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- Papa falou
O
papa reconsiderou o indulto (permissão) para a comunhão na mão:
revogado nas Missas papais
Texto
extraído de: http://www.cantualeantonianum.com/2010/12/il-papa-riconsidera-lindulto-della.html#ixzz19MUx22By
Notícia
de enorme importância: nas Missas celebradas pelo Papa (desde a Missa
na véspera do Natal de 2010), não só ele mas todos os sacerdotes
que ajudam a distribuir a Comunhão aos fiéis não irão mais colocar
a Hostia Santa nas palmas das mãos, mas somente na boca, a quem for
comungar, leigo ou clérigo que seja.
Não hádúvida, para quem ja esteve pelo menos uma vez nas missas
celebradas pelo Papa em São Pedro que o momento da comunhão é,
muitas vezes, de grande confusão, e há pessoas que estendem a mão
para o sacerdote, dando às vezes a impressão de querer pegar uma
partícula. Agora, cada um, de forma mais ordenada e com menos
perigo de as partículas cairem ao chão, deverá calmamente
comparecer perante o ministro e receber dele na boca a Sagrada Comunhão.
Esta forma de receber o Corpo de Cristo, não só aumenta a devoção
e a consciência da presença real do Salvador, mas também previne não
raros furtos das sagradas espécies que podem acontecer nas Missas
mais lotadas.
Para aqueles que dirão que "se torna atrás no tempo" etc
etc é SEMPRE bom lembrar:
a) a ÚNICA forma prevista pelo Missal de Paulo VI é a de receber a
comunhão na boca.
b) a possibilidade alternativa de a receber nas mãos é regulada por
um INDULTO que pode ser concedido (e retirado) em alguns lugares e por
determinados bispos (não todos).
FALA
O CARDEAL
Cardeal
Antonio Cañizares Llovera, com a Capa Magna abolida por Paulo VI.
A liturgia católica vive “uma cerca crise” e Bento XVI quer dar
vida a um novo movimento litúrgico, que volte a trazer mais
sacralidade e silêncio à Missa, e mais atenção à beleza no canto,
na música e na arte sacra.
O Cardeal Antonio Cañizares Llovera, 65 anos, Prefeito da Congregação
para o Culto Divino, que enquanto bispo na Espanha era chamado de “o
pequeno Ratzinger”, é o homem ao qual o Papa confiou esta tarefa.
Nesta entevista a Il Giornale, o “ministro” da liturgia de Bento
XVI revela e explica programas e projetos.
Como cardeal, Joseph Ratzinger havia lamentado uma certa pressa na
reforma litúrgica pós-conciliar. Qual é a sua opinião?
A reforma litúrgica foi realizada com muita presa. Havia ótimas
intenções e o desejo de aplicar o Vaticano II. Mas houve precipitação.
Não se deu tempo e espaço suficiente para acolher e interiorizar os
ensinamentos do Concílio; de repente, mudou-se o modo de celebrar.
Recordo bem a mentalidade então difundida: era necessário mudar,
criar algo novo. Aquilo que havíamos recebido, a tradição, era
visto como um obstáculo. A reforma foi entendida como obra humana,
muitos pensavam que a Igeja era obra de nossas mãos e não de Deus. A
renovação litúrgica foi vista como uma investigação de laboratório,
fruto da imaginação e da criatividade, a palavra mágica de então.
Como cardeal, Ratzinger havia prognosticado uma “reforma da
reforma” litúrgica, palavras atualmente impronunciáveis, mesmo no
Vaticano. Todavia, parece evidente que Bento XVI a deseje. É possível
falar dela?
Não sei se é possível, ou se é conveniente, falar de “reforma da
reforma”. O que vejo absolutamente necessário e urgente, segundo o
que deseja o Papa, é dar vida a um novo, claro e vigoroso movimento
litúrgico em toda a Igreja. Porque, como explica Bento XVI no
primeiro volume de sua Opera Omnia, em relação à liturgia se decide
o destino da fé e da Igreja. Cristo está presente na Igreja através
dos sacramentos. Deus é o sujeito da história, e não nós. A
liturgia não é uma ação do homem, mas de Deus.
O Papa, mais que decisões impostas de cima, fala com o exemplo. como
ler as mudanças introduzidas por ele nas celebrações papais?
Acima de tudo, não deve haver nenhuma dúvida sobre a bondade da
renovação litúrgica conciliar, que trouxe grandes benefícios para
a vida da Igreja, como a participação mais consciente e ativa dos fiéis
e a presença enriquecida da Sagrada Escritura. Mas além destes e
outros benefícios, não faltaram sombras, surgidas nos anos seguintes
ao Vaticano II: a liturgia, isso é fato, foi “ferida” por deformações
arbitrárias, provocadas também pela secularização que desgraçadamente
atinge também dentro da Igreja. Consequentemente, em muitas celebrações
já não se coloca Deus no centro, mas o homem e seu protagonismo, sua
ação criativa, o papel principal é dado à assembléia. A renovação
conciliar foi entendida como uma ruptura e não como um
desenvolvimento orgânico da tradição. Devemos reaviver o espírito
da liturgia e para isso são significativos os gestos introduzidos nas
liturgias do Papa: a orientação da ação litúrgica, a cruz no
centro do altar, a comunhão de joellhos, o canto gregoriano, o espaço
para o silêncio, a beleza na arte sacra. É também necessário e
urgente promover a adoração eucarística: diante da presenção real
do Senhor, não se pode senão estar em adoração.
Quando se fala de uma recuperação da dimensão do sagrado, há
sempre quem apresente tudo isso como um simples retorno ao passado,
fruto de nostalgia. Como o senhor responde?
A perda do sentido do sagrado, do Mistério, de Deus, é uma das
perdas de consequências mais graves para um verdadeiro humanismo.
Quem pensa que reavivar, recuperar e reforçar o espírito da liturgia
e a verdade da celebração é um simples retorno a um passado
superado, ignora a verdade das coisas. Colocar a liturgia no centro da
vida da Igeja não é em nada nostálgico, mas, pelo contrário, é
garantia de estar a caminho em direção ao futuro.
Como julga o estado da liturgia católica no mundo?
Diante do risco da rotina, diante de algumas confusões, da pobreza e
da banalidade do canto e da música sacra, pode-se dizer que há uma
certa crise. Por isso é urgente um novo movimento litúrgico. Bento
XVI, indicando o exemplo de São Francisco de Assis, muito devoto do
Santíssimo Sacramento, explicou que o verdadeiro reformador é alguém
que obedece a fé: não se move de maneira arbitrária e não se
arroga nenhuma discricionariedade sobre o rito. Não é o dono, mas o
custódio do tesouro instituido pelo Senhor e confiado a nós. O Papa,
portanto, pede à nossa Congregação promover uma renovação segundo
o Vaticano II, em sintonia com a tradição litúrgica da Igreja, sem
esquecer a norma conciliar que prescreve não introduzir inovações
exceto quando as requererem uma verdadeira e comprovada utilidade para
a Igreja, com a advertência de que as novas formas, em todo caso,
devem surgir organicamente das já existentes.
O que pretende fazer como Congregação?
Devemos considerar a renovação litúrgica segundo a hermêutica da
continudade na reforma indicada por Bento XVI para ler o Concílio. E
para fazê-lo, é necessário superar a tendência de “congelar” o
estado atual da reforma pós-conciliar, de um modo que não faz justiça
ao desenvolvimento orgânico da liturgia da Igreja.
Estamos tentanto levar adiante um grande empenho na formação dos
sacerdotes, seminaristas, consagrados e fiéis leigos, para favorecer
a compreensão do verdadeiro significado das celebrações da Igreja.
Isso requer uma adequada e ampla instrução, vigilância e fidelidade
nos ritos, e uma autêntica educação para vivê-los plenamente. Este
empenho será acompanhado pela revisão e pela atualização dos
textos introdutórios de diversas celebrações (prenotanda). Somos
conscientes também de que dar impulso a este novo movimento não será
possível sem uma renovação pastoral da iniciação cristã.
Uma perspectiva que deveria ser aplicada também à arte e à música…
O novo movimento litúrgico deverá fazer descobrir a beleza da
liturgia. Por isso, abriremos uma nova seção em nossa Congregação
dedicada à “Arte e música sacra” a serviço da liturgia. Isso
nos levará a oferecer, o quanto antes, critérios e orientações
para a arte, canto e música sacras. Como também pensamos em oferecer
o mais rápido possível critérios e orientações para a pregação.
Nas Igrejas desaparecem os genuflexórios, a Missa às vezes é ainda
um espaço aberto à criatividade, são cortadas inclusive as partes
mais sagradas do cânon. Como inverter esta tendência?
A vigilância da Igreja é fundamental e não deve ser considerada
como algo inquisitório ou repressivo, mas como um serviço. Em todo
caso, devemos tornar todos conscientes da exigência, não só dos
direitos do fiéis, mas também dos “direitos de Deus”.
Existe também o risco oposto, isto é, o de se crer que a sacralidade
da liturgia depende da riqueza dos paramentos: uma posição fruto de
esteticismo que parece ignorar o coração da liturgia…
A beleza é fundamental, mas é algo muito distintito de um
esteticismo vazio, formalista e estéril, no qual se cai às vezes.
Existe o risco de se acreditar que a beleza e a sacralidade da
liturgia dependem da riqueza ou da antiguidade dos paramentos. É
necessário uma boa formação e uma boa catequese baseada no
Catecismo da Igreja Católica, evitando também o risco oposto, o da
banalização, e atuando com decisão e energia quando se recorre a
costumes que tiveram seu sentido no passado, mas que atualmente não têm
ou não contribuem de nenhum modo para a verdade da celebração.
Poderia nos dar alguma indicação concreta sobre o que poderia mudar
na liturgia?
Mais que pensar em mudanças, devemos nos comprometer em reaviver e
promover um novo movimento litúrgico, seguindo o ensinamento de Bento
XVI, a reaviver o sentido do sagrado e do Mistério, pondo Deus no
centro de tudo. Devemos impulsionar a adoração eucarística, renovar
e melhorar o canto litúrgico, cultivar o silêncio, dar mais espaço
à meditação. Disso surgirá as mudanças…
Escrito por G. M. Ferretti
dezembro 27, 2010 às 2:04 pm
Publicado em Atualidades, Igreja, O Papa, Vaticano II
Etiquetado com Cardeal Antonio Cañizares Llovera, Congregação para
o Culto Divino e Disciplina dos Sacr, Novus Ordo Missae, O Papa,
Vaticano II
« Em Roma, não à Comunhão na Mão.
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