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20/03/2007
08:15:44 Outros Autores - Frei Galvão O PRIMEIRO SANTO GENUINAMENTE BRASILEIRO FREI GALVÃO (Por Padre Inácio José do Vale) O Frei Galvão viveu em um dos períodos mais ricos da História do Brasil. O vice-rei, dom Luís de Almeida Portugal, marquês do Lavradio, em 1763, transferiu a capital de Salvador,na Bahia, para a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, medida que consolidava a capital como passagem obrigatória para o ouro e os diamantes vindos das Minas. A arte flui a todo vapor na pessoa do maior mestre da arte barroca mineira, Aleijadinho, Antônio Francisco Lisboa (c.1730-1814). Nasce em Vila Rica, atual Ouro Preto. Escultor, entalhador e arquiteto, traçou igrejas e criou esculturas em estilo barroco em Ouro Preto, Congonhas, Sabará, São João del-Rei, Tiradentes, etc. Entre suas principais obras se destacam a Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto (MG) e o conjunto de esculturas: Os Passos da Paixão e Os Doze Profetas em Congonhas do Campo (MG). Em Vila Rica é criado o herói da inconfidência Joaquim José da Silva Xavier (1764-1792), o Tiradentes, nascido em São João Del Rei – MG. De todos os inconfidentes condenados a morte, somente Tiradentes foi executado. Enforcado no Rio de Janeiro em 21 de abril de 1792, seu corpo é esquartejado e a cabeça, exposta na praça central de Vila Rica. O Padre pernambucano Joaquim do Amor Divino Rabelo, mais conhecido pelo apelido Frei Caneca, é fuzilado no Forte das Cinco Portas, por ser líder da Confederação do Equador, revolução republicana e separatista que aconteceu no Recife. Frei Caneca (1779-1825), seu fuzilamento se deu no dia 13 de janeiro. A família real chega em Salvador em 22 de janeiro, sábado e em 7 de março, desce no cais da atual Praça 15, no Rio de Janeiro em 1808. O país, e, especialmente a cidade fundada por Estácio de Sá, sofreriam tão grandes mudanças que começavam por apagar as marcas dos três séculos coloniais. Em 16 de dezembro de 1815, dom João VI, o primeiro rei europeu a pisar no Novo Mundo, eleva o Brasil a Reino Unido a Portugal e Algarves. A família real retorna definitivamente a Portugal em 1821, seu filho, dom Pedro I, príncipe herdeiro, fica no Brasil como príncipe regente. No dia 7 de setembro de 1822, proclama a independência do Brasil de Portugal. É coroado o primeiro imperador do Brasil em janeiro de 1823. Onde foi proclamado o grito da independência? Na terra do Frei Galvão, São Paulo. O PAPA BENTO XVI O Concílio Vaticano II, falando da santificação que faz dos fiéis, inclusive leigos, participantes “do ofício sacerdotal, profético e régio de Cristo”, indica explicitamente sua dinâmica mais íntima: “Sejam para a glória do Criador e Redentor” (LG 31). Santificados, portanto, feitos participantes do amor e da missão de Cristo, “constituídos na liberdade régia”,os discípulos farão tudo para o louvor de Deus. “a fim de que Deus seja tudo em todos” (LG 36). Dentro desse contexto, em Cracóvia o Santo Padre, Bento XVI advertiu: “Dos sacerdotes, os fiéis aguardam somente uma coisa: que sejam especialistas em promover o encontro do homem com Deus. Ao sacerdote não se pede que seja especializado em economia, em edilícia ou em política. Dele se espera que seja especialista na vida espiritual” (25 de maio de 2006). O Papa Bento XVI, em 26 de maio de 2005, no Mosteiro da Virgem Negra, considerada a Rainha da Polônia, dirigindo-se aos sacerdotes, disse que “o mundo e a Igreja precisam de sacerdotes santos, e, dirigindo-se de modo particular aos candidatos ao sacerdócio, fez um forte apelo, para que eles se deixassem “guiar por Maria e aprender de Jesus” e acrescentou: “fixai-O, deixai que Ele vos forme, para que um dia sejais capazes, no vosso ministério, de ver quantos se aproximarão de Cristo por meio de vós”. Bento XVI, não se cansa de repetir: “É de santos, e não de executivos, que a Igreja precisa para responder às carências do homem”. Diz mais: “os santos foram personagens profundamente obedientes e, ao mesmo tempo, homens de grande originalidade e independência pessoal”. O Frei Galvão, se encaixa muito bem no pensamento do Pastor Universal. Será um momento imensurável no pontificado de Bento XVI, a canonização do primeiro Santo brasileiro, na maior nação católica do mundo, na maior cidade da América Latina, na nação que tem o maior Santuário Mariano do planeta e que também tem a maior procissão do Universo: o círio de Nazaré, em Belém do Pará. FREI GALVÃO, O SANTO DO BRASIL “Depois de mais de 500 anos História, O Brasil tem a graça de ter um de seus filhos na glória dos altares. O primeiro sacerdote a celebrar a Santa Missa nestas terras brasileiras foi um franciscano, Frei Henrique de Coimbra. O primeiro santo nascido no Brasil é também um filho de São Francisco de Assis, nascido em Guaratinguetá, SP. Neste Brasil querido onde o Santo de Assis é tão amado, onde se reza muito: “Senhor, fazei-me um instrumento de vossa Paz”, onde o franciscano Santo Antonio é o santo mais popular, agora temos o nosso santo: Antônio de Sant’Ana Galvão, “o santo da Paz e da Caridade”, modelo para todos”, escreve o Frei Paulo Back, OFM. No Brasil e no mundo, os filhos de São Francisco de Assis, são amados, respeitados e venerados por incontáveis multidões de fiéis. Até os não crentes, tem amor e admiração pela obra dos santos franciscanos. No Nordeste quem não conhece o Frei Damião, e no Brasil inteiro quem não conhece São Maxiliano Maria Kolbe e Padre Pio, ou seja, São Pio de Pietrelcina. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Para sempre seja louvado! O HOMEM DA PAZ E DA CARIDADE Cidade do Vaticano, segunda feira 18 de dezembro de 2006. A Congregação para as causas dos Santos foi autorizada esse sábado por Bento XVI a promulgar decreto em que aprova milagre atribuído à intercessão do beato Frei Galvão, o que abre as portas a que ele seja proclamado o primeiro santo nascido no Brasil. Com isso, alimenta-se a esperança dos inúmeros devotos de Frei Galvão de que ele seja canonizado durante a visita do Papa ao Brasil em 11 maio de 2007. Frei Galvão nasceu em 1739 de uma família profundamente piedosa e conhecida pela sua grande caridade para com os pobres. Batizado com o nome de Antônio de Sant’Ana Galvão, depois de ter estudado com os Padres da Companhia de Jesus, na Bahia, entrou na Ordem dos Frades Menores em 1760; diz biografia difundida pela Santa Sé. Foi ordenado Sacerdote em 1762 e passou a completar os estudos teológicos no Convento de São Francisco, em São Paulo, onde viveu durante 60 anos, até á sua morte ocorrida a 23 de dezembro de 1822. A vida de Frei Galvão foi marcada pela fidelidade à sua consagração como sacerdote e religioso franciscano, e por uma devoção particular e uma dedicação total à Imaculada Conceição, como “filho e escravo perpétuo”. Além dos cargos que ocupou dentro da sua Ordem e na Ordem Terceira Franciscana, ele é conhecido sobre tudo como fundador e guia do Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecido como “Mosteiro da Luz”, do qual tiveram origem outros nove mosteiros. Além de Fundador, Frei Galvão foi também, o projetista e construtor do Mosteiro que as Nações Unidas declararam Patrimônio cultural da humanidade. Enquanto ele ainda vivia, em 1798 o Senado de São Paulo definiu-o “homem da paz e caridade”, porque era conhecido e procurado por todos como conselheiro e confessor, além de o franciscano que aliviava os doentes e os pobres, no silêncio da noite. Frei Galvão convida-nos a crescer em santidade e na devoção a Nossa Senhora da Conceição e deixa a todos nós brasileiros a grata mensagem de sermos pessoas da paz e da caridade, sobretudo para com os pobres e os marginalizados. O religioso foi beatificado pelo Papa João Paulo II no dia 25 de Outubro de 1998. Em sua homilia na concelebração eucarística, o Papa disse que Frei Galvão “quis corresponder à própria consagração religiosa, dedicando-se com amor e devotamento aos aflitos, aos doentes e aos escravos da sua época no Brasil”. Sua fé genuinamente franciscana, evangelicamente vivida e apostolicamente gasta no serviço ao próximo, servirá de estímulo para o imitar como “homem da paz e da caridade”. Segundo João Paulo II, “a missão de fundar os Recolhimentos dedicados a Nossa Senhora e à Providência continua produzindo frutos surpreendentes: ardoroso adorador da Eucaristia, mestre e defensor da caridade evangélica, prudente conselheiro da vida espiritual de tantas almas e defensor dos pobres”. RESUMO E CONCLUSÃO Frei Antônio de Sant’Ana Galvão nasceu em Guaratinguetá, estado de São Paulo, no ano de 1739. Ordenou-se sacerdote franciscano e consagrou-se a Nossa Senhora da Imaculada Conceição, assinando esse ato com seu próprio sangue. Graças às suas virtudes, a seus dons sobrenaturais e a sua caridade para com os doentes e carentes, ainda em vida era considerado santo. De sua inspiração as famosas “Pílulas de Frei Galvão”, com jaculatória escrita invocando Nossa Senhora, muito procuradas em momentos de angústia e doença. Frei Galvão fundou e construiu para religiosas, em São Paulo, o Mosteiro da Luz. Destacou-se como arquiteto nessa notável construção, hoje declarada pela UNESCO como “Patrimônio Cultural da Humanidade”. Frei Galvão faleceu em 1822, com fama de santidade, e está sepultado na capela do Mosteiro da Luz. Em 1998 foi beatificado pelo Papa João Paulo II, dele recebendo os títulos de “Homem da Paz e da caridade” e de “Patrono da Construção Civil no Brasil”. Sua festa é realizada a 25 de Outubro, data de sua beatificação. A Vida dos santos é como Hóstia pura e imaculada, que nos convida a imitá-los. Só pelos olhos da santíssima fé, entendemos Visão Beatífica dos Santos. Os santos são como livros que contêm figuras. Nas letras, lemos as suas virtudes e nas figuras, os sinais miraculosos, operados por Cristo. Os santos são como o sol, ilumina as nossas trevas e nos aquece das nossas mornidões. São como fogo, cujas chamas são incendiária, para aqueles que desejam queimar suas mazelas. São Como água, não só tem para nossa sede, como nos leva a fonte da ÁGUA DA VIDA. Disse São Paulo Apóstolo: “Sede meus imitadores, como eu mesmo o sou de Cristo” (I Coríntios 11,1). “A vida dos santos contêm uma mensagem de beleza e de esperança. Os santos acreditaram em Cristo, cujo reino, que “não era deste mundo”,tornava-se uma realidade neste mundo”, escreveu René Fiilöp – Miller, autor da obra clássica: “Os Santos que abalaram o mundo”. Realmente, os santos são verdadeiros morigerados. Que o diga o ínclito Frei Galvão, nosso primeiro santo, genuinamente brasileiro. Pe. Inácio José do Vale Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo Professor de História da Igreja Faculdade de Teologia de Volta Redonda e-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com B I B L I O G R A F I A www.zenit.org Pergunte e Responderemos, janeiro de 2007. p.16. Jornal do Brasil, 03/03/2007. Coleção Almanaque Abril Nº 8. Nossa História, novembro de 2003. MCCAFFERY, John. Padre Pio: Histórias e Memórias, São Paulo: Loyola, 2006. RATZINGER, Joseph e Messori, Vittorio. A Fé em Crise? O cardeal Ratzinger se interroga, São Paulo: EPU, 1985. FIILÖP – Miller, René. Os Santos que abalaram o mundo, Rio de Janeiro: José Olympo Editora, 1950. Fonte: Recados do Aarão |
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