NOSSA SENHORA DA SANTA CRUZ

 

APRESENTAÇÃO

 

    Ninguém é capaz de imaginar os esforços que o Céu tem feito, em especial nas últimas décadas, para alertar esta pobre humanidade sobre aquilo que está para acontecer, caso não volte rápido a Ele pela conversão profunda.

 

    Ninguém poderá também, fazer nem mesmo uma pequena idéia do sofrimento a que têm sido submetidos certos profetas, deste tempo de trevas em que vivemos, para cumprirem a missão que Deus deles solicitou.

 

     Em alguns casos, a perseguição a que eles têm sido submetidos, seja da parte do clero seja dos leigos, chega a persistir até a morte do próprio profeta e continuar depois dela. De fato, alguns casos há, em que a mensagem só se torna conhecida quando morto o profeta. Mas a verdade sempre prevalece. Deus sempre vence!

 

      Este é por certo o caminho da Cruz, o que salva! O próprio Jesus só teve a sua mensagem entendida após a morte, e “o discípulo não é maior que o mestre”. Aqui você verá um caso pungente de perseguição. Verdadeira Cruz, que, inclusive, continua até depois da morte do profeta. 

 

     Neste livreto, uma pequena mostra desta profecia sofrida. Ela é a nosso ver e sentir completamente verdadeira, e sobre ela damos fé. Nós tivemos a graça de conhecer pessoalmente a vidente e pudemos constatar sua grande piedade e a sua enorme fé. Especialmente sua humildade e aceitação da Divina Vontade.

 

     Leia este pequeno resumo das mensagens e se compenetre da sua grande importância para o nosso tempo.

 

 

Padre Nicolau Martinowsky

 

 

PRÓLOGO DA 2ª EDIÇÃO

 

     Nos arcanos da Divina Providência, o Brasil foi escolhido – e privilegiado – nas visitas de Maria Santíssima.

     Transcorridos tantos anos das aparições dela – 1944 a 1988 – naquele bosque situado na rodovia Erechim a Aratiba – Km 20 – na região chamada Lajeado Paca – RS – são poucas as pessoas que ainda duvidam da veracidade das aparições, à vidente Dorothea Faria e a seu filho Geraldo como Nossa Senhora da Santa Cruz.      

    Já muito antes, a 19 de setembro de 1846, nas vésperas da festa de Nossa Senhora das Dores, Maria Santíssima apareceu a Maximino – 11 anos – e a Melânia – 13 anos – dois adolescentes que tangiam as vacas dos patrões no alto dos Alpes franceses, região próxima à localidade de La Sallete.

     Naquela ocasião, Maria se apresentou sentada numa pedra, chorando, com o rosto entre as mãos. Trazia no peito um Crucifixo – do qual pendia Jesus – parecendo vivo. Nos braços da Cruz, à direita um martelo, a esquerda uma torquês, símbolos do martírio.

     Já naquele tempo a Mãe denunciava a profanação do dia do Senhor – Domingo – e também as blasfêmias, a falta de oração e de penitência. Predizia calamidades, como pragas na lavoura, a morte das crianças no colo de quem delas cuidava, preconizava doenças vindas dos animais, e a morte dos adultos pela fome.

     E hoje as estatísticas confirmam, ano após anos, um crescendo constante destes eventos. Mais de um milhão de adultos morreram de fome, naquela época, na Europa. E hoje, as mortes continuam. E as doenças e pragas estão aumentando dia a dia! Inclusive as doenças vindas dos animais, como a Sars, ebola, e agora a tal de gripe do frango. E que ficaram piores, porque o povo não escuta.

     Aqui, em Erechim, no Lajeado Paca, Maria também se apresentou com o Filho Jesus, crucificado em seu peito. Com uma diferença: não havia crucifixo no seu pescoço como em La Sallete! E Jesus aparecia cravado no peito de Maria, sua Mãe, com pregos tais que, atravessando as Mãos Dele, varavam também o Coração Imaculado de Maria. Os cravos varavam seu corpo inteiro e iam fixar-se numa Cruz luminosa que estava às costas da Mãe Santíssima.

     “Uma espada de dor, vai te atravessar o coração!” (Lc 2,35) Eis ai o coração de Maria transfixado entre a Cruz e seu Filho, Jesus!

     “Vós que passais, parai e olhai se existe dor igual a minha dor!” Onde estariam as maiores dores de Maria? No Calvário? Presenciando as torturas de Seu Filho? Ou no mundo atual, vendo a perdição de tantas pessoas que ela adotou como filhos? Que não ouvem e não vêem?

     Não será este o seu Calvário? A sua Cruz? Querer salva-los a qualquer custo? Ter que voltar a terra tantas vezes, durante 44 anos naquele mesmo local? Insistindo! Suplicando! Tendo que ver as maiores autoridades locais, as civis e as religiosas, censurando, proibindo a divulgação de suas mensagens! Seqüestrando, torturando e ameaçando de excomunhão a quem as desobedecesse!?

     Há gente esperando que estas aparições sejam cientificamente provadas para só então crer. Que mérito haverá nisto? São os que preferem ser sepultados pelas águas do novo dilúvio que vem, porque não ouvem os avisos, não observam os sinais de Deus. Estes, de fato, negam até ao próprio Deus, pois negam Seu Poder!

     Para a Igreja local, Nossa Senhora da Santa Cruz pedia: Oração! Penitência! Conversão! Já houve inúmeras conversões! A igreja que ela pediu está construída e o povo – milhares de romeiros – rezam lá. Penitência? Muitos se deslocam de enormes distâncias, em cansativas romarias todos os anos! Que mais querem?

     Querem sinais! Sempre mais sinais, nunca estão contentes com os que já têm! Acaso, em 60 anos, alguém conseguiu destruir aquela Cruz no chão? Tudo foi tentado, entretanto ela se formava novamente, como aviso aos que insistem em negar os sinais de Deus, ou os querem eliminar! Querem apagar a Luz de Deus?

     Mais sinais? A Cruz que aparecia no peito de Dorothea, as marcas dos cravos nas mãos e nos pés que sangravam na semana da Paixão, a submissão da confidente à Igreja, sua humildade, sua grande força de oração, sua capacidade de perdão e acima de tudo o miraculoso efeito de aceitar a Cruz sem reclamar jamais!

     Quem não quer ver, nem ouvir, jamais se satisfará com sinal algum! Os fariseus, afinal, exigiam de Jesus sempre a mesma coisa: Sinais! E quando Jesus fazia um milagre, ressuscitava um morto, diziam que era pelo poder do demônio. Pois eu lhes digo, em Lajeado Paca não foi diferente. Até o demônio meteram nesta história. Mas Deus é maior e sempre vence...

     Sim, embora tudo, as autoridades religiosas já aceitaram celebrar a Missa no local, mas elas não aceitam, ainda, o título de Nossa Senhora de Santa Cruz. Falam da Cruz e falam de Nossa Senhora, mas não ligam uma a outra, quando Jesus e sua Mãe, estão eternamente unidos no Amor. Também unidos na Cruz!

     As aparições de Lajeado Paca são a continuação da mensagem de La Sallete. A Cruz, os cravos, o martelo, a torques... os mesmos instrumentos da tortura e da dor! Passados 158 anos, os pecados dos homens, também continuam os mesmos! O mundo não ouviu La Sallete! Ouvirá esta mensagem de advertência final?

     Todos são livres, sim, para não ouvir, mas depois que a hecatombe vier, ninguém poderá alegar que não foi avisado!

     Penitência! Penitência! Penitência pelos pecadores! Quando os homens irão escutar este apelo urgente? Ouçam um pouco mais desta incrível história!

 

Padre Nicolau Martinovsky!

 

NOTA SOBRE ESTA EDIÇÃO

    

     Recentemente recebemos a incumbência da parte de Nossa querida Mãe do Céu, de reformularmos este livro, dando as indicações de como ela gostaria que fosse feito.

     Imediatamente o Padre Nicolau se pôs a campo, para arrumar novas matérias sobre esta aparição de Nossa Senhora, que o demônio tenta de todas as formas sufocar. Hoje, de posse destas anotações, estamos começando a nova tarefa, com o mesmo ardor de sempre, em submissão àquela que nos comanda.

        Para esta nova edição, nos foi pedido ampliar as revelações e melhor explicar os fatos, mudando a capa externa do livro para a foto aceita pela maioria, mas mantendo a mensagem anterior.

    Quanto às matérias, temos preciosas anotações do Irmão Pedro Luiz, entretanto, por serem mais completas, vamos utilizar o texto melhor formulado que achamos entre todos, escrito por Antonio Rambo, do qual pedimos e obtivemos a inteira permissão para usar tudo, de acordo com suas palavras “por amor à Nossa Senhora!”.

    O essencial entre todas as anotações é que as mensagens passadas à vidente, em si, não diferem, prova de que foram redigidas com fidelidade. Quanto às observações particulares, eles sempre divergirão de pessoa a pessoa, sendo impossível agradar a todos. Com Jesus aconteceu a mesma coisa! 

    Assim, os novos textos desta edição, são aproveitados e adaptados de seus escritos, guardando-se a maior fidelidade possível.

                                   

                                    SETE OU OITO MESES DE VIDA

 

   São estes resumidamente os fatos que antecederam às aparições de Nossa Senhora, na localidade de Lajeado Paca, município de Erechim no Rio Grande do Sul.

     Estamos em 1938. Há mais tempo, Dorothea Menegon Farina, casada com Artibano Farina, se encontra adoentada. Na esperança de melhora, dirige-se ao consultório do Dr. Caleffi, em Erexim. Após longa consulta, deixa a sala com uma receita de vários remédios nas mãos. Dentre eles, seis injeções enormes, muito doloridas. Entretanto, a medicação nada resolve. A dor aumenta o que leva a paciente a buscar outros médicos.

     Dr. Barbieri dá o caso por perdido e se nega a cuidar dela. Dr. Zanin a trata por cinco ou seis anos. Também, sem resultado positivo. Trata-se – dizem – de um tronco no estômago. Desenganada, mais uma vez, dona Dorothea volta para casa com este diagnóstico: Restam-lhe seis ou sete meses de vida.

                                   

                                    MORTA POR 24 HORAS

 

     Dorothea é mulher de fé e não se entrega fácil. Ela faz novenas e mais novenas pensando nos cinco filhos que, na época, vão dos quatro meses aos treze anos. À oração junta romarias e longas caminhadas penitenciais, pedindo a sua cura. Reza e confia. Confia e reza!

     Mesmo com os poucos recursos de que dispõem ajuda muito à Pia Obra das vocações Sacerdotais e outras Obras de Caridade.

     Um dia, o inesperado surpreende a família: Dorothea está sem sentidos. Sem respiração. Sentiram que ela estava morta.

     Puseram-lhe um crucifixo na mão e uma vela na outra. A vela queimou, mesmo no interior da mão, sem queimar os dedos. Caixão, túmulo, tudo foi providenciado para o enterro.

     Os filhos choram, desconsolados. Familiares e parentes chegam de longe e se juntam aos vizinhos, na dor do velório. Dorothea ouve tudo o que se passa ao seu redor, mas não consegue dar o mínimo sinal de que está viva, o que só ela sabe. Neste estado ficou por 24 horas.

 

                                    A CURA REPENTINA

 

     Depois de 24 horas – tida como morta – subitamente, Dorothea levanta por três vezes o crucifixo que lhe puseram na mão. Com voz clara se dirige aos filhos, dizendo: “Não chorem, filhos, que eu continuarei a cuidar de vocês”!

    Atônitos, sem entender o que estaria acontecendo, perguntam: “A senhora nos conhece?”

    E Dorothea foi dizendo o nome de todos, um por um, e lhes recomendou que rezassem. Depois, sem ajuda de ninguém, sentou-se na cama. Pediu umas roupas para se vestir e alguma coisa para comer e beber. Desde então estava curada e não tomou mais remédio algum.

     O calendário marcava 17 de dezembro, quando se deu a repentina cura de Dorothea. Os médicos se negam a fornecer o atestado da cura milagrosa. Diziam que eles a curaram. Dorothea lhes diz em tom categórico: “Não preciso de seu atestado. Eu sei donde veio a minha cura e todos esses prodígios. Deus mesmo vai manifestar tudo para confusão de vocês e lhes provará o milagre que agora vocês negam”.

     A família havia gastado uma fortuna com a doença, sem resultado. E diante da cura, assim repentina, o Dr. Caleffi e Dr. Zanin ficam desconcertados. Examinaram-na ao “Raio-X” por duas horas, sem encontrarem mais vestígio algum da doença. Por via de dúvidas, porém, receitam-lhe vários remédios. Em 24 horas ou dentro de um ano, sentenciam, a doença pode voltar! Como a ciência tem o coração duro!

 

OS SEGREDOS DA CRUZ

 

     Dorothea não se preocupou, nem com as 24 horas, nem com o ano de vida que lhe deram. Muito menos com os remédios, que envelheceram na prateleira. Sabia que estava curada. Sabia Quem a curou. Isto lhe bastava e agradecia a Deus.

     Depois de curada, Dorothea teve ainda outros filhos, para a alegria do seu lar. Nunca, em toda a sua doença, teve ela alguma exclamação de queixa, desânimo ou impaciência. Sempre levou sua cruz com resignação. A cruz que levará no peito depois será, talvez sinal, ou quem sabe recompensa por sua entrega de amor ao crucificado.

     A cruz é, sem dúvida, o melhor prêmio com que Jesus retribuiu a quem O ama. Essa cruz, escândalo para uns e loucura para outros (l Cor 1, 23) é, na verdade, alegria para poucos, embora esteja presente na vida de todos. E a todos é oferecida como sinal de amor por Aquele que mais nos ama.

     Somente a quem se abre ao amor, um dia Deus revelará os segredos da felicidade, nela escondidos. Isto explica a impressionante história que esta Cruz escreveu: no chão e no coração do Lajeado Paca.

                         

A “MULHER DA CRUZ”

 

     No dia 18 de dezembro, um dia depois da cura, outro fato começa a marcar a pessoa e a vida de Dorothea. Em seu peito se formou uma faixa cor de sangue bem nítida que depois cresceu, se avolumou e deixou um cordão duro e palpável, em forma de cruz. É por isso que, a partir daí, ela se tornou conhecida na região como “a mulher da cruz”.

     Começa assim, também no Lajeado Paca, o que tantas vezes se repete, quando Deus visita o seu povo: a luta do bem contra o mal, do sim contra o não, do Céu contra os poderes do inferno. Como Jesus um dia, também “a mulher da cruz” inicia sua via sacra, que vai de Anás até Caifás, de Herodes a Pilatos, da cruz ao Calvário, com o peso redobrado pela perseguição, pela descrença e pela rejeição. Esta a saga do verdadeiro profeta, que contra nada disso se revolta, antes segue confiado em Deus e na Sua infinita misericórdia. Profetas lamuriantes, não vêm de Deus! Dorothea, como Jesus, também não foi bem aceita em sua terra!

 

                                    “TUA GRANDE FÉ TE CUROU...”

 

     Na vida difícil daquela época, com as crianças pequenas e sem empregada, é fácil encontrar a mãe de família no tanque ao lado da casa, ocupada com um cesto de roupas a lavar. É precisamente neste afã que a Mãe do Céu vem se encontrar com Dorothea pela primeira vez. Havia algo mais, bem mais importante que a roupa, a ser lavado: a alma! Alma da região, a alma do povo, que necessitava de urgente limpeza.

     Como Moisés diante da sarça que ardia, Dorothea se vê surpreendida por duas faixas luminosas, como relâmpagos, que lhe passam pela frente. A água no tanque borbulha e parece ferver. Enquanto isso, uma doce voz assim se manifesta:

     “Minha filha, foi a tua grande fé que te curou e te salvou da morte. Fé em mim e em meu divino Filho. Penitência, penitência, penitência pelos pecadores. Dize ao meu povo de pouca fé, que no peito tu trazes a sombra do Deus crucificado, e que não há salvação sem confissão. A parte feminina tem 30% que fazem comunhões sacrílegas. Se meu povo não se converter, grandes castigos hão de vir. O homem de hoje está esquecido de meu Filho. Não pensa que Ele morreu na Cruz pelos pecados. Quantas mulheres, que comungam sacrilegamente, só pensam na vida terrena e não cumprem com os deveres do matrimônio. Não pensam nos milhares de crimes que cometem. Propaga a reunião das crianças. Não temas os falsos profetas que te perseguem. Vai, e revela isso a todos”.

     Diante do incompreensível que vê e ouve, Dorothea se assusta, num primeiro momento. Não entende o que está acontecendo. Mas, o que ela ouve é de uma ordem e de uma urgência muito grande: “Penitência, penitência, penitência pelos pecadores”!

 

                                    A CURA PELA FÉ...

 

     Duas coisas existem, na mensagem, que muitos custam a entender, apesar de terem sido depois esclarecidas pela própria Virgem: 1)Dorothea foi curada graças a sua fé em Deus e em Maria; 2) A cruz no peito lhe foi dada como sinal para que o “povo de pouca fé” cresse naquela cura. Mas, como acontece em todas as aparições, cumpre-se também na Santa Cruz o que depois será dito algures: “Para quem crê nenhuma prova é necessária. Para quem não crê nenhuma prova será suficiente”.

     Mesmo assim, Dorothea insiste: “Dá-me uma prova, para que os padres acreditem”! Ao que a Senhora responde: “A prova darei, mas hão de acreditar por meio de castigos. Não cessarão os castigos, enquanto não atenderem ao meu pedido”!

 

                        AS PORTAS DO CORAÇÃO!

 

     As portas do coração humano só têm uma chave. E esta porta, só se abre por dentro. Foi diante desta realidade que Dorothea começou sua dura e difícil missão. Um grupo de leigos, testemunhas dos fatos, a apóia e acompanha. Outros – a grande maioria – no início a condenam e levantam calúnias contra ela.

     Frente ao que ouve de muitos e não entendendo bem se é mesmo do Céu o que ouviu da voz invisível, Dorothea fica um pouco confusa. Asperge-se com água benta, reza e pede para que também outros vejam, ouçam e creiam. Reza vários terços por dia, jejua, faz novenas e outras penitências.

     Diariamente, enfrentando frio, calor, chuva, ou seja, qual for a intempérie, é sempre vista de joelhos sobre a dura pedra ao lado do tanque, onde reza o Rosário completo.

    Eis ai mais uma virtude necessária ao profeta: rezar muito, e rezar de joelhos! Horas e horas seguidas de joelhos, sem reclamar! Assim fazia Dorothea. Pedem sinais? Este é um!

 

                        ESTRANHO PRESSENTIMENTO

 

O que se passou naquele tanque foi grandioso demais. Não poderia, de forma alguma, ser entendido por quem não foi de fato envolvido pela esfera divinal. Não era fácil, por isso, confidenciá-lo a alguém, por mais amigo e íntimo que fosse. Aquela voz, tão meiga e doce, falou mais à alma que aos sentidos. Não há palavras que a possam explicar.

No dia 4 de março de 1944, uma sexta-feira, Dorothea havia terminado sua primeira novena. Desde cedo se sentia envolvida por um estranho pressentimento. Está pensativa e preocupada. Algo está para acontecer, e ela o sente no coração. Mas, como sempre, termina seus afazeres caseiros, para depois varrer o pátio. O dia está lindo e o sol comanda um céu sem nuvens.

De repente, como nove dias atrás, as mesmas faixas luminosas lhe passam para frente. E aquela voz, meiga e doce, volta a repetir a mesma mensagem ouvida no tanque, nos mesmos termos.

 

A CRUZ NA GRAMA

 

Ante o mistério daquilo tudo, ante a urgência daquelas palavras, ante a necessidade de confidenciar a alguém o que lhe vem acontecendo, Dorothea sente o coração explodindo.

Somente à noite, um supremo esforço, consegue abrir-se com o esposo e lhe conta o ocorrido. Mas, o dia seguinte se abre um nova surpresa, um novo “mistério”, para o casal Farina: a grama, em frente a casa, está secando em forma de cruz, medindo 2,20m por 1,40m e 12cm de largura. Começa a se escrever, no chão do Lajeado Paca, uma história que levará muito tempo para ser concluída.

 

SINAL DE CONTRADIÇÃO

 

Quando da sua apresentação, no Templo, Jesus foi revelado por Simeão como “um sinal de contradição” (Lc 2,34), isto é, de queda para uns e de soerguimento para outros. Terá esta cruz que se forma aí, na grama, a sina de ser, também ela, sinal de contradição, como aquele Menino que veio em função dela?

Na sua história de conversões, também descrenças e destruições que hoje, 50 anos depois, conhecemos, forçoso nos é concluir pelo sim. Nesta sua história de meio século, uns nela encontraram um trampolim para uma vida melhor, enquanto outros nela tropeçaram, se feriram e caíram. Foi ao mesmo tempo uma história de fé, de dúvidas, descrenças e testes. Foi, e continua sendo como sinal!

Logo que soube do fato, um padre de Erexim capinou tudo e plantou outra grama. Mas a cruz venceu a prova. Fora dela a grama cresceu verde e bonita. Dentro da cruz, porém secou novamente. O mesmo aconteceu outras vezes quando a terra foi trocada, quando no local o trigo foi plantado e exames na terra foram realizados. Até guardas colocaram para que ninguém tocasse ali.

Suspeitava-se que a vidente a provocasse colocando soda ou sal. Os exames, porém, nada acusaram e a cruz voltou sempre, como Dorothea havia dito desde o começo: “Padre, o senhor pode fazer o que quiser, mas esta cruz vai voltar de novo”!

     A última tentativa de destruição que a cruz sofreu foi em 1993. Um enorme buraco, um verdadeiro poço, foi cavado sobre ela uma semana antes do seu grande dia, a Festa de Exaltação da Santa Cruz, que a Igreja celebra a 14 de setembro. Mais uma vez, porém, a cruz venceu e a palavra da vidente se cumpriu. Para confusão de seus opositores e descrentes, a cruz voltou, como da outras vezes, e lá ainda pode ser vista hoje. Querem mais sinais?

 

UM CALOR ESTRANHO NO PEITO

 

Março e abril são os meses que, geralmente, nos introduzem no tempo quaresmal. Tempo em que também o povo se abre mais facilmente aos mistérios da fé. Nos anos 40, quando tudo começou no Lajeado Paca, as capelas do interior não eram numerosas como hoje. As que existiam, não contavam com a presença da Eucaristia, nem com acólitos ou ministros instituídos. A piedade quaresmal, porém, reunia o povo para a Via Sacra. E foi a Sagrada Via que levou dona Dorothea à Capela São Paulo do Rio Paca, naquela Sexta-feira, 7 de abril de 1944.

Durante a reza ela começou a sentir um calor estranho na cruz que se formara no peito. Disfarçadamente ela examina e percebe que a cruz está sangrando. Nela ensopa o lenço que traz consigo e mais outros tantos que as vizinhas emprestam.

O sangue continuou saindo toda aquela Sexta-feira, todo Sábado Santo e Domingo da Ressurreição, até pelas 6 horas da manhã. Depois se estancou por si e não deixou vestígios nem na camisa, nem no vestido. Só nos lenços e nuns panos com que ela se secou ao chegar em casa.

                       

TUDO SE ESCLARECE

 

Finalmente, no dia 14.09.44, um fato novo surge e esclarece à Dorothea todos os momentos de angústia e do incompreensível, vivido até aqui. Estava ela de saída para a roça quando viu por cima da cruz no chão, uma linda nuvem, branca como a neve. Uma força irresistível a faz se aproximar. A nuvem se abre e uma claridade, mais forte que o sol, aparece. Apesar de muito forte, não cansa a vista. Do meio da claridade surge uma linda e incomparável Senhora de olhos azuis, trazendo no peito uma cruz luminosa de palmo e meio, com contornos amarelos. Os cravos da cruz lançam raios de luz em todas as direções. Por cima da cruz, o martelo e a torquês, instrumentos da crucificação.

A data é significativa para esta aparição. Neste dia a igreja celebra a Festa de Exaltação da Santa Cruz. É o dia escolhido pela Mãe do Redentor para colocar os alicerces do que virá. Os alicerces dum compromisso. Compromisso, não só para Dorothea, mas, para todo o povo. Compromisso que, bem ou mal assumido, será, mais uma vez, “queda ou soerguimento para muitos” (Lc 2,34).

 

                                                QUERO UMA IGREJA

 

Se vier da parte de Deus, uma aparição nunca acontece para trazer novidades ou para alimentar manchetes de jornais e revistas. Acontece unicamente e sempre, para recordar e reafirmar o que já está dito por Jesus nos Evangelhos.

Se vier da parte de Deus, também, uma aparição não vem endereçada a um vidente, mas é apelo e um compromisso para toda a humanidade.

Já no início da sua pregação, Jesus abriu assim o seu projeto: O tempo se cumpriu e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e creiam no evangelho! (Mc 1,15). E por estarmos em dívida com este projeto, o mundo e a Região do Alto Uruguai estão necessitados, ainda, de conversão. É por isto que Nossa Senhora da Santa Cruz, como mais adiante se chamará, desde logo começa pedindo um lugar, um espaço físico de oração e conversão, uma igreja:

“Dize ao meu povo que aqui eu quero uma igreja que será chamada Igreja da Santa Cruz. Por meio desta aparição e desta igreja, muitos se hão de converter”.

O recado é curto, mas traz em si o cerne do mistério de Cristo, o mistério da Cruz. E prosseguiu:  “Minha filha, não chores! Vim consolar-te. Tu não eras possessa de espírito maligno. Foi tua grande fé que te curou e te salvou da morte, fé em mim e em meu Divino Filho crucificado. Leva a cruz. Ama a cruz! Não temas ser desprezada neste mundo. Terás grandes honras perante o meu Filho. Bem sei que os médicos contaram mentiras aos padres, mas foram enganados pelo demônio. Por isso não acreditam no milagre. Bem sei que o povo não de dá crédito. Não te dei a vida para fazer-te rica e poderosa, mas sim para que comuniques ao povo de pouca fé, que reze o Rosário e se confesse. Que faça penitência pelos pecadores. Que vá à Missa e respeite o dia do Senhor. Eu me vejo forçada a deixar cair grandes castigos sobre o meu povo...”

Estas palavras de conforto foram, sem dúvida, um bálsamo para as feridas da vidente. A cruz não marcava somente a grama do seu pátio. Nem a cevava apenas no peito. Até ali, a cruz da dúvida e da incerteza marcava cada passo do seu dia-a-dia. E continuará marcando, até o fim de sua vida, e depois dela!

 

                        “NÃO EXTINGAM O ESPÍRITO”

 

Sempre que o Céu nos dá suas mensagens, o inimigo se encarrega do contrário. A messe do Senhor sempre conta com o joio (Mt 13,26). Onde Deus põe sua verdade, o demônio introduz suas mentiras. Na Santa Cruz, primeiro foram os médicos que intermediaram os enganos dos representantes da Igreja.

“Mas foram, enganados pelo demônio”, disse Nossa Senhora.

Aos encarregados da ceifa parece ter faltado desde o início a sabedoria de Paulo: “Não extingam o Espírito, não desprezem as profecias. Examinem tudo e fiquem com o que é bom” (l Tes 5,19-21). Apesar das falhas no “examinar tudo”, porém, a Mãe do céu prossegue na tarefa da boa semente: Ela não veio em função do prestígio da vidente fazendo-a “rica e poderosa”, mas, em função da conversão de todos à oração e ao encontro com Deus.

Está no coração desta pequena mensagem a chave para a solução dos grandes problemas do homem e do mundo: Oração e mudança de vida. A oração é o primeiro passo. Ela, depois, fará o resto. Porque tentar outras soluções que nos levarão, fatalmente, ao fracasso, aplaudidos por Satanás? Muitos fazem assim!

 

“OS CAMINHOS DE DEUS”

 

Uma coisa que custamos a entender é a escolha das pessoas que Deus faz, para a sua obra. Entre uma fofoca e outra, muitos não conseguiam admitir que Deus chamasse uma “colona” do Lajeado Paca para as suas mensagens. Foi difícil terem presente, que “os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos e suas escolhas divergem das nossas” (Is 55,8).

Seja onde for, uma coisa é certa: Deus não escolhe pessoas perfeitas para envia-las. Nem prefere o mais sábio ou o mais falador. Prefere, sim, aqueles que são capazes de admitir o seu “nada”, pois, somente nestes, Ele pode revelar o Seu “TUDO”. Prefere, sim, os que se encontram munidos de fidelidade, obediência e disposição para assumir a tarefa. Prefere, sim, os “pequenos” que erram, para confusão dos “sábios” que nunca erram. Como existem destes!

Deus escolhe as pessoas como elas são. No convite e no envio, depois, Ele as vai aperfeiçoando com sua pedagogia própria. Se Deus dependesse dos perfeitos para agir no meio de nós, jamais haveria videntes, porque só Ele é perfeito (Dt 32,4) e só Ele conhece o íntimo de todos (Sl 139).

Talvez seja, nos videntes, onde mais transparece a ação transformadora de Deus. Como o barro nas mãos do oleiro (Jr 18,6) eles se deixam moldar docilmente. À medida que se aperfeiçoam, eles próprios vão entendendo melhor a sua missão e o jeito de nela andar. Assim, quando Dorothea um dia pergunta sobre o significado de sua cruz no peito, a Senhora, lhe revela o chamado e o sentido na missão: “Tu hás de levar a cruz do teu Senhor, por teu amor crucificado”.

Dorothea quis avançar um pouco mais, e pergunta:  “E a cruz, na grama, o que significa”? Ao que a virgem lhe esclarece: “Este é o sinal que tu pediste por meio de tua oração e de tua penitência”. “Mas – pergunta ela ainda – por que me odeiam e caluniam tanto assim”? A resposta, simplesmente, foi esta:

     “Quando não puderes mais agüentar as calúnias recorre a mim que te consolarei”! Foi andando que Dorothea aprendeu melhor o jeito de caminhar. E foi neste jeito de caminhar que se lhe formaram no corpo também as chagas do Redentor.

     Se pelos frutos conhecemos a árvore (Mt 12,33), creio que Dorothea foi um pomar suficientemente fértil de transformação evangélica. Suficientemente fértil para revelar um vaso de barro moldado segundo Deus.

 

OUTROS SINAIS

 

Muitas vezes Dorothea havia pedido um sinal para que também outros enxergassem e acreditassem. Além da fonte, da cruz na grama e dos estigmas, a Virgem a brindou ainda com estes exemplos:

Pascoal Maffini, hoje residente em Cascavel, no Paraná, confirma, emocionado, que ouviu distintamente a voz da Senhora revelando o seu nome à Dorothea.

Assunta Rovani, da Capela S. Paulo, também acompanhou os fatos muito de perto, desde o início. Como testemunha de primeira mão, portanto, lembra o dia em que se sentiu envolta por estranha esfera apocalíptica, e uma enorme serpente, símbolo do mal, se aproximava, ameaçadora. Estes dois fatos se deram enquanto Dorothea tinha sua habitual aparição.

Pascoal e Assunta são hoje parte de muitos frutos nascidos no pomar da Santa Cruz, pela vida de oração e testemunho cristão que levam. Mesmo morando distante, hoje, Pascoal sempre marca a sua presença fiel todos os anos na Romaria da Santa Cruz, dia 14 de setembro.

 

AS GRANDES PREOCUPAÇÕES.

 

Desde as primeiras aparições, Nossa Senhora se mostra muito preocupada com as famílias e com as crianças. Insiste na reza do Terço e na catequese em família. Recomenda, inclusive, que todas as Paróquias e Colégios organizem as crianças em “Associações” que as reúnam e evangelizem.

Na visita de 09.12.44 ela volta a carga: “Minha filha, dize aos meus Ministros que façam Associações de crianças. Que façam rezar estes inocentes que poderão salvar o Brasil, o Santo Padre o Papa, seus ministros e os religiosos”.

À Dorothea, por duas vezes, ela pergunta: “Tu ensinas o Catecismo aos teus filhos”? E ela responde: “Oração eu ensino muitas, mas o Catecismo às vezes escapa”.

“Não, - Responde Nossa Senhora, em tom firme – todos os dias tu deves ensinar o Catecismo aos teus filhos. Os pais têm obrigação de fazer isto. É lá que as crianças aprendem o caminho da salvação. Meu Filho dá sempre as luzes necessárias pelo menos a um membro da família, para desempenhar esta missão”.

Dizendo isto, Nossa Senhora chorou copiosamente. Sem dúvida, a força dos inocentes, acionada diante de Deus, pela oração, tem um grande poder. E este deveria ser um dos objetivos da nossa Catequese. Até que ponto acontece isto, na realidade? Catequeses cada vez mais vazias, mas frias, mais falando em ecologia que em Maria, mais falando em “cidadania” que em Jesus! Onde vamos parar?

Frente a esta mensagem da Mãe do Céu, forçoso nos é perguntar, a quantas anda a catequese nas famílias, hoje? É urgente que, pelo menos um membro da família retome o que, infelizmente, a televisão lhes tirou das mãos.

 

O PORQUÊ DAS GUERRAS

 

No mundo dos homens sem Deus, desentendimentos e guerras são uma presença constante. Como, porém, as guerras geralmente acontecem longe de nós, em outros paises, raramente nos questionamos sobre o motivo de tanto sangue derramado estupidamente.

Como fez em Fátima, também na Santa Cruz, Nossa Senhora lança uma luz sobre o problema: “Não têm culpa os governantes, nem os exércitos, mas as artes femininas. Dize às mães de família, que não chorem por aqueles que morrem na guerra, de peste ou de qualquer outro modo. Que chorem sobre aqueles que elas matam por própria culpa, sem o batismo. O número que elas matam é muito superior aos que morrem na guerra ou de peste, no mundo inteiro. Lança-te aos seus pés e pede-lhes, em meu nome, a vida dessas crianças que foram destinadas a ser o sal da terra. Minha filha, o Senhor, teu Deus, foi crucificado pelo pecado mortal. Quantas mulheres que comungam sacrilegamente, 30% só pensam na vida terrena e não cumprem com o dever do Matrimônio”.

Dizendo isto, mais uma vez, a Senhora chorou muito. Suas lágrimas caíam dos olhos, mas, não chegavam até o chão. Desapareciam antes. Ela mesma nos deu este alerta: “Se uma lágrima minha cair na terra brasileira, rios de sangue haverão de correr”!

 Foi esta a primeira vez, e, com palavras muito sérias, que Nossa Senhora falou muito claramente contra o crime do aborto, responsável por sangrentas guerras pelo mundo afora. Ai dos países que aprovaram estas leis! Muitos deles irão desaparecer da face da terra por causa deste crime hediondo! Podem ter certeza disto! Que aguardem!

 

CHAMO-ME: NOSSA SENHORA DA SANTA CRUZ

 

É comum Nossa Senhora se dar o nome do lugar onde aparece. Temos assim a Senha de Fátima, de La Sallete, e tantos outros títulos conhecidos. Aqui, quando Dorothea lhe perguntou pelo nome, a Senhora respondeu: “Eu sou a Mãe de Jesus Nazareno, teu Redentor, e me chamo Nossa Senhora da Santa Cruz”.

Da Santa Cruz, por quê? Com certeza, a Mãe do Céu quer recuperar um tesouro perdido. O Brasil nasceu como TERRA DA SANTA CRUZ. Cedo demais, porém, outros interesses dominaram os recém chegados aventureiros, fascinados com a madeira preciosa e seu valor lá fora. Cedo demais, a Santa Cruz perdeu o espaço para o “Pau-brasil”. E depois, para o futebol e para o carnaval... Queira Deus que nossa amada Pátria volte às suas origens e seja de novo a TERRA DE SANTA CRUZ. E, quanto a nós, Nossa Senhora diz: “O Brasil é de nome católico, mas, falta-lhe a fé. São mais numerosos e falsos que os justos”.

Foi esta a denúncia deixada a nós pela padroeira deste nosso país.  Explica-se, pois, a insistência na oração e na penitência, junto com o pedido de uma igreja – uma capela – para a fé e a conversão.

           

A PODEROSA ARMA

 

A 01.06.45 Dorothea recebeu esta incumbência: “Dize ao meu povo que reze o Rosário nas famílias. É a arma mais poderosa que Deus deixou na terra”.

Em setembro, dia 14, a Mãe lhe passou um recado, repetido, depois, a 06 de janeiro do ano seguinte:  “Meu Filho Onipotente está prestes a descarregar o justo e severo castigo sobre os homens culpados na terra”.

Perguntada sobre o que fazer para evitar isso, respondeu: “Devem jejuar nas Sextas-feiras, respeitar o dia do Senhor e santificar a Sexta-feira Santa. Põem meu divino Filho no sepulcro por moda e não para ser adorado. Somente alguma velha idosa vai beija-lO com respeito e derrama lágrimas sinceras de arrependimento. O resto dos homens fica fora do templo a profanar a religião”.

“Comunica a todos os pequenos que rezem cinco Ave Marias, cada dia, em honra as cinco Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela conversão dos pecadores. Os adultos rezem todos os dias cinco Pai Nossos, na mesma intenção”.

Ainda nesta aparição Nossa Senhora volta a insistir na organização das crianças em associações, e lhe dá esta tarefa: “Façam uma cruz do tamanho daquela da grama e na primeira Romaria que fizerem, seja ela levada até o morro, em romaria, pelas crianças inocentes. Nem que sejam necessárias cem crianças para carrega-la. Lá no morro seja ela erguida. Seja adorada, amada e respeitada por todos os homens, e não desprezada como nos nossos dias. É por meio da cruz salvadora que obterão o perdão e a salvação”.

 

                        “Mão divina jamais será enganada”

 

Se todos os começos são difíceis, os primeiros anos foram especialmente penosos para Nossa Senhora e sua escolhida, no Lajeado Paca. Ataques de toda ordem, boatos, perseguições, difamações, falsos testemunhos contra Dorothea, inclusive atentados houve, para sufocar a obra de Deus. Não só a cruz sofreu tentativas de destruição. Também a vida do casal Farina e a sua casa foram alvos do fogo e até do revolver. Somente uma proteção especial de Deus explica o fato de várias vezes terem saído ilesos de tudo.

Foi a 06 de janeiro de 1946 que a Virgem deu à Dorothea esta consoladora segurança: “Nem que as calúnias sejam tão numerosas como os grãos de areia no fundo dos oceanos, não vencerão. Tudo pode ser enganado no mundo, mas a mão divina nunca será enganada por ninguém”.

Como o joio no meio do trigo, muitos são os desvios que o demônio consegue semear em nossas famílias para atrapalhar e sufocar a presença de Deus. Dentre eles, Nossa Senhora chama especial atenção para as crendices e superstições, infelizmente, muito em voga no meio de nós.

“Se querem a paz e a mansidão no mundo – diz ela – devem afastar as superstições porque é pelo poder de satanás que elas existem”. A qualquer cristão, um pouco atento à falta de paz aos desentendimentos entre os homens, não é difícil perceber a relação disso com esses desvios da fé que Nossa Senhora nos aponta. 

Se nós queremos a paz e o entendimento entre os povos, a condição única é jogarmos pela janela todos esses nossos livros “científicos”, seja qual for seu nome, para nos ligarmos e vivermos a Palavra de Deus, A Bíblia, servindo unicamente ao Senhor, nosso Deus. Só Ele gera “paz e segurança”, vida e liberdade para todos.

Nossa Senhora, na mesma mensagem, prossegue: “De mil curas obtidas pelas superstições, talvez uma seja cura real, mas mesmo esta não fica de consciência tranqüila, porque sente que não foi pelo poder de Deus, mas sim pela busca de satanás”.

Sobre certas diversões, Nossa Senhora também deu o seu recado: “Quantas mães de família estão em mau lugar no inferno, por terem mal educado os seus filhos e filhas. Quantos pecados e crimes vergonhosos se cometem nos salões de baile”!

 

CONFIGURADA COM CRISTO

 

Chamada por Deus, Dorothea mergulhou fundo em sua união com Cristo. Ele não a brindou apenas com Sua Cruz, com Suas Chagas. Associou-a também, vivamente, à sua Paixão, à sua Morte, à sua Ressurreição. Fotos da época guardam os sinais das amarras dos pés de Jesus presentes nos pés da vidente. Além disso, testemunhas confirmam que ouviram as batidas da flagelação, a que ela respondia apenas com gemidos de dor. Nela, como os outros escolhidos pelo mundo, Jesus quis que tomássemos consciência dos sofrimentos que Lhe impuseram os nossos pecados.

Nela também, Ele nos quer chamar todos à conversão e à reparação. Explica-se, assim este pedido da Virgem feito a 24.03.45, no qual ela nos convida a todos a nos identificarmos com seu Filho Jesus: “Minha filha, penitência, penitência, penitência pelos pecadores. Procura com todo o teu coração e força da alma ter sempre presente Cristo crucificado. Jamais esqueças de te apoderar cada vez mais dos tormentos e dores que na Cruz padeceu o meu divino Filho e o que nela praticou e começou a sofrer com paciência. Nela acharás a tua glória eterna. Quero que desde hoje vivas crucificada com Cristo e só vivas para os efeitos da graça divina e que ensines ao meu povo amar a Jesus crucificado”.

“Que sinal é esta cruz’? – pergunta Dorothea. E a Senhora lhe responde: “Não vês que a cruz é o estandarte da salvação? Rezem pelos bispos, pelos padres e por todos os religiosos e religiosas. Virá o dia em que vão ser perseguidos. Muitos serão mortos, e muitos, encarnados, pelos maus. O Santo Padre o Papa sofrerá muito por causa de tantas perseguições à Igreja e aos cristãos, por ver tantas vítimas na guerra, fome e miséria. Esta guerra vai terminar, mas, se não fizerem penitência, virá outra pior. A paz virá somente quando o meu povo voltar a Deus. Tu hás de sofrer muito, primeiro a perseguição do povo, depois, dos padres e do bispo. Mas, oferece tudo pela conversão dos pecadores que tanto precisam. Não temas. Revela isso a todos”!

Profundamente associada aos sofrimentos do seu crucificado, Dorothea teve todos os anos reproduzidos em seu próprio corpo a Sagrada Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Pelas 15 horas da Sexta-feira Santa, a cruz no peito e as chagas começavam a sangrar. Sangravam todo o Sábado até Domingo da Páscoa, pelas seis horas da manhã. Depois o sangue parava por si e não deixava vestígios. Apenas a cruz e as chagas permaneciam. Dia e noite, lençóis e mais lençóis iam sendo trocados e lavados, banhados em sangue.

Cumpre registrar que, mandado por adversários da vidente, alguém ensopou um lenço neste sangue da vidente, para depois ser examinado em laboratório. Em seguida, porém, apareceu alguém com um vidrinho cheio de sangue, de fonte desconhecida. E este conteúdo foi mandado examinar. O resultado foi este: Trata-se de sangue de galinha e não o da vidente. Tudo isso, porém, aconteceu porque eles foram “enganados pelo demônio”, como depois a própria virgem revelou.

 

CRUZ E VIDENTE SE IDENTIFICAM

 

A cruz e a vidente se identificam no Lajeado Paca. E tudo se desenrola de acordo com a previsão da Virgem: “Tu hás de sofrer muito, primeiro, a perseguição do povo. Depois, dos padres e do bispo. Mas, oferece tudo pela conversão dos pobres pecadores que tanto precisam. Não tenhas medo”!

Na cruz da grama, o único possível era tentar arrancá-la dali, mas, não houve como. Todas as tentativas deram em nada. Já com a vidente, havia métodos mais refinados para tentar silencia-la. Todos eles, porém, foram igualmente inoperantes.

A “perseguição do povo” iniciou com a não aceitação das aparições. Seguiram-na a calúnia, a difamação, a fofoca e os falsos testemunhos. A “perseguição dos padres e do bispo” foi o segundo passo. Proibições e ameaças de toda ordem lhe foram impostas. Acusações de insanidade mental e esquizofrenia a levaram a fazer vários exames, que nada comprovaram. Pelo contrário, deram à vidente o aval de pessoa lúcida e completamente normal.

A última e mais dura pena imposta a ela e aos devotos de Santa Cruz foi a excomunhão. Uma Circular foi expedida pela Cúria Diocesana contra Dorothea, contra as aparições e contra todos aqueles que ainda freqüentassem o local das aparições. Sobre o fato, registramos aqui o alerta dado por Nossa Senhora à vidente, na aparição de 01.02.56: “Penitência, penitência, penitência pelos pecadores. Rezai pelos sacerdotes de Deus, porque entre elas há muitos que ferem meu coração e o de meu Divino Filho. Há muitos que não se importam com a sua missão, com o catecismo das crianças e também dos adultos. Eles necessitam da Catequese. É por meio dela que eles aprenderão a melhor servir a Deus”.

Dorothea volta a insistir numa prova: “Mãe querida, dá uma prova para os padres acreditarem”. “Eles agora são confundidos pelos falsos, pelos lobos em peles de ovelha. Provas haveria muitas, mas, os padres não querem provas. Minha Filha aproxima-se o tempo em que o teu Pároco e o de Aratiba vão levar informações ao bispo. Este enviará uma Circular que será lida em todas as igrejas, proibindo os fiéis de visitar este lugar, e lançará a excomunhão. Mas isto não é aceito pelo meu Divino Filho. Eles não podem tirar a fé de meu povo. Eles têm que pensar no que fez meu Divino Filho na Quinta-feira Santa. Ele se deu em alimento e os padres proibindo, um dia hão de dar contas à justiça divina por todas as comunhões dos fiéis, que comungavam em sufrágio das almas, pela conversão dos pecadores e por suas famílias que tanto precisam. Os padres não podem prejudicar a fé de meu povo”.

     “Muitos farão comunhões espirituais, e isto será aceito por meu divino Filho. Ele, na sua paixão, suportou tudo pela salvação de todos e hoje está no Sacrário dia e noite. E quantos católicos passam na frente da igreja, lá está meu divino Filho e Salvador, e não têm tempo de Lhe fazer uma visita, dizer-Lhe, nem que seja uma só palavra de amigo, fazer o Sinal da Cruz. Nem ao menos levantam o chapéu ao saber quanto Ele sofreu por vós. Pensai e meditai na Paixão de meu divino Filho, e jamais pecareis”!

 

O SEQÜESTRO

 

A história das aparições de Nossa Senhora registra vários seqüestros dos videntes, pelo mundo. Fátima, Garabandal e Medjugorje são talvez, os mais conhecidos. Não é de se estranhar, por isso, o seqüestro de que foi vítima também, a “colona” Dorothea do Lajeado Paca. Faz parte da anunciada “perseguição dos padres e do bispo”. É por isso que Dorothea reagia a tudo com muita calma, com admirável serenidade. Sabia onde colocar tudo. E resignada, aguardava que tudo se realizasse.

Foi assim que um dia, foi levada de sua casa pelas autoridades religiosas, sem que alguém soubesse para que e para onde. Dias depois, ela foi localizada pelo povo, num hospital da região. Ali ela havia sido submetida a maus tratos e nem mesmo uma terrível injeção de 25 centímetros de éter a reduziu ao silêncio. E quando a cruz no peito e as chagas começaram a florescer, engessaram-na dos pés à cabeça para ver no que daria. Como satanás, pode usar e enganar as pessoas!

Para espanto do todos, numa aparição que ali teve, portas e janelas se abriram por si, revelando sua presença ao povo que a procurava em toda parte. Em nenhum momento teve Dorothea algum sentimento de revolta contra os seus agressores. A pedido da Virgem, rezava por eles e recomendava que todos fizessem o mesmo.

O seguinte fato ilustra bem esta sua atitude: Estando um dia a tratar os animais na estrebaria, foi inesperadamente atacada por uma vizinha. Um filho que estava por perto percebeu o ataque e veio em socorro da mãe. Quando a agressora se pôs em fuga um estrepe a feriu na perna. Dorothea a socorreu, limpou o ferimento e enfaixou a perna com o avental que usava e lhe disse: “Agora, vai para casa. Um dia você virá aqui para rezar”!

Não demorou muito, a agressora voltou em lágrimas e se juntou ao povo em oração, diante da cruz.

 

INCERTEZAS E INSEGURANÇAS

 

O que talvez mais caracteriza o final do século em que vivemos é a incerteza e a falta de segurança. O povo não tem paz nem segurança. Nem mesmo, na própria casa. Os recursos e os bens da vida, cada vez mais se concentram e se fecham em poucas mãos. As possibilidades de emprego se tornam dia por dia mais remotas, com as máquinas disputando o espaço do homem.

As ruas, com seu vai e vem, desenfreado e delirante, com seus assaltos e seqüestros, já não podem fornecer a ninguém a certeza do regresso ao lar. E quem põe sua segurança à arma que leva, acaba armando mais um delinqüente para os crimes de amanhã.

A única segurança, provinda da proteção divina, se tornou distante, quase impossível, porque já não acreditamos em Deus e não O invocamos. A segurança e a paz que assim procuramos, sem Ele, não existe.

O homem de hoje precisa, com urgência, dar uma volta muito grande nos rumos de sua vida. Estes rumos nos vêm definidos pela Mãe do Céu, na sua mensagem de 06.03.57: “Minha filha, penitência, penitência, penitência pelos pecadores! Pobres filhos, como são ingratos e pecadores! Minha filha humilha-te diante de tantas perseguições e calúnias. Dize-lhes aquelas benditas palavras do meu divino Filho, proferidas na crucificação: ‘Meu Pai, perdoai, porque não sabem o que fazem”!

E diz mais: “Minha filha, não temas. Vai comunicar aos corações mais empedernidos que não vão a Missa, que rezem o Santo Rosário nas famílias. Como o meu coração está triste e amargurado ao ver tantas críticas e calúnias sobre os meus ministros. Vós bem sabeis que não há salvação sem confissão. Os homens querem a paz, mas a paz sem Deus de nada lhes servirá. A paz voltará só quando o povo voltar para Deus”.

A Virgem estava muito triste naquele dia, e Dorothea lhe pergunta: “Mãe querida, qual é o motivo de tantas lágrimas e qual é o pecado que mais vos desagrada?”

Foi esta a resposta: “Minha filha, são essas publicações falsas que ofendem a fé, com tantas fotografias e modas escandalosas nas revistas e nos jornais que não são verdadeiramente católicos. Meu Divino Filho não permite isto nos lares católicos. Estes jornais e revistas poderiam espalhar um bem imenso se fossem verdadeiramente católicos. Mas, em vez disso, estão envenenando o universo inteiro. A verdadeira Igreja de Cristo é a Católica Apostólica Romana... As outras são inventadas pelos homens sem fé. Quantos católicos há, que são tão fracos que se deixam iludir pelos falsos, como a maçonaria, o espiritismo, o comunismo e outras mil religiões e superstições”.

     “Minha filha, em vez do Terço nas famílias, há os cinemas livres, imorais, decretos ímpios e leis contrárias à Lei Divina. E há os crimes destas mães modernas e criminosas, blasfêmias, injúrias, sacrilégios, rancores e ódios, e estes malditos salões de baile que são a própria rede de satanás. Os homens permanecem na mais dura incredulidade, desumanos e pecadores. A cruz salvadora está desprezada em toda parte. O nome do meu divino Filho é arrastado pela lama dos homens pecadores. Os 10 mandamentos não são mais observados. Muita prudência com aqueles que vêm a vós vestidos de peles de ovelha e por dentro são lobos ferozes”.

“Minha filha, se todos os católicos rezarem o Terço e forem à Missa, o Anjo da paz não tardará a descer sobre a terra. Mas, se não fizerdes penitência... O tempo é grave, a nuvem maldita do comunismo quer cobrir o Brasil. Rezai, filhos meus, para que se aplaque a ira de Deus. Porque ela está derramada sobre as Nações e não tardará chegar ao Brasil se não fizeres penitência”.

 

“ESTA PAZ NÃO EXISTE”

 

A paz que os homens procuram, vimos na mensagem anterior, esta paz sem Deus que pretendem, não existe. A paz é o desejo de Deus. Foi oferecida “aos homens de boa vontade” (Lc 2,14). Tem algo em comum com a “Terra Prometida”: Só será possível para um povo realmente disposto a arrancar pela raiz todo o sistema de vida e de governo que explora e oprime (Deut 25,13-16). Esta foi a exigência. Este é o preço.

A paz somente nos pode vir como fruto de uma vivência segundo Deus, numa sociedade fraterna, aberta à partilha e à igualdade entre todos. Foi com estes requisitos, e somente com eles que a terra, prometida a Moisés “ficou em paz, sem guerra” (Jos 11,23c), depois de repartida entre todos por Josué.

A experiência deste povo e as mensagens de Nossa Senhora nos mostram que terra e paz vêm pelo mesmo caminho: o caminho da fidelidade de Deus que passa pela justiça, pela partilha e pela fraternidade entre todos. Numa palavra, pelo caminho da conversão, sem o que, o povo não terá nem terra, nem paz.

Em outra mensagem Nossa Senhora esclarece isto ainda melhor, com um outro enfoque: “O mundo não terá paz enquanto os ricos e os governantes não estenderem a mão aos pobres”.

Esta paz parece hoje mais difícil do que nunca, porque tem como preço a conversão dos homens. Este é o caminho. E não há outro. É por isso que a Rainha da Paz insiste: “Esta guerra vai terminar, mas, se não houver conversão e penitência, virá outra pior”. E virá. E está mais próxima do que se imagina!

 

CONVERSÃO E PENITÊNCIA

 

Há pessoas que julgam ter feito a suficiente com algumas orações decoradas na infância e com a missa dominical – quando vão! Fazem como aquele padre que avaliou sua obediência ao bispo com uma escala de um a dez: “Ficando no um isso não quer dizer que eu seja um desobediente”, concluiu. Ora, obedecer a apenas uma em cada dez ordens do bispo não é somente desobediência; é cuspir nos votos sagrados, feitos diante da Igreja e de Deus!

Com certeza, a obediência evangélica não havia penetrado ainda no espírito, e no interior daquele padre. Como também, o espírito de oração está longe de quem se limita à oração da manhã e à Missa dos Domingos.

O pedido da penitência e da oração sugere bem mais que um simples cumprimento dum dever. Cristo não submeteu Sua obediência ao Pai a uma escala de um a dez. Nem levou sua Cruz por obrigação. Assumiu-a inteira por amor. E sua obediência ao pai foi de 100%.

A cruz, aliás, deve também voltar ao interior a ao espírito da Igreja dos nossos dias. Ela também está necessitada de urgente conversão. Onde estão, por exemplo, as penitências quaresmais de outrora? Por que sumiram, tanto da vida como dos preceitos que hoje nos regem?

Não o perguntemos, porém, à Igreja ou ao Papa. Se o Vaticano II confiou à nossa liberdade de escolha os ilusórios substitutivos de penitência, é à nossa liberdade que devemos perguntar sobre o que fazemos ou deixamos de fazer com eles. A quem se dispõe segui-lo, Jesus propõe a cruz como parte integrante da vida (Mc 8,34). Queiramos ou não, a cruz nos acompanha nos caminhos da vida. Ou é livremente assumida, por amor, ou se torna uma incômoda pedra em nosso sapato. É por isso que Nossa Senhora da Santa Cruz implora:

“Minha filha, penitência, penitência, penitência pelos pecadores. Não vês que a cruz é o estandarte da salvação? Rezai pelos bispos e padres e por todos os religiosos, porque virá o dia em que vão ser perseguidos, muitos serão mortos, e muitos encarcerados pelos maus. O Santo Padre o Papa há de sofrer muito por causa de tantas perseguições à Igreja e aos cristãos, por ver tantas vítimas de guerra, fome e miséria. Esta guerra vai terminar, mas, se não fizerdes penitência, virá outra pior. A paz virá, quando o meu povo voltar a Deus. Tu hás de sofrer bastante, primeiro, a perseguição do povo. Depois, dos padres e do bispo. Mas, oferece tudo pela conversão dos pobres pecadores que tanto precisam”.

“Minha filha, procura com todo o teu coração e força de alma ter perpetuamente presente Cristo Crucificado e jamais te esqueças de apoderar cada vez mais os tormentos e dores que na Cruz padeceu meu divino Filho e o que nela praticou e ensinou a sofrer com paciência. Nela acharás a tua glória eterna. Quero que desde hoje vivas crucificada com Cristo e só vivas para os efeitos da graça divina e que ensines ao meu povo amar a Jesus crucificado. Não tenhas medo. Revela isto a todos”.

 

QUERO UMA IGREJA AQUI

 

No dia 14.09.45, a Virgem mais uma vez assim pede: “Minha filha, penitência, penitência, penitência pelos pecadores. Vai dizer ao teu pároco que aqui eu quero uma igreja, que há de se chamar IGREJA DE SANTA CRUZ”.

A vidente responde: “Ele sabe, mas diz que não tem tempo para isso”!

“Ah sim, minha filha, vai dizer-lhe de novo. Se ele não me atender será perseguido e caluniado e o bispo vai transferi-lo. E vai gastar todo o tempo que tinha para provar a aparição em troca até de lágrimas. Depois ele acreditará. Reza pelo outro, para que não se deixe iludir pelo demônio e pelos maus amigos”.

“Mas, dai-me uma prova – insiste Dorothea – para que os padres acreditem!”

“A prova darei, mas hão de acreditar por meio do castigo. Não são mais dignos de prova divina. Não tenhas medo. Vai dizer ao meu povo que reze o Rosário que é meio seguro de salvação. Porque se não fizerdes penitência, Deus vos mandará pestes aos animais, que depois se transmitirão ao corpo humano.”

Vindo do céu, este alerta nos chama a uma reflexão urgente. Frente a ele, o homem de hoje precisa, com urgência, repensar sua vida, sua história, seus valores, seus costumes, seus relacionamentos, suas escolhas. Bênção ou maldição o homem escolhe. E infelizmente, quase sempre ele escolhe errado.

 

Aarão observa: Estas pestes anunciadas pela Virgem, já estão ai. Já tivemos o problema do vírus Ebola, vindo do macaco. Depois tivemos a SARS, derivadas de animais, e agora temos a chamada gripo do frango, matando pessoas no Sudeste asiático. Vale lembrar que este vírus já foi detectado também nos porcos da região e os cientistas temem que estas rápidas mutações atinjam os seres humanos. E atingirão, porque os homens não escutam mais os avisos de Deus. Logo isso se alastrará pelo mundo! E virão coisas ainda piores que a doença da “vaca louca”! Isso começará a acontecer com os próprios homens!

 

NOVO NOME DA MALDIÇÃO?

 

     Refletindo sobre o doloroso momento que a humanidade vive hoje, uma pergunta se faz necessária: Seria a AIDS o novo nome da maldição que Nossa Senhora anuncia e que a humanidade colhe nos levianos caminhos andados à revelia de Deus?

Sim ou não, frente à advertência de “uma peste dada aos animais, com a posterior transmissão ao corpo humano”, é preciso curvar-se diante de dados que parecem apontar para isto.

Sim ou não, é urgente encararmos com mais serenidade, a nossa condição e dignidade de filhos de Deus.

Sim ou não, é urgente entendermos que a busca do prazer não pode pretender o primeiro lugar, e muito menos, ser o objetivo único da nossa vida.

Sim ou não, a AIDS precisa, urgentemente, ser repensada. Não a partir de preservativos, farta e gratuitamente distribuídos durante o diabólico carnaval. Precisa ser repensada a partir da nossa responsabilidade e dignidade de seres humanos, criados à imagem e semelhança de Deus (Gen 1,26).

Fora disso é difícil crer em boa vontade em soluções que, em vez de preveni-la, a promovem e multiplicam. Muitas famílias e muitas vidas já pagaram alto demais pela libertinagem, camufladamente promovida pelo poder público.

Valha-nos a sorte de Sodoma e Gomorra, “destruídas para exemplo do que acontecerá com os ímpios” (II Pd 2,6).

Valha-nos o alerta de Jesus à sua mensageira Vassula: “Os demônios invejam os homens de hoje, pois estes conseguiram suplanta-los na maldade e naquilo que agrade a Deus”. Maldição ou não, o homem de hoje parece submergido, vítima da própria depravação que criou.

Na carta aos Romanos, Paulo nos lembra que “Deus os entregou a paixões vergonhosas... cometendo atos torpes entre si, recebendo dessa forma em si próprios a paga pela sua aberração” (Rom 1,24-27). Estaria ele retratando o mundo de hoje, voltado ao prazer como objetivo único? Tudo leva a crer que sim!

A mesma advertência nos foi dada pela mãe do Céu, na sua mensagem de 14.09.51: Penitência, penitência, penitência pelos pecadores. Se meu povo não se submeter a fazer penitência, vejo-me forçada a deixar cair grande castigo. Os dez mandamentos não são mais observados. O nome de meu Divino Filho é arrastado pela lama da mais terrível blasfêmia. O dia do Senhor é profanado sem respeito. Cometem mais pecados, num só dia Santo, que em seis dias de trabalho. Quantos homens correm para a perdição do mundo, precipitam-se no gozo e no abismo dos prazeres. A multidão dos pecados que cometem é tal que meu coração está afogado numa torrente de amargura e de tristeza.

Ai do mundo por causa do escândalo, da blasfêmia, da inveja e da calúnia, e do desprezo do dia do Senhor. É esta a causa de grandes castigos nas famílias a na colônia. E esses malditos salões de baile, que são a rede do próprio satanás. Pobres jovens, quantas almas que caem no inferno como a chuva de neve que quase fecha o clarão do dia. O povo é pior que no tempo do dilúvio. A ira de Deus está derramada sobre as nações e não tardará a chegar no Brasil se não fizerdes penitência. Eu vos prometo, se todos os católicos rezarem o Terço todos os dias, o Anjo da paz não tardará a descer sobre a terra. Mas, se não fizerdes penitência, os tempos serão graves. Rezai, rezai, filhos meus, para que se aplaque a ira de Deus!”

 

“PENITÊNCIA PELOS PECADORES!”

 

Em todas as suas manifestações à Dorothea, Nossa Senhora começa, com a insistência: “Penitência, penitência, penitência pelos pecadores!”

Na aparição de 02.03.49 ela volta a pedir que se reze o Rosário nas famílias: “... pois quando todas as famílias cristãs rezarem o Rosário diariamente, a Rússia se converterá e o comunismo terminará, e darei a paz ao universo inteiro. Se não me atenderem, virá um castigo tremendo. Os homens permanecem na mais dura incredulidade, desumana e pecadora, vivendo numa vida mundana, só preferem a riqueza, gozar, tudo para o corpo e não pensam um instante na alma. “O que vale ganhar o mundo inteiro, se não salvarem sua alma que será condenada ao fogo eterno?” Rezai e fazei penitência, que eu estou chorando por vós e mais tarde chorareis vós pelo clamor dos que não rezam e perseguem a religião de Cristo. Rezai, filhos meus, rezai também pelos meus ministros e religiosos.”

     No dia 14.09.49 ela volta a pedir oração e penitências pelos pecadores: ... “As mães cristãs são poucas que se submetem severamente ao Sacramento do Matrimônio. Milhares de crimes se cometem nestes malditos salões de baile. Quantos pecados escandalosos. E quantas crianças que ainda não sabem fazer o santo Sinal da Cruz. O Sinal da Cruz recorda a Cruz de meu Divino Filho e os cristãos deste tempo opõem o Sinal da Cruz as supertições dos pagãos. Os homens pretendem a paz sem Deus. De nada lhes servirá. Se não fizerdes penitência, oração e sacrifício, o Brasil se tornará uma nova Rússia”.

Vai, e dize ao coração mais endurecido que vá a Missa no dia do Senhor. Que se reze o Rosário em todas as famílias cristãs. Onde não ouvem a tua voz, faze-o ouvir por outros. Não tenhas medo e revela isso a todos”.

 

A SALVAÇÃO NOS VEM PELA CRUZ

 

Somente pela cruz nos vem a salvação. Por isso, no caminho de todos os videntes, encontramos a cruz da perseguição, da calúnia e da rejeição. Não poderia ela faltar também no caminho e na vida de Dorothea. Ao cristão comum falta, não raro, o entendimento da cruz. É por isso que, tantas vezes, a evitamos.

Na vida dos videntes ela é o fogo purificador que comprova a qualidade do ouro. Cruz e sofrimento são partes integrantes, no seguimento de Cristo. Eles são a porta por onde encontramos o coração de Deus, revelado assim por Maria:

     “Minha filha, humilha-te diante de tantas perseguições e calúnias. Oferece os teus sofrimentos pela conversão de quem te persegue e calunia. Deseja, como meu divino Filho, aquelas benditas palavras proferidas na crucificação: ‘Meu Pai, perdoa, porque não sabem o que fazem’! Minha Filha, tu não podes imaginar o quanto agrada ao meu divino Filho e a mim e quantas almas arrancaste ao demônio e conduziste ao caminho da salvação. Mas, é preciso que sofras muito ainda. O mundo está na desolação. Os homens, afogados nos prazeres e no gozo. E quantos pecados que cometem com estes dias carnais de satanás. Se continuarem assim, em breve meu divino Filho renovará a face da terra”.

Além das demais cruzes que perpassam os caminhos dos videntes, encontra-se também a das proibições das autoridades. E esta se coloca em especial desconforto diante das mensagens do Céu. Não é fácil obedecer ao Céu quando, na terra, seus representantes, o proíbem. É nestes casos, talvez, que mais necessitamos do discernimento e do bom senso, para “obedecer antes a Deus que aos homens” (At 5,29).

Foi esta também, a única saída para Dorothea no cumprimento da sua missão. Mesmo assim, ela não deixou de expor o caso à Virgem, que assim a aconselhou: “Minha filha, obedece onde é para obedecer... Reza muito pelos padres e pelo bispo”!

 

A SAGRADA FAMÍLIA