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- Desabafo
DESABAFO
Não queremos essa formalidade em falar de Deus, essas pregações que
parecem cópias umas das outras, não se pode pensar diferente?
Cansa-nos esses argumentos contra o imperialismo americano, cansa-nos
esses cânticos que só lembram questões sociais, povo oprimido, é só
isso que sabem fazer? Estou cansado...
Muitas homilias parecem o rescaldo do que se aprendeu de Che Guevara,
das leituras de teólogo excomungado X, ex- frei Y, todo evangelho
convertido a um socialismo comunista. Passamos a vida crendo num rosto
deformado de Cristo que não converte ninguém.
O que realmente nós, povo de Deus esperamos, não nos dão, queremos
novos São Franciscos de Assis. Se as unhas dele estavam sujas e o hábito
surrado, que importava? O povo queria sua simplicidade, sua
autenticidade na vivência do evangelho, é o que
arrastou milhares em todo mundo e ainda nos dias atuais. Não há mais
tempo para tanta vaidade, tanto cuidado com isto ou aquilo.
Enviam-nos atrás dos irmãos afastados para trazê-los de volta, mas
estamos sem forças para isto. Dão-nos como alimento de caminhada orações
que falam de ecologia, política, dízimo etc, isto não nos motiva e
nem dá gosto das coisas do céu. Por que não nos apresentam a vida
de São Francisco Xavier, tal como foi, para nos servir de exemplo?
Esse gigante, que sozinho batizou milhares de asiáticos e até tribos
selvagens. Ele estava sempre travado em profunda oração, uma vez
ressuscitou um morto que cheirava mal.
Não queremos um modelo infértil de ser santos. Enviam-nos para o
campo de guerra despreparados para sermos esmagados pelo inimigo
infernal. Não fazem bons soldados, que saibam lutar contra vícios e
paixões, que evitem a ocasião de pecado. O novo modelo de santo
pouco se assemelha ao antigo; dizem que agora são outros tempos, será
também um novo evangelho? Deixam a entender que não é preciso a
mortificação, que não é preciso ajoelhar na missa, que demônios,
inferno, purgatório são crenças do passado. Quando falam do pecado,
apresentam-no tão aguado que nem dá temor e dor de ter ofendido a
Deus. Será medo de ofender a alguém e se passarem por severos? Então,
o que vemos são pregações que não comovem e nem sacodem do pecado.
Pe. Pio com seu jeitão carrancudo atraia mais gente que estes
sorrisos largos e forçados, preocupado em agradar a todos e não
desaprovar seus maus caminhos. Pe. Pio às vezes dava uns tapas, uns
gritos, mas depois acariciava com beijos seus filhos espirituais e
dali arrancava verdadeiras conversões.
Queremos padres e religiosos dedicados à oração e adoração, que
intercedam pelos pecados do mundo, portanto, que com o exemplo nos façam
a acreditar na força da oração. Também, não terão verdadeiros
santos, se não ensinarem a detestar o pecado, a passar pela “porta
estreita”. Pois é dolorido falar de penitência, quando mexer nas
feridas, arrisca a perder popularidade. Mas Jesus não se importou em
ficar com um número menor de discípulos, porém, fiel : “Desde então
muitos de seus discípulos tornaram atrás; e já não andavam com
ele.” ( Jo 6,67 )
autor: José Almir
Fonte:
Recados do Aarão
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