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20/07/2007
O
que pensam
Papa
Bento 16: O que devemos pensar?
(Artigo mais antigo, escrito por um evangélico americano sobre Bento
XVI. Coloco para mostrar que nem todos os protestantes têm visões
frontalmente antagônicas e biligerantes contra o Papa, embora não
entendam nem aceitem o papado. Mas um dia o aceitarão, porque Pedro
vencerá e haverá um só rebanho, ao redor de um só pastor. Este dia
não está longe, dia em que os ditos evangélicos perceberão que
Pedro é fator de UNIDADE, e que longe dele impera a rebeldia, a
desagregação e o esfacelamento em milhares de seitas. Na veradde, em
última nota este texto mostra muito mais admiração e respeito que
antipatia.)
Escrito por: Albert Mohler
A fumaça branca saindo da Capela Sistina sinalizou a eleição de um
novo papa depois de apenas quatro votações — um fato que
presumivelmente indicou a eleição de um dos quatro líderes que já
eram antecipados para vencer. Dentro de uma hora, os sinos do Vaticano
tocando cederam ao anúncio e apresentação do novo papa — Papa
Bento 16, ex-cardeal Josef Ratzinger, cardeal prefeito da Sagrada
Congregação da Doutrina da Fé.
Compreendia-se que Ratzinger era um líder favorito para vencer quando
os cardeais entraram em seu histórico conclave. Rotulado pelos meios
de comunicação como o guardião da doutrina do Vaticano, o cardeal
Ratzinger havia desempenhado um papel importante como conselheiro
intelectual e teológico do Papa João Paulo 2 e como o teólogo da
Igreja Católica Romana encarregado de proteger a autoridade e
doutrina da igreja.
É claro que ninguém com essas responsabilidades escapa de enfrentar
uma lista de críticos e inimigos magoados. No caso do Ratzinger
conservador, essa realidade é de modo especial forte, pois o cardeal
prefeito havia trabalhado durante vinte anos na função de incansável
defensor da teologia e ensino moral católico.
A rápida eleição de Ratzinger aconteceu depois que notícias da
imprensa indicaram que ele entrou no conclave com pelo menos 50 votos
comprometido à sua eleição. Nesse caso, o velho ditado do Vaticano
“Entra um papa, sai um cardeal” comprovou não ser verdadeiro.
Embora ninguém além dos cardeais saiba exatamente o que aconteceu
dentro do conclave, o cardeal Ratzinger saiu do conclave como o novo
papa depois de somente dois dias de votação. Em todos os sentidos,
essa votação rápida foi um feito extraordinário.
Os observadores sem demora ofereceram interpretações da eleição de
Ratzinger como papa. As predições comuns eram de que Ratzinger —
com 78 anos de idade — seria um papa de transição. O longo papado
de João Paulo 2 lança uma sombra enorme sobre qualquer sucessor. O
que é bastante claro é que o Papa Bento 16 não terá probabilidade
alguma de se manter no ofício papal no comparável período longo de
seu antecessor.
Em todos os sentidos, o tema dessa eleição papal foi continuidade.
Compreende-se bem que Ratzinger estava por trás de muitas das mais
importantes encíclicas e declarações de João Paulo 2. Aliás, os
observadores do Vaticano rotineiramente identificavam Ratzinger como a
“mão oculta” do último papado. Era óbvio que João Paulo 2
depositava muita confiança em Ratzinger — um fato que seus colegas
cardeais mal deixavam de perceber.
No entanto, se João Paulo 2 era considerado um papa conservador,
Ratzinger é visto como uma mudança muito mais próxima à direita. O
som de gritaria, berros, chiados e reclamações que se ouve é o som
de teólogos católicos romanos esquerdistas e ativistas
insensibilizados e punidos com a eleição do líder mais conservador
como o próximo pontífice católico.
O que os evangélicos devem pensar acerca do novo papa? Em todos os
sentidos, essa é uma pergunta difícil, pois tal pergunta envolve o
universo inteiro de questões que permanecem entre a teologia evangélica
e as doutrinas ensinadas pela Igreja Católica Romana. É claro que o
próprio papado é uma questão de discórdia de primeira ordem. Os
evangélicos, graças às claras declarações do último papa sobre a
dignidade humana e a objetividade da verdade, precisam se sentir até
certo ponto aliviados de ver que o sucessor de João Paulo 2 é um
ardente defensor da sacralidade da vida humana, a integridade do
casamento e o compromisso com a verdade. Contudo, o conservadorismo
doutrinário de Ratzinger se estenderá, evidentemente, às próprias
questões mais cruciais que dividem evangélicos e católicos romanos.
Os evangélicos com toda a justiça apontam para o papado como um ofício
sem base na Bíblia que, por sua própria natureza, compromete a
integridade das Escrituras e concede autoridade não bíblica a um
monarca eclesiástico terreno. As reivindicações de sucessão papal,
autoridade papal e infalibilidade papal não fazem nada senão ampliar
a fenda entre evangélicos e a Igreja Católica Romana. O
conservadorismo que leva Ratzinger a defender posições católicas
históricas sobre o aborto, eutanásia e muitas outras questões anda
lado a lado com sua defesa do papado, autoridade magisterial e todas
as doutrinas católicas.
Como assessor teológico do Concílio Vaticano 2 (juntamente com o último
papa), Ratzinger escreveu críticas fortes contra as propostas
esquerdistas apresentadas por muitos teólogos católicos contemporâneos.
Como autoridade doutrinária do Vaticano, ele adotou medidas
disciplinares contra os teólogos da teologia da libertação e outros
que violaram o ensino católico. Ele puniu teólogos católicos asiáticos
por sugerirem que as religiões do Oriente são tão válidas quanto o
Cristianismo, e ele sem demora defendeu o direito do magistério de
decidir, definir e proteger o ensino católico.
Entretanto, não há nenhuma razão para crer que a eleição do Papa
Bento 16 fará qualquer coisa para romper os pontos que dividem evangélicos
e católicos romanos em questões relacionadas à autoridade bíblica,
o Evangelho e muitas outras questões teológicas essenciais. Não
temos nenhuma expectativa de que este papa esteja com pontos de vista
sobre justificação e o Evangelho que sejam de algum modo mais
harmoniosas com as convicções evangélicas do que os pontos de vista
que seus antecessores tinham. Aliás, a força teológica de Ratzinger
pode se espalhar de um modo que fará com que os evangélicos tenham
frustrações bem maiores.
Em seus escritos anteriores, este novo papa indicou compreender de
modo claro e sincero as convicções dos evangélicos. Na verdade, ele
é provavelmente o papa mais bem informado da História, em termos de
convicções evangélicas e compromissos teológicos. Não que o papa
tenha de algum modo simpatia para com essas convicções. O que é bem
claro é que provavelmente esse papado será interessante e
desafiador.
Uma das dimensões estranhas desse cenário inteiro é o fato de que
os evangélicos preocupados com a preservação da verdade bíblica e
determinados a defender a moralidade bíblica terão muito em comum
com esse novo papa. Num sermão pregado a seus colegas cardeais apenas
dois dias antes de sua eleição, o cardeal Ratzinger criticou de modo
profundo e eloqüente o relativismo pós-moderno.
“Quantos ventos de doutrina conhecemos em décadas recentes, quantas
correntes teológicas, quantas ondas de pensamento… O pequeno barco
de pensamentos de muitos cristãos tem sido atirado para lá e para cá
por essas ondas — tem sido jogado de um extremo ao outro: do
marxismo ao liberalismo, até mesmo a libertinagem; do coletivismo ao
individualismo radical; do ateísmo ao vago misticismo religioso; do
agnosticismo ao sincretismo, e assim por diante”, declarou ele. Ele
continuou: “Estamos caminhando para uma ditadura do relativismo que
não reconhece nada como certo e fixo, e que tem como sua meta mais
elevada os desejos do próprio ego”.
Não há uma só silaba nessas declarações com que os evangélicos não
estariam de total e entusiástico acordo. Aliás, os escritos de
Ratzinger revelam uma aguçada mente teológica que entende os
contornos da crise pós-moderna e indicam uma defesa sólida da
verdade contra a postura do relativismo.
De modo semelhante, numa longa entrevista publicada em 1985, Ratzinger
perseguiu os críticos bíblicos esquerdistas que subvertem a
autoridade das Escrituras. “No final das contas, a autoridade em que
esses especialistas bíblicos baseiam suas opiniões não é a própria
Bíblia, mas a cosmovisão que eles sustentam ser moderna. Eles estão
pois falando como filósofos ou sociólogos, e sua filosofia consiste
meramente de banal e dócil aprovação às convicções do tempo
atual, que são sempre temporárias”.
Mais uma vez, os evangélicos estariam de acordo fundamental com essa
declaração.
Os evangélicos de hoje se acham numa situação que J. Gresham Machen
bem descreveu há quase um século, quando esse grande defensor evangélico
da fé lançou seu ataque contra o liberalismo protestante, acusando-o
de ser uma religião fundamentalmente nova em divergência com o
Cristianismo. Machen sem dúvida surpreendeu muitos de seus leitores
evangélicos quando declarou que os evangélicos comprometidos com a
defesa do Evangelho têm realmente mais em comum com os católicos
romanos ortodoxos em questões tais como a pessoa de Cristo e a
Trindade do que teriam com seus amigos protestantes esquerdistas.
É muito doloroso perceber que, passado quase um século, pouca coisa
mudou. O catolicismo passou por várias transformações importantes,
mas ainda permanece anos luz de ensinos bíblicos claros como
justificação somente pela fé. O fato é que o papado está mais
forte do que nunca, fortalecido pelo longo pontificado de João Paulo
2 e agora ocupado pelo enérgico Bento 16.
Tudo isso exigirá que os evangélicos pensem com clareza, analisem
com cuidado e mantenham-se fiéis às suas próprias convicções teológicas.
Não devemos sentir vergonha e hesitação de declarar nosso apoio a
esse novo papa em sua análise dos perigos do desafio pós-moderno e
em sua defesa da santidade da vida humana e da inviolabilidade do
casamento. Nesse aspecto, os evangélicos, que com toda a justiça
rejeitam o papado como instituição, se acham apesar disso aliviados
com o fato de que a vasta força da Igreja Católica Romana
provavelmente não será redirecionada de um modo que seja hostil àquelas
convicções que temos em comum. Mas a instituição do papado
permanece um grande obstáculo, e esse papado mostrará seus próprios
desafios. Vamos esperar que esta geração de evangélicos esteja
pronta para essa tarefa.
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Albert Mohler, Jr. é presidente do Seminário Teológico Batista do
Sul em Louisville, Kentucky. Para conhecer mais artigos e outros
materiais do Dr. Mohler, visite seu site: http://www.albertmohler.com/.
Traduzido e adaptado por Julio Severo: http://www.juliosevero.com.br/
Fonte:
Recados do Aarão
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