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27/11/2007
15:21:52 Notícias Urgentes - Monges e o clima Monges registram clima por 200 anos e atraem atenção de cientistas 26.11.2007 - Tarefa foi passada de monge para monge através dos anos. Monastério abriga a primeira estação climática da Suíça, de 1810. Há mais de 200 anos, os monges de um longínquo mosteiro no interior da Suíça fazem anotações diárias sobre o clima: temperatura, umidade do ar, se choveu ou se ventou. Esses registros, descobertos agora, atraíram a atenção de cientistas do mundo todo. No Monastério de Einsielden, está a busca por Deus na compreensão do universo. A missão espiritual do irmão Konrad envolve uma tarefa terrena há 200 anos, passada de um monge para outro. Todos os dias, três vezes por dia, tão pontual quanto a hora da missa, é realizada uma liturgia do clima. Na pequena estação meteorológica, no jardim, Konrad mede as chuvas, a umidade e a temperatura. Alguns instrumentos foram modernizados, mas esta é a primeira estação da Suíça, de 1810. O vento corta o vale, e a velocidade e a direção aparecem nos marcadores da sala do monge, que por computador informa à central de meteorologia da Universidade de Berna. Isso acontece há 30 anos. O monge vê mudanças no tempo? "Sim, tínhamos invernos mais fortes, com mais neblina, mais neve e mais frio. Costumávamos ter mais de um metro de neve e agora a neve não se acumula mais. E os verões estão muito mais quentes. Nunca foi tão quente na história quanto o verão e outono do ano passado", diz o monge Conrad. A história não se perde no monastério. É guardada na biblioteca, reformada como o resto do prédio, no estilo barroco do século 17. Um tesouro: 250 mil livros, muitos escritos à mão, ilustrados por monges artistas. Entre eles, estão os livros que a Igreja proibia aos leigos. O padre Jean Sebastian explica o fascínio dos beneditinos pelo conhecimento. "Um monge é, acima de tudo, um pesquisador. Ele se retira do mundo não para se isolar, mas para observar a criação, entender seus ritmos, seus ciclos. Por isso, pesquisamos matemática, física, química e meteorologia", diz o padre Jean Sebastian. A equipe de reportagem do Fantástico entrou na clausura com uma permissão especial. No território proibido para mulheres, vamos ao arquivo ver os diários dos monges que povoam o monastério há mais de dez séculos. Um arquivista mostra que eles se dedicavam a vários campos do conhecimento: algumas das fotografias mais antigas do mundo, documentos e os diários, relatos detalhados da rotina na abadia. São centenas de volumes. Na biblioteca, estão os mais importantes. São os volumes dos diários do padre Joseph Dietrich, escritos entre 1680 e 1710. Nessa época, os padres do Monastério de Einsielden eram considerados príncipes da Igreja, e eles tinham controle de toda a produção agrícola da região da Suíça. O padre Dietrich era o responsável pelas finanças do monastério. Por isso, tinha que prestar atenção especial à época da colheita e ao clima. Ainda não havia a medida de temperatura que se tem hoje. Mas o diário do padre era escrito com tantos detalhes, com jeito até poético, que ajuda os cientistas de hoje a compreenderem bem o clima da época. Em janeiro de 1684, por exemplo, ele escreveu que fez um dia tão frio que o vinho de comunhão congelou dentro do cálice. "Nunca fez um dia tão frio na história", escreveu o padre nesse dia, sem saber que estava escrevendo a história. O dia em que as folhas começaram a cair ou a intensidade da chuva - era uma precisão que os cientistas não encontram em outros registros do clima. Compilados por pesquisadores da Universidade de Berna, os arquivos do monastério contam a história da mudança climática. O irmão Konrad vê a mão do homem nas mudanças, mas acredita que uma força maior também está em ação. A fé numa força maior faz deles monges. A vontade de entender essa força os fez registrar por tantos séculos informações que hoje podem servir para entender o grande tema científico do século 21: o aquecimento global Fonte: G1 |
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