita mais rigorosa de nossa religião, como fariseu” (At 26,5). Os judeus tomam a palavra seita em sentido pejorativo, para se referir ao Cristianismo nascente, quando da acusação de São Paulo ante o Procônsul Félix: “Nós consideramos pestífero este homem, que excita sedições entre os judeus de todo o mundo, e é cabeça da seita dos nazarenos”. Ao que São Paulo responde: “Eu, porém, confesso em tua presença: segundo a doutrina (sectam, na Vulgata) que eles chamam de heresia (haeresim) sirvo a meu Pai e meu Deus, crendo todas as coisas que estão escritas ba lei e nos profetas” (At 24, 5 e 14). Porém, na Epístola aos Gálatas, o próprio São Paulo emprega o termo hairesis (sectae, na Vulgata), como algo digno de vitupério, por atentar contra a unidade da ekklesía (Igreja); “Ora, as obras da carne são manifestas: a fornicação, a impureza,... as rixas, as discórdias, as seitas” (5,19-21). Do mesmo modo São Pedro, em sua Segunda Epístola: “Assim como entre o povo houve falsos profetas, também haverá entre vós falsos doutores, os quais introduzirão sorrateiramente seitas de perdição...”. E pouco adiante: “Atrevidos, comprazendo-se em si mesmos, não temem introduzir novas seitas e blasfemar...” (2Pd 1-10). Daí em diante os autores eclesiásticos usaram comumente a palavra seita com este significado, intimamente ligado ao conceito de heresia (escolha, preferência doutrinária) e também – como se verá – ao de cisma (ruptura da unidade celestial). 4. Outro conceito correlato: "cisma" Conceito correlato com o de heresia é o de cisma, cujo estudo é igualmente indispensável para a conceituação de seita. A palavra cisma (em latim schisma), é de origem grega e significa divisão separação, ruptura. Segundo Santo Isidoro, deriva de “cisão de pareceres” (“scissura animarum”). Cisma designa, assim, tanto o ato de romper quanto o novo grupo formado à parte. A este grupo cismático passou-se igualmente a designar por seita. 5. "Seita" e "Culto": termos sinônimos Cabe aqui ainda examinar mais um termo: culto. A palavra culto vem do verbo latino colo, colis, colere, colui, cultum, cujos primeiros significados são: Habitar, cuidar de, proteger, querer bem a, agradar a, e, por extensão, honrar, cultuar, venerar, respeitar. Em seu sentido próprio, a palavra culto indica, pois, as homenagens religiosas prestadas a Deus, aos Anjos e aos Santos; designa também as homenagens civis prestadas às autoridades, aos símbolos da pátria, aos heróis; e ainda as homenagens familiares ou sociais tributadas aos pais, às pessoas mais velhas ou de representação social. Na década de 1930, sociólogos norte-americanos adotaram esse termo para designar certa categoria de grupos religiosos do gênero das seitas, mas que apresentavam algumas características peculiares. Atualmente a palavra vem sendo empregada nos paises de língua inglesa, tanto na linguagem corrente como nos escritos dos especialistas, para referir-se aos novos movimentos religiosos que estão sendo contestados, os quais são designados por seitas nas outras línguas. Embora não tendo nenhuma relação etimológica com esse vocábulo, o termo culto (em inglês, cult) passou a ser, nos referidos paises, um sinônimo quase perfeito de seita, assimilando sua conotação negativa e recebendo toda a carga emocional que recai sobre ela. “A unidade dos hereges é o cisma” Tertuliano (+ c.220) TRISTES SUPERSTIÇÕES “Sine nomine vulgus” Quem nunca se deparou com situações que parecem não ter solução? Infelizmente esse tem sido o dia-a-dia de inúmeras pessoas que se encontram atribuladas por diversos problemas, sejam eles de ordem física, familiar, financeira ou espiritual. Em alguns casos, muitos chegam a afirmar que não entendem o motivo de tanto sofrimento. Por esta razão, já bateram em tantas portas, envolvendo-se em práticas religiosas, sem nada encontrar. Pelo contrário, ao invés de terem suas vidas transformadas, afundaram-se ainda mais nos problemas, chegando a ponto de pensar que a morte seria a única solução. Os sonhos nem sempre se concretizam, porque existem muitas barreiras que impedem a realização pessoal. A curiosidade aumenta e muitos preferem dar uma “força” ao destino. Nesse momento, acreditam que vale a superstição, a procura por respostas através de artifícios: runas, tarô, horóscopo, numerologia, cristais, duendes, astros, cartas, búzios, etc. Alguns optam por ingressar em religiões que lhes dêem oportunidade para se sentirem mais seguros espiritualmente. É justamente aí que os problemas começam. Os ensinamentos nem sempre são produtivos. Algumas pessoas se apegam a objetos que acreditam ser protetores, como por exemplo, pé-de-coelho, amuletos da sorte, trevo de quatro folhas, pedras, figas, entre outros talismãs. Estão certos de que são protegidos de mau olhado, olho grande, inveja, azar, enfim, males que prejudicam e impedem a felicidade humana. A superstição é um sentimento religioso baseado no temor, no receio e crença em situações fantásticas e puramente casuais. Existem pessoas que são radicais, têm a vida alicerçada em literaturas, simpatias e orientações religiosas vindas através da figura de um líder religioso. Hoje é muito comum a figura do “guru”. São pessoas que supostamente cuidam de vida espiritual daqueles que procuram seus serviços. Normalmente pretendem se preparar para o futuro. A mídia incentiva à prática: jornais, revistas, televisão e internet estão cheios desse tipo de informação. Muitos reclamam da eficiência dos serviços. Sentem-se enganados e desiludidos. Outros se aprofundam, buscando maior conhecimento em literaturas. A credibilidade, no entanto, não é garantia de sucesso: não são poucos os que estão decepcionados com suas convicções. A maioria das pessoas que procuram esse tipo de serviço estão interessadas em resolver problemas sentimentais e financeiros. Após a consulta, geralmente procuram fazer trabalhos espirituais para resolver seus dilemas: “amarrar” a pessoa amada, melhorar relacionamentos, etc. A Sagrada Escritura é clara em relação a esse tipo de prática: “Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal cousa é abominação ao Senhor, teu Deus, os lança de diante de ti” (Dt 18,10-12). “Sine nomine vulgus”. Assim diz a sentença latina: A plebe, a massa dos ignorantes. Os enganados. “Um povo ignorante é fácil de escravizar” disse Aristóteles (384-322 a.C.). “Nem todos têm o conhecimento” (Rm 8,7). Vamos pregar a verdade que liberta o ser humano de toda superstição e de todo o engano (Jo 8,32). “Tu, porém, vai, e anuncia o Reino de Deus”.(Lc 9,60). SEITAS E MORTE “Porque antes destes dias levantou-se Teudas, dizendo ser alguém; a este se ajuntou o número de uns quatrocentos homens; o qual foi morto, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos e reduzidos a nada”. Atos 5.36. A chamada explosão sectária (cult explosion) — isto é, a eclosão e rápida proliferação de grupos religiosos exóticos e contestatórios da sociedade — está intimamente conexa com a revolta juvenil da década de 60 (cujo ápice foi a agitação estudantil da Sorbonne, na França, em maio de 1968), e é, até certo ponto, fruto dela. De modo geral, até fins da década de 1970, o público sabia vagamente da existência de grupos e organizações que tinham doutrinas estranhas e modos de ser peculiares, às vezes até aberrantes, em todo o caso chocantes em relação aos padrões correntes. Com otimismo, o público esperava que o bom senso acabaria por prevalecer, e que o fenômeno dos grupos extravagantes terminaria por ser absorvido pelo corpo social, como já se tinha dado com tantas das aberrações anteriores. Tal era o estado psicológico da opinião pública em relação aos novos movimentos religiosos — qualificados de seitas —quando, em novembro de 1978 ocorreu o suicídio-massacre dos membros da seita Templo do Povo, na Guiana. Na ocasião, quase mil seguidores de Jim Jones foram incitados ao suicídio coletivo, pela ingestão de refresco envenenado, sendo os recalcitrantes abatidos a tiros por ordem do líder sectário, o qual também pôs termo à vida. O horror e a justa repulsa que o sinistro caso da Guiana produziu na opinião pública tornaram o termo seita ainda mais depreciativo, pois a partir dai se estabeleceu, em muitos espíritos, uma correlação entre seita e criminalidade, seita e desequilíbrio mental. Outros fatos aberrantes posteriores envolvendo grupos religiosos têm contribuído para aumentar esse horror e essa repulsa, bem como a correlação entre seita e criminalidade, seita e desequilíbrio mental. Na História, não faltam exemplos de falsos profetas que, com um discurso predominantemente apocalíptico, levaram muitos dos seus seguidores à ruína e causaram sérios transtornos à sociedade. Nenhuma outra seita apocalíptica, entretanto, teve maior repercussão que aquela fundada por Jim Jones. Em novembro de 1978, o mundo ficou atônito diante da notícia advinda da pequena vila de Jonestown, na Guiana Francesa. A primeira informação divulgada foi de suicídio coletivo: quase mil pessoas dentre elas, 300 crianças. No entanto, mais tarde, ficou provado que, aproximadamente, dois terços dos adeptos da seita People's Temple (Templo do Povo), habitantes daquela vila, foram covardemente assassinados por meio da ingestão de suco com cianureto. Em Tóquio, no Japão, uma confusa mistura de budismo, hinduísmo e profecias apocalípticas sobre a destruição da humanidade fez nascer a seita Aum Shinrikyo. Seu fundador, Shizuo Matsumoto, auxiliado por outros 40 adeptos, foi o responsável pelo lançamento de uma quantidade expressiva do gás sarin nos túneis do metro de Tóquio em 1995. Doze pessoas morreram, e cinco mil ficaram intoxicadas na ocasião. A seita também foi responsabilizada por outro alentado semelhante ocorrido no ano anterior. No ano 2000, o mundo ficou chocado com as notícias provenientes de Uganda, na África. Aproximadamente 300 adeptos morreram carbonizados durante um incêndio, que destruiu um dos templos da seita Restauração dos Dez Mandamentos: uma cerimônia de assassinato coletivo. Além dos corpos queimados, a polícia encontrou 700 outros cadáveres em valas coletivas, improvisadas nos terrenos de outros templos da seita, liderada por Joseph Kibwetere, "O Profeta". Dentre as doutrinas pregadas, o fim do mundo era anunciado para 31 de dezembro de 1999. Uma outra tragédia envolvendo pregadores do fim do mundo aconteceu em Waco, no Texas (USA). Vernon Howel, autoproclamado David Koresh, líder máximo da seita Ramo Davidiano, estava na mira do FBI (a polícia federal americana) e do departamento americano de álcool, tabaco e armas (ATF) por uso ilegal de armas. Koresh e outros membros da seita viviam em uma comunidade, denominada Rancho do Apocalipse, e possuíam um pesado armamento reservado para o "Armagedom". Para eles, a batalha mencionada no Novo Testamento começou com um cerco dos agentes federais ao rancho para tentar prender Koresh em fevereiro 1993. Quase dois meses depois, o FBI e a ATF invadiram o rancho e, após intensa troca de tiros, aproximadamente 75 pessoas morreram, inclusive Koresh. No entanto, Koresh teve antecessores e sucessores. "Preparar a segunda vinda de Cristo em glória solar" era uma das doutrinas pregadas por outra seita, a Ordem do Templo Solar, que teve origem na Suíça com Luc Jouret e Joseph Di Mambro, em 1984. Com a mesma agilidade com que arregimentaram adeptos no Canadá e na França, Jouret e Di Mambro passaram a ter sua idoneidade questionada pelos fiéis. Os que permaneceram leais começaram a ser preparados para o que chamavam de "transporte". Em 1994, 53 pessoas - dentre elas, os líderes - que estavam reunidas em casas pertencentes à seita na Suíça e no Canadá, foram assassinadas. Os autores do livro “A Peste das Almas - História de Fanatismo”, Marcos A. Lopes e Marcos L. Martins, afirmam que nos Estados Unidos em particular, “prosperam seitas cristãs irracionais e excêntricas”. Dezembro de 1995: Em um aparente novo suicídio coletivo (ou homicídio ritual consentido) de integrantes da Ordem do Templo Solar, 14 cadáveres carbonizados foram encontrados em um bosque na França, dispostos em forma de estrela. Os corpos de dois outros membros do grupo (um dos quais era policial) foram encontrados próximos ao local. A suspeita é de que estes tenham executado os demais e disposto seus corpos da maneira como foram encontrados, e lhes atearam fogo, suicidando-se em seguida. “O misticismo sempre floresceu em épocas de catástrofes e de mudanças acentuadas”. Plotino (205-270) Filósofo Neoplatônico O ENGANO DA ASTROLOGIA “Os matemáticos (astrólogos) constituem uma categoria de homens desleal para os poderosos, enganadora para os esperançosos”. Tácito (c.60- c.120) Decano dos Historiadores Romanos O astrólogo Ascletério ousou predizer a morte próxima de Domiciano (50-96). O imperador perguntou-lhe se poderia também predizer a própria. - Sim – respondeu -, eu devo ser devorado por cães. A fim de fazê-lo ficar em mentira, Domiciano ordenou que o matassem e queimassem. Ora, estalou uma tempestade, que apagou a fogueira e o vidente foi comido por cães famintos. A Astrologia, etimologicamente falando, é uma ciência divinatória, ou a arte de ler o futuro, um método de predizer o futuro através de mudanças astrológicas. Do grego "ástron" astro e "lógos", palavra, dissertação, discurso, forma de expressão através do horóscopo. palavra que vem do grego "hora", instante, divisão do dia, hora, e "skopéo", o que examina, o que observa. É importante observar que a Astrologia é uma ciência de pressuposição, que trabalha, com dados puramente inconcretos; daí os resultados diversos e incertos das predições dos astrólogos, ao apresentarem os horóscopos; Sendo deterministas e fatalistas, os horóscopos, em particular, entram em conflito com a fé cristã e com a verdadeira e pura Filosofia, pois os verdadeiros adeptos destas negam a Astrologia. As práticas astrológicas não se adaptam à vida e experiência do cristão, pois nós possuímos uma experiência viva com um Senhor vivo e não somos idólatras (Deuteronômio 4,19 e 17,2-6). O Cristianismo sempre repudiou a Astrologia como superstição, ou seja, uma atribuição de feitos maravilhosos a causas por si mesmas incapazes para tanto, o que significa menosprezar a Deus ou até mesmo "tentar" a Deus. Os conselhos da Astrologia trazem consigo a influência das artes mágicas das religiões de mistério, de muitos deuses e deusas que tanto têm contribuído para que as pessoas permaneçam a vida toda longe do Criador e partam deste mundo sem a salvação. A astrologia sem base científica A astrologia afirma que o sol, a lua, as estrelas e os planetas podem influenciar as coisas na terra, e que a configuração desses corpos celestes no momento do nascimento desempenha um papel na vida da pessoa. Contudo, descobertas científicas apresentam formidáveis desafios: 1. O trabalho de astrônomos como Copérnico, Galileu e Kepler demonstrou claramente que a terra não é o centro do universo. Sabe-se também agora que não raro as estrelas que parecem pertencer a uma constelação não estão realmente agrupadas. Algumas delas talvez se encontrem fundo no espaço, ao passo que outras talvez se encontrem relativamente perto. Assim, as propriedades zodiacais das varias constelações são puramente imaginárias. 2. Os planetas Urano, Netuno e Plutão eram desconhecidos a primitivos astrólogos, pois só foram descobertos após a invenção do telescópio. Como, então, se explicavam as suas "influências" nos mapas astrológicos traçados séculos antes? Ademais, por que deveria a "influência" de um planeta ser "boa" e a de outro "má", quando a ciência sabe agora que basicamente todos eles são massas de rochas e gases sem vida, projetando-se no espaço? 3. A ciência da genética nos diz que a base para os traços de nossa personalidade se forma, não no nascimento, mas sim na concepção, quando um dos milhões de espermatozóides do pai se une a um óvulo da mãe. Não obstante, a astrologia fixa o horóscopo á base do momento do nascimento. Esta diferença de cerca de nove meses deveria dar á pessoa um perfil de personalidade completamente diferente, em termos astrológicos. 4. A cronometragem da jornada do sol entre as constelações, conforme vista por um observador restrito a terra, está hoje cerca de um mês atrasada em relação a 2.000 anos atrás, quando os mapas e as tabelas da astrologia foram traçados. Assim, a astrologia classificaria uma pessoa nascida em fins de junho ou em princípios de julho como sendo de Câncer (altamente sensível, temperamental, reservada). Na verdade, porém, o sol nessa época está na constelação de Gêmeos, que devia tornar a pessoa comunicativa, espirituosa, conversadora. Os Concílios de Laodicéia (366), Toledo (400) e Braga (561) condenaram a astrologia por aniquilar o livre arbítrio do homem e, com isso, de sua responsabilidade. “Levantem-se, pois agora os agoureiros dos céus, os que contemplavam os astros, os prognosticadores das luas novas, e sabem-te do que há de vir sobre ti”. Isaías 47,13. Com toda autoridade da Palavra de Deus e da Tradição Cristã, condenamos toda arte fraudulenta da astrologia, adivinhação, superstição, espiritualismo e crendices. Afirma o profeta Jeremias:” Não deis ouvidos aos vossos adivinhos e agoureiros, porque profetizam mentiras” Jeremias 27,9.10. Toda confiança e esperança do cristão está unicamente em Deus Pai, Eterno e Todo-Poderoso. A nossa inteligência é iluminada pelo dom do Divino Espírito Santo, que nos guia em toda verdade eterna. “Ao homem os projetos do coração, de Deus vem a resposta.” “O coração do homem planeja o seu caminho, mas é Deus que firma os seus passos” Provérbios 16,1.9. A IDOLATRIA “O ídolo número um entre o povo de Deus atualmente não é adultério, pornografia ou álcool. É a cobiça, um desejo dominante muito mais forte. O que é este ídolo? É a ambição obcecante de alcançar sucesso. E tem até mesmo uma doutrina para justificar”. David Wilkerson Pastor Americano A Estátua de Zeus em Olímpia, no sul da Grécia, antigo local dos Jogos Olímpicos, erguia-se um conjunto de templos dóricos, 70 altares e centenas de estátuas em honra dos vencedores dos Jogos. A estrutura mais imponente era o Templo de Zeus, erguido entre 466 e 456 a.C. Ali os visitantes contemplavam atônitos a figura do rei dos deuses sentado num trono de 13 metros, toda em marfim e ouro, com o rosto envolto por uma ampla cabeleira. Ao vé-la, o general romano Aemilius Paulus declarou que era como se tivesse visto o próprio deus. A idolatria, sem dúvida alguma, é um dos terríveis pecados que o ser humano pode praticar contra o único Deus verdadeiro (II Sm 7,22; Is 45,22; Jr 10,10). É uma negação e rejeição do Deus que criou o mundo e o ser humano a sua imagem e semelhança (Gn 1,26). É uma afronta a Deus que merece todo louvor, adoração, exaltação, santidade e abissal respeito (Sl 26,9; 34,9). Mesmo assim, estamos vendo o crescimento maligno da idolatria. E o pior de tudo, é que muitos dos que afirmam serem cristãos, estão se enveredando pela trilha da idolatria do hedonismo, narcisismo, capitalismo, culto a personalidade e a avareza (Cl 3,5). São Paulo Apóstolo exortou com veemência aos irmãos de Corinto dizendo: “Portanto, meus amados irmãos, fugi da idolatria” (I Co 10,14). Na sua carta aos Coríntios, o mesmo apóstolo afirma que os gentios sacrificam as suas oferendas aos demônios, e não a Deus (I Co 10,19-20). O diabo é o criador da idolatria (Gn 3,5; Is 14,14; Jo 8,44). São Paulo Apóstolo diz: “Só há um Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos”, “e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele” (I Co 8,6). Está explícito que todo o nosso culto é para glória de Deus e todas as nossas obras são para exaltar Jesus, Nosso Senhor (I Co 10,31; Cl 1,18). São Pedro Apóstolo afirma com categoria: “Para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém (I Pe 4,11). A pior idolatria não é a que se vê, mas aquela que se encontra dentro do coração (Mt 15,18-19). O coração não pode servir a Deus e ao diabo (Mt 6,24). O Senhor Deus não dá a sua glória ao um coração cheio de ídolos (Is 42,8). Deus habita no coração abatido e contrito (Is 57,15). Quando deixamos de honrar e glorificar ao bom Deus como a fonte de todas as nossas bênçãos (At 17,25; Tg 1,17-18), corremos um risco tremendo de cair no pecado de idolatria. Infelizmente, muitos cristãos tem cometido tal pecado. A idolatria é abominável aos olhos do Senhor Deus (Ap 22,15). A Revista Graça, agosto de 2002, p. 44, está escrito: “Embora não adorem imagens, muitos evangélicos – às vezes, inconscientemente – praticam a idolatria”. “Estou profundamente incomodado com a situação das nossas igrejas hoje. Estão cheias dos ídolos da civilização moderna. Achamos que podemos ter tudo que este mundo tem para oferecer e, de alguma forma, ficar com Deus também”. Afirma Del Fehsenfeld Jr. - Pastor americano. O principal ídolo dos líderes religiosos é o dinheiro. (I Tm 6,10). A Revista Eclésia, maio de 2004, p. 26, descreve: “A relação entre fé e riqueza nunca despertou tanto interesse quanto nos dias de hoje. Graças à predominância do capitalismo, as religiões são cada vez mais atraídas por um apelo financeiro. O principal alvo dos críticos dessa relação são os evangélicos”. A Revista cita o sociólogo Ricardo Mariano, da PUC – RS, que diz: “A teologia da prosperidade, ao justificar o intenso pedido de dízimos e ofertas, agrada aos pastores cujos projetos evangelísticos são ambiciosos e de alto custo. Pastores, sem cerimônia, passaram a pedir dinheiro em grandes quantias, enquanto os fiéis, sem culpa, assumiram seus desejos de consumo e ambições materiais”. A matéria de capa da Revista Impacto de Julho/Agosto de 2004, foi: Idolatria Evangélica – Buscando a Deus em troca de benefício pessoal”. Diz o editorial da revista: “A bem da verdade, admitimos, ainda existem pessoas idólatras hoje. Não só entre povos pagãos, em terras distantes ou tribos indígenas, mas entre aqueles que se chamam cristãos e ainda ignoram o segundo mandamento, enchendo seus templos e casas de esculturas proibidas. Mas, novamente, isso nada tem a ver comigo – como diria o fariseu – graças dou ao meu Deus, que não sou um deles!”. Líderes religiosos, templos, catedrais, denominações, status e títulos, tem se tornado verdadeiros ídolos para os cristãos. Cabeça de elefante, corpo humano, quatro braços, um barrigão e acompanhada de um ratinho, assim é Ganesh, deusa da Índia. Porque Ganesh é deusa pop no concorridíssimo panteão do hinduísmo? Quem responde é o cientista da religião Frank Usarski, professor da PUC – SP. “Ganesh é uma divindade funcional que recebe sacrifícios em momentos determinados, de acordo com a necessidade”. Os falsos líderes religiosos vivem a ideologia Ganesh. Tais líderes são especialistas na arte de enganar o povo em nome de Deus. São duas estratégias: a primeira é fabricar ídolos conforme a necessidade do povo, e a segunda é tornar-se o próprio ídolo com discursos que agradem às solicitudes das pessoas. Por falta de conhecimento o povo é enganado (Os 4,6). A falta principal é do conhecimento da poderosa Palavra de Deus (Mt 22,29; Jo 5,39). É vergonhoso o comércio da idolatria dentro e fora dos templos religiosos do Brasil e do mundo. “Deus é Espírito, e importa que os seus adoradores o adorem em Espírito e em verdade.” (Jo 4,24). Muitos estão adorando outro espírito, praticando outro evangelho que é o da idolatria e adorando a mentira dos líderes religiosos. Os líderes religiosos estão fingindo que estão pregando Jesus e os fiéis estão fingindo que estão acreditando. Na realidade, estamos vivendo a era comercial das igrejas, e a superficialidade da fé. Em sua coluna semanal na revista Veja, Diogo Mainardi escreveu em 11/06/2003, p. 127: “O Brasil tem deuses demais. Tem deus no futebol, nos vidros dos carros, na TV, no rádio, nos hospitais, nas salas de aula, na reforma agrária, na política. Qualquer um pode atribuir-se milagres em nome de deus. E, em nome de deus, qualquer um pode enfiar a mão no bolso dos outros”. Para denunciar esse grave pecado contra o Senhor Deus, onde estão os profetas como São João Batista? Os pregadores como São Francisco de Assis? Os teólogos como Jonathan Edwards e Joseph Ratzinger? Pe. Inácio Jose do Vale Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo Professor de História da Igreja Faculdade de Teologia de Volta Redonda E-mail:pe.inaciojose.osbm@hotmail.com Fonte: Recados do Aarão |
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