05/11/2008
Perigo das seitas

 

 

Seguem três artigos o Padre Inácio José do Vale, um ardoroso defensor da sã doutrina e combatente audaz contra as seitas.
 
CORRUPÇÃO DA DOUTRINA
 
“O maior corruptor da sã doutrina apostólica na atualidade e o senhor Edir Macedo” Marcos Garcia Soares > Pastor da Igreja Batista > Getsêmani – Brasília – DF
 
Não podemos em momento algum esquecer da grande profecia do apóstolo São Pedro sobre os ensinamentos dos falsos pastores, profetas, evangelista, missionários, bispos e apóstolos.
O texto a seguir será sempre atual e ortodoxo para igreja que segue a sã doutrina dos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo.
“E também houve entre o povo falso profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que também, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmo repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção. Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção” (2 Pd 2,1.2.12.19).
Se corrompe a doutrina de Cristo por interesse de poder religioso, político e econômico. Passa a pregar outro evangelho, outro espírito, outro Cristo e outra igreja.
Tais pregadores perderam o temor de Deus, se desviaram da verdade, da fé, da graça e do amor.
Por que optaram por esse caminho corrupto? São Pedro responde: “Tais homens tem prazer nos deleites cotidianos, deleitando-se em seus enganos, tendo os olhos cheios de adultérios e não cessando de pecar e tendo o coração exercitado na avareza, filhos de maldição” (2 Pd 2,13.14).
Para São Paulo Apóstolo, esses homens tem a consciência cauterizada. Não chagam ao conhecimento da verdade. São corruptos de entendimento e réprobos quando a fé (1 Tm 4,1.2; 2 Tm 3,7.8).
Quem segue conscientemente esses filhotes da maldição, torna-se maldito (Ap 18,4).
Esses líderes que pregam a teologia da prosperidade, a “visão apostólica celular” e o pentecostalismo triunfalista, são doentes da mente e da alma.
Pela sua megalomania busca o glamour, pelo seu exibicionismo busca status de celebridade e pela massificação (ato de influenciar o individuo por meio da comunicação de massa) o culto a personalidade. Torna-se religioso da idolatria da imagem eletrônica.
 
SEITA PARA-PROTESTANTE
 
            O sociólogo Lisias Nogueira Negrão, professor da USP, estabelece a diferença entre igrejas e seitas. “Igreja são grupos estabelecidos, vinculados a sociedade”, define. “Já as seitas são movimentos emergentes que apresentam restrição ou desconforto em relação à regra teológica e apresentam contestações aos valores sociais estabelecidos. A partir do momento em que se acomodam, deixam de ser uma seita para se tornar uma nova igreja”. A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), hoje se alto denomina uma igreja, mas, dentro dessa visão sociológica, é ainda uma seita, pois contesta os valores vigentes. “A palavra seita, alias, vem de sectarismo, que significa romper, separar”, completa Negrão (1).
            Washington Franco, em sua dissertação de mestrado na Universidade Federal de Alagoas, quando classificou o fenômeno representado pela (IURD) de pseudo-pentecostalismo: algo que não é para o bispo anglicano dom Robinson Cavalcanti.
            “Podemos denominar a Igreja Universal e congêneres de seitas para–protestantes. Chamar o bispo Macedo de protestante é de fazer tremer o muro da Reforma, em Genebra, e os ossos de Lutero e Calvino em seus túmulos”, escreve dom Cavalcanti (2).
            A mídia propaga Edir Macedo como fundador da IURD, mas na verdade, foi o seu cunhado R. R. Soares quem a fundou em 1977. Macedo era assistente de Soares. Foi Soares quem o ordenou pastor (3).
            Houve desentendimento, Soares deixa a IURD com Macedo e vai funda a Igreja Internacional da Graça de Deus em 1980 (4).
 
MACEDO E A IURD
 
            “Edir Macedo é um gênio, muito mais como empresário do que como bispo. Para falar a verdade nua e crua ele parece se encaixar perfeitamente bem entre aqueles que “embora preservem as formas da religiosidade, renegam seus efeitos” (2 Tm 3.5, BP)(5)
            O Líder religioso que usa o nome santo de Deus, a Bíblia Sagrada, a igreja como supermercado, e o povo como negócio, a fim de ganhar dinheiro, poder político e religioso, faz tudo isso por avareza, diz São Pedro apóstolo (2 Pd 2,3). Para São Paulo apostolo, a avareza é idolatria (Cl 3,5).
Só um líder religioso idolatra é capaz de corromper o Santo Evangelho de Cristo. A idolatria leva o ser humano a ser falso com Deus, enganador do seu semelhante e ao caminho da perdição eterna.
             O ex-fiel, ex-deputado estadual em São Paulo , que foi eleito em 1998, com apoio da IURD e desfrutava de prestigio junto à cúpula da igreja, o empresário paulistano Waldemar Alves Faria Jr. Disse: “A Igreja Universal é um negócio. O Deus deles é o dinheiro. Lá, tudo é o dinheiro. A Universal está para a Record, assim como a Tele-sena e Baú estão para o SBT” (6).
O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia disse: “A Igreja Universal é um caça-níquel” (7).
             Para o cientista político Roberto Romano, professor de ética na Unicamp: “é próprio do Edir Macedo usar terminologia de administração e marketing; ele usa isso na igreja dele, assim como a teologia sincrética. Essa teologia da prosperidade. Não me surpreende que esteja transformando essa bem-sucedida empresa em partido, base política” (8).
            O pastor batista Marco Garcia Soares parabeniza a revista Ultimato pela ousadia da edição de julho /agosto de 2008, por denuncia o engodo e a estratégia de Satanás em contaminar o rebanho cristão, de forma sutil, com as deturpações doutrinarias traduzidos pela teologia da prosperidade, principalmente por intermédio de muitos líderes neopentecostais, entre eles o maior corruptor da sã doutrina apostólica na atualidade, o senhor Edir Macedo (9).
 
CONCLUSÃO
 
            Vivemos a era da demolição da doutrina Cristã. Cismas e heresias são protagonistas do cristianismo pós-moderno. A ideologia pós-religiosa é o prazer sem limites e a eliminação dos dogmas morais e cristãos, e sim ao pluralismo religioso.
             Capitaneada pela política neoliberal e pelo capitalismo, muitas igrejas e religiões tornaram-se supermercado das coisas sagradas.
O mundo recebeu uma doutrinação da reencarnação e de muitos deuses do hinduísmo, o antropocentrismo e a não existência de deuses do budismo, a feitiçaria e a magia do animismo, o fundamentalismo e sacrifícios do islamismo xiita, o capitalismo teológico do protestantismo, as crenças populares do catolicismo, da auto-ajuda ao satanismo da Nova Era.
Tudo isso faz do Brasil e o mundo ser tremendamente místico, espiritualista e idólatra.
           Tudo que é religioso faz sucesso em nossa nação. O mercado é lucrativo para todos, principalmente aos charlatões e estelionatários.
É aqui que entra o corruptor da sã doutrina, sabe ele que ser fiel à ortodoxia cristã não obtém a trilogia do poder terreno - religioso, econômico e político – e que a boçalidade religiosa do povo brasileiro é um banquete para seu projeto materialista de império religioso.
 
Rev. José do Vale, Th. D
Professor de História da Igreja
Faculdade de Teologia de Volta Redonda
Pesquisador de Seitas e Heresias
E-mail: rev.josedovale@itelefonica.com.br
 
NOTAS: 
(1) – Istoé, 16/04/1997, p.95.  
(2) – Ultimato, Setembro-Outubro, 2008 pp. 36 e 37.  
(3) – Veja, 01/10/2003, p. 15.  
(4) – Graça – Show da Fé, Nº 69, p. 49.  
(5) – Ultimato, Novembro-Dezembro, 2007, p. 60.  
(6) – Eclésia, Maio de 2004, p. 35.  
(7) – O Globo, 20/07/2008, p. 9.  
(8) – O Globo, 21/09/2008, p. 16. 
(9) – Ultimato, Setembro- Outubro, 2008, p. 8.
 
FUNDAMENTALISMO AMERICANO
 
“A direita se apóia majoritariamente na visão cristã, e a esquerda, na idéia trágica de que o mundo ideal é justo, o real é sumamente injusto e toda injustiça, portanto, deve ser erradicada, a ferro e fogo. A religião está na base da política americana” *.( David Mamet - Dramaturgo e cineasta americano)
 
            O fundamentalismo religioso americano é um mar de hipocrisia. Depois que a gravidez de Bristol, de 17 anos, com seu namorado, Levi Johnston, de 18 anos, a sua mãe, Sarah Palin, governadora do Alasca, tornou-se tema de debate nacional nos Estados Unidos, uma polêmica política educacional do governo Bush voltou à berlinda: os programas de incentivo à abstinência sexual nas escolas, que consome US$ 175 milhões por ano do orçamento.
Uma em cada três americanas fica grávida antes dos 20 anos, de acordo com pesquisa recente do censo americano. E a filha de Sarah Palin entrou numa estatística que costuma servir de base para os que defendem a volta dos programas de educação sexual nas escolas públicas.
Sarah Palin é uma ardorosa defensora do programa de promoção da abstinência sexual antes do casamento.
Quarenta estados americanos aderiram à política adotada pelo presidente Bush, mas 25 já reviram a posição. O sociólogo Frank Furstenberg, da Universidade da Pensilvânia, descobriu que em todos os estados com alto índice de gravidez entre adolescentes, houve uma ampla adesão ao programa de incentivo à abstinência nas escolas públicas, o que sugere que a adoção do sistema foi ineficaz como forma de prevenção.
“Os Estados Unidos são um país de tradição puritana e nos últimos oito anos tivemos o sistema público de ensino dando suporte a programas educacionais de incentivo à abstinência que nada mais fizeram do que elevar a desinformação dos adolescentes. Foi um tremendo fracasso porque incentivou apenas o silêncio em torno de temas sexuais. Virou tabu falar de sexo nas escolas com os estudantes”, avaliou Stephen Conley, diretor executivo da Associação Americana de Professores de Educação Sexual.
Conley, que é um estudioso dos efeitos dos programas de abstinência, diz que eles foram ineficazes para reduzir o número de adolescentes grávidas: “Os estados já perceberam que isso não é bom para a saúde pública e 25 estados já voltaram atrás. O próprio estado de Sarah Palin, o Alasca, voltou atrás”. (1).
Sarah Palin candidata a vice de John Mccain, em sua primeira entrevista após aceitar a indicação republicana disse: “talvez tenhamos de ir á guerra contra à Rússia...”. Ela é membro da associação que defende as armas, gosta de matar alces no Alasca e é evangélica da linha fundamentalista. Por mais repulsivo que seja matar animais silvestres, lá é permitido. (2).
“Com tantas falsas questões, fica difícil ver o essencial. É a velha mistura de Estado e religião, o que o Ocidente superou há 500 anos quando começou a construir instituições laicas” escreve a ilustre jornalista Miriam Leitão.
 
 
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* Veja, 25/06/2008, p.193
 
                                                                                                                                           IGREJAS E PRISÕES
 
            Com mais de 300 mil igrejas evangélicas nos Estados Unidos, o expert em relações internacionais, PhD em Harvard e mestre da London School of Economics, o americano Ethan Nadelman diz que o seu país tem menos de 5% da população do mundo e 25% da população prisional do planeta. É o país que é o primeiro em encarceramento per capita, mais que China, Rússia, Billorússia, e dez vezes a média da Europa. Onde o número de pessoas presas por causa de drogas cresceu de 50 mil em 1980 para meio milhão hoje. O país tem mais gente processada por drogas que em toda a Europa Ocidental para outros delitos. Dois milhões de pessoas são detidas por ano, boa parte por causa de um baseado. O país onde o governo testa crianças para drogas sem qualquer noção de dignidade. (3).
            O índice relativamente alto de criminalidade, em parte alimentado pela cada vez maior facilidade em se conseguir uma arma, ajuda a explicar o número de pessoas nas prisões americanas. (4)
            “Estima-se que, dentro de poucos anos, os Estados Unidos terão mais gente trabalhando em segurança do que em educação”, afirma Joseph E. Stiglitz, economista do Project Syndicate. (5)
            O pesquisador de opinião pública, o americano George Gallup Jr. diz que “em termos de fraudação, sonegação de impostos e pequenos furtos, realmente não se constata muita diferença entre os afiliados a igreja e os não afiliados, em grande parte porque existe muita religião social”. Acrescenta que “muitos simplesmente montam uma religião que lhes seja conveniente, que os excite agradavelmente e que não seja necessariamente desafiadora. Alguém chamou isso de religião à la carte. Esta é a fraqueza principal do cristianismo neste país [EUA] hoje em dia: não há firmeza de crença”.
 
DECADÊNCIA
 
“O surpreendente crescimento dos ensinos heréticos na igreja evangélica é um sintoma claro do abandono da Palavra de Deus”. *
Rev. T.A. McMahon
Pastor Americano
 
            Já no século XIX, um dos maiores evangelistas americano D.L. Moody (1837-1899), sentia a decadência moral e doutrinária no protestantismo americano em dizer: “Muitos pensam que precisamos de novos métodos, novas igrejas, novos instrumentos, novos corais e tantas outras coisas novas. Não é disso que a igreja necessita nestes dias. Temos faltas é do velho poder que os apóstolos tinham. Se tivermos isso em nossas igrejas, haverá nova vida”.
            É triste saber que aquele povo não estava vivendo uma nova vida em Cristo. Mais triste e terrível é que, foi justamente no século XIX que surgiram as mais diversas seitas e heresias fundamentalistas e fanáticas, junto com o espiritismo do pastor protestante John Fox, sua esposa e as duas filhas Margarida e Catarina.
            Hoje, nada mudou. Que o diga o desabafo do renomado pastor americano David Wilkerson em vociferar: “Estou cansado também de tantas conferências” sobre “como obter sucesso”, porque não produzem nada. “Como enfrentar dificuldades”, “Como levar sua igreja a crescer”, “Como alcançar os perdidos”, “como melhorar sua habilidade para lidar com pessoas”, “como impactar o mundo nesta era de informática”.
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*Chamada da meia Noite, Junho de 2007, p.16.
Quando olho para o cenário religioso de hoje, o que vejo são invenções e ministérios do homem, da carne. Na maior parte, não há poder, não há impacto sobre o mundo. Vejo o mundo entrando cada vez mais na igreja, impactando a igreja ao invés de ser impactada por ele. “Vejo a música tomando conta da casa de Deus, uma verdadeira obsessão com apresentação e entretenimento”. (7).
            O evangelismo fanático e fundamentalista americano causam má influência no mundo inteiro.
            Desde o “pelagiano” Charles Finney (1792-1875), conhecido evangelista e avivalista de Nova Iorque, passando pelas seitas apocalípticas, do unitarismo ao sabatismo e encontrando com a teologia da prosperidade do pastor texano Kenneth E. Hagin (1917-2003), sobra o quê da dogmática cristã evangélica? 
            A visão de igreja para muitos líderes americanos é de um triunfalismo ufanista, bizarro, sórdido e com fins obscuros.
            Quem segue tal modelo é inimigo da verdadeira Igreja de Deus (Mt 16,16-19; 1 Tm 3,15; 1 Pd 5,1-4), ignorante e opositor da História Eclesiástica (A Igreja é “Una, Santa, Católica e Apostólica”, Santo Agostinho. “Onde está Jesus Cristo, está a Igreja Católica”, Santo Inácio de Antioquia), prega outro Jesus, outro Espírito e outro evangelho (2 Cor 11,4),  é inimigo da cruz de Cristo, cujo o fim é a perdição (Fl 3,18.19).
            Contra esses pastores que tem seu deus o dinheiro, segue uma crítica justa do pastor Ricardo Gondim: “Os altos custos para financiar o expansionismo de algumas igrejas acabaram enfraquecendo a reputação dos pastores, e os constantes apelos por dinheiro em programas de rádios e televisão viraram alvo de piadas”. (8).
            São Paulo Apóstolo chama esses pastores de “cães” (Fl 3,2; Ap 22,15). São esses tais ditadores, cismáticos, apóstolos luxuriosos da teologia da prosperidade e vive criticando a Igreja Católica com intuito de denegrir a sua imagem e ganhar seus fiéis para seu império idolátrico.
            “Há muitas igrejas com lideranças dominadoras que até passam de pais para filhos e muitos descontentes saem para formar seus movimentos com a mesma tendência “coronelista”. Pregam contra a organização papal da Igreja Católica Romana, mas cada um que formar o seu movimento onde se tornam “papas” cada qual comanda o seu pedaço, e o pior, sem o concílio de Cardeais e Bispos que há na Igreja Romana”, escreve o pastor Apparecido A. Maglio, professor do Seminário Teológico Batista Independente em Campinas, SP. (9)
 
CONCLUSÃO 
  
            O mundo está propício em caminhar com os grandes líderes enganadores, principalmente no sistema religioso. O líder será bem sucedido em conectar as duas funções: política e religiosa.
            Tudo está pronto para o grande erro final e fatal.
            Cismas, heresias, apostasia são práticas cotidianas que os líderes religiosos não se importam mais em condená-las. Onde estão os ortodoxos com a sua ortodoxia?
            A mídia com a sua arte de ilusões fazem muito bem o seu papel. Ela está preparada para anunciar as novidades do programa da “Velha e Nova era” do anticristo, dos falsos profetas e falsos apóstolos.
            O jogo está pronto com a potência do fundamentalismo americano, suas seitas espalhadas no mundo inteiro, o seu capitalismo dissimulado em teologia da prosperidade, seu fanatismo religioso dividindo o cristianismo e a sua política de guerra.
É dentro desse contexto que procedem aos piores escândalos que tentam manchar o Santo Evangelho de Jesus Cristo.
            A humanidade está sofrendo a demolição inacreditável da família, da religião e da sociedade.
            A falta de respeito à vida, de ética nos altos escalões do poder, o descaso com o sistema ecológico e em outras maneiras antes inimagináveis, que agora se tornaram banalizados.
            Surgi uma voz profética denunciando tudo isso. Vamos trabalhar com todas as forças contra o fundamentalismo.
            Todo cuidado é pouco do perigo das seitas e do fanatismo religioso que ronda nossa sociedade.
            Longe e bem longe de qualquer fundamentalismo, seja ele: religioso, político e intelectual.
 
 
Pe. Inácio José do Vale
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da Igreja
Faculdade de Teologia de Volta Redonda
e-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com
 
 
 
REFERÊNCIAS:
 
(1)   O Globo, 07/09/2008, p.48.
(2)   O Globo, 14/09/2008, p.32.
(3)   O Globo, 14/09/2008, p.41.
(4)   Jornal do Brasil, 26/04/2008, p. A21.
(5)   O Globo, 10/08/2008, p.7.
(6)   Arauto da Sua Vinda, Maio-Junho, 2008, p.5.
(7)   Arauto da Sua Vinda, Março-Abril, 2008, p.1.
(8)   Ultimato, Maio-Junho, 2008, p.41.
(9)   Jornal Luz nas Trevas, Abril de 2008, p.10.
 
CORDEIRO, Wayne. Faça de Sua Igreja Uma Equipe, Rio de Janeiro: Danprewan, 2002, p.15.
BETTENCOURT, Estevão. Igreja Católica, Denominações Cristãs e Correntes Religiosas, Aparecida, SP: Editora Santuário, 1999, p.152.
 
AS SEITAS E SEUS MALES
 
“As seitas vêm-se multiplicando no mundo contemporâneo. Suscitam certa confusão pela maneira convicta como se apresentam, dando a entender que são as portadoras exclusivas de salvação para a humanidade”. (Dom Estêvão Bettencourt (1919-2008) >  Ínclito Teólogo Beneditino)
 
 
Dom Estêvão Bettencourt, foi a maior autoridade do mundo sobre religiões, seitas e heresias. Suas aulas, palestras, apostilas, revistas e livros são referências magistrais dentro e fora do campo acadêmico.
O seu legado fez escola e despertaram as consciências para o perigo dos novos movimentos religiosos heréticos.
Dom Estêvão informou e formou toda uma geração para o grande alerta dos ensinos errôneos das religiões, os males das seitas e a confusão terrível das heresias.
Seu último trabalho na revista Pergunte e Responderemos de maio de 2008, foi desfazer a mentira de um panfleto de autores anônimos protestantes que implica uma crítica discreta à Igreja Católica Romana.
Escreve Dom Estêvão: “A campanha proselitista do protestantismo não tem sido muito honesta”.
Na mesma revista Dom Estevão denuncia a obra anticristã do ateu inglês Philip Pullman, “A Bússola de Ouro” (1).
 
 
FANATISMO
 
Dom Estêvão Bettencourt afirmou: “Têm-se multiplicado grupos religiosos em nossos ambientes civis, proferindo sua mensagem, portadora exclusiva de salvação” (2).
Tal mensagem é acompanhada por tamanho fanatismo, intolerância, difamação contra tudo e todos e até a morte.
Os sectários são os “escolhidos”, privilegiados de uma “revelação especial”, os “donos da verdade”, só eles “entendem a Bíblia”, são os portadores únicos dos dons espirituais, daí, somente eles serão salvos. Quem não faz parte do seu grupo vai para os quinto do inferno.
O Jornal Extra do dia 03 de Junho de 2008 trouxe uma reportagem de um ato horrível de intolerância religiosa.
Assim diz a reportagem: “O Centro Espírita Cruz de Oxalá, no Catete, foi invadido e depredado por quatro jovens de uma igreja (seita) pentecostal. Eles ofenderam as pessoas e obrigaram a abrir a porta e invadiram o Centro. Em seguida, quebraram todas as imagens de santos, mesas e cadeiras. Eles falaram que as imagens estavam com o demônio” (3).
O pastor e professor do Instituto Metodista Bennett – Rio de Janeiro, Edson Fernando de Almeida disse: “O fel da intolerância, da projeção no outro do que há de mais diabólico no ser humano, manifesta-se com intensidade em nossos dias. O ataque de quatro jovens adoecidos por uma religiosidade mórbida a um centro umbandista no Catete é um triste exemplo. Dói no coração saber que esses meninos na flor de sua juventude estão dispostos a matar em nome de Deus”. (4).
É de nossa responsabilidade alertar a nossa sociedade contra certos grupos religiosos que alienam, manipulam e escravizam os seus adeptos para desordem mental, familiar e social.
Como nunca antes na história da humanidade, vivemos no mundo tomado por religiões, seitas e heresias capitalistas, sexistas, bizarras e catastróficas.
O nosso trabalho é despertar sempre a nossa sociedade desse perigo constante.
A seita empobrece os seus fiéis, matando-os a mente, o corpo e a alma.
Não se deve fazer experiência sectária, você pode ser uma vítima fatal de toda a sua armadilha e sedução. Muito cuidado com convites e os presentes que os sectários oferecem a você gratuitamente ou não. O melhor é não receber e não participar dos seus eventos.
 
SEITAS E DINHEIRO
 
Para alguns sociólogos americanos, o que determina a existência de tantas crenças, nos Estados Unidos não é a necessidade de uma experiência espiritual, mas a conjuntura econômica. Segundo eles, as leis de mercado também valem para os movimentos religiosos. Esse grupo de pesquisadores acredita que a concorrência determina as relações religiosas, e quem freqüenta uma igreja pode ser considerado uma espécie de consumidor, capaz de mudar de um culto para outro como quem sai de um supermercado e entra em outro. Rodney Stark , professor de Sociologia da Universidade de Wisconsin, é um dos expoentes desta visão mercadológica da fé. Desprezando qualquer preocupação com as verdades espirituais, ele considera bom que uma sociedade seja repleta de religiões diferentes, como se escolher uma fé fosse igual a optar por um tipo de refrigerante, dentre tantos em uma prateleira. Nem é preciso dizer que as idéias de Stark e seus seguidores incomodaram diversos pastores americanos. Mesmo no meio da comunidade acadêmica, há quem discorde dessa forma capitalista de enxergar as experiências de fé. Steve Bruce, que trabalha na Universidade de Aberdeen, na Escócia, afirmou, em um texto publicado recentemente, que seus colegas americanos têm exercido uma “influência maligna” sobre a sociologia da religião. (5).
 
 
MORTE NAS SEITAS
 
A cada ano cerca de duas mil pessoas saem de suas casas nos Estados Unidos e no Canadá e nunca mais voltam: elas submergem no labirinto sombrio dos cultos e seitas. O dramático caso de suicídio coletivo de 39 crentes do Heaven’s Gate, em San Diego é exemplar. Sua estrutura, como a da maioria de seus concorrentes, se dava através de um líder carismático. As semelhanças entre David Koresh – dos Davidianos, mortos durante um cerco policial na cidade texana de Waco, em 1992 – e John Withcapple, do Heaven’s Gate, são significativas: ambos se diziam ser o filho de Deus e seu oráculo.
Só recentemente os cultos americanos ficaram caracterizados pela violência. O mais antigo é o da “família” Charles Manson. O líder era um desocupado que havia passado a maior parte de sua vida na cadeia, mas que conseguiu com seus discursos juntar adoradores. Na noite de 9 de agosto de 1969, Manson mandou quatro de seus discípulos à casa do diretor cinematográfico Roman Polanski, no luxuoso bairro de Bel Air, em Los Angeles. Polanski filmava em Londres, mas sua esposa, a atriz Sharon Tate, 26 anos, estava grávida de oito meses e recebia alguns amigos num jantar íntimo. Ela foi esfaqueada 16 vezes e depois enforcada. Seus convidados também foram mortos.
Já em 1978, 900 pessoas morreram nas selvas da Guiana, após tomarem uma mistura de “K-suco” e cianureto. Eles pertenciam a uma seita chamada Templo do Povo, organizada em torno do pastor evangélico Jim Jones. Ele havia transferido sua seita de Indianápolis, passando por Redwood Valley, na Califórnia, até as matas sul-ameircana. Ato tão chocante quanto o cerco ao Ramo Davidiano, do líder David Koreh, em 1992. Ele era um cantor de rock medíocre, mas com domínio da Bíblia e carisma de ídolo pop. Seu grupo montou autêntico arsenal num sítio nos subúrbios da cidade de Waco, no Texas.
As autoridades americanas passaram a investigá-los e uma desastrada tropa de choque tentou invadir o Q.G. dos Davidianos. Foram repelidos à bala
Começava um cerco que terminaria somente no dia 15 de abril, com suicídio coletivo de 80 pessoas. A maneira escolhida por Koresh foi o tiro na nuca dos fiéis com os corpos sendo consumidos pelo fogo. Até hoje as autoridades americanas têm de enfrentar o culto dos Davidianos. Um exército de vingadores de Koresh armou-se contra o governo para protestar. Um destes “soldados” é o terrorista Tim McVeigh, que no dia 19 de Abril de 1995 explodiu um edifício público em Oklahoma City , matando 160 pessoas.
Provocar mortes não é privilégio das seitas americanas. Desde 1994, o Templo do Sol, que se originou na França, espalha mortes nos países de língua francesa. No total, 74 fiéis se suicidaram em rituais que provocaram o incêndio de casas na França, Canadá e Suíça. A seita japonesa Aum Shinrikyo não se limitou a matar seus próprios discípulos, em 1995, no Japão. Comandados pelo guru Shoko Asahara instalaram o pânico no metrô de Tóquio ao contaminar com gases tóxicos 16 estações. Resultado: dez mortos e 5.500 intoxicados. (6)
 
CONTRA AS SEITAS
 
Os deputados da França decidiram mobilizar-se contra as seitas que tentam sua disseminação no país. Novas leis visam instaurar forma mais rápida de restrição à liberdade religiosa. Um dos resultados dessa mobilização foi o fato dos prefeitos franceses ganharem autonomia para impedir a instalação de qualquer templo pertencente a organismo considerado suspeito pelo Estado. Além disso, foi criada a figura jurídica do crime de manipulação mental, que pode resultar em cinco anos de detenção e multa de US$ 70 mil. Dentre os 700 cultos e seitas listados como ameaças para a sociedade, estão: a Cientologia (da qual fazem parte os atores John Travolta e Tom Cruise), Nova Acrópole e as Testemunhas de Jeová. Algumas denominações evangélicas também foram incluídas nesta lista. (7). 
  
PAGANISMO NO REINO UNIDO
 
Paganismo e bruxaria são palavras que estão cada vez mais em voga no reino Unido, país que, durante séculos, tem sido majoritariamente cristão. O número de adeptos de seitas com origem nas culturas pagãs dos novos primitivos da Europa, como os celtas e gauleses, vem crescendo nos últimos anos. Hoje, mais de 40 mil pessoas declaram-se pagãs na Inglaterra, o que faz deste o oitavo grupo religioso do país. A Federação Pagã da Grã-Bretanha, representante de muitas seitas místicas, estima que já existam entre 50 mil e 200 mil adeptos do paganismo por lá. (8). 
  
SACRIFÍCIO DE GATOS PARA FICAR INVISÍVEL
 
Existe um grande número de seitas na Espanha, porém a mais perigosa é conhecida como La secta del livre. Entre as práticas do grupo estão os contínuos sacrifícios de gatos e queima de livros na liturgia, fato que pode causar incêndio nos predios vizinhos aos lugares de reunião. Seus adeptos fazem isso porque crêem que podem tornar-se invisíveis se matam gatos um a um na quinta-feira e cortam as cabeças dos felinos na sexta-feira, em hora marcada, devendo a cara do animal estar voltada para o oriente. Colocam sementes nos olhos, boca e nariz dos gatos e deixam até que gangrenem. Quando estão bem maduras, colocam-nas num prato e as introduzem uma a uma em suas bocas, mantendo um espelho na mão esquerda. Conforme vão comendo as favas, vão contemplando a imagem desaparecer. (9). 
 
APOLOGÉTICA 
 
Pelos números do IBGE, as religiões e seitas que esperam de alguma forma o apocalipse reúnem 30 milhões de adeptos no Brasil. Especialistas canadenses calculam que 20 mil novos movimentos religiosos atuam no mundo, 200 deles baseados em cartilhas extremistas que pregam suicídio e até assassinatos.
O sociólogo Lisias Nogueira Negrão, professor da USP, estabelece a diferença entre religião e seitas. “Igrejas são grupos estabelecidos, vinculados à sociedade”. Já “as seitas são movimentos emergentes que apresentam restrição ou desconforto em relação à regra teológica e apresentam contestações aos valores sociais estabelecidos”. (10).
Definição de seita por Dom Estêvão Bettencourt: “Uma seita (vem de sectário) é uma dissidência ou um grupo fechado que julga estar o mundo corrupto, e pretende ter a verdade como patrimônio seu e solução para todos os problemas da humanidade. Os membros das seitas são geralmente submetidos a um regime autoritário, imposto por um líder “iluminado”, que lhes dificulta o senso crítico”. (11).
As seitas são grandes desafios para os estudiosos, Igreja e a sociedade.
Por detrás das seitas existe todo um projeto ganancioso que faz das pessoas objetos e mercadorias. Cujo objetivo é a construção de um império econômico e religioso.
É de bom alvitre e de uma abissal caridade denunciar todo o projeto sectário para o bem de todos e ordem na sociedade.
O Documento de Aparecida procede muito bem no incentivo da restauração da Apologética Cristã sobre o perigo das seitas:
“Hoje se faz necessário reabilitar a autentica apologética que faziam os pais da Igreja como explicação da fé. Mais do que nunca os discípulos e missionários de Cristo de hoje necessitam de uma apologética renovada para que todos possam ter vida nEle”. (Nº 229).
“No fiel cumprimento de sua vocação batismal, o discípulo deve levar em consideração os desafios que o mundo de hoje apresenta à Igreja de Jesus, entre outros: o êxodo de fiéis para seitas e outros grupos religiosos”. (Nº 185).
“Para cumprir sua missão com responsabilidade pessoal, os leigos necessitam de sólida formação doutrinal, pastoral, espiritual e adequado acompanhamento para darem testemunho de Cristo e dos valores do Reino no âmbito da vida social, econômica, política e cultura”. (Nº 212).
 
CONCLUSÃO
 
Faraós, reis, imperadores e magos quiseram e fingiram ser Deus para dominar e matar os subordinados, todavia, o único Deus verdadeiro se fez homem para libertar e dar vida a todas as criaturas.
Junto com a soberba humana, o diabo coloca na mente dos lideres sectários que não basta ser homem e sim Deus ou vice-Deus para ficar por cima dos outros e poder convencer e até eles mesmos desse engano mortal.
A mentira religiosa dá um retorno lucrativo para os falsos líderes maior do que qualquer outra área secular.
A omissão do ensinamento da doutrina cristã, o relaxamento dos fiéis e a opressão do falso líder religioso, deixam os sectários na depressão para causar neles uma explosão de fanatismo.
O fanatismo religioso é a pior forma de violência. A sua ação maléfica destrói o corpo, a mente e a alma.  
 
Pe. Inácio José do Vale
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da Igreja
Faculdade de Teologia de Volta Redonda
e-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com
 
 
REFERÊNCIAS: 
(1)  Pergunte e Responderemos, Maio de 2008, pp. 197, 230 e 232.  
(2)  Pergunte e Responderemos, Dezembro de 2007, p. 545. 
(3)  Extra, 03/06/2008, p. 13. 
(4)  O Globo, 08/06/2008, p.36.  
(5)  Graça, Julho de 2001, p.41.  
(6)  Isto é, 16/04/1997, pp. 96 e 97.  
(7)  Graça, Agosto de 2000, p. 76.  
(8)  Graça, Edição nº 85, p.62.  
(9)  Revista Fiel, Setembro de 2002, p.7  
(10)         Isto é, 16/04/1997, pp. 92 e 95.  
(11)         Pergunte e Responderemos, nº 417, 1997, p.56.
 
BETTENCOURT, Estêvão. Igreja Católica, Denominações Cristãs e Correntes Religiosas, Aparecida, SP: Santuário, 1999.
AQUINO, Felipe Rinaldo Queiroz. Falsas Doutrinas, Seitas e Religiões, Lorena, SP: Cléofas, 2006.

Fonte: Recados do Aarão

 

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