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26/7/2009
20:23:44
Diversos -
Monstros marinhos
MONSTROS MARINHOS
A reportagem abaixo trata do desequilíbrio dos oceanos, claro,
causado pelo ser humano, esta rebelde criatura. Ao afetar a cadeia da
vida eliminando uma espécie, ou ao devolver ao mar milhões de
filhotes de tartaruga sem levar em conta que elas irão devorar a
comida de outras espécies, o homem só faz colocar remendos sobre
remendos. E cada dia estraga mais. Até que os monstros do mar venham
a superfície para devorar pessoas. Ficará pior.
Sinal dos Tempos: Invasão dos monstros marinhos
25.07.2009 - Reportagem da Revista ISTO, ediçao de julho 2009.
Desequilíbrio ecológico faz com que algumas espécies, letais ao
homem, deixem o fundo dos oceanos e ocupem a costa de diversos países.
Exemplares de lulas gigantes estão aterrorizando mergulhadores e
banhistas em San Diego, nos EUA
Acena atípica aconteceu num final de tarde em Oceanside, praia de San
Diego, na Califórnia. Banhistas saíram amedrontados do mar.
Mergulhadores profissionais nadaram fortemente para alcançar a areia
- e estampavam no rosto assombro e preocupação. Surfistas recuaram
de um momento para outro. "Estava sobre a prancha quando percebi
a movimentação das pessoas. Mergulhei e vi uma criatura marinha de
quase dois metros de comprimento", diz o americano John Guilmette.
Ele se deparou, naquela abafada tarde, com uma lula gigante que pesa
cerca de 45 quilos, pertence à espécie Humboldt e ataca o que
encontra pela frente.
Segundo biólogos dos EUA, mais de duas mil Humboldt foram vistas na
costa da Califórnia na semana passada, e a surpresa está no fato de
que elas viviam, até então, nas profundezas do oceano Pacífico.
Também nas Ilhas Balneares e em diversos pontos do litoral da
Catalunha a cena se repetiu: a medusa caravela-portuguesa, cujo veneno
é um dos mais letais que se conhece, apavorou os banhistas. Na costa
norte da Austrália, os "monstros" também se fizeram
presentes sob a forma da água-viva "vespa do mar". Mas há
mais: no Japão uma quantidade incalculável de águas-vivas gigantes
se espalhou pela água. Cabe a questão: por que esse fenômeno? Biólogos
marinhos são unânimes: ele é fruto do desequilíbrio ambiental.
"Estamos sendo invadidos por um número gigantesco de águas-vivas.
São mais de 300 milhões delas e esse movimento migratório prova que
o oceano está doente. Elas estão à procura de alimento", diz o
biólogo e oceanógrafo japonês Shinichi Eu, da Universidade de
Hiroshima. A água-viva gigante que está atacando os pescadores no
Estreito de Tsushima chega a medir dois metros de diâmetro e pesa
cerca de 200 quilos. A indústria pesqueira japonesa estima que o
ataque causará um prejuízo de US$ 320 milhões.
Na mesma situação, e com alto risco de morte, estão os australianos
que habitam áreas costeiras. Lá há o avanço da água-viva vespa do
mar. Ela é linda. E agressiva. A ação de seu veneno é tão rápida
e potente que a vítima não tem tempo de nadar para a praia, morre no
mar. Quem mergulha na Grande Barreira de Corais australiana, um dos
cartões-postais do país, sabe da existência de um pequenino
"monstro" de 12 centímetros de comprimento chamado polvo de
anéis azuis. Inversamente proporcional ao seu tamanho é a potência
de seu veneno: aniquila 20 homens.
O fato é que a morte de muitos corais, devido à acidez do mar,
quebrou a cadeia alimentar - desapareceram caranguejos e camarões e,
com isso, o polvo de anéis azuis aproxima-se cada vez mais da costa
para suprir suas necessidades. O governo da Austrália acaba de mon
tar um plano de emergência tentando proteger os banhistas.
MIGRAÇÃO A falta de nutrientes causada pela acidez dos oceanos
obriga os animais a mudar de hábitat
Na paradisíaca Península Ibérica o ataque em massa da
caravela-portuguesa atraiu pesquisadores de toda a comunidade científica
europeia. "O aquecimento global é a esfera maior. Em uma de suas
camadas está o desequilíbrio ambiental", diz o analista geográfico
da Universidade de Alicante Jorge Olcina. "Fizemos diversos
estudos e comprovamos que há uma série de desequilíbrios no
ecossistema do mar. Isso se traduz na proliferação de medusas que
estão invadindo praias da Catalunha." Foi o mesmo fenômeno que
se deu na Califórnia. Milhares de lulas com mais de um metro de
comprimento, dotadas de cortantes tentáculos, invadiram as águas de
San Diego. "Todos ficaram assustados por nadar lado a lado com um
monstro das profundezas.
Nossas máscaras foram envolvidas por tentáculos", diz o biólogo
marinho americano John Hyde. Ele acrescenta que essa espécie de lula
é conhecida como "diabo vermelho" e que seu comportamento
se alterou: "Sempre viveram em águas profundas da América
Central, mas agora passaram a invadir o sul da Califórnia. Temos de
prestar atenção a esses sinais da natureza." Em outras
palavras, o sinal dado por esse movimento migratório é o da falta de
alimentos e do declínio no número de predadores naturais. (fim)
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Lembrando...
Alerta: 41% dos oceanos do mundo foram afetados pelo impacto de ação
humana
15.02.2008 - Um mapa feito por cientistas norte-americanos e divulgado
nesta sexta-feira na revista científica "Science" mostra
que 41% dos oceanos do mundo foram afetados, em menor ou maior grau,
pela ação humana.
Para mapear o impacto da atividade humana nos ecossistemas marítimos,
os cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos
Estados Unidos, fizeram uma sobreposição de 17 mapas que
demonstravam o impacto de fatores diversos, como a pesca, a poluição
e a mudança climática.
Os mapas foram feitos com base em um estudo que analisou o impacto dos
seres humanos em ecossistemas como os recifes de corais, as colônias
de algas marinhas, plataformas continentais e os oceanos profundos.
O mapa mostra que as áreas mais afetadas pelo impacto humano são o
Mar do Norte, Mar da China Oriental e Meridional, Mar do Caribe, a
costa leste da América do Norte, os mares Mediterrâneo e Vermelho,o
Golfo Pérsico, o Mar de Bering e várias regiões do Pacífico Oeste.
O estudo indica ainda que as áreas menos afetadas são aquelas próximas
aos pólos.
"Este projeto nos permite começar a ver o cenário do impacto
dos humanos nos oceanos", diz Ben Halpern, que liderou o estudo.
"Os resultados mostram que, somados, os impactos individuais
revelam uma situação muito pior do que imagino que as pessoas
esperavam. Certamente foi uma surpresa para mim", afirma.
Brasil
Segundo os cientistas, a influência dos humanos varia de forma
significativa de acordo com cada ecossistema. Nas áreas mais
afetadas, por exemplo, há grande concentração de recifes de coral,
algas marinhas, mangues e montanhas marinhas.
Já os ecossistemas menos afetados são áreas de oceanos abertos e
onde o fundo do mar é mais liso.
O mapa revela que em grande porção da costa brasileira, o impacto
dos humanos é "médio alto", o que indicaria uma influência
de 4,95 até 8,47%.
No entanto, enquanto algumas áreas na costa sul do Brasil o impacto
aparece mais ameno, uma grande faixa da costa sudeste do país revela
um impacto alto, maior que 15,52%.
Processo
A pesquisa envolveu quatro etapas. Na primeira, os cientistas
desenvolveram técnicas para quantificar e comparar o impacto das
atividades humanas em diferentes ecossistemas.
Na segunda etapa, a distribuição dos ecossistemas e das influências
humanas foi analisada. Os cientistas então combinaram as duas informações
- a distribuição e o impacto - para determinar "os índices do
impacto humano" para cada região do mundo.
Finalmente, os cientistas usaram estimativas sobre as condições dos
ecossistemas marítimos já disponíveis para fundamentar ainda mais
os índices levantados pela pesquisa.
Os cientistas afirmam que, apesar dos esforços, o mapa ainda é
incompleto, já que os dados sobre algumas atividades humanas ainda é
escasso.
Futuro
Apesar do cenário revelado pela pesquisa, os cientistas sugerem que
ainda há tempo para tentar preservar os oceanos.
"Há certamente espaço para a esperança", diz Carrie
Kappel, que participou do estudo. "Com esforços para proteger as
porções dos oceanos que ainda continuam puras, temos uma boa chance
de preservar estas áreas em boas condições", afirma.
De acordo com o estudo, o mapa poderá servir como referência para o
desenvolvimento de políticas de conservação e manutenção, além
de oferecer informações sobre o impacto de certas atividades.
"O homem sempre usará os oceanos para recreação, extração de
recursos e outras atividades comerciais, como o transporte marítimo.
O que precisamos é fazer isso de forma sustentável para que os
oceanos continuem saudáveis e continuem a nos oferecer os recursos
que precisamos", conclui Halpern.
Fonte: Recados do Aarão
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