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20/1/2010
Autores - Plano de intolerância
O Plano da Intolerância
Arcebispo do Rio de Janeiro comenta Plano Nacional de Direitos Humanos
RIO DE JANEIRO, sexta-feira, 15 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).-
Apresentamos o artigo do arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João
Tempesta, intitulado “O Plano da Intolerância”, em que o prelado
comenta sobre o "Plano Nacional de Direitos Humanos" do
governo brasileiro. O texto foi enviado a ZENIT hoje.
* * *
O Plano da Intolerância
Iniciamos o novo século com muitas esperanças e sonhos. Pensávamos
que o mundo tivesse chegado a um amadurecimento tal que pudéssemos
conviver com o diferente e no respeito mútuo. Entre tantos
acontecimentos intolerantes em todos os cantos do mundo, um deles foi
simbólico: no início deste milênio, em março de 2001, foi destruída
uma das maiores estátuas de Buda em pé já esculpidas pelo homem.
Ficava no vale do Bamiyan, a 240 km de Cabul, no Afeganistão, e era
do século V da era Cristã. Era também declarada como patrimônio da
humanidade pela UNESCO. Havia duas e tinham 55 e 37 metros de altura.
Os “donos do poder” da época acharam que não poderiam tolerar
tal “idolatria” e não faziam parte da “cultura” do momento.
Os governantes passaram e os responsáveis de hoje estão procurando
reconstruir o que um dia foi destruído.
Em nosso país, infelizmente, há certa confusão com relação ao
“Plano Nacional de Direitos H umanos”. Conheço e respeito as
pessoas que o defendem e sei de suas boas intenções, mas não posso
aceitar a idéia que passam com relação a o que significa a justa
laicidade do Estado. Um dos objetivos do plano é o de “desenvolver
mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em
estabelecimentos públicos da União”, além de outras ideias que
mereceriam ser ainda mais discutidas. A humanidade vai amadurecendo em
suas convicções e passa a enxergar com mais clareza certas situações
melhor que no passado. Não podemos viver com situações e realidades
que já passaram. Necessitamos agora, neste momento da história da
humanidade, de olhar para o futuro. Em relação a tantos
questionamentos desse plano, fiquemos com esta única questão: sobre
os símbolos religiosos.
Sei que devido às reações aos vários temas que foram desenvolvidos
e colocados nesse “Plano” foram contestados por tantos setores de
nosso país e a publicaç ão provavelmente não sairá como decreto e
sim como comunicação de sugestões. É bem provável também que
esse assunto nem mesmo saia quando o próximo decreto for assinado.
Porém, como sempre retornamos a esse assunto e, inclusive, é
discutido e polemizado em muitas partes do mundo, creio que sempre é
interessante lembrarmos algumas questões inerentes a isso. Teríamos
muitas idéias e fatos a serem colocados – fatos com grande
repercussão mundial – porém iniciaremos com algumas idéias que
acredito que nos ajudem a perceber a importância do momento.
Um país laico é aquele que respeita todas as religiões e sabe também
acolher a cultura de seu povo. Ditaduras intolerantes são aquelas que
impõem ou uma única religião ou mesmo apenas o ateísmo. Na
democracia todos podem se manifestar e são chamados a respeitar as
ideias dos outros. Em nosso país existem situações de exclusões
mesmo com os que se dedicam a múltiplos trabalhos sociais, que não
podem exercer sua cidadania justamente porque professam uma fé:
deve-se criar outra instituição. Existem países, como a Alemanha,
onde o estado não se alinha com nenhuma religião, mas promove e
ajuda as mesmas enquanto fatores de promoção humana e social. Mesmo
no estado nascido da revolução francesa, as declarações feitas em
dezembro de 2007 pelo presidente Sarkozy foram históricas:
“considero que uma nação que ignora a herança ética, espiritual,
religiosa de sua história comete um crime contra a sua cultura,
contra o conjunto de sua história, de patrimônio, de arte e de tradições
populares que impregnam a tão profunda maneira de viver e pensar”,
e acrescentou também: “a laicidade não deveria ser a negação do
passado. Não tem o poder de tirar a França de suas raízes cristãs.
Tentou fazê-lo. Não deveria.”
Porém, infelizmente, o que ora ocorre entre nós não é um início
de um processo, e sim um passo a mais dent ro de um plano muito mais
amplo de destruição de nossas raízes históricas. Hoje, os mesmos
que foram beneficiados pela cultura cristã do respeito à vida e à
liberdade se insurgem contra a mesma tentando retirar seus sinais. Não
poderão com decretos retirar do coração do nosso povo suas raízes,
suas devoções, sua cultura e seus sentimentos.
Ora, a laicidade do Estado não pode ser sinônimo de intolerância
para com a cultura em que se formou e se desenvolveu o Brasil e para
com os símbolos que fazem parte de nossa história. Negar a nossa
história e querer elaborar outra, ou mesmo dar-lhe outro significado,
significa impor à população uma ideia concebida em laboratório com
fins filosóficos claros.
A cultura cristã e católica integra a história de nosso país. Não
tem como se negar a história, embora em muitos ambientes queira
reinterpretá-la esvaziando-a dos verdadeiros valores nos quais se
baseia nossa identidade. Em nosso at estado de batismo está uma Missa
celebrada no alvorecer do Brasil, Terra de Santa Cruz! Temos nomes de
cidades, ruas, locais e até mesmo em nossa bandeira ideias e símbolos
ligados a diversos grupos que fazem parte de nossa história nacional.
Há pouco tempo eu estava no Pará e uma das situações que me chamou
a atenção foi justamente a história de um povo que conseguiu, mesmo
com a globalização, preservar sua cultura, suas músicas, danças,
sotaques, tradições e festejos religiosos que estão inseridos em
sua alma e sua gente.
Trata-se, antes de tudo, de uma questão de preservação da memória
de nossa história e das raízes culturais da nossa identidade
brasileira. Querer coibir a ostentação dos símbolos da cultura que
berçou e construiu a nossa história é, isto sim, um verdadeiro
sinal de intolerância, que provoca o desenraizamento e promove uma
ideologia que não ousa dizer o próprio nome. Não se vê, desse
modo, necessidade alguma de “impedir a manifestação de símbolos
religiosos nos estabelecimentos da União”.
Em alguns lugares do mundo é proibido até mesmo manifestar sua fé
dentro de suas próprias residências. Os caminhos escolhidos para
arrancar as nossas raízes e deixar nosso povo sem história são
muito sérios e podem levar ainda mais a um tipo de sociedade não só
mais intolerante, mas muito mais desenraizado e violento. Será que
isso levaria também à destruição de muitas de nossas praças e
monumentos que ostentam símbolos religiosos? Será que um dia, para
vivenciarmos a fé em nosso país, teremos de nos esconder da vida pública?
O papel do Estado laico não é, de modo algum, o de promover uma
ideologia laicista, como se o laicismo não fosse também uma forma de
religião. É um grande engano achar que o laicismo, projeto de uma
minoria que se mostra intolerante, é uma ideologia neutra. E não nos
devemos esquecer jamais de que se o Estado é lai co a sociedade
brasileira não o é. Além de sua história profundamente ligada à fé
cristã e católica, o povo brasileiro, em sua grande maioria,
professa a fé que recebeu dos seus antepassados e se identifica com
os símbolos que a expressam. A função do Estado laico, longe de ser
a de provocar o desenraizamento cultural e religioso ou coibir a
manifestação pública de símbolos religiosos, é a de garantir a
liberdade religiosa à sociedade e a seus membros, em suas múltiplas
manifestações, preservada a justa ordem pública e o respeito devido
à diversidade.
Os símbolos demonstram também a formação do caráter de nosso povo
que, se procurarmos em suas decisões diárias, encontraremos muitos
textos do Evangelho que marcam o tipo de vida e nacionalidade, mesmo
daqueles que não creem. É como se fosse o DNA de nossa civilização:
99% dos genes são comuns a todos nós. As diferenças são mínimas e
quase nem se notam. Se é verdade que a natur eza não dá saltos como
comentam os cientistas, necessitamos de tomar muito cuidado com os
“saltos” laboratoriais que podem ocasionar a nossa perda de
identidade e cultura.
Qualquer pessoa ao chegar a um país e ver os seus monumentos e seus símbolos
logo se depara com a sua realidade cultural, humana e religiosa. A
Igreja sempre procurou e procura estar em defesa dos direitos e
valores humanos, porém, apesar desse plano ter muitas teses
importantes e interessantes, a dúbia direção ora escolhida é
complexa e não ajudará em nada a continuar caminhando na direção
de uma nação mais justa e solidária, que é o sonho comum de todos
nós. E neste sentido os conhecidos atuais elaboradores deste
“plano” sabem muito bem como a Igreja esteve ao seu lado e
enfrentou perseguições sérias durante os históricos e duros
momentos vividos com a falta de respeito à vida e à liberdade de
pensamento.
Nestes dias estamos vivenciando a preparação para a festa de São
Sebastião, devoção trazida há 445 anos por Estácio de Sá para a
cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Teríamos como contar a
história da cidade maravilhosa sem esses dados? Aliás, é só
pesquisar a história da maioria de nossas cidades para ver onde estão
as fontes e as inspirações.
A estátua do Cristo Redentor, que, do cume do Corcovado, a 710 metros
de altura, ergue-se como uma maravilha do mundo moderno e um símbolo
de identificação do Rio de Janeiro e do Brasil, é o nosso Santuário
Arquidiocesano Cristo Redentor do Corcovado, local de peregrinações,
orações, celebrações e manifestação da fé do povo brasileiro.
Iniciamos uma campanha para a restauração desse monumento,
preparando-o para os grandes eventos que ocorrerão futuramente em
nossa Cidade Maravilhosa. É um símbolo não só do Rio de Janeiro,
mas do Brasil.
Que a fé cristã, simbolizada nesse sinal, que nada ofende as
pessoas, sej a para todos nós um anúncio de alegre acolhimento na
construção da paz e da fraternidade e que acolhe e dá a todos as
boas vindas de um povo feliz, livre e que quer viver e construir a
paz!
+ Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro
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PS. Faltou apenas Dom Orani dizer bem claramente que nosso governo
planeja a ditadura, que segue os planos da besta, e que nenhum
presidente tem direito de dizer que é contra alguma coisa, mas assina
o decreto a favor. É po caso de Lula, que diz ser contra o aborto,
mas seu partido e seus asseclas buscam de todas as formas implantar
aqui as lei ani-Deus.
A atitude do presidente é a mesma de Pilatos, considerado sinônimo
de juiz podre e ordinário, que temendo a revolta do povo,
covardemente mata o inocente. E o aborto não matará um só, mas
milhares de inocentes. Se Lula tem 97% do povo contra a morte dos
inocentes, porque assume o mesmo procedimento de Herodes?
Ele poderia simplesmente vetar tudo, e mais que isso, antes de aceitar
qualquer debate, sustar já na base o andamento destes projetos. Ele
tem no legislativo poder suficiente para colocar enternamente debaixo
da pilha, qualquer projeto de lei que fira os mandamentos da Eterna
lei. Ou ele deve estar disposto a enfrentar o Eterno Juiz. Duvido que
ele O enfrentará de pé!
O imundo deste projeto do governo, é que quer retirar o direito da
maioria católica de expressar a sua fé, deitando abaixo nossos
objetos de culto, enquanto quer ensinar nas escolas a macumba e o
candomblé como expressões de arte popular, quando significam o culto
de adoração aos demonios. Que diga o Haiti, aonde leva este tipo de
culto abominável.
Enfim, católico, e diabólico, são dois extremos que rimam... só
que um conduz ao Céu outro ao inferno. Nosso governo e seus comparsas
que escolham!
Fonte:
Recados do Aarão
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