UMA TEOLOGIA MORTA

 

TENHO FOME.... DE DEUS!

 

Quero de volta a Igreja Católica verdadeira....

A que busca primeiro a Deus!

 

 

Não quero só ouvir falar em moradia terrena...

Quero somente ganhar o CÉU!

 

   

Não quero mais ouvir falar em libertação da pobreza...

Quero apenas a libertação do pecado.

 

 

Não quero mais ouvir sobre “excluídos” da sociedade...

Quero saber dos excluídos do Reino de Deus.

 

 

Não precisamos, afinal, de teologia libertadora nenhuma!

Precisamos é de joelhos no chão.

 

 

Precisamos de confissão, de Eucaristia e de Maria!

Eles nos levam à pátria celeste.

 

 

Precisamos da reza do Rosário em família.

Então nenhum mal entrará nela!

                               

 

Por isso eu grito: SOCORRO!

A Igreja está morrendo, por causa dos “inimigos da Cruz de Cristo”!

 

       Porque há muitos por aí, de quem repetidas vezes vos tenho falado e agora o digo chorando, que se portam como inimigos da Cruz de Cristo, cujo destino é a perdição, cujo deus é o ventre, para quem a própria  ignomínia é causa de envaidecimento e só tem prazer no que é terreno. Nós, porém, somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Efe 3,18-20).

PRÓLOGO

 

       Ai de mim! Porque estou como quem restolha frutos de verão, como quem respiga depois da vindima: não há sequer um cacho para comer, nenhum destes figos temporões de que tanto gostaria. Desapareceram os homens piedosos da terra, não há quem seja íntegro entre os homens” (Mi 7,1-7). Eis aí o lamento de uma alma sequiosa de Deus, como milhares de outras. Eis alguém que clama pelos “homens piedosos” da terra, pelos sacerdotes do Pai, os únicos capazes de saciar esta monumental fome das coisas divinas que hoje atormenta os homens.

 

       O livro que segue é apenas um eco deste lamento sofrido. É o pranto de um simples leigo, não teólogo, não dotado e não letrado, talvez estúpido, mas que sofre na alma dores indizíveis ao ver grande parte de sua Igreja Católica, Apostólica e Romana, Una e Santa, envolvida apenas com a busca do material, enquanto o povo pede, implora, suplica... definha e morre, por falta do alimento da sua alma.

 

       Leia com isenção e com atenção. Cientifique-se do caos espiritual em que estamos metidos, fruto de uma orientação cega e absolutamente contrária ao Evangelho em muitas dioceses e lugares. Cada um é livre para pensar, mas pergunta-se: como é que estes “homens de Deus” não  perceberam ainda o seu erro? Quem pagará pela fome espiritual deste povo que sofre?

 

       Se o livro servir para iniciarmos uma campanha, uma cruzada nacional de oração pela nossa Igreja, para torná-la novamente bela e esplendorosa, sobretudo UNA, terá cumprido sua missão. Que Nossa Senhora ajude o leitor a tudo compreender! Que o divino Espírito Santo lhe seja uma luz permanente.

 

AARÃO

 

       Por favor: Não se preocupem com o autor.  Leiam apenas o que ele tem a transmitir. É grave! É muito grave! É gravíssimo!

 

       Leiam tudo atentamente, e guardem o que for bom! (1 Tess 5,21)

 

uma TEOLOGIA morta

 

       Virão dias – oráculo do Senhor Javé – em que enviarei fome sobre a terra, não uma fome de pão, nem uma sede de água, mas (fome e sede) de ouvir a palavra do Senhor. Andarão errantes de um mar a outro, vaguearão do norte ao oriente; correrão por toda a parte buscando a Palavra do Senhor e não a encontrarão.”(Am 8,11-12).

 

       Jamais, em toda a história do povo de Deus, verificou-se um tempo em que a força deste oráculo do Senhor teve tão plena aplicação. Por toda a parte, as pessoas partem sem rumo e direção, formando verdadeiras levas de povo, muitas também sozinhas ou em pequenos grupos, em busca do conhecimento divino, da oração, na ânsia sôfrega de satisfazer seu espírito sedento daquilo que vem de Deus.

 

     Eis que a esperança naquilo que passa, no que é terreno, no reino deste mundo, no reino do príncipe deste mundo, acabou por se dissipar em muitos corações. Tanto melhor para estes! Antes tarde do que nunca, como acontece com outros tantos infelizes, a quem a cegueira e a surdez acabaram por tornar-lhes estéreis as almas, os corações de pedra e a vida num deserto. Triste para aqueles pastores que já não sabem mais discernir qual o alimento que o povo procura. “Em vez de pastorear as ovelhas, só têm procurado se fartar eles próprios.” (Ez 34)!

 

       O vaticínio é cruel, quando diz: “procurarão... e não encontrarão”! Diluída pela pregação errada, pela falsa interpretação, pelo modernismo, pelo simbolismo, por falsas teologias e sufocada por verdadeiras  heresias, nos últimos tempos, esta Palavra de Deus tem sido objeto de disputa, motivo de contenda e causa de dissensão e discórdia. A prova maior  está aí no imenso caudal das seitas, o famoso rio das águas que o dragão vomitou contra a Mulher para a submergir (Ap 12,16) e que tem transformado o Santo Evangelho de Jesus numa verdadeira colcha de retalhos.  Afirmo que grande parte das seitas tem origem nas falsas e pestíferas teologias, as mesmas que brotam, pasmem!, de dentro da própria Igreja Católica.

 

       De todos os lados deste imenso país, tenho atendido a um sem número de pessoas que nos pedem os livros “Salvai Almas” e “Mateus”.  Elas nos fazem relatos horríveis de suas situações. São como gritos desesperados de um povo sofrido, que tem ido à sua Igreja em busca do alimento para suas almas, sem encontrar. Eles buscam o Pão da Palavra, o Pão Eucarístico, fontes da Vida Eterna; entretanto têm recebido de alguns de seus pastores e guias cegos apenas um reles pão vencido e morto, fruto de uma vida interior desmazelada ou morta.

       Este é o verdadeiro indicativo e inverso do Evangelho, daqueles filhos que vêm ao pai em busca de pão e recebem dele uma cobra(Lc 11,11). E cobra venenosa, que lhes mata as almas! Que se diz de uma pessoa que vai ao seu sacerdote pedir: “Padre, preciso me confessar”, e ele responde: “Agora não dá!”, ou “Volte mais tarde”?  Ou pior, “Pra que confessar?”.

 

       Estas pessoas nos descrevem uma Igreja que, há muito tempo, não reza mais, apenas se reúne e  critica o governo. Falam de uma Igreja que não busca mais a Vida Eterna, mas busca apenas uma boa vida terrena. Falam de pessoas que odeiam ou invejam aos ricos, mas anseiam desesperadamente a riqueza. Falam de uma Igreja que diluiu os sacramentos como fontes de graças, pois não  cita mais  a Confissão e  a Eucaristia. Falam de uma Igreja que não se preocupa mais com o Reino de Deus, mas apenas com as coisas passageiras deste mundo , como terra, moradia e “cesta básica”.

 

       Por isso, ela é uma Igreja que morre, pois a “teologia” podre que a sustenta vive em estado de morte. Mesmo estertorando, ela provoca ainda estragos monumentais na Igreja Verdadeira, a que busca a Pátria Celeste, pois ainda hoje milhares de pessoas buscam o rumo das seitas, não encontrando mais na Igreja Católica o alimento perfeito para suas almas. Aqui, eles querem apenas tratar seus corpos. Querem é lhe dar “cestas básicas”. E por agirem assim, matam novamente de sede Àquele que na Cruz clamou: “Tenho sede” (Jo 19,28)! Sim, verdadeira sede de almas! Almas mortas, pelas quais o Senhor, naquele exato momento, dava a própria vida.

 

       Que poderá suceder a uma pessoa que vem à Igreja Católica para ouvir a santa homilia e lá escuta apenas uma arenga política? Ela foge da Igreja e não volta mais! Lá se foi mais uma ovelha para as seitas. E ninguém vai atrás dela! Que poderá suceder a uma ovelha que vem buscar o perdão do sacerdote e recebe dele um xingão? Que sucederá a uma ovelha que vem a sua Igreja em busca do alimento da Eucaristia e lhe oferecem uma “cesta básica”? Ela foge para as seitas!

 

       Assim, no momento em que começo a escrever, os leitores podem não acreditar, mas chegam-me lágrimas aos olhos, por compreender, sim, a minha absoluta impotência, quanto ao imenso abismo existente entre esta Igreja que nos tentam impingir em muitas dioceses deste país, e aquela resplandecente Igreja que Jesus fundou, voltada para a busca infinitamente primeira da pátria celeste, humilde, simples, amorosa e triunfadora, pois embasada no sangue dos mártires.

 

       Não uma igreja resplandecente de tesouros materiais, mas repleta de graças espirituais; não maravilhosa porque fundada nos poderes do mundo, mas indestrutível porque brotou do seio de uma Virgem pura, nasceu numa manjedoura humilde, viveu na santidade perfeita e no amor em plenitude e que, em lugar da cadeira de um rei deste mundo, sendo Deus, teve uma Cruz por trono.

 

       E foi ali, na Cruz, num gesto único de Amor, que Ele deu por nós a Sua Vida. E foi neste ato de dar sua vida, caridade suprema, que Ele nos remiu e libertou da morte pelo pecado. Não há outra forma de libertação possível. Se houvesse outra, certamente que o Senhor teria ouvido as palavras blasfemas dos fariseus: “Se és o Filho de Deus, desce da Cruz e salva-te a Ti mesmo” (Mc 15,30)!

 

       Foi levando até o fim o supremo sacrifício de Seu Corpo físico, sobre o qual aceitou todos os tormentos imagináveis, que o Senhor deu a prova final do quanto satisfazer o corpo é pouco importante. São as almas que importam, pois foi  apenas por elas que Cristo morreu na Cruz. A Cruz é, assim, o corolário perfeito da doutrina da verdade; é a fonte e o nascedouro da verdadeira Igreja.

 

       Nesta verdadeira Igreja de Jesus, só é preciso aprender a amar. É uma Igreja simples! Nela não é preciso nada mais que aprender a amar. Sim, a Igreja deve ser apenas uma escola, onde Jesus é o Mestre e a doutrina que Ele ensina são Sua Carne e o Seu Sangue divino. Doutrina que  mostra o caminho da Cruz que salva! Que leva ao caminho da porta estreita, do sofrimento e da humildade como formas de salvação. Que valoriza todos os sacramentos como inesgotáveis fontes de graças. Que vive profundamente a confissão como fonte única e perfeita de cura da alma, a fim de encaminhá-la para a Sagrada Eucaristia, nosso bem supremo, alimento perfeito e eterno, única fonte de vida em plenitude possível!

 

       Nesta escola divina, não há espaço para o “Ter” e o “Poder”. Escola que se distingue não pelo orgulho das obras, mas pelo volume das suas preces. Nesta escola há espaço apenas para o amor! AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS e também, ao próximo como a si mesmo. Esta Santa Igreja compreende que este “AMAR A DEUS” vem mil vezes ANTES deste amar “ao próximo”, que também é necessário e ai de quem não o fizer. Esta Santa Igreja sabe que, para se conseguir ter e se adquirir poder, é sempre necessário magoar e machucar. E quando se magoa e se machuca, não há espaço para o amor. O amor não mata, nem  jamais instiga a luta armada!

 

       A doutrina do AMOR, o Evangelho do AMOR, jamais ensinou alguém a tomar pela força aquilo que o direito lhe nega, nem jamais permitiu tomar pelo “direito” aquilo que a essência do Amor declara como bem comum. A doutrina do AMOR não justifica nem o pobre que toma pela força, nem o rico que se locupleta de tudo, pelo “direito” da lei injusta que a moral condena. 

 

       Já o exercício do AMOR exige que façamos aos nossos irmãos aquilo que não podemos fazer para Deus diretamente. Nada do que somos capazes de fazer irá tornar a Deus mais feliz ou melhor. Devemos nos compenetrar profundamente de que este TUDO o que devemos fazer aos irmãos como prova do exercício do AMOR é nada mais que uma infinita miséria, ante o que representa o sacrifício de Cristo e da avassaladora força que brota dos sacrários. É dali que vem praticamente toda a nossa força de expiação, pois o sacrifício de Cristo tem valor INFINITO. Claro está, porém, que o Pai pedirá contas de cada um dos nossos atos, porque a caridade, força do amor, completa-se apenas nesta frase de Jesus: “Tudo o que fizerdes a um destes pequeninos é a Mim que o fazeis”. Esta diretriz suprema na verdade encerra tudo o que a nossa miséria é capaz de fazer para Deus. Mas é esta também uma das forças da humilde Igreja de Jesus.

 

       Nesta humilde Igreja de Jesus, também poderosa e indestrutível, a Santa  Missa, o Eterno Sacrifício e força maior, é um tesouro que faz pulsar todos os corações. Poderosa, porque busca sofregamente o Reino de Deus. Indestrutível, porque Jesus a batizou com o Seu Sangue precioso. Nela, a confissão, sacramento da cura e da paz, é a prova perfeita de uma comunidade sadia e santa.

 

       Nesta Igreja, todos os sacerdotes têm seu coração pulsando com o de Jesus no sacrário. E é apenas por isso que ela é poderosa. Mas, mesmo sendo poderosa, esta Igreja é também humilde e pequenina, pois tem Maria como seu modelo. Nela não falta o pão que sacia o corpo,  sendo ele repartido de forma justa a todos os que já têm as almas saciadas pelos sacramentos. Sim, almas saciadas, porque a maior e suprema caridade consiste em levar as almas para Deus. Isso é o mais importante: SALVAR ALMAS! O Senhor tem fome delas.

 

       Muitos dos que seguem e pregam este modo errado de pensar desconhecem, talvez, que a razão não explica tudo aquilo que a fé opera. Por isso esta “teologia” que por  aí se prega é nada mais que uma quimera.  A fé  vive-se na alma e o Evangelho  pode ser pregado também com a vida. Quem não vive aquilo que prega não pode pregar nada.

       Entretanto, no mundo inteiro, centenas de escolas ditas teológicas têm se tornado verdadeiras “cátedras de pestilência”, conforme as palavras do papa Pio X, invadidas por estes modernistas, que pregam uma igreja perversa e ou mundana, distanciada de Deus e divorciada da Verdade.

 

       Compreendamos: quanto mais o estudo daquilo que é do espírito tende para o racional e humano, mais se perde no erro. Tanto mais a razão tenta explicar aquilo que é mistério, mais profundamente atinge e mata a fé. Para que fé, se não há mistério? Para que estudar Deus? Basta ouvir e seguir Sua Palavra divina contida na Bíblia! Só!

 

       Sim, toda “teologia” igual a esta é morta. Deus é AMOR e o Amor não sabe senão amar. O AMOR nada quer além de ser amado. Amor não é teoria, é prática. O Amor não se estuda, vive-se! O amor não se racionaliza, sente-se! Ou você ama o seu irmão e o põe acima de si próprio, ou você ama apenas a si mesmo e, portanto, não ama também a Deus. Para que estudo de teologia? Para que estudar Deus? Deus só se vive pela fé! E fé não se racionaliza. É impossível racionalizar o que é divino!

 

       O AMOR é simples e não complicado. E o que não é complicado, é fácil de entender, portanto não precisa de estudo. Onde foi a escola de teologia dos apóstolos? Onde foi a escola dos grandes santos e doutores da Igreja? A teologia de todos eles brotou dos seus joelhos fincados em oração, jamais dos traseiros sentados em bancos de escolas de teologia. Tudo o que eles nos deixaram de conhecimento brotou da graça exclusiva do Espírito Santo, fruto da meditação e da oração profunda, jamais de teorizações fantásticas produzidas a rompante e ao sabor de fantasias pessoais. Racionalizar, então, o que é divino, é matar a fé! Mais ainda: se Jesus nos diz que devemos ser crianças para entrar no reino, como é que um destes pomposos cheio de si e cheio de títulos entra lá? 

 

       Assim, quanto mais morre a fé, mais se alastra a apostasia, mais proliferam as seitas e mais se roubam almas de Deus. Isto é, quanto mais se trabalha pelo mundo e para o mundo, mais se foge de Deus. Sim, o diabo fica feliz em ver tantos e quantos trabalhando apenas para encher buchos. Ele fica feliz ao extremo, vendo padres e leigos ao redor das periferias e não ao redor dos sacrários. O que ele não quer JAMAIS é que se encham almas de AMOR; pela confissão donde brota a cura; pela Eucaristia donde brota a VIDA. Pela Palavra que nutre e sacia ALMAS. Pois, pobres, sempre os tereis em vosso meio (Jo 12,8) disse Jesus! Se Jesus disse “sempre”, como pretender acabar com eles?

       Como se vê, toda ‘teologia’ igual a esta é uma nulidade. Eu  próprio, talvez porque seja apenas miséria e pó, jamais consegui ler um livro sobre teologia (e aqui incluo todos os escritos deste tipo). Não consigo engolir nenhuma frase. Trata-se de uma linguagem ininteligível, até mesmo inacessível, confusa e prolixa, que simplesmente põe em parafuso a quem lê. Se os simples e os “tapados” como eu não os conseguem ler, para que estes escritos? A quem convertem? Para mim, um teólogo verdadeiro é igual àquele velhinho que quando perguntado por que rezava tanto o terço, respondeu: “Preciso desesperadamente de Deus. E contemplar os mistérios do Rosário é para mim um forma de encontrá-lO. Este, para mim é o maior teólogo do mundo. Este já compreendeu a essência de tudo aquilo que é possível a um ser humano compreender do mistério de Deus.O que você acha de um “teólogo” que dá a seguinte resposta  à pergunta “Quem é Deus?” “Deus é o equinóxio do epitalâmio”!(?) Sabe, a mulinha que se ajoelhou em frente ao presépio entende mais de Deus que um destes infelizes. Perguntinha: alguém já foi convertido por um teólogo desta tal teologia “libertadora” de barrigas e não de almas? Não? Então, se não convertem, ambos não servem para nada, nem o teólogo nem a sua “teologia”?

 

       Aprendamos esta lição de vida: quando compreenderemos que todas as expressões do AMOR, as mais altas e profundas, estão contidas na Eucaristia? O AMOR Crucificado, o AMOR de União, o AMOR Adoração, o AMOR contemplativo, o AMOR que ora, o AMOR que inebria (1), o AMOR que enternece. Por isso, a vida do sacerdote verdadeiro não deve girar em torno das periferias, mas em torno do Sacrário. A vida do leigo que evangeliza não deve se fundar em comícios que apenas xingam ou criticam governos, e em distribuir cestas básicas, mas sim na oração que tudo consegue do Pai. A vida de nós todos deve se conduzir apenas pelo Amor crucificado que nos remiu com o Seu Sangue precioso. Deve ser unida ao nosso irmão, assim como Jesus e o Pai são um só. Deve crescer sobre os nossos joelhos dobrados que adoram e não pelos nossos dedos em riste ou foices que se brandem. Deve, enfim, extasiar-se, inebriar-se e enternecer-se diante de um Deus conosco, real, vivo e presente nos tabernáculos, fonte ÚNICA da verdadeira Vida, a Vida Eterna. É apenas esta a VIDA que importa! E comparada a ela, a vida presente é morta! É lixo igual a essa “teologia”!

 

       Em muitos lugares, trabalha-se furiosamente pelos tais “grupos de reflexão”, onde se discute política, FMI, economia e problemas de bairro  e não se reza. Agora eu pergunto: por que é que os “grupos de oração” sofrem tantos ataques? Por que se combate tanto o Rosário?

       Como pode alguém, em sã consciência, combater o Rosário, a algema (Ap 20,2) que prenderá satanás? Ou descrer de Maria, aquela que esmagará a cabeça (Gn 3,15) da serpente? Ou ignorar a Eucaristia, o SOL da nossa vida e a VIDA da nossa querida Igreja Católica Apostólica Romana? Sim, até mesmo o maior dos mentecaptos seria capaz de identificar neles grandes sinônimos da nossa força de povo santo. Então, faço mais uma pergunta: satanás ataca mais àquilo que o  beneficia ou àquilo que o prejudica? Você sabe a resposta!

 

       Em muitos destes tais grupos de reflexão, infelizmente, o que menos importa são as questões da alma. Importante a situação da política, a situação do bairro, da comunidade, do governo, do FMI e tudo o mais voltado para a vida terrena. A Palavra Divina é usada apenas para subverter o sentido real das coisas. A bem da verdade, a Bíblia tem sido literalmente depredada nos tais “grupos de reflexão”, pois não é vivida pela oração nem rezada com a vida! E nestes grupos, quase sempre, encontram-se muitas escolas deformadoras.  Deles resulta um evangelho particular, porque a falta de formação dos monitores leva à difusão de erros. Leva a uma igreja mínima e em fase falimentar como a que temos hoje, pois ali se prega e se vive um Cristo morto. Uma certeza: nem daqui a um milhão de anos os grupos que “refletem” apenas problemas de bairro ou políticos darão bons frutos! Só confusão!

 

       Ora, em qualquer lugar do mundo católico, a chave do céu é a ORAÇÃO. Por que não apenas Grupos de Oração? Que acrescenta a palavra “reflexão”? Nada! A oração deve ser o fio condutor e o amalgama que solda e une as famílias. Reunir, pois, a família, em torno do terço. Reunir as famílias em torno da oração do Rosário, há coisa mais perfeita e extraordinária? Aí sim, também obrigatoriamente, a leitura da Palavra de Deus, à luz do Divino Espírito Santo,  tornar-se-ia fonte estupenda de graças e bênçãos. Para que instigar famílias a se unirem para discutir “dívida externa”, quando isso é apenas fonte de divisão e discórdia? Os resultados já obtidos até agora falam por si só. De fato, não teríamos tantos “evangelhos particulares” como hoje.

 

       Por que um evangelho particular? Porque hoje cada um interpreta a Palavra de Deus, conforme o seu gosto. Conforme o seu “acho”, conforme o seu “penso”, conforme o seu “tenho certeza”. E é só por termos tantos “acho, penso e tenho certeza”, que temos 40 mil seitas falando em nome de Jesus, que, longe da unidade e distantes da luz da fé verdadeira, têm seu maior sustento  nas críticas à Santa Igreja Católica, de onde procedem e de onde jamais deveriam ter saído.

       Também por causa de tantos “acho”, “penso” e “tenho certeza”, temos hoje uma Igreja cheia de católicos mornos, pois vivemos num país de 130 milhões de católicos, mas dos quais talvez apenas 10%, se muito, cumpre de fato a sua religião. E são estes tíbios, fracos e mornos, para não dizer moles, que causam a ira do Pai. Pois é o Pai quem diz: “Antes fosses frio ou quente, mas porque és morno, vou te cuspir da Minha boca” (Ap 3,16).

 

       É, afinal, esta Igreja fria, Igreja do mínimo, da porta larga, da pouca oração, do mínimo esforço, do nenhum sacrifício e da busca primordial daquilo que é terreno, que torna os sacramentos diluídos, estanca o manancial imenso de graças que deles brotam e faz estagnar no lodo toda uma Igreja. Ai dos que promovem e pregam esta igreja herética! E, por incrível que pareça, são muitas vezes os bons, os abnegados que se encarregam de promover o erro das falsas teologias. Sim, o problema está aí. Mas, não sejamos juízes: que o Senhor Deus os julgue e corrija!

 

       É necessário que se pregue a verdade, à Luz do Espírito Santo e não à luz falsa da razão. E a verdade, à luz do Espírito Santo, brota apenas da oração profunda. Veja bem, não digo da formação profunda.  Refiro-me à oração humilde e simples que precede, sempre, toda a ação da vida do cristão. E isso inclui os Grupos de Oração que refletem a Palavra à luz do Espírito e não apenas a teorizam racionalmente, de forma arrogante a arbitrária.

 

       Como pode alguém que apenas luta por terra, casa e comida para todos, sentir-se justificado perante Deus, se ele esqueceu da Missa, fugiu dos sacramentos, abandonou o Rosário e já nem lembra da Ave-Maria? Acaso São João Maria Vianney resolveu o problema dos pobres de sua miserável Ars com cestas básicas? Acaso eles vinham a ele atrás de comida para o corpo? Não! Ele santificou a todos pela sua oração e pela confissão que os levou a Deus. Ele os tornou felizes não pelas barrigas cheias, mas pelas almas limpas. Pensar e fazer o contrário é subverter o sentido das coisas. É tachar a Jesus de mentiroso! Como?

 

       Nenhuma palavra da Bíblia pode ser tirada nem mudada. Mas muitos o fazem e introduzem palavras novas e erradas. Há duas palavras  muito usadas nos últimos anos, que, se eu pudesse, tiraria inclusive do dicionário: libertação e teologia! A segunda, porque tenta explicar um falso deus pela via da razão e não um Deus do AMOR, dos pobres e dos ricos; a primeira, porque virou sinônimo de libertação física da pobreza, quando a libertação de que o Evangelho trata é, apenas - e bilhões de vezes seja dita -, a libertação da morte pelo pecado.

       Não foi a pretensa opção de Jesus pelos pobres que nos remiu, ou nos poderá servir de caminho a seguir, mas sim o Seu Sangue precioso derramado no Calvário. Não é o pão caseiro que nos leva ao céu, mas o Pão Eucarístico que nos dá a Vida Eterna.

 

       Agora veja outro ângulo da questão: Jesus disse: “Toda árvore que não der bons frutos será queimada e lançada fora” (Mt 7,19)! Assim,  fazemos um referência especificamente a um dos expoentes máximos desta árvore podre, que deu a seguinte declaração à revista “Veja”, ao que se saiba parodiando o ateu Freud: “SE eu morrer e SE eu vir a Deus, tenho muito mais coisas a perguntar a Ele que Ele a mim!”.  Vejam bem: “se eu morrer” significa que ele acha que será eterno; “se eu vir a Deus”, significa que ele não acredita no próprio julgamento. Ou seja, só nesta frase há duas heresias! Como acreditar que “isso” seja árvore boa?

 

       Ponha-se de uma vez por todas isso na cabeça: qualquer sacerdote que largue a batina para se amasiar, ou que, além disso, afronte a Igreja como este senhor tem feito, JAMAIS deverá ser ouvido, seja lá no que for que ele tenha a dizer. E este tal é apostata e é ateu! Este pode falar sobre qualquer coisa, menos de como ser Igreja! Ele precisa apenas de oração. Muita oração para  voltar a Deus! Ao verdadeiro Deus da Vida. Agora vejam: se ele já é uma árvore podre, quanto mais a sua teologia! Quem pode admitir ou seguir uma doutrina destas?(Jo 6,60)

  

       Deixo aqui bem claro: não pretendo, neste artigo, JAMAIS denegrir a imagem da nossa querida e Santa Igreja, Católica Apostólica Romana. Quero, antes, defendê-la de uma forma intransigente, até às minhas últimas forças. De fato, esta “teologia” a que me refiro não é, nunca foi e nunca será parte de uma Igreja da verdade. Trata-se de uma árvore morta, de uma figueira maldita e sem frutos e todos sabem muito bem o que Jesus fez com a tal figueira (Mt 21,19). Meu intuito é, antes de tudo, levar todos a amar ainda mais a Igreja Católica, apesar da imensa crise que ela atravessa. Não é também fazer desacreditar de sua orientação superior, porque o seu verdadeiro magistério, por meio do próprio papa João Paulo II, já condenou veementemente esta forma errônea de interpretar e viver a Palavra de Deus; e se ele condenou, ela morreu. Ponto final, não se fala mais! Também não é meu intuito atacar pessoas, mas condenar atitudes. Meu pensamento inclina-se a fazer algumas considerações que levem os leitores a verificar o abismo em que nos metemos, pois há um abismo entre o Evangelho de Jesus e o falso evangelho que hoje se prega em alguns lugares.

       Quanto a mim, bastam-me as simples Palavras de Jesus: “As portas do inferno NÃO prevalecerão contra ela” (Mt 16,18), a Igreja verdadeira, para que eu me agarre, sempre mais e mais fortemente a esta Barca de Pedro, porque estando dentro dela estarei a salvo um dia. Com Maria e Eucaristia, nem o inferno inteiro nos derrubará! Nem mesmo esta figueira estéril, pois já desde o início o verdadeiro magistério da Igreja condenou vários aspectos desta teologia; e quando condenou, nada mais fez que dar a mesma ordem de Jesus: “Nunca mais produza frutos!” (Mt 21,19) e a árvore morreu! Está morta! Entendam bem: está morta! Apenas alguns ainda não acordaram para esta realidade.

 

       Por isso afirmo: dificilmente alguém será capaz de, em poucas páginas, descrever a imensa crise que hoje atravessa a nossa Igreja Católica e Una e Santa. O Evangelho já foi pregado a todas as nações, isto é, nenhum país poderá dizer que não ouviu falar no Santíssimo nome de Jesus. Entretanto, a fé, da qual esta mesma Igreja é guardiã,  esta parece estar cada vez mais desertando dos corações. Refiro-me à fé viva, profunda e verdadeira E Jesus mesmo o perguntou: “Quando o Filho do homem voltar, acaso encontrará fé sobre a terra?”(Lc 18,8)

 

       O certo é que a nossa Santa Igreja, Católica  Apostólica Romana, já não parece assim tão Una quanto Jesus a gostaria de ver, pois apresenta-se eivada de erros, correntes, pensamentos, teologias estranhas e evangelhos particulares, distanciando-se cada vez mais daquela verdadeira Mater et Magistra, fundada por Jesus, fiel detentora e guardiã perpétua da fé. Como pode subsistir um reino dividido sobre si mesmo(Lc 11,18)? E uma igreja cheia de “alas”, de esquerda, de direita, de centro, acaso pode subsistir? Com qual delas está a verdade? A verdade é que, diga-se sem medo, qualquer “ala” que divirja da orientação do papa João Paulo II, como esta a que me refiro, está no erro. É desobediente! E se afronta de tal forma a Igreja, é passível de excomunhão! Ou não?

 

       Sim, a VERDADE, refiro-me ao sentido verdadeiro de todo o maravilhoso ensinamento do Divino Mestre. Este, mais do que nunca, tem sido deturpado e denegrido, ao sabor das “correntes e dos ventos”. De fato, hoje uma verdadeira tempestade abala, inclina e tenta submergir a Barca de Pedro, pelas ondas espumantes de um revolto mar de trevas. Com o casco rachado, ferida, a Igreja terrena hoje só não sucumbe porque seu grande timoneiro, João Paulo II, agarrado à vida e consciente de sua suprema missão, de seu sacrifício, teima em conduzi-la a bom porto.

 

       Entretanto, são muitos os ligados a esta herética teologia; eles desejam ardentemente a morte do papa João Paulo II, apenas porque ele sempre condenou  esta forma errada de viver e pregar o Evangelho. Este grande homem sente-se curvado e opresso ante o crescente volume da apostasia. Ante a crescente difusão do erro. Ante a verdadeira maré de desobediência e de contestação ao seu magistério. Ele sucumbe também, gradualmente, ante a impotência de já não mais conduzir a Igreja como gostaria. Sabe-se cercado por forças satânicas e  sofre por não poder preparar devidamente o Povo de Deus, para o grande momento  que se aproxima:  a Vinda Gloriosa do Senhor.

 

A) INCOMPREENÇÃO DO EVANGELHO!

 

       Embora já tenhamos 2000 anos de evangelização, apesar de  todo o imenso esforço da Igreja em fazer as pessoas compreenderem a Doutrina do Amor, é com imensa dor no coração que percebemos o quão longe estamos de viver o Evangelho da Verdade. Outro dia, ao fazer uma seleção de versículos dos Evangelhos, anotei 77 deles todos com ordens e pedidos de Jesus. Ao relê-los um a um, cheguei à conclusão de que nós católicos não seguimos nenhum deles. Antes, descumprimos a todos. Negamos a Jesus. Desvirtuamos as Suas Santas Palavras, fazendo-O de  mentiroso! Inventamos todos um evangelho pessoal. Não  fosse assim, estaríamos todos nós vivendo na unidade e não com 40 mil seitas, com todas as suas heresias.

 

       Quando a gente cita aqueles que promovem estas heresias, devemos mencionar os “pregadores” destas falsidades, sejam eles membros do clero, sejam leigos. Aliás, há entre os leigos tão furiosos mentecaptos em conhecimento bíblico, que não causa admiração surgirem tantas heresias. Outro dia, numa aula de doutrina, ouviu-se esta frase da “catequista”: “É, nós temos  de nos conformar, pois Jesus foi também um pecador como qualquer um de nós”. Imaginem, Jesus um pecador! Pois pecador maior é quem institui uma pobre criatura destas como “catequista”. E que tal será o “teólogo” que faz de Jesus Cristo um anarquista ou um revolucionário de araque?

 

       Recentemente, um senhor me falava: “Gosto muito de ir à Santa Missa. E neste sentido, vou a qualquer lugar e não escolho padre. Entretanto, nestes anos, tem me causado surpresa  que o mesmo Evangelho do dia, em missas no mesmo dia, a mesma Palavra seja pregada de forma diferenciada por todos os padres. É muito difícil ouvir dois falando a mesma linguagem. Um diz que deve ser entendido de forma racional, outro de forma espiritual. Quem entende?

 

       E ele tem razão! É exatamente assim que acontece. A falta de oração, a quase completa inanição espiritual da maioria dos pastores, falta de amor à Eucaristia, a guerra travada entre as ordens do clero, o ciúme exasperado que têm uns dos outros, principalmente  com relação aos que têm conseguido reunir multidões para louvar o Senhor  – tudo isto foi gerando o  verdadeiro caos. Leve-se em conta o absoluto despreparo com que vão às homilias e ainda a rebeldia para com seus superiores, principalmente ao Papa. De fato, a Igreja Una, Barca de Pedro, mais do que nunca desunida, ameaça rachar e afundar.

 

       Ora, este é um dos motivos e talvez o primeiro de termos tantas “verdades” diferentes. Por que acontece isso? Porque já não se vive mais a fé na essência. Já não se prega mais o Santo Evangelho com a vida. O certo é que, ano após ano, têm vicejado as correntes que pregam um Evangelho da facilidade, da comodidade, da prosperidade, bem ao gosto do mundo, de seguir doutrinas extravagantes (Tim 1,3). Não há outra saída: o caminho do céu é o caminho da Cruz! Para chegar lá, só seguindo os passos do Salvador. E ele disse: “Quem quiser ser meu discípulo, tome a sua cruz e Me siga” (Lc 9,23)! Hoje,  rejeita-se a Cruz! Abomina-se o sofrimento! Foge-se  desesperadamente da porta estreita mesmo sabendo que larga é a porta que conduz à perdição (Mt 7,13). Quem,  pois, escolhe apenas a porta da satisfação física, escolhe a porta larga. Quem vai pela barriga, sufoca a alma! E afinal, de que vale a alguém ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma (Lc 9,25)?

 

       Nos tempos de hoje, em que uma grande quantidade de pessoas sente  tratar-se de tempos especiais, ou seja, Tempos do Fim(Dn 12,9), ou Fim dos Tempos da Redenção, há muito sofrimento entre os que vivem mais fortemente a fé. São tempos em que muitas mensagens de Jesus e Maria têm sido simplesmente rejeitadas pela maioria; entrementes, elas nos vêm alertar para  o tempo especial de graça que está para acabar. É então angustioso saber que justamente os pastores são  os que mais lutam para abafar  estas manifestações. Com quem está a verdade?

      

       Assim, fica muito claro que o falso estudo da Palavra, as correntes errôneas de pensamento, as falsas teologias e os seus abomináveis e mesmo satânicos pregadores têm difundido uma tão variada gama de interpretações, que a maioria das pessoas se sente completamente atordoada neste entremeio. É que poucos compreendem e quase ninguém segue o único caminho para se entender a Palavra Divina: o caminho da humildade, do recolhimento, da entrega completa ao Espírito Santo! Só ali a Palavra rende frutos, e frutos de vida eterna.

 

       A confusão na cabeça do povo é tanta, que poderia citar apenas três exemplos de católicos com os quais falei apenas nesta semana, quando comentávamos sobre o terror que está o mundo de hoje e as formas de como este problema será resolvido. O primeiro me disse que isso será resolvido com uma tal de “consciência cósmica”(?); o segundo, que serão os “ETs” quem virão nos ajudar... “porque o próprio Jesus era um ET”(!). O terceiro preferiu elogiar Lutero e cair de pau nas indulgências da Igreja. Eis ai um sinônimo do caos doutrinário em que nos encontramos. Temos  aí três “teólogos” do maior e mais fino quilate!

 

       Outra pessoa com a qual falei foi uma ex-católica, agora dentre os evangélicos.  Eu falava sobre a nossa Eucaristia, ela sobre a “ceia” deles. Quando lhe expliquei a verdade, falei-lhe deste incrível mistério, de seu valor de remissão supremo, da diferença infinita que há entre o nosso “este É o Meu Corpo” para o “simboliza” deles, ela disse: “Se alguém um dia me tivesse explicado isso, eu jamais teria saído da Igreja católica”. Por que não empregamos todas as nossas forças nesta direção?

 

       Consideremos ainda a difusão crescente das heresias, das falsas interpretações, onde os meios de comunicação, quase todos nas mãos do maligno, têm se esmerado em contribuir para o erro e para a sistemática destruição das Verdades Sagradas. De fato, ali todos os falsos têm sempre espaço garantido, como também os contestadores e todos aqueles que afrontam a fé. Com isso, cai muitas vezes por terra o esforço milenar da verdadeira Igreja, solapado pelo bombardeio diário das heresias. Este joio perverso tem sido pregado até mesmo por sacerdotes, os guardiães primeiros da fé; entre estes, mais do que entre quaisquer outros, cresceu a dissipação. Estes já não ouvem mais os gritos das ovelhas em perigo, nem mais buscam as que se perderam (Ez 34,4).

 

       Quanto a mim, sinto-me miséria e pó infinitos, ante a imensidade do problema que vislumbro dentro da nossa amada Igreja. Abate-me uma espécie de tristeza, vendo tantas coisas nela ruírem. Tomada de angústias, a minha alma de simples leigo sente-se impotente ante os passos apressados da apostasia que toma conta dos povos e ameaça sucumbir as gentes. A fé morre! A vida morre com ela! O mundo sucumbe no pecado e Deus progressivamente se afasta dele. Longe de Deus morre a esperança! E assim, embora me sentindo indigno, pequeno e fraco diante deste drama, com este pequeno livro, imagino apenas arranhar o falso verniz de reflexo morto que envolve a Igreja como uma casca. Será talvez uma forma de abrir pelo menos alguns sepulcros, daqueles caiados por fora, mas cheios de podridão por dentro(Mt 23,27). É assim que fala a Bíblia!

B) VEJAMOS PASSO A PASSO:

 

-     Qual a essência deste Evangelho? O AMOR! – “Amar a Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento, sobre TODAS as coisas... e ao próximo como a si mesmo” (Mt 22,37) Que tipo de amor é este que prega o ódio entre as classes? Que se arma de foices e machados para invadir terras ou prédios públicos? Como se poderá pregar o amor exercitando o ódio?

 

-     A quem o Evangelho é dirigido? A todos, inclusive aos ricos de dinheiro, mas principalmente aos humildes de CORAÇÃO. Eis que o Divino Mestre é também manso e humilde – “Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29). Pode um manso e humilde liderar uma invasão de terras? Acaso também se justifica perante Deus aquele que instiga esta luta fratricida, enquanto ele vive “no bem bom”? E o que você diz dos que usam os púlpitos das suas igrejas para cometer tal atrocidade doutrinária? 

 

-     Então o Reino de Deus é feito apenas de pobres, financeiramente falando? Não, os pobres a que Jesus se refere são os pobres em espírito – “Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos Céus!” (Mt 5,3) – Jesus nunca disse que Sua Igreja era exclusiva de pobres de bens materiais! Quantos ricos há com o coração de pobre? Quem atira a primeira pedra neles? (Jo 8,7) Você? Então cuida para não jogar junto seu anelzinho preto!

 

-     Mas é possível ser Igreja sem antes erradicar a pobreza? Sim, é possível; e o Senhor diz : “Pobres, sempre os tereis em vosso meio”  (Jo 12,8) - E quando Ele diz “sempre”, é utopia imaginar uma sociedade completamente igualitária; ela acontecerá um dia... no Novo Reino! Afinal, esta pretensa sociedade igualitária faz  parte do ideário comunista. E você defende ainda este monstro que já ceifou da terra mais de 100 milhões de vidas?

 

-     Se Jesus diz que é difícil a um rico entrar no Reino do Céu (Mt 19,23), como fica? Difícil, mas não vedado! Afinal, Jesus teve alguns amigos riquíssimos, como Lázaro, Nicodemos e José de Arimatéia. O rico ao qual Jesus se refere é antes o “rico em espírito”, como tantos destes criadores de teologias. O que conta, não é tanto a riqueza material, mas o coração apegado à riqueza, pois o Senhor diz: “Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”(Mt 6,21) E assim, rico esganado e pobre esganado são absolutamente iguais para Deus. Tostão, milhão, que diferença faz?

 

-     Que tesouros deveremos juntar então? – “Juntai para vós tesouros no Céu, onde o ladrão não rouba nem a traça consome”(Mt 6,19).Como podemos passar a vida buscando apenas coisas terrenas? Quem nos ensina a juntar estes tesouros para o céu? Quantos “tesouros para o céu” os criadores desta “teologia” já juntaram?

 

-     Que buscamos, seguindo o Evangelho? Buscamos ganhar o céu, o Reino de Deus – “Buscai PRIMEIRO o Reino de Deus e o RESTO vos será dado por acréscimo”(Mt 6,33). Se buscássemos a Deus pela nossa vida em oração, fazendo do nosso trabalho uma oração e da vida em Deus a nossa vida, então não haveria pobres (Dt 15, 4-5), não haveria famintos, não haveria sem terra, sem casa,  tampouco “excluídos e marginalizados”. Definitivamente: entenderam?

 

-     Onde está este Reino de Deus? Este Reino não está neste mundo, mas no céu – “Disse Jesus a Pilatos: o Meu Reino não é deste mundo” (Jo 18,36). Se devemos buscar o Reino de Deus e o Reino Dele não é deste mundo, então buscar ANTES o que é do mundo é escolher o que vem do mundo como deus, pois Deus deve ser o principal em nossa vida. Fazer o contrário é descumprir e subverter o sentido da Palavra divina. Mais claro, impossível!

 

-     Que morada devemos buscar? A Morada Eterna!  - “Na Casa do Meu Pai há muitas moradas.. Eu vou preparar-vos um lugar”. Como poderemos então passar a nossa vida apenas pensando em casa e comida, NADA fazendo para chegar a esta morada eterna?

 

       Assim, com mil exemplos, fica muito claro que a riqueza não é um MAL. Do mesmo modo, a pobreza por si só não é um BEM. No ensinamento de Jesus, riqueza e pobreza físicas, ou seja, de bens materiais, são apenas meros acidentes, porque ricos e pobres sempre haverá. O que Jesus diz ser um mal é o apego exagerado aos bens deste mundo, coisa que pode ocorrer tanto com ricos quanto com pobres, pois “onde está o teu tesouro, ali estará teu coração”( Mt 6,21). Como condenar de uma forma tão taxativa e genérica todos  os ricos e justificar plenamente todos os pobres, se a riqueza que Deus condena é apenas esta “riqueza” arrogante, que brota do coração das pessoas, que acham que, por ter dinheiro, não precisam de Deus? Falando nesta arrogância, para tornar mais claro ainda, entendemos que a arrogância condenada é a espiritual, daqueles “ricos Dr. sabe tudo”, a quem Deus nada revela. Assim, em toda a Bíblia, há muito poucos versículos que poderiam, eventualmente, justificar esta teoria absurda.

      

       Onde está dito na Palavra que o nosso Deus seja um “deus” apenas de miseráveis? Não, Ele é um Deus da abundância, da super fartura, que usa de prodigalidade extrema para todos que seguem a Sua Santa Lei. Quer dizer, então, que os ricos Lhe são fiéis? Jamais! A riqueza é de fato uma armadilha terrível para as almas dos ricos. Eles correm o risco de eleger a riqueza como o seu deus aqui nesta curta vida terrena e perderem-se eternamente. E quanto aos pobres? Os pobres, que vivem a sua condição de pobreza com paciência – não me refiro à miséria conformada, que esta vem do maligno -, podem ter nisso uma imensa dádiva do céu, pois neste caso eles se abrem mais docilmente à graça divina e assim alcançam com mais facilidade a Vida Eterna.

 

       Que ocorre então? Ocorre que, depois de cinco mil anos, JAMAIS os homens se inclinaram completamente para o Senhor. A absoluta maioria SEMPRE Lhe foi infiel e mesquinha. Se seguissem a santa Lei de Deus, TODOS os habitantes da terra seriam ricos ao extremo, pois haveria fartura de tudo para todos (Sl 80,17). Se fôssemos fiéis ao nosso Deus, Ele multiplicaria ao infinito as Suas graças. É só por isso que há pobres em nosso meio! Queremos acabar com eles? Sigamos nós, homens todos, por um ano apenas, a esta Lei... e o Senhor proverá tudo! O Senhor multiplicará ao infinito! Experimentemos, de fato, buscar primeiro as coisas de Deus para ver se o RESTO, que receberemos por acréscimo, não será a riqueza terrena perfeita!

 

       O leitor compreendeu? É tudo muito fácil de entender! Mas aí surgem no caminho alguns versículos-chave, que a meu ver são a base desta falsa teologia. Afinal, esta gente, por incrível que pareça, ainda lê a Bíblia. Não compreende, mas lê! E, afinal, o diabo também conhece a Bíblia de ponta a ponta, tanto que com as palavras da Bíblia tentou a Jesus. O problema é que ele a interpreta sempre do modo errado. Desta forma, também estes que subvertem a divina Palavra tentam a Jesus.

 

       Vamos aos dois únicos versículos que poderiam, no meu pequeno entender, sustentar esta “teologia” mortífera:

1)Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância ( Jo 10,10)

2)A fé sem obras é morta (Tig 2,17).

       Apenas estes dois versículos, quando mal interpretados, dão algum sustento a este modo torto e vesgo de pensar. Vejamos bem: qual é a única vida literalmente abundante? A única vida abundante e em plenitude é a Vida em Deus! A Vida da Graça! A Vida da Alma! O Amor pleno! A Vida Eterna!

 

       É impossível haver abundância perfeita naquilo que é terreno, porque a ambição humana é insaciável e não conhece limites. E quem interpreta estas palavras de modo contrário faz exatamente o que satanás disse a Jesus: “Se tens fome, faz com que estas pedras se tornem pão” (Mt 4,3)! A resposta de Jesus literalmente demoliu este falso modo de ver: “Não só de Pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4). Quer dizer, quando a busca do pão terreno suplanta a busca de matar a fome da alma imortal, em qualquer ser humano, então é porque esta alma já está sufocada, estéril e semi-morta.

 

       Por um desígnio divino, esta sede do homem de buscar a Deus é pela própria natureza muito superior. Mas os promotores desta forma herética de interpretar a Palavra Divina insistem em transformar as pedras em pão, mesmo sabendo que milagres não acontecem todos os dias, porque a fé da grande maioria é mísera, é diminuta ou nula. Mas se eles tivessem realmente fé naquilo que pregam, se vivessem na carne o que acreditam, certamente a sua falsa igreja teria já dado frutos diferentes e bons.

 

       Refiro-me a frutos de conversão e de graça. Na verdade, estes frutos se restringem ao ódio aos ricos, à inveja dos poderosos, intriga, futrica, xingamento, divisão, afronta às leis, discórdia e divisão, invasões, briga, sangue e morte. Todos, absolutamente TODOS, frutos podres. Que se tratasse, afinal, destas coisas em reuniões FORA da Igreja, pois discutir estes assuntos COMO Igreja é abominável.

 

       De igual modo, a palavra de Tiago tem um sentido mais pleno. Sim, a fé sem obras é morta! Vejamos: para começar, se são obras da FÉ, são obras do espírito. E quais são estas obras primordiais da fé? Dar de comer a que tem fome... do Pão do Céu! Dar de beber a quem tem sede... da Palavra de Deus! Vestir os nus... do conhecimento de Deus. Dar pousada aos peregrinos... que por todos os lados buscam a Deus sem encontrar. Remir os cativos... das prisões do pecado. Visitar os doentes... do espírito, porque não mais se confessam! Visitar os encarcerados das prisões da alma e de satanás, dando-lhes a força para quebrarem estes grilhões e se libertarem.

       Então, se você fizer isso mil vezes, deverá obrigatoriamente também fazer as obras físicas da caridade, porque apenas esta dupla ação nos justifica. Nem  somente uma,  ou apenas a outra. Mas, positivamente, as obras do espírito vêm milhares de vezes ANTES, pois Deus nos pede o que é Dele sobre todas as coisas.

 

       E o Divino Mestre deu também o indicativo para esta questão. Marquem bem esta passagem, de uma clareza luminar. Que aconteceu na segunda multiplicação dos pães (Mt 15,29-39)? O povo já estava seguindo a Jesus pelo deserto por três dias.  Logo, o povo que saiu às   pressas para segui-lO não tinha levado alimento consigo e, portanto, estava com muita fome, desde as primeiras horas. Que fez Jesus? Não lhes deu logo o alimento do corpo. Tratou primeiro, e longamente, a todos com o Pão da Palavra, não havendo registro de fome ou pedido pão. Quando, então, chegou a hora de despedir o povo, Jesus disse: “Não é bom despedir o povo com fome”. E assim aconteceu o milagre da multiplicação. Assim deve ser também o nosso modo de pensar, de ver e de agir.

 

       Em todos os quatro Evangelhos, buscando em  todas as palavras de Jesus, suas ordens, seus conselhos, seus pedidos, suas advertências, nada encontrei, nem de leve, que indicasse uma necessidade de preocupação com as coisas deste mundo. Muito pelo contrário, o Senhor nos diz claramente em Mateus 6, 25-34. Ali, Ele nos alerta sobre esta ansiosa solicitude da vida. “Não vos preocupeis com elas exageradamente,”,diz o Senhor, ou pior, unicamente, como esta gente faz.

 

       De fato, a interpretação de todo este texto é literal, direta e inatacável. Se seguíssemos exatamente este conselho de Jesus, e buscássemos antes,  de coração, as coisas de Deus, Ele próprio derramaria sobre nós um dilúvio de abundância, todo este “resto” a que tanto nos apegamos desde sempre. Seria a única forma de acabar com a miséria e com os “excluídos e marginalizados” de toda a terra. 

 

       Vejamos agora o exemplo de Maria e José! Que fizeram eles? Cuidaram do Filho de Deus! E O educaram santamente. Mas, se aquela família maravilhosa e exemplar fez apenas isso, então terá falhado no social!  Não. Eles agiram corretamente, como nenhuma outra ainda o fez. Acaso Maria estava então pelas periferias servindo os pobres? Não, mas certamente sempre ajudou a quem necessitava, assim como nas bodas de Caná! Mas é certo, ela nunca negou nada a quem a procurasse.

       Eis o exemplo mais simples, da humilde Maria, do humilde José! Eles moraram alugados no Egito, moraram de favor, sempre em casas humildes - mas extremamente limpas – da mesma forma que tantos hoje, pois o Pai não lhes deu nada em excesso. Era desígnio divino que o Filho fosse em tudo igual aos homens. Mas para viver uma pobreza laboriosa e aceita, jamais preguiçosa e sustentada, como tantos (não todos) dos “barracos de lona preta” que há por  aí.

 

       Assim, se todos ajudássemos àqueles que o Senhor nos envia, não haveria ninguém na terra passando necessidade. A existência de oprimidos é prova absoluta de que não fizemos tudo o que podemos por eles. E não haveria necessidade de ninguém sair à cata deles, pensando com isso justificar-se. Deste modo, se nem Jesus, nem Maria nos dão exemplo neste sentido, se os Evangelhos calam toda a ação apenas social - mas bradam a necessidade de pregar o Evangelho -, onde achar base para uma tão perniciosa teologia? Se qualquer teologia fosse necessária, a Palavra não esqueceria disso.

 

       Não se deve também tratar as pessoas apenas com o alimento da alma. É preciso tratar do seu corpo. Mas é absolutamente necessário estabelecer o primado absoluto do alimento primeiro da alma sobre o secundário, o do corpo. Entretanto, os ferozes adeptos desta vã doutrina alegam que é preciso antes tratar o corpo, ou pior, basta apenas tratar o corpo, para que se processe o Reino de Deus; a tal e falsa “vida em abundância” que pulula em suas pregações.

 

       E é por isso que TODOS eles dizem: “Oração também é importante!” Quando a verdade é: “Oração é o mais importante!”. Infinitamente MAIS importante! Sem a oração é impossível alcançar o Pai. E sem alcançar o Pai é impossível obter Dele as graças, os dons e os bens  de que todos necessitamos. É Ele quem diz: “Pedi e recebereis, buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á” (Mt 7,7)! Este é o ÚNICO caminho!

 

       Por outro lado, se poderá dizer que, colocando as coisas deste modo  estaríamos esquecendo a caridade. Absolutamente NÃO! A caridade é a forma de expressão máxima do AMOR cristão. A caridade é o modo superior de realizarmos pelos irmãos aquilo que não podemos fazer para Deus, pois nada do que formos capazes de fazer pode melhorar os perfeitos atributos Dele. Ao ajudar nossos irmãos, estamos praticando a maior das virtudes. Assim, a suprema caridade é levar almas a Deus.           

 

       Entretanto, é preciso reafirmar que importa MIL vezes antes tratar a ALMA como forma superior e eterna, que o corpo finito. Afinal, como procedia Jesus nas curas? Primeiro dizia: “Teus pecados estão perdoados”. Depois: “Levanta-te e anda” (Mt 8,6)! De nada adianta fazer o inverso: despedir o irmão que chega faminto apenas com a sua barriga cheia... mas tendo a alma atribulada! Antes de salvar o seu corpo, salve a sua alma! Tem muito mais valor para Deus um simples copo d’água, dado com carinho, a alguém que o Senhor nos manda à porta, que MIL obras executadas na periferia, as quais o Senhor não pediu!

      

       Destas frases se conclui, então, que existe um imenso abismo  quanto a este “buscar primeiro as coisas de Deus” para recebermos “o resto por acréscimo”. Esta opção se executa no coração! Na entrega total e absoluta a Deus! A diferença é a mesma que há entre a eternidade, o infinito e o curto espaço de tempo de uma vida, mortal e finito. E isso nunca foi diferente! Jesus nunca disse o contrário!   Buscar antes as coisas passageiras do mundo, esquecendo-se de Deus, é subverter o sentido da Divina Palavra. E o Senhor nos pergunta:  “Por que deturpais o sentido das Palavras de Deus”?(Jr 23,35).  Pode-se ainda pegar mais pesado contra estes, usando as palavras que estão  em Atos 13,10: “Filhos de satanás, cheios de todo engano e de toda astúcia, não cessais de perverter os caminhos retos do Senhor?”. Quem age assim é um guia cego conduzindo cegos! (Mt 15,14; 23,19) 

 

       Já na lei antiga, nos próprios Salmos, como em 80(Heb 81) 14 e 17 está dito:  “Ah, se Meu povo Me tivesse ouvido, se Israel andasse em Meus caminhos! ... Eu o teria alimentado com a flor do trigo, e com o mel do rochedo o fartaria”.. Ora, flor do trigo e mel do rochedo não podem jamais  ser entendidas de modo espiritual.  São trigo e mel  para alimentar o corpo. Mas PRIMEIRO é preciso obedecer a Lei!

 

       Quer dizer, bastaria o povo andar nos caminhos do Senhor. Bastaria que vivêssemos a Sua Santa Lei, e Ele nos fartaria, pois isso para Ele é simples. Foi assim com o maná do deserto, com as codornizes... com os pães... É assim com a Santa Eucaristia. A falta do entendimento da Palavra divina impede-nos de segui-la. E é este racionalismo pernicioso que induz ao erro, para a ruína de tantos. E se estes são induzidos ao erro, é porque gostam de se fartar da mentira.

 

       O Senhor também disse: “Não deverá haver pobres no meio de ti, porque o Senhor, teu Deus, te abençoará certamente... contanto que obedeças fielmente à Voz do Senhor, teu Deus pondo cuidadosamente em prática o mandamento que hoje te imponho... Se houver no meio de ti um pobre... não endurecerás o teu coração e não fecharás a mão diante de teu irmão pobre; mas abrir-lhe-ás a mão e emprestar-lhe-ás segundo a sua necessidade (Dt 15, 4-8).

 

       Veja aqui duas coisas claras: 1) Sim, não haverá pobres, desde que se cumpra a lei do Senhor; 2) Não está dito que se deva DAR tudo e sempre, para quem não trabalha; deve-se emprestar na medida da necessidade e, é claro, também dar. Sim, há os pobres “beira de estrada” que sofrem e precisam de ajuda, principalmente suas crianças.

    Mas há também os que se aproveitam desta situação para receber SEMPRE tudo de graça, sem qualquer esforço. E São Paulo diz clara e duramente: “Quem não trabalha, não tem direito de comer”. Fechar os olhos para esta realidade é novamente descumprir a lei.

 

       Veja agora outra passagem dos Evangelhos. Jesus acabara de fazer a segunda multiplicação dos pães, entretanto passando para a outra margem do lago, os discípulos haviam esquecido de levar pão. Jesus disse-lhes: guardai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus. Eles pensavam: é que não trouxemos pão! Jesus penetrando-lhes no pensamento disse-lhes: Homens de pouca fé! Por que julgais que vos falei por não terdes pão? .. porque não compreendeis que não é do pão que vos falava...(Mt 16,5-12)? Sim, o Senhor se referia à doutrina perniciosa dos fariseus e saduceus; ontem como hoje, fingem não conhecer a verdade, para entregar-se  a pregar fabulas e mentiras.

 

       Assim também na 2ª multiplicação dos pães. Que disse Jesus? “Tenho piedade desta multidão: eis que há três dias está perto de mim e não tem nada para comer. Não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça no caminho”(Mt 15,32). Não sejamos fariseus! Só não entende quem não quer! Se a comida para o corpo fosse mais necessária que a da alma, é certo que o Senhor os teria tratado antes. Ou você irá também contradizer o Senhor? Se fôssemos homens de fé, Ele não nos deixaria faltar nada!

       E assim, nos Evangelhos, o próprio Jesus deixou todas as diretrizes para nos guiarmos, a fim de que todos caminhemos com mais facilidade, para chegarmos ao Pai! Entretanto, já são passados dois mil anos e ainda nem sequer entendemos aquilo que Jesus pediu. Na verdade, não seguimos AINDA nenhum versículo Bíblico na sua essência. Nós ouvimos a Santa Palavra de Deus, mas não a colocamos em prática. Conforme abordei no início, em poucas páginas não dá para descrever tudo. E o sentido não é este. O sentido que imagino dar a este novo texto é a fixação nas coisas simples, no pequenino, naquilo que de mais elementar temos da nossa fé, para compreendermos o quanto estamos longe de a vivermos. Fiquemos  nestes quatro versículos bíblicos para que compreendamos o erro desta...

 

C) TEOLOGIA CONDENADA PELO PAPA.

 

       Tendo exposto os indicativos de uma Igreja verdadeira, podemos agora mais claramente direcionar nossas palavras para o cerne da questão. Cito novamente estas frases de Jesus:

1)    O Meu Reino NÃO É deste mundo!” Se o Reino de Jesus não é deste mundo, logo, para buscar a Deus, devemos primeiro buscar o Reino do Céu. Afinal, nosso primeiro mandamento é: “Amar a Deus sobre TODAS as coisas”. Como é que podemos passar o tempo inteiro pensando apenas nas coisas DESTE mundo?

 

2)    Buscai PRIMEIRO o Reino de Deus e a Sua justiça e o RESTO vos será dado por acréscimo”(Mt 6,33). Logo, não existe outra forma de interpretar esta Palavra; ela deve ser entendida apenas no sentido literal da frase, não no sentido místico; meçamos o tempo médio de uma vida neste paí