PADRE EMMANUEL
Há
tempos recebi este pequeno livro via internet, não sei de que fonte, e peço
perdão pelos créditos a quem teve o trabalho de datilografar, embora ao final
conste o nome da pessoa que o traduziu. Ontem, por menção de um leitor amigo,
achei o texto e comecei a trabalhar nele. Trata-se dos escritos de um sacerdote
deveras ungido, que escreveu sobre o Fim
dos Tempos, sobre a crise da Igreja e o anticristo, nos idos de 1885. O prefácio
do livro é do Bispo francês já falecido Dom Marcel Lefébvre – no Céu –
e seu intuito é mostrar que 100 anos antes já se falava neste tempo horrível,
que hoje explode com fúria.
Em verdade, em grande parte do que Padre Emmanuel escreveu, acerta em
cheio e só em pequenos detalhes diverge da realidade hodierna. Nós colocamos
isso, para que os amigos saibam que desde há séculos temos esta batalha para
alertar as pessoas do que se aproxima. E isso mostra que ninguém poderá alegar
desconhecimento ou surpresa diante dos fatos, porque tudo vem sendo avisado,
mostrado e provado pelos textos bíblicos que anunciam os acontecimentos finais.
A explicação sempre esteve ao acesso de todos os católicos. O grande problema
é que muitos ignoram especialmente os padres. Justamente os que deveriam melhor
saber para bem esclarecer!
Os comentários, eu os farei em itálico, como sempre, numerando cada um.
Não resta dúvida de que Padre Emmanuel era um profeta, não somente no sentido
geral da palavra – aquele que anuncia a profecia – mas também no sentido
lato – aquele que a recebe do céu – porque de outra forma não se
compreende como, 100 anos antes, ele acertasse com tal precisão. Foi no mínimo
alguém ungido pelo Espírito Santo e um dos grandes padres do seu tempo. Como
segue, iniciando com o prefácio.
O
DRAMA DO FIM DOS TEMPOS
Prefácio
feito por: Dom Marcel Lefébvre!
As
páginas que se seguem, escritas pelo R. P. Emmanuel, Prior do Mosteiro de
Mesnil-Saint-Loup, têm cem anos. Foram redigidas em 1884-1885, e estão sendo
publicadas em 1985. O Reverendo Padre Emmanuel é um teólogo, mas sua doutrina
é toda orientada para a vida espiritual. Sua alma arde do desejo de comunicar a
verdade às almas, de levá-las ao Louvor de Deus, de santificá-las ao modo de
São Bento que queria fazer de seus monges bons cristãos, quer dizer, discípulos
de Jesus Cristo.
A
leitura destas páginas sobre a Igreja é entusiasmante, sente-se nelas o sopro
do Espírito Santo. Algumas dentre elas são mesmo proféticas, quando descrevem
a Paixão da Igreja. O ano de 1984 foi também o ano da redação por Leão XIII
de seu exorcismo pela intercessão de São Miguel Arcanjo, que anuncia a iniqüidade
no trono de Pedro. Alguns anos antes o Papa Pio IX fizera publicar os Atos da
seita maçônica da Alta Venda, que são verdadeiras profecias diabólicas para
nosso tempo.
O
Reverendo Padre dá precisões surpreendentes sobre o indiferentismo religioso,
que corresponde exatamente à heresia
ecumênica de nossos dias. Que teria ele dito ou escrito se vivesse em nossa
época! Por seus escritos ele nos encoraja a permanecermos firmes na fé da
Igreja Católica e a recusar os compromissos que arruínam a liturgia, sua
doutrina e sua moral.
O
exemplo de seu apostolado na paróquia de Nossa Senhora da Santa Esperança do
Mesnil-Saint-Loup permanece um testemunho de seu zelo e de sua santidade. Possam
estas páginas ter uma larga difusão pela intercessão de Nossa Senhora da
Santa Esperança. Que Ela se digne abençoar seus leitores e editores.
PRIMEIRO
ARTIGO (março de 1885). UMA
PALAVRA AO LEITOR
I
> Consideramos a Igreja no passado e no presente; falta-nos contemplá-la no
futuro. Deus quis que os destinos da Igreja de seu Filho único fossem traçados
de antemão nas Escrituras, como foram os de seu próprio Filho; é lá que
iremos procurar os documentos de nosso trabalho.
A
Igreja, devendo ser semelhante a Nosso Senhor, sofrerá, antes do fim do mundo,
uma prova suprema que será uma verdadeira Paixão. São os detalhes desta Paixão,
na qual a Igreja fará ver toda a imensidade de seu amor por seu divino Esposo,
que se acha consignada nos escritos inspirados do Antigo e do Novo Testamento. Nós
os passaremos diante dos olhos de nossos leitores. Não temos a intenção de
assustar ninguém tratando de tal assunto. Diremos mais: ele nos parece conter,
ao lado de grandes ensinamentos, grandes consolações.
II
> Certamente é um triste espetáculo ver a humanidade, seduzida e
enlouquecida pelo espírito do mal, tentar sufocar e aniquilar a Igreja sua mãe
e sua tutora divina. Mas deste espetáculo sai uma luz que nos mostra a história
por inteiro em seu verdadeiro aspecto. O homem se agita sobre a terra; mas ele
é empurrado por potências que não são da terra. Na superfície da história,
o olhar apreende as desordens dos impérios e das civilizações que surgem e
desaparecem.
Por
baixo disto a fé nos faz seguir o grande antagonismo entre Satã e Nosso
Senhor; faz-nos assistir às astúcias e às violências do espírito imundo,
para entrar na casa da qual foi expulso por Jesus Cristo. No fim ele entrará e
quererá eliminar Nosso Senhor. Então os véus serão rasgados, e o
sobrenatural brilhará em toda parte; não haverá mais política propriamente
dita; um drama puramente religioso se desenvolverá e envolverá todo o
Universo.
Pode-se
perguntar por que as peripécias deste drama são descritas tão minuciosamente
pelos escritores sagrados, já que ele durará pouco tempo? (1) Porque será a
conclusão de toda a história da Igreja e do gênero humano. Porque fará
ressaltar, com um brilho supremo, o caráter divino da Igreja.
1
– Embora o profeta Daniel – o único profeta que cita tempos e dias – nos
fale que esta grande tribulação final durará sete anos, metade dos quais sob
o domínio direto do filho das trevas – o anticristo – verdade é hoje Deus
reduziu estes tempos, mantendo ainda por hora o monstro chefe escondido. Embora
se saiba que por trás dos bastidores mundiais o anticristo já comande a muitas
das ações de destruição. Isso nos aponta para a seguinte matemática – o
leitor que faz contas entenda – pois, das 2600 noites e manhãs e Daniel, já
passamos 1.868, faltando apenas 732 para o fim de tudo.
Além
disso, todas essas profecias têm incontestavelmente o fim de fortificar a alma
dos fiéis nos dias da grande prova.
Todos os abalos, todos os pavores, todas as seduções que virão assaltá-los,
tendo sido preditos tão exatamente, constituirão argumentos em favor da fé
combatida e proscrita. A fé, neles se firmará precisamente por aquilo que
deveria destruí-la.(2) Mas nós mesmos temos grandes frutos a tirar da
consideração desses estranhos e terríveis acontecimentos. Depois de ter
falado deles, Nosso Senhor disse a seus discípulos: “Velai
e orai, para que sejais encontrados dignos de fugir destas coisas que acontecerão
no futuro, e de permanecerdes de pé na presença do Filho do Homem” (Lc.
21, 36).
2
– Ele diz então, que todos aqueles que hoje ficam sabendo destas coisas, que
acreditam nelas e as vivem, estão se fortalecendo na fé, quando poderiam
desanimar e com medo descrer de tudo. É muito importante que as pessoas se
inteirem dos acontecimentos e compreendam que o caminho da conversão e da oração,
devem ser nosso único trilhar, para que através dela nos fortaleçamos, pois
fora disso todos serão abalados pelo terror.
Assim,
pois, o anúncio desses acontecimentos é
um aviso solene dado ao mundo: “Velai
e orai para não cairdes em tentação”. (Mat. XXVI, 41). Não sabeis
quando essas coisas acontecerão: velai e orai, para não seres surpreendidos.
Sabei que desde agora a sedução age nas almas, que o mistério da iniqüidade
faz sua obra, que a fé é reputada um opróbrio (São Gregório); velai e orai,
para conservar a fé. Eis a hora da noite, hora das potências das trevas: Velai
para que vossa lâmpada não se apague, orai para que o torpor e o sono não
tomem conta de vós. Mas antes levantai vossas cabeças para o céu; pois a hora
da redenção se aproxima, pois começam a raiar os primeiros clarões da
aurora. (Luc. XXI, 28).(3)
3
– No Evangelho de Mateus a Parábola das virgens prudentes segue ao texto
escatológico do capítulo 24. Quem hoje se apresta para a grande travessia do
abismo, é aquele que está enchendo seu bornal de Ave Maria, que farão a
corrente que os levará por sobre ele. Os que não acreditam nelas cairão
fatalmente no terror, porque rejeitam a correção e zombam das profecias,
enquanto escarnecem dos profetas. Tenhamos as lâmpadas cheias de azeite e com
reservas: nossa família inteira precisará de muita luz!
III
> Depois de ter falado dos ensinamentos, digamos uma palavra sobre as consolações.
Nunca se terá visto o mal tão solto; e ao mesmo tempo tão contido pela mão
de Deus. A Igreja – como Nosso Senhor – será entregue sem defesa aos
carrascos que a crucificarão em todos os seus membros: mas não lhes será
permitido quebrar seus ossos, que são os eleitos, assim como com o cordeiro
pascal estendido sobre a cruz. (4)
4
– O mal já está solto na terra exatamente como ele previu. Mas tudo que
vemos agora não passa de um prelúdio daquilo que se prevê que virá depois do
desaparecimento do Santo Padre. Só ali terão permissão de assaltar a superfície
da terra, as últimas – e todas – as legiões do inferno. Nós não temos
palavras para resumir o que virá então, apenas aquela frase de Jesus nos vem
à mente para então: os
vivos invejarão os mortos!
A provação será limitada, abreviada por causa dos eleitos; e os eleitos serão salvos; e os eleitos serão todos os verdadeiros humildes. Enfim, a provação acabará por um triunfo inaudito da Igreja, comparável a uma ressurreição. Nesse tempo, e mesmo nos prelúdios da crise suprema, ela verá os restos das nações se converterem. Mas sua mais viva consolação será a volta dos judeus. Os judeus se converterão, (5) seja antes, seja durante o triunfo da Igreja; e São Paulo, que anuncia esse grande acontecimento, não se contém de alegria ao contemplar o que se seguirá. Vê-se como as palavras do salmo podem se aplicar à Igreja: Seguindo a multidão de aflições que encheram meu coração, vossas consolações, Senhor, alegraram minha alma.
5
– A conversão dos judeus é apontada
SEGUNDO
ARTIGO (abril de 1885). OS SINAIS PRECURSORES
I
> A questão do fim do mundo foi discutida desde as origens da Igreja. São
Paulo tinha dado sobre esse assunto preciosos ensinamentos aos cristãos de
Tessalônica; e como, apesar das instruções orais, os espíritos se deixassem
inquietar por predições e rumores sem fundamento, lhes dirigiu uma gravíssima
carta para acalmar as inquietações.
“Nós
vos rogamos com insistência, lhes diz, meus irmãos, não vos deixeis abalar em
vossas resoluções, nem vos perturbeis por qualquer visão, ou falatórios, ou
carta supostamente vinda de nós, como se o dia
do Senhor estivesse perto”.(6) “Ninguém
de modo algum vos engane! Pois é preciso que antes venha a grande apostasia, e
que apareça o homem do pecado, o filho da perdição...”. “Não
vos lembrais que eu vos dizia essas coisas quando ainda estava convosco?”.
“E agora vós sabeis o que é que o retém.
Pois o mistério da iniqüidade já faz sua obra. Aquele que o retém retenha-o,
esperando até que seja posto de lado”. (II Tess., II, 1, 6).
6
– A não ser que tivesse recebido por revelação esta parte, eu acredito que
sequer São Paulo, embora reconhecendo que a vinda de Jesus não estava próxima,
sequer imaginava que isso iria levar ainda dois mil anos. Porque embora a iniqüidade,
a maldade, já naquele tempo operasse entre os homens, ainda assim foram
precisos dois mil anos de sangue derramado na terra, para que ela conseguisse
produzir o filho da perdição. Como
nos explica o Padre Emmanuel.
Assim
o fim do mundo não chegará sem que tenha aparecido um homem apavorantemente mau
e ímpio, o filho da perdição. E este,
por sua vez, só se manifestará depois da grande apostasia geral, depois do
desaparecimento de um obstáculo providencial sobre o qual o Apóstolo havia
ensinado de viva voz a seus fiéis.
II
> De que apostasia fala São Paulo? Não
se trata de uma defecção parcial; ele diz de uma maneira absoluta, a apostasia
(7). Só se pode entender a apostasia em massa das sociedades cristãs, que
socialmente e civilmente renegarão seu batismo; a defecção dessas nações
que Jesus Cristo, segundo a enérgica expressão de São Paulo, tornou membros
do corpo de sua Igreja (Ef III, 6). Somente esta apostasia tornará possível a
manifestação e a dominação do inimigo pessoal de Jesus Cristo, em uma
palavra, o Anticristo.
7
– A apostasia é a negação da fé. É a rejeição da Verdade de Jesus, em
nome de uma falsa verdade humana. É a negação da existência de Deus, quando
o homem se coloca no lugar Dele. Este passo é importante na história, sem o
que não chegaríamos ao filho das trevas, ao homem mau, aquele que se quer ver
adorado por todos os homens. Adiante o Padre o apresentará com todas as letras.
Os dias da apostasia, então, acontecem hoje. Sim, como ele previu, será apenas
parcial. Um pequeno resto permanecerá fiel.
Nosso
Senhor disse: Será que o Filho do Homem,
quando voltar, encontrará a fé sobre a terra? (Lc., XVIII, 8). O divino
Mestre via a fé declinar, num mundo que envelhecia. Não são os ventos do século
capazes de fazer vacilar esta chama inextinguível, mas as sociedades,
embriagadas pelo bem-estar material, a afastam como inoportuna (8). Voltando as
costas à fé, o mundo entra nas trevas e se torna joguete das ilusões do mal.
Pensa que são luzes, e são meteoros enganadores. Isso irá até quando ele for
tomado pelos primeiros raios do dia da vermelhidão do incêndio.
8
– Estamos então nos dias previstos. Vivemos esta sociedade maldita,
embriagada pelas seduções do mal, ébria de prazeres carnais, produzindo leis
que justificam o pecado, e aprovam crimes legalmente, como o aborto. Eles
praticam isso tudo como se não mais fosse um mal e sim um bem. Satanás os
obnubilou – tapou com nuvens – de tal forma, que já não discernem mais a
direita da esquerda, e comem o mal, e se afogam nele.
Renunciando
a Jesus Cristo, cairá, queira ou não, nas garras de Satã, tão bem chamado príncipe
das trevas. Não pode ficar neutro; não pode criar para si uma independência.
Sua apostasia o põe diretamente debaixo do poder do diabo e de seus cúmplices.
O douto Estius, estudando o texto do Apóstolo, diz que esta apostasia começou
em Lutero e Calvino. Este é o ponto de partida. Daí fez um caminho assustador.
Hoje ela tende a se consumar. Ela se chama Revolução, que é a insurreição
do homem contra Deus e seu Cristo. Ela tem como fórmula o laicismo, que é a
eliminação de Deus e seu Cristo.
É assim que vemos as sociedades secretas, investidas do poder público, obstinadas em descristianizar a França, tirando-lhe um a um, todos os elementos sobrenaturais com os quais foi impregnada durante quinze séculos de fé. Esses sectários só têm um fim: selar a apostasia definitiva, e preparar as vias para o homem do pecado.
Cabe
aos cristãos reagir (9), com todas as energias de que dispõem, contra essa
obra abominável; e para isto reintroduzir Jesus Cristo na vida privada e pública,
nos costumes e leis, na educação e instrução. Há muito tempo que, em tudo
isso, Jesus Cristo não é mais o que devia ser, isto é, tudo. Há muito tempo,
reina uma meia-apostasia. Como, por exemplo, depois que a instrução foi
paganizada, poderíamos formar outra coisa que meio-cristãos?
9
– Sim, devemos reagir e já Padre Emmanuel pedia isto! Mas acaso existem ainda
forças atuantes, capazes de deter – pela oração – o processo degenerador
que está em curso? Não, a força humana quebrantou-se de todo e somente uma rápida
intervenção divina será capaz de fulminar, tanto ao corruptor quanto ao
corrompido, porque nenhum dos dois é digno do Reino que vem. Quem hoje não
encontra forças para se desvencilhar de satanás, quem sequer percebe isto, será
por misericórdia que se salvará.
Trabalhando
em sentido diametralmente oposto ao da Franco-Maçonaria (10), os cristãos
atrasarão o advento do homem do pecado: prepararão para a Igreja a paz e a
independência de que ela precisa para alcançar e converter o mundo que se abre
diante dela. Toda a luta da hora presente está, pois concentrada aí:
deixaremos, sim ou não, nós batizados, que se consuma a apostasia que trará,
em pouco tempo, o Anticristo?
10
– De fato, os planejadores de satanás previam que este processo deveria começar
a dar frutos por volta de 1975. E já se passaram mais de 30 anos, e ainda não
apresentaram o seu homem de frente. Tudo porque as orações dos justos impelem
o processo adiante e Deus não permite que siga, porque a besta não é dona do
tempo: o pai somente permitirá que o processo avance, na medida em que a própria
fera esteja preparada e se sinta tão forte, que imagine poder vencê-LO. Só
então virá o sopro arrasador do Espírito Santo!
III
> O Apóstolo fala, em termos enigmáticos, de um obstáculo que se opõe à
aparição do homem do pecado: “Aquele que o retém, diz ele, retenha-o, até
que ele seja posto de lado”. Por esse que retém, os mais antigos Padres
gregos e latinos entendem, quase unanimemente, o Império romano. Conseqüentemente,
eles assim explicam São Paulo: enquanto subsistir o império romano, o
Anticristo não aparecerá. Repugna esta glosa aos intérpretes mais recentes; não
admitem que a sorte da Igreja esteja ligada à de um império; mas procuram em vão
outra explicação satisfatória. Confessamos ingenuamente que o pensamento dos
antigos não nos parece tão desprezível, desde que o entendamos com certa
amplidão.
Notemos
que São Paulo, anunciando aos fiéis uma apostasia quando a conversão do mundo
estava esboçada, estava lhes dando uma visão de todo o futuro da Igreja. Ele
lhes anunciou que as nações se converteriam que se formariam sociedades cristãs,
e depois estas sociedades perderiam a fé. Ele lhes mostrara, sem dúvida
alguma, o império romano transformado, um poder cristão surgindo no lugar de
um poder pagão, a autoridade dos Cesares passando para mão dos batizados que
dela se serviriam para estender o reino de Jesus Cristo. Ele poderia, desde então,
acrescentar: enquanto durar este estado de coisas, estejam tranqüilos, o
Anticristo não aparecerá.
O
sentido do Apóstolo, entendido largamente, seria, pois este: enquanto a dominação
do mundo estiver entre as mãos batizadas da raça latina, o inimigo de Jesus
Cristo não se mostrará. Notemos – como corolário desta interpretação –
que os francos-maçons se opõem antes de tudo e acima de tudo à restauração
do poder cristão. Quando um príncipe se anuncia como cristão, todos os meios
são empregados para se desembaraçar dele. Isto é preciso fazer a qualquer preço.
Assim,
pois é o poder político cristão o que impediria a seita de alcançar o seu
fim. Por outro lado, as raças latinas estão voltadas a exercer no mundo uma
influência católica, ou bem abdicar. Sua missão é servir à difusão do
Evangelho; e sua existência política está ligada a esta missão. No dia em
que a ela renunciarem pela completa apostasia, seriam aniquiladas; e o
Anticristo, surgindo provavelmente do Oriente (11), as esmagaria facilmente com
os pés.
11
– Também em mensagem recente, Jesus falou que a fera surgiria do Oriente. E
de fato, ela somente poderá esmagar a igreja e vencer os santos – por um
pequeno tempo – devido ao fato de os cristãos estarem esfacelados, desunidos
e fragmentados em diversos cetros. Roma não manterá a unidade e bispos estarão
contra bispos. O leitor nota isso hoje, pela primeira vez. De fato, sempre houve
algum bispo rebelde, que acabava punido. Porém hoje o que se formam são grupos
rebeldes e desobedientes ao Papa, que ousam levantar sua voz contra seu pastor
maior. E não há mais punição pela desobediência. É desta rebeldia que se
aproveitará o filho da perdição. Porque a Igreja unida, jamais seria vencida.
Aqui
ainda incumbe aos cristãos agir sobre o espírito público, fazer com que os
governos retomem as tradições cristãs,
fora do que só haverá a decadência para as nações européias e
especialmente para nossa pobre pátria (12).
12
– Hoje se vê que, é exatamente da França que surgem os primeiros sinais de
rebeldia contra as disposições de Roma. O Santo Padre quer trazer de volta a
tradição cristã, mas estes grupos se opõem claramente, porque dormem sobre o
lodo podre da falsidade, e se acostumaram a buscar os prazeres do mundo, pelo
qual trocaram a cruz que salva.Querem uma igreja do mundo, fácil – a que
perde almas – esquecendo daquela de Jesus, a da Cruz e que salva. As nações
européias hoje lutam ao desespero para desvencilhar-se de todo e qualquer sinal
que lembre a tradição cristã – coisa impossível – porque querem se
livrar de Deus. Esta é a prova maior de que o anticristo age, e assim exige.
Quem será este homem?
TERCEIRO
ARTIGO (maio 1885). O HOMEM DO PECADO
I
> Está entre as coisas possíveis, se bem que a apostasia já esteja muito
avançada, que os cristãos, por um esforço generoso, façam recuar os
promotores da descristianização, e propiciem assim, para a Igreja, dias de
consolação e de paz antes da grande provação. Este resultado nós o
esperamos, não dos homens, mas de Deus, não tanto dos esforços, mas das orações.
Nesta
ordem de idéias, alguns autores piedosos esperam, depois da crise presente, um
triunfo da Igreja, qualquer coisa como um dia de Ramos, no qual esta Mãe seria
aclamada pelos gritos de amor dos filhos de Jacó, reunidos às nações, na
unidade de uma mesma fé. Nós nos associamos com prazer a essas esperanças,
que visam um fato formalmente anunciado pelos profetas, e do qual falaremos a
seu tempo.
Qualquer
que seja esse triunfo, se Deus no-lo conceder, não será de longa duração. Os
inimigos da Igreja, atordoados por um momento, retomarão sua obra satânica com
redobrado ódio. Pode-se imaginar o estado da Igreja, então, como semelhante ao
estado de Nosso Senhor nos dias que precederam sua Paixão.
O
mundo será profundamente agitado, como estava o povo judeu reunido para as
festas pascais. Haverá imensos rumores, cada um falando da Igreja, uns para
dizer que ela é divina, outros que ela não o é. Ela será o alvo dos ataques
mais insidiosos do livre pensamento; mas nunca terá reduzido tão bem ao silêncio
seus contraditores, pulverizando seus sofismas.
Em
resumo, o mundo será posto face à verdade; será atingido em pleno rosto pelo
esplendor divino da Igreja; mas ele voltará as costas, e dirá: “Não a
quero!”. Esse desprezo da verdade, esse abuso de graças será a introdução
do homem do pecado. A humanidade estará querendo esse mestre
imundo: e ela o terá. E por ele
se produzirá uma sedução de iniqüidade, uma eficácia do erro (é assim que
Bossuet traduz São Paulo) que punirá os homens por terem rejeitado e odiado a
Verdade (13).
13
– Quero dar ao leitor o exemplo do Brasil, em pequena escala, para explicar o
mundo. Por mais que a mídia divulgue que nosso governo é corrupto, por mais
quadrilhas que se descubram, por mais crimes que se lhe imputem, nada faz o
eleitor compreender este horror. Esta é a operação
do erro, que será permitida por Deus aos que não aceitam a Verdade, por
mais clara que ela seja.
Trata-se
de uma inversão de valores, que acontece por um bloqueio de satanás. Por esta
sedução maligna, os homens preferem livremente crer no errado, pois lhes
desagrada ou até mesmo envergonha a verdade. Nada muda, nada altera a mente
destas pessoas, pois completamente cegas. Este espírito de maldição, hoje
impera em toda a terra, e é uma prova da presença do anticristo. Porque o demônio
é a mentira. Quando os homens a amam, seguem-no achando que isso é um bem.
Quando acordarem, será tarde.
Falando
assim, não estamos fabricando imaginações, seguimos o Apóstolo. Segundo ele,
com efeito, toda sedução de iniqüidade agirá “sobre
aqueles que perecem, como não tendo recebido o amor da Verdade que os teria
salvado. Por essa razão, Deus lhes enviará a eficácia do erro, a fim de que creiam
na mentira; e assim serão julgados aqueles que não creram na verdade, mas
se comprazeram na iniqüidade”. (Tess. II, 11-12).
II
> Quando o homem do pecado aparecer será, pois, como diz São Paulo, a seu
tempo; quer dizer, no momento em que o corpo dos maus, fechado aos golpes da graça,
tornado compacto e intratável pela obstinação de sua malícia, estiver
pedindo uma cabeça como essa. Ele surgirá, e Satã fará explodir nela toda a
extensão de seu ódio contra Deus e os homens. O homem do pecado, o Anticristo,
será um homem, um simples viajante para a eternidade. Alguns autores supuseram
nele a encarnação do demônio; essa imaginação é sem fundamento. O diabo não
tem o poder de tomar e se unir a uma natureza humana, de macaquear o adorável
mistério da Encarnação do Verbo.
Os Padres pensam unanimemente que ele será judeu de origem. Acrescentam mesmo que será da tribo de Dan, fundando-se em que essa tribo não é nomeada no Apocalipse como fornecendo eleitos ao Senhor. Santo Agostinho faz eco a essa tradição em seu livro “Questões sobre Josué”. Ela se torna bastante verossímil pelo fato de que a franco-maçonaria é de origem judaica; que os judeus dirigem-na espalhados pelo mundo inteiro; o que deixa crer que o chefe do império anticristão será um judeu. Os judeus, aliás, que não querem reconhecer Jesus Cristo, esperam sempre seu Messias. Nosso Senhor lhes dizia: “Eu vim em nome de meu Pai, e vós não me recebestes: se outro vier em seu próprio nome, vós o recebereis”. (Jo V, 43). Por esse outro os Padres entendem comumente o Anticristo.
Apesar
de o Anticristo ser chamado o homem do pecado, o filho da perdição, não se
deve pensar que ele será votado fatalmente e irremissivelmente ao mal. Ele
receberá graças, conhecerá a verdade, terá um anjo da guarda. Terá os meios
de alcançar a salvação, e se perderá por sua própria culpa. No entanto São
João Damasceno não hesita em dizer que ele será impuro desde seu nascimento,
todo impregnado do hálito de Satã.
E
é de crer que desde a idade da razão ele entrará em relação tão constante
e tão estreita com o espírito das trevas, se voltará para o mal com tal
teimosia que não deixará penetrar em sua alma nenhuma luz sobrenatural,
nenhuma graça do alto. Ele ficará imutavelmente rebelde a todo bem. É isto
que lhe valerá o nome de homem do pecado. Ele levará ao seu máximo, fazendo
de toda sua vida um só ato de revolta contra Deus; por essa constante aplicação
do mal, atingirá um requinte de impiedade que nenhum homem nunca alcançou.
A
qualificação de filho da perdição que lhe é comum com Judas, quer dizer que
sua perda eterna está prevista por Deus, querida por Deus, em punição por sua
terrível malícia, a ponto dela estar inscrita nas Escrituras e como que
registrada de antemão. É provável, e isto é o que diz São Gregório: o
monstro conhecerá de uma luz que sai das profundezas do inferno a sorte que o
espera, mas renunciará a toda esperança de salvação para odiar a Deus mais
à vontade (14), e isso o fixará desde esta vida na irremediável obstinação
dos danados. E assim ele realizará o terrível nome de filho da perdição.
14
– Não duvidem de que estas pessoas existem. Chico Xavier foi assim! Há
pessoas, que desde a mais tenra idade se entregam ao demônio, com toda a sanha
alucinada de suas podres almas. Eles são como réprobos, que assim se fazem.
Amam à maldade, se deliciam nela, e nada do que é bom os atrai. Deus não os
criou assim, nem mesmo o anticristo. Mas este homem em particular, por seu livre
desejo abominável, terá alcançado um índice de ódio tal, pela maldade, pela
mentira, que isso permitirá que o próprio Lúcifer se manifeste através dele,
a um ponto tal que este se sinta adorado, como se fosse a mesma pessoa. Será
completamente possesso de Lúcifer.
Ninguém
até hoje, nenhum homem nascido de mulher, jamais em toda terra, conseguiu
chegar a um ponto tal de aproximação com o demônio. E ele chegará a isso,
apenas porque o espírito mau que domina os homens de hoje, esta sede de maldade
e de pecado, atingiu a um ponto tal que criou
o clima possível ao surgimento deste monstro hediondo. Porque em
circunstancias normais, ele seria trancafiado a ferros e morreria podre numa
masmorra. Assim, será acolhido, aclamado e finalmente adorado por milhares de
pessoas que se acostumaram já aos ídolos humanos, e eles amarão seu
“sucesso”, sua beleza, seu poder, sua força. Até que seus dentes os
triturem, aí será tarde para bilhões de seres alucinados.
Desta
maneira ele será verdadeiramente o Anticristo, a saber, o antípoda de Nosso
Senhor. Jesus Cristo estava elevado acima do alcance do pecado; o Anticristo se
porá fora do alcance da graça, por um abandono de todo seu ser ao espírito do
mal. Jesus Cristo se volta para seu Pai com todo o impulso de uma natureza
divinizada e preservada das más influências; o Anticristo se voltará para o
mal com todo o impulso de uma natureza profundamente viciada e que renunciará
mesmo à esperança.
III
> Estando assim diametralmente oposto a Nosso Senhor, ele fará obras em
oposição direta às suas. Ele será para Satã um órgão de escol, um
instrumento de predileção. Assim como Deus, enviando seu Filho ao mundo, o
revestiu do poder de fazer milagres, e mesmo de dar a vida aos mortos, assim
também Satã fazendo um pacto com o homem do pecado, lhe comunicará o poder de
fazer falsos milagres.
Por
isto São Paulo diz que “sua vinda é
obra de Satanás com o desdobramento de poder, de sinais e de prodígios
mentirosos”. Nosso Senhor só fez milagres de bondade, recusou fazer prodígios
de pura ostentação; o Anticristo se comprazerá em fazê-los, e os povos, por
um justo julgamento de Deus, se deixarão prender por suas artimanhas (15).
15
– Nós já vimos como os mágicos de hoje, conseguem realizar sortilégios
cada vez mais espetaculares, e os recursos técnicos hoje existentes conseguem
realizar prodígios. Pois este filho das trevas usará destes meios, falando em
diversas línguas ao mesmo tempo, sendo entendido por todos os países, que
acharão tais coisas somente possíveis ao um Deus. Mal sabem eles que os demônios
estarão por trás destes falsos prodígios.
Está
claro, pelo que precede que o Anticristo se apresentará ao mundo como o tipo
completo desses falsos profetas que fanatizam as massas, e que as arrastam a
todos os excessos, sob o pretexto de uma reforma religiosa. Sob este ponto de
vista, Maomé parece ser seu verdadeiro precursor. Mas ele o ultrapassará de
imediato em perversidade, em habilidade, como também pela plenitude de seu
poder satânico.
Estudaremos
em próximo artigo as origens e os desenvolvimentos de seu poder, assim como as
fases da guerra de extermínio que ele desencadeará contra a Igreja de Jesus
Cristo.
QUARTO
ARTIGO (junho de 1885) O IMPÉRIO DO ANTICRISTO
Visão
do profeta Daniel
I
> Uma noite, o profeta Daniel teve uma visão terrificante. Enquanto os
quatro ventos do céu se combatiam sobre um vasto mar, ele viu surgir do meio
das vagas quatro bestas monstruosas. Eram: um leão, um urso, uma pantera, (16)
e um quarto animal medonho de quatro cabeças, dotado de força prodigiosa,
tendo dentes e unhas de ferro, e dez chifres na testa. Foi revelado ao profeta
que estas quatro bestas significavam quatro impérios que se elevariam
sucessivamente sobre as vagas movediças da humanidade.
16
– O leão com asas de águia são os Estados Unidos > O urso que devorava
carne é a Rússia comunista, com seus milhões de assassinatos > A pantera
com asas é certamente o mesmo dragão Chinês. O quarto animal com cabeças e
chifres é o anticristo que domina os três anteriores. No parágrafo que segue,
ele é representado por um chifre – símbolo de poder – que começará
pequeno, mas depois se elevará acima de qualquer outro. Seu poder, vindo dos
demônios, será inaudito, como veremos.
Ora,
enquanto Daniel considerava com horror a quarta besta, viu um chifrezinho nascer
no meio dos dez outros, abater três, e crescer acima de todos; e este chifre
tinha olhos de homem, e uma boca que falava com insolência; fazia guerra aos
santos do Altíssimo, e levava a melhor sobre eles. O profeta perguntou o
sentido desta estranha visão. Foi-lhe respondido que os dez chifres
representavam dez reis; o chifrezinho era um rei que acabaria por dominar sobre
toda a terra com inaudito poder. “Vomitará,
lhe foi dito, blasfêmias contra Deus, esmagará debaixo dos pés os santos do
Altíssimo; ele pensará que pode mudar os tempos e as leis; e tudo lhe será
entregue durante um tempo, dois tempos, e a metade de um tempo”. (Dn.
VII).
II
> Por este rei todos os intérpretes entendem o Anticristo. Qual é a besta
sobre a qual surgiu, no tempo marcado, este chifre de impiedade? É a Revolução,
pela qual se entende todo o corpo dos ímpios, obedecendo a um motor oculto e se
insurgindo contra Deus: a Revolução, poder Satânico e bestial; satânico,
porque animado por um espírito infernal; bestial, porque entregue a todos os
instintos da natureza degradada. Ela tem dentes e unhas de ferro: pois forja
leis despóticas por meio das quais esmaga a liberdade humana. Procura
apoderar-se dos reis e dos governos, que têm de fazer um pacto com ela. Quando
o Anticristo aparecer, ela terá dez reis a seu serviço, como os dez chifres da
testa.
O
Anticristo – nos diz Daniel – aparecerá como um chifrezinho; terá um começo
obscuro. Não sairá da família real; será um Maomé, um Mahdi, que se
levantará pouco a pouco pela audácia de suas imposturas, secundadas pela
cumplicidade do diabo. O chifre que o representa é muito diferente dos outros.
Tem olhos de homem; pois o novo rei é um vidente, um falso profeta. Tem uma
boca que faz grandes discursos; pois se impõe não menos pelo brilho da palavra
e a sedução das promessas, do que pela força das armas e das intrigas políticas
(17).
17
– Pelas arrogâncias que Lúcifer fez vomitar, quando obrigado a falar ao
padre exorcista – como está no site – ele diz que seu “filho” vencerá
guerras, crescerá até ser general dos exércitos, e através de intrigas e
manobras políticas em poucos meses galgará os mais elevados postos. Logo terá
o mundo inteiro sob suas garras. O mundo em caos econômico e financeiro o
acolherá como “messias” e salvador, achando mesmo que se trata de Jesus em
seu retorno glorioso. Este engano durará pouco tempo, porque a sede de sangue
dele será demasiada, e então as pessoas entenderão que Jesus jamais faria
tais coisas. Mas até este ponto, ele terá provocado enormes estragos na terra
e derramado dilúvios de sangue.
Cedo
todo o mundo terá os olhos voltados para o impostor, seus grandes feitos serão
celebrados pelas trombetas de uma imprensa complacente. Sua popularidade
sombreará a de muitos soberanos apóstatas, que dividirão então entre si o
império da besta revolucionária. Seguir-se-á uma luta gigantesca, na qual,
segundo Daniel, o Anticristo abaterá todos os seus rivais. Neste momento todos
os povos, fanatizados por seus prodígios e suas vitórias, o aclamarão como o
salvador da humanidade. E os outros reis não terão outro recurso que se
submeterem a ele. Este será o começo de uma crise terrível para a Igreja de
Deus (18). Pois o chifre da impiedade, alcançando o auge do poder, fará
guerra aos santos e prevalecerá contra eles.
18
– Como Fidel Castro, que primeiro se fez amigo dos padres depois foram os
primeiros a cair sob seus golpes,, também anticristo, em larga escala, primeiro
prometerá a paz, mas depois levará a perseguição da Igreja, ao limite mais
atroz já visto, em todos os tempos. Os santos lhe serão entregues por algum
tempo, para que se cumpram as Escrituras. Jesus, porém nos tem dito que será
um curto tempo. Abaixo Padre Emanuel dirá que o tempo dele pode durar muitos
anos, mas isso não acontecerá, pois o tempo dele se esvai. Sua ação aparente
no mundo, provavelmente não chegará a um ano.
III
> É provável que durante esse período que poderá durar muitos anos, o
homem do pecado afetará ares de moderação hipócrita. Judeu, se apresentará
aos judeus como o Messias esperado, como o restaurador da lei de Moisés; tentará
torcer a seu favor as misteriosas profecias de Isaias e Ezequiel; reconstruirá,
no dizer de muitos Padres da Igreja, o templo de Jerusalém. Os judeus, ao menos
em parte, ofuscados por seus falsos milagres e seus fausto insolente, o receberão,
o falso Cristo; porão ao seu serviço as altas finanças, toda a imprensa, e as
lojas maçônicas do mundo inteiro.
É
muito crível também que o Anticristo disporá, para subir, de todos os partidários
das falsas religiões. Ele se anunciará como cheio de respeito pela liberdade
dos cultos, uma das máximas e uma das mentiras da besta revolucionária. Dirá
aos budistas que é um Buda; aos muçulmanos, que Maomé é um grande profeta.
Nada impede que o mundo muçulmano aceite o falso messias dos judeus como um
novo Maomé.
O
que sabemos? Talvez irá até dizer, em sua hipocrisia, como Herodes seu
precursor, que quer adorar Jesus Cristo. Mas isso não passará de uma zombaria
amarga. Malditos os cristãos que suportam sem indignação que seu adorável
Salvador seja posto lado a lado com Buda e Maomé, em não sei que panteon de
falsos deuses! Todos esses artifícios, parecidos com a carícia no cavalo do
cavaleiro que o quer montar, arrebanharão insensivelmente o mundo para o
inimigo de Jesus Cristo; mas uma vez firme nos estribos, usará do freio e das
esporas; e a mais terrível tirania
pesará sobre a humanidade.
IV
> São Paulo nos faz conhecer com um só traço toda a extensão dessa
tirania, a mais odiosa que houve e que haverá em todos os tempos. O homem da
perdição, diz ele, o filho da perdição, o ímpio, “se
oporá e se levantará contra tudo o que se chama Deus ou que é adorado como
Deus, até se sentar no templo de Deus, apresentando-se como se fosse Deus”.
(II Tess. II, 4). Daniel tinha
predito antes de São Paulo: “Não terá
em conta para nada o Deus de seus pais; ele mergulhará em deboches; não terá
preocupação com Deus algum, levantar-se-á contra tudo”. (Dn., XI, 17).
Assim,
quando o Anticristo tiver escravizado o mundo, quando tiver colocado em toda
parte seus ordenanças e suas criaturas, quando puder puxar à sua vontade todos
os fios de uma centralização levada ao extremo: ele tirará a máscara,
proclamará que todos os cultos estão abolidos, se aclamará como deus
único e, debaixo das penas mais terríveis e mais infamantes, quererá forçar
todos os habitantes da terra a adorar, excluindo qualquer outra, sua própria
divindade.
É
nisto que desembocará a famosa liberdade de culto da qual se faz tanto alarde;
a promiscuidade dos erros exige logicamente esta conclusão. Enquanto esteve na
terra, o adorável Jesus, manso e humilde de coração, nunca se propôs à
adoração de seus apóstolos sendo Ele Deus; muito ao contrário, pôs-se de
joelhos diante deles e lhes lavou os pés. O Anticristo, monstro da impiedade e
de orgulho, far-se-á adorar pela humanidade enlouquecida e seduzida; ela terá
escolhido este mestre de preferência ao primeiro.
E
não se pense que a armadilha será grosseira! Não esqueçamos, diz São Gregório,
que o monstro disporá do poder do diabo para fazer falsos prodígios; ao contrário
do começo, quando os milagres estavam do lado dos mártires, parecerá que
agora estão do lado dos carrascos. Haverá uma ofuscação, uma vertigem.
Somente os humildes e firmes em Deus, distinguirão
a mentira e escaparão à tentação.
Mas
onde o Anticristo estabelecerá seu novo culto? São Paulo nos diz: no templo de
Deus; Santo Irineo, quase contemporâneo dos Apóstolos, esclarece melhor e diz:
no templo de Jerusalém que ele fará reconstruir (19). Este será o centro da
horrível religião. São João em outro lugar nos dá a conhecer a imagem do
monstro será proposta por toda parte à adoração dos homens. (Apoc., XIII,
24).
19
> Penso que aqui existe um deslize, que nem padre Emmanuel nem Santo Irineu
se deram conta. Eles dizem que o anticristo irá reconstruir o templo de Jerusalém.
A primeira coisa contra é que ele não terá tempo. A segunda é que, naquele
formigueiro que se implanta no local do antigo templo – a Mesquita de Al Aqsa
– não será fácil mexer. É preciso explodir a mesquita antes de reconstruir
o templo. Então, o certo é que o templo a ser ocupado por ele, será
Roma. É dali que ele tentará impor seu império, para provar que é mais
forte que Deus e O venceu, expulsando a Igreja Católica dali.
Então
budismo, islamismo, protestantismo, etc. serão suprimidos e abolidos. Mas não
é preciso dizer que o furor do mundo se dirigirá contra Nosso Senhor e sua
Igreja. Fará cessar o culto público; desaparecerá, diz Daniel, o Sacrifício
perpétuo. Só se poderá celebrar a Santa Missa em cavernas e em lugares
escondidos (20). As igrejas profanadas só apresentarão ao olhar a abominação
da desolação, a saber, a imagem do monstro elevada aos altares do
verdadeiro Deus. (Daniel, pass.). Houve um ensaio dessas coisas na Revolução
Francesa.
20
– Tudo isso está realmente previsto, e não duvido que as hostes do mal
tentarão impor isso ao mundo. Mas Igreja estará resguardada nas famílias, e
dali ressurgirá mais tarde. Na verdade, não muitos meses depois, porque o Próprio
Deus não conseguirá ficar por muito tempo inativo, sem vir em defesa de seus
filhos, que estarão em meio ao terror.
Aí
a mão de Deus se fará sentir. Ele abreviará esses dias de suprema angústia.
Essa perseguição, que fará vacilar as colunas do céu, só durará um tempo,
dois tempos e a metade de um tempo, a saber, três anos e meio.
QUINTO
ARTIGO (julho 1885) OS PREGADORES DO ANTICRISTO
Visão
de São João
I
> Os livros santos que entram em tantos detalhes sobre o homem do pecado, nos
fazem conhecer um misterioso agente de sedução que lhe submeterá a terra.
Este agente, ao mesmo tempo um e múltiplo, é, segundo São Gregório, uma espécie
de corpo ensinante que propagará por toda parte as perversas doutrinas da
Revolução.
O
Anticristo terá seus ajudantes de ordem e seus generais; possuirá um inumerável
exército. Mal se ousa tomar ao pé da letra o número que São João nos dá
falando de sua cavalaria (Apoc., IX, 16). Mas ele terá, sobretudo a seu serviço
falsos profetas como ele, iluminados do diabo, doutores de mentiras; inimigo
pessoal de Jesus Cristo, macaqueará o divino Mestre, cercando-se de apóstolos
ao contrário. Falemos então, segundo São João, destes doutores ímpios que
chamaremos pregadores do Anticristo.
II
> São João, no capítulo XIII de seu Apocalipse, descreve uma visão
parecida com a de Daniel. Ele vê surgir do mar um monstro único, reunindo em
si mesmo uma horrível síntese de todos os caracteres das quatro bestas vistas
pelo profeta. Este monstro parece o leopardo; tem pés de urso, goela de leão;
tem sete cabeças e dez chifres.
Ele
representa o império do Anticristo, formado por todas as corrupções da
humanidade. Ele representa o próprio Anticristo que é o nó de todo esse
conjunto violento de membros incoerentes e díspares. Chega-se a ver o impostor,
com o cortejo de cristãos apóstatas, muçulmanos fanatizados, judeus
iluminados, que o seguirá por toda parte.
Ora,
enquanto São João considerava esta Besta, viu uma das cabeças ferida de
morte; depois a chaga mortal foi curada. E toda a terra se maravilhou com a
Besta. Os intérpretes vêm nisto um dos falsos prodígios do Anticristo; um de
seus principais ajudantes de ordem ou talvez ele mesmo, aparecerá ferido
gravemente, acreditar-se-á que morreu, quando de repente, por um artifício
diabólico, se recuperará cheio de vida. Esta impostura será celebrada por
todos os jornais muito crédulos nesta ocasião; o entusiasmo irá ao delírio.
“Então,
continua São João, os homens adorarão o dragão que deu o poder à Besta,
dizendo; quem é semelhante a ela, e quem poderá pelejar contra ela?”.
Assim, tanto o diabo será adorado como o Anticristo; e não será um duplo
culto, o primeiro sendo adorado no segundo. São João nos faz assistir em
seguida à perseguição contra a Igreja. “E
foi dada à Besta uma boca que proferia coisas arrogantes e blasfêmias; e
foi-lhe dado o poder de fazer guerra durante quarenta e dois meses”.
Esta
é a mesma palavra de Daniel e designa o tempo da perseguição no seu
paroxismo. Quarenta e dois meses é justo três anos e meio. “E
abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus para blasfemar o seu nome, o seu
tabernáculo e os que habitam no céu”. “E foi-lhe permitido fazer a
guerra aos santos e vencê-los. E foi-lhe dado poder sobre toda tribo, e povo, e
língua, e nação”. “E adoraram-na
todos os habitantes da terra, cujos nomes não estão escritos no livro da vida
do Cordeiro, que foi imolado desde o princípio do mundo”. “Se
alguém tem ouvidos, ouça!”. “Aquele
que levar para o cativeiro, irá para o cativeiro; aquele que matar à espada,
importa que seja morto à espada. Aqui está a paciência e a fé dos santos”.
(XIII, 3-11).
É
assim que o apóstolo bem amado descreve a terrível perseguição. A todas as
ameaças se juntam todas as seduções; disto resultará um fanatismo delirante
que lançará o mundo inteiro aos pés da Besta. Mas todos os assaltos do
inferno fracassarão diante da “paciência
e da fé dos santos”.
III
> São João nos pinta em seguida o grande agente de sedução que dobrará
os espíritos dos homens ao culto da Besta. “E
vi outra besta que subia da terra e que tinha dois chifres semelhantes aos de um
cordeiro, mas que falava como o dragão”. “E
ela exercia todo o poder da primeira besta na sua presença; e fez que a terra e
os que a habitam adorassem a primeira besta, cuja ferida mortal tinha sido
curada”. “E operou grandes prodígios,
de sorte que até fez descer fogo do céu sobre a terra à vista dos homens”.
“E
seduziu os habitantes da terra com os prodígios que lhe foi permitido fazer
diante da besta, persuadindo os habitantes da terra que fizessem uma imagem da
besta, que tinha recebido um golpe de espada e conservou a vida”. “E foi-lhe
concedido animar a imagem da besta, de modo que falasse; e forçar a todos os
homens, sob pena de morte, a adorar a besta”.
“E
fará que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, tenham
um sinal em sua mão direita, ou nas suas frontes; e que ninguém possa comprar
ou vender, exceto aquele que tiver o sinal ou o nome da besta, ou o número de
seu nome”. “É aqui que está a sabedoria. Quem tem inteligência, calcule o
número da besta. Porque é número de homem; e o número dela é seiscentos e
sessenta e seis”. (Apoc., XIII, 11-18).
Tal
é a segunda parte da profecia de São João. São Gregório interpreta esta
misteriosa passagem no sentido, como dissemos, de que o Anticristo terá seu colégio
de pregadores e de apóstolos ao contrário. E esses doutores da mentira serão
qualquer coisa como nossos sábios modernos, misto de mágico ou espírita.
Eles
terão a aparência do Cordeiro (21). Adotarão na aparência as máximas evangélicas
de paz, de concórdia, de liberdade, de fraternidade humana; e debaixo dessas
aparências propagarão o ateísmo mais desavergonhado. Eles
terão a aparência do Cordeiro. Apresentar-se-ão como agentes de persuasão,
respeitosos para com as consciências; e depois, farão morrer entre tormentos
aqueles que se recusarem a ouvi-los.
21
– São os “lobos” que tantas profecias atuais avisam. Eles estão
encastelados na Igreja e de dentro dela promovem a destruição. Com palavras
doces, artifícios velados, usando de estratagemas fraudulentos deturpam as
Palavras da Verdade e enganam a milhares. São os modernistas, os falsos
ecumenistas, e os comunistas que com suas teologias diabólicas pervertem as
verdades do Santo Evangelho. O objetivo e erigir uma falsa igreja do homem, do
mundo, elevando o próprio ser humano à categoria de divindade. Tudo isto é
preparação para erigir no coração do homem, um trono para satanás. Os
últimos artigos e mensagens falam sobre eles, e são muitos. E estão no Brasil
também! Falam em pobres tendo um coração de rico. Aliam-se ao demônio pela
escancarada desobediência ao Santo padre.
Seus
ouvintes, diz fortemente São Gregório, serão todos réprobos; sua tática,
diz ele ainda, consistirá em proclamar que o gênero humano, durante as épocas
de fé, estava mergulhado nas trevas; e saudarão o advento do Anticristo como a
aparição do dia e o despertar do mundo” (Mor. in Job. lib. XXXIII).
Essas
pregações serão apoiadas por falsos prodígios. Instruídos pelo diabo e por
seu agente a respeito de segredos naturais ainda desconhecidos, os missionários
do Anticristo espantarão e seduzirão as multidões com toda espécie de sortilégios;
farão descer fogo do céu, e farão falar as imagens do Anticristo que terão
erigido. Mas isso não é tudo. Forçarão os homens, sob pena de morte, a
adorar essas imagens falantes. Obrigarão os homens a levarem na mão direita ou
na testa, o número do monstro. E aquele que não tiver esse número não poderá
nem comprar nem vender.
Aí
aparece o terrível requinte da suprema perseguição. Aquele que não levar a
estampilha do monstro estará por isso mesmo fora da lei, fora da sociedade,
passível de morte. Mas não vemos desde o presente se desenhar alguns ensaios
dessa tirania?
O
que são todos esses mestres do ensino sem Deus, senão os precursores do
Anticristo? A Revolução quer ter seu corpo ensinante, encarregado oficialmente
de descristianizar a juventude, e de imprimir na testa de todos, pequenos e
grandes, pobres e ricos, a estampilha do Deus-Estado. O ensino obrigatório e
leigo não tem outro fim. Já se preparam leis para interditar a entrada nas
carreiras públicas de quem não tenha recebido a assinatura das escolas do
Estado. No dia em que essas leis abomináveis passarem, pode-se por luto pela
liberdade humana. Entraremos sob uma tirania sombria, sufocante, infernal. O
Anticristo poderá chegar.
Esperemos,
a consciência pública é ainda bastante cristã e não suportará tal tortura.
Também se procura de todas as maneiras possíveis, adormecê-la. Além disso,
que os fiéis se consolem! Todos esses extremos só servirão, nos desígnios de
Deus, ao brilho da paciência e fé dos santos. (Tradução de Anna Luiza
Fleichman de Itineraires no. 289. Reproduzido em PERMANÊNCIA n° 198-199.)
(fim)
Assim,
desde há séculos temos já trabalhos, tratados, escritos, livros e profecias
que nos anunciam o advento deste tempo final. As trombetas de Deus, na realidade
têm já pelo tempo passado troado pelos ares, nos avisando desta realidade. E
como está na Bíblia, nós devemos ter a certeza que acontecerá. O que Padre
Emmanuel tenta dizer aqui, é que não devemos alimentar ilusões: o tempo da
fera chegou, e nós somos a geração
dos últimos dias, aquela que se encontrará viva, na chegada do Senhor que
vem.
Peçamos
a Ele a proteção e a fortaleza, porque será a mais dura provação que jamais
terá o homem passado, nem nos tempos romanos, nem nos tempos das guerras
anteriores. A última provação que virá, comandada pelo anticristo, será a
mais sangrenta de todas, pois os cadáveres se haverão de espalhar por todo o
planeta, formando montanhas de carniça, sem enterro e sem pessoas com disposição
para limpar a terra. Homens e animais empilhados. Bons e maus lado a lado. Está
em Jeremias! Em Isaías...
Até
que Deus intervenha! A fera será então amarrada, ela e seus sequazes e os
anjos de Deus mergulharão a todos no abismo eterno, de onde nunca mais sairão.
Lá terão tempo de curtir seu remorso, e saber que nada conseguiram com seu
esforço, a não ser cumprir exatamente os planos de Deus. Tudo para o bem e
crescimento espiritual de Seus filhos.
Porque será o homem a vencer o demônio, pelas mãos de Maria humilde, com a força do Altíssimo. Este será o maior castigo eterno da grande fera: saber que, pelo seu poder, não conseguiu fazer perder uma só alma: não perdi a nenhum daqueles que me deste, como disse Jesus. Só segue a fera quem quer! Só se perde quem livremente o deseja.
Com
a colaboração preciosa e atenta de Wilmor, continuamos a série de artigos do
Padre Emanuel Marie André, conforme apresentamos já os primeiros dois textos.
É instigante esta leitura, porque mostra a face profética da nossa Igreja,
aqui também manifestada por um sacerdote santo, especialmente quando hoje vemos
a triste forma como eles fogem do assunto do Drama Final. Acredito piamente que
sem alguma revelação do alto, sem alguma visão da parte de Deus, este
sacerdote não conseguiria tão perfeitamente expor este quadro, isso tendo
vivido nos idos de 1885. Mas por humildade, ele deve ter omitido este detalhe.
Eu
nunca havia lido estes textos, mas fico feliz com a precisão deles em relação
ao que temos escrito ultimamente. O leitor compreenderá isso no decorrer dos
textos. Como sempre, irei fazendo os comentários que julgar oportunos,
mostrando as convergências e divergências como o que está acontecendo hoje.
Boa leitura!
SEXTO
ARTIGO (Agosto de 1885) - A
IGREJA DURANTE A TORMENTA
São
Gregório Magno, em seus luminosos comentários de Jó, penetra profundamente em
toda a história da Igreja, visivelmente animado do mesmo espírito profético
espalhado nas Escrituras. Ele contempla a Igreja, no fim dos tempos, sob a
figura de Jó: humilhado e sofredor, exposto às insinuações pérfidas de sua
mulher e às críticas amargas de seus amigos; Jó, diante de quem, outrora, os
anciãos se levantavam e os príncipes faziam silêncio!
A Igreja, disse muitas vezes o grande Papa, no fim de sua peregrinação
terrestre, será privada de todo poder temporal; procurarão
tirar-lhe todo ponto de apoio sobre a terra. Vai mais longe ainda, declara
que ela será despojada do próprio
brilho que provém dos dons sobrenaturais. "O poder dos milagres, diz
ele, será retirado, a graça das curas arrebatada, a profecia
desaparecerá, o dom de uma grande abstinência será diminuído, os
ensinamentos da doutrina se calarão,
os prodígios milagrosos cessarão”.
Isto
não quer dizer que não haverá mais nada disso; (1) mas todos esses sinais não
brilharão abertamente, sob mil formas como nos primeiros tempos. Será mesmo a
ocasião de um maravilhoso discernimento.
Neste estado de humilhação da Igreja, crescerá a recompensa dos bons que se
prenderão a ela, tendo em vista somente os bens celestes; quando aos maus, não
vendo mais na Igreja nenhum atrativo temporal, não terão nada a fingir, se
mostrarão tais como são". (Mor. 1, XXXV)
01
> O que ele nos avisa é que a Igreja visível, aquela aparentemente
verdadeira, perderá os seus dons naturais, exatamente porque deixou de cumprir
sua função única – a salvação
eterna – ao se voltar exclusivamente para o mundo e a carne. É o que está
acontecendo hoje. Os padres perderam os seus dons, porque não os usam mais para
Deus, e sim para encanto pessoal. A obra que executam não é de Deus, mas
deles! É apenas obra humana! Entretanto, nos humildes e fiéis, nos pequenos, a
graça e os dons proféticos permanecerão até o fim. Por isso a Igreja formal
desaparecerá, sendo mantida apenas nas santas famílias. Será seu Calvário de
esmagamento, humilhada como o foi na pessoa do Papa João Paulo II, e como está
sendo agora com Bento XVI. Os lobos uivam próximos ao trono de Pedro. E urdem
tramas!
Que palavra terrível: os ensinamentos
da doutrina se calarão! São Gregório proclama em outro lugar que a Igreja
prefere morrer a se calar. Então ela falará: mas seu ensinamento será
entravado, sua voz encoberta; muitos
dos que deveriam gritar sobre os telhados não ousarão fazê-lo com medo dos
homens (2). E será a ocasião de um grande discernimento. São Gregório
insiste muitas vezes sobre as três categorias de pessoas que há na Igreja: os
hipócritas ou os falsos cristãos, os fracos e os fortes. Ora, nesses momentos
de angústia os hipócritas levantarão a máscara e manifestarão sua apostasia
secreta; os fracos, coitados, perecerão em grande número e o coração da
Igreja sangrará por eles; enfim, muitos dos fortes, confiantes em suas próprias
forças, cairão como as estrelas do céu.
02 > No artigo
“O grande Medo”, mostrei exatamente esta face. Muitos leigos, mas em
especial os padres, sabem que o fim está
próximo, entretanto se calam por
medo. Medo de estarem enganados, medo de serem combatidos e zombados pelos
homens. Este mesmo medo os trava, fazendo com que ignorem a voz do Santo padre,
suas cartas e documentos, os seus apelos quase desesperados pela obediência
e a unidade. Com isso o povo fraco, morno, morto e tão numeroso se perde
por falta de conhecimento da verdade. Esta palavra: discernimento é uma das que
Nossa Senhora mais tem insistido. Para podermos distinguir a falsa
igreja que nos querem impingir, daquela realmente de Jesus, que devemos
seguir. Com o papa Bento XVI, e com ninguém que se revolte contra ele ou o
desobedeça.
A despeito de todas estas tristezas pungentes, a Igreja nem perderá a coragem
(3) nem a confiança. Ela será sustentada pela promessa do Salvador, consignada
nas Escrituras de que esses dias serão abreviados por causa dos eleitos.
Sabendo que apesar de tudo os eleitos serão salvos, a Igreja se empenhará no
meio da mais atroz tormenta, na salvação das almas com uma infatigável
energia.
03 > Refere-se a coragem do santo
Padre, e também de alguns bispos e padres fiéis, que não têm se calado, nem
mesmo diante das ameaças dos mascarados e agentes de satanás. Pena que esta
promessa de Jesus de manter a Igreja – as portas do inferno não
prevalecerão contra ela –
tem feito milhares de sacerdotes dormirem no doce idílio, cruzando os braços
exatamente quando a Igreja Católica, a única de Jesus mais deles precisa.
Agora, na hora da batalha, milhares de sacerdotes largam a farda e abandonam sua
Igreja, em troca do mundo e do casamento. Mesmo que se tornem bons pais, é como
maus sacerdotes que serão julgados.
Apesar do horrível escândalo desses tempos de perdição, não se deve pensar
que os fracos estarão necessariamente perdidos. A via da salvação continuará
aberta e a salvação possível para todos. A Igreja terá meios de preservação
proporcionados ao tamanho do perigo. E entre os pequenos, somente os que
deixarem as asas de sua mãe cairão nas garras do gavião (4).
04
> Referem-se aqui aos que abandonam a Igreja Católica rumo às seitas
protestantes. Eles, no momento da tormenta, sentirão isso na própria pele.
Haverá como nunca desespero entre as hostes protestantes, por terem acolhido a
mentira de suas pequenas barcas furadas. Só um navio passará pela tempestade.
Só a barca de Pedro chegará a bom porto! Porque tem Maria e tem Jesus na
Eucaristia. Sem eles não há salvação. Sem a Igreja Católica, ninguém entra
no Céu. Quem quiser chegar lá, tome a barca de Pedro, sem ela o naufrágio é
iminente. E adiante nós veremos que até mesmo a casa de Israel tomará assento
neste barco. Quem quiser ter vida, que a busque onde ela se encontra.
Quais serão esses meios de preservação? As Escrituras não nos deixam sem
indicação sobre o assunto; podemos, sem temeridade, formular algumas
conjecturas. A Igreja se lembrará do aviso dado por Nosso Senhor para os tempos
da tomada de Jerusalém e aplicável, com o consentimento dos intérpretes, à
última perseguição.
"Quando virdes a abominação da
desolação, predita pelo profeta Daniel, de pé nos lugares santos (aquele
que lê, compreenda!), então aqueles que
estão na Judéia fujam para as montanhas... Rogai para que vossa fuga não seja
no inverno, nem em dia de sábado! Pois haverá grande tribulação, tal como
nunca houve desde a origem do mundo e que não haverá jamais. E se esses dias não
fossem abreviados ninguém se salvaria; mas eles serão abreviados por causa dos
eleitos" (Mt 24, 15, 23).
De acordo com estas instruções do Salvador, a Igreja porá os pequenos
rebanhos em segurança pela fuga; providenciará retiros inacessíveis, já que
a terra estará cruzada e varada pelos meios de comunicação. É preciso
responder que Deus proverá, ele próprio,
à segurança dos fugitivos (5). São João nos deixa entrever esta ação da
Providência.
05 > Realmente
Deus guardará os seus fiéis, que serão acolhidos e guiados pelos anjos para
locais seguros, longe das investidas do inimigo e da fúria da natureza. Estes
locais já estão todos prontos e
perfeitamente mapeados na mente de Deus. Não são refúgios e abrigos construídos
por mãos humanas, mas as próprias vilas, onde
já estão a maioria daqueles que Deus quer preservar. Não adianta se
escolher! Só Deus sabe quem fica, e quem vai! Nada se fará às pressas, e
na última hora, somente alguns irão para lá de forma extraordinária. Em tese
este é o grande arrebatamento, que
já vem sendo executado por Deus há séculos. Deus mesmo conduziu os povos em
emigrações e imigrações, levando as famílias dotadas do germe
santo, e as estabelecendo nos locais de preservação. Deus é fantástico!
Nada Lhe escapa!
No capítulo XII do Apocalipse, ele nos apresenta uma mulher vestida de sol e
coroada de estrelas: é a Igreja (6). Esta mulher sofre as dores do parto; pois
a Igreja dá à luz os eleitos de Deus entre grandes sofrimentos. Diante dela
está um grande dragão ruivo, imagem do diabo e de suas contínuas armadilhas.
Mas a mulher foge para o deserto, para um lugar preparado pelo próprio Deus, e
lá ela é alimentada durante 1.260 dias (Ap 5, 6). Estes 1.260 dias, que fazem
3,5 anos e meio indicam o tempo da perseguição do Anticristo, como está
manifestado em outras passagens do Apocalipse. Então, durante esse tempo, a
Igreja, na pessoa dos fracos, fugirá para a solidão; e Deus se incumbirá de
mantê-la escondida e a alimentará.
06
> A figura também representa Maria, Mãe da Igreja, a quem Deus confiou a
tarefa de esmagar a cabeça da serpente. Quanto ao tempo, nós estamos vivendo já
estes 3,5 anos com uma felicidade rara de saber que Deus encolheu o tempo de
comando do anticristo reduzindo sua ação a poucos meses, coisa que deveríamos
agradecer vivendo de joelhos. O dragão, hoje vermelho é simbolizado pelo
comunismo ateu, que avança ainda silencioso sobre todos os povos. O Brasil
caminha para suas mãos, tal como dezenas de países da América. Isso leva a
uma perda da fé, pois o primeiro mandamento do comunismo é expulsar Deus do
coração do homem. E isso se faz facilmente, erigindo o homem como prioridade,
como acontece no Brasil.
No fim do mesmo capítulo estão os detalhes desta fuga. São dadas à mulher
duas grandes asas de águia, para transportá-la para o deserto. O dragão tenta
persegui-la, sua goela vomita um rio de água contra ela (7). Mas a terra vem
socorrer a mulher e absorve o rio. Estas palavras enigmáticas designam alguma
grande maravilha que Deus fará aparecer em favor de sua Igreja; a raiva do dragão
expiará aos seus pés. No entanto, enquanto os fracos rezam em segurança numa
misteriosa solidão, os fortes e os valentes se engajarão numa luta terrível
na presença do mundo inteiro, com o dragão desencadeado.
07 > São figuras realmente enigmáticas,
mas ao Padre Gobbi a Mãe explica que o deserto é o coração ressequido do
homem de hoje. É ali que ela buscará refúgio, dando-lhe forças para que vença
a tempestade. Maria jamais abandonará os seus filhos, mormente agora quando se
inicia a grande batalha final. Ela, além de Mãe nossa e Mãe da Igreja, é a
Comandante geral das tropas de Deus, pois foi a ela que a Trindade Santíssima
deu o poder de esmagar o dragão infernal. O rio das águas vomitado por este
dragão, são os milhares de seitas que tentam desesperadamente apagar o nome de
Maria. A luta já está se travando, entre os que rezam e os que querem apagar
da terra o nome de Deus. No meio destes, está um fenomenal exército de fracos,
que são massa podre de maré, que os dois lados empurram e disputam.
É fora de dúvida que nos últimos tempos haverá santos de virtude heróica.
No começo, Deus deu à Igreja os Apóstolos que abateram o império idolátrico,
e que fundaram e cimentaram a Igreja com seu sangue. No fim, Deus dará filhos e
defensores, que não se poderiam dizer menos santos ou menores. Santo Agostinho,
pensando neles, exclama: "Em comparação com os santos e fiéis de então,
o que somos nós? Pois para pô-los à prova o diabo será desencadeado, e nós
o combatemos ao preço de mil perigos, estando ele atado" (8). E
acrescenta: "No entanto, mesmo hoje o Cristo tem soldados bastante
prudentes e bastante fortes para poderem desmanchar com sabedoria suas
armadilhas e agüentar com paciência os assaltos do inimigo mesmo se
desencadeado". (De Civ. Dei, XX, 8).
08 > Temos mostrado, em tantos textos, livros, mensagens e visões das
trevas, o quanto se cumpre a passagem do Apocalipse 12, 12 que afirma “o
dragão se atirou com grande fúria sobre vós, sabendo que pouco tempo lhe
resta”. De todos os lados surgem os ataques, em todas as frentes a batalha
se arma. Hoje ainda, pequena, mas quando o anticristo assumir o comando do mundo
– e da igreja já morta – é que nós veremos o quanto de terrível esconde
estas palavras de Jesus.
Santo Agostinho continua perguntando: "Haverá ainda conversões nesses
tempos de perdição? As crianças serão ainda batizadas apesar das proibições
do monstro? Os santos de então terão o poder de arrancar as almas da goela do
dragão furioso? O grande doutor responde afirmativamente a todas estas
perguntas. Sem dúvida as conversões serão mais raras, mas serão mais
espetaculares. Sem dúvida, em regra geral, é preciso que Satã esteja amarrado
para que se possa despojá-lo (Mt 11, 29); mas nesses dias Deus se comprazerá
em mostrar que sua graça (9) é mais forte do que o próprio forte em seu mais
furioso desencadeamento.
09
> E Deus já nos mostra esta graça hoje! Aliás, mostra dilúvios de graças!
Entretanto, são bem poucos os que as querem incorporar. E exatamente são os
que se aproveitam destas graças, aqueles que terão a fortaleza de enfrentar a
fera, porque Deus é Poder, e quem com Ele estiver sempre vencerá. Por mais que
se desencadeiem o inferno, a besta, as feras, os maus, eles nada mais fazem que
aniquilarem-se no seu próprio ridículo, pois quanto mais forte for a sua
investida, mais poderoso será o trovão que os fará tremer as pernas e fugir.
Cada um note o quanto estes dados são consoladores. Mas quais
serão os santos dos últimos tempos? (10) Gostamos de pensar que entre eles
haverá soldados. O Anticristo será um conquistador, comandará exércitos;
encontrará diante de si as Legiões Tebanas, heróis desta linhagem gloriosa e
indomável que tem os Macabeus como ancestrais e que conta em suas fileiras com
os Cruzados, os camponeses da Vandea e do Tirol, enfim, os Zuavos pontificais.
Estes soldados, o Anticristo poderá esmagá-los debaixo do peso de suas inumeráveis
hordas; ele não os fará fugir.
10
> Abrimos aqui um parêntesis no texto do sábio padre Emmanuel, para
explicar com as palavras de São Luiz Maria Grigninon de Montfort – conforme
seu Tratado – quem serão, e como serão estes santos e valentes de Maria, os
apóstolos dos últimos tempos:
Disse
São Luiz: Mas quem serão esses
servidores, esses escravos e filhos de Maria? Serão ministros do Senhor ardendo
em chamas abrasadoras, que lançarão por toda a parte o fogo do divino amor.
Serão “como flechas nas mãos dos guerreiros” (Salmo126,4), flechas agudas
nas mãos de Maria toda-poderosa, pronta a transpassar seus inimigos.
Serão
filhos de Levi, bem purificados no fogo das grandes tribulações, e bem colados
a Deus, que levarão o ouro do amor no coração, o incenso da oração no espírito
e a mirra da mortificação no corpo e que serão em toda a parte para os pobres
e os pequenos o bom odor de Jesus Cristo; e para os grandes, os ricos e os
orgulhosos do mundo, um odor repugnante da morte.
Serão
nuvens trovejantes esvoaçando pelo ar ao menor sopro do Espírito Santo, que
sem apegar-se a coisa alguma nem admirar-se de nada, nem preocupar-se, derramarão
a chuva da palavra de Deus e da vida eterna. Trovejarão contra o pecado, lançarão
brados contra o mundo, fustigarão o demônio e seus asseclas, e, para a vida ou
para a morte, traspassarão lado a lado, com a espada de dois gumes da palavra
de Deus (Cf Ef 6,17), todos aqueles a quem forem enviados da parte do Altíssimo.
Serão
verdadeiros Apóstolos dos últimos tempos, e o Senhor das virtudes lhes dará a
palavra e a força para fazer maravilhas e alcançar vitórias gloriosas sobre
seus inimigos; dormirão sem ouro nem
prata, e, o que é melhor, sem preocupações, no meio de outros padres, eclesiásticos
e clérigos, “inter médios cleros” (Salmo 67,14) e, no entanto, possuirão
as asas prateadas da pomba, para voar, com a pura intenção da glória de
Deus e da Salvação das almas, aonde os chamar o Espírito Santo, deixando após
si, nos lugares em que pregarem, o ouro da caridade que é o cumprimento da lei
(Rom 13, 10).
Sabemos,
enfim, que serão verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, andando nas pegadas
de sua pobreza e humildade, do desprezo do mundo e caridade, ensinando o caminho
estreito de Deus na pura verdade, conforme o santo Evangelho. E não pelas máximas
do mundo, sem se preocupar nem fazer acepção de pessoa alguma, sem poupar,
escutar ou temer nenhum mortal, por poderoso que seja.
Terão
na boca a espada de dois gumes da palavra de Deus; e em seus ombros ostentarão
o estandarte ensangüentado da cruz, na direita, o crucifixo, na esquerda o rosário,
no coração os nomes sagrados de Jesus e Maria, e, em toda a sua conduta, a modéstia
e a mortificação de Jesus Cristo.
Eis
os grandes homens que hão de vir, suscitados por Maria, em obediência às
ordens do Altíssimo, para que o seu império se estenda sobre o império dos ímpios,
dos idólatras, e dos maometanos. Quando e como acontecerá? Só Deus o
sabe!...Quanto a nós, cumpre calar-nos, orar, suspirar e esperar: até que Deus
ouça nosso brado, (Salmo 39,2) (11) (Do site www.capela.org
)
11
> Com toda certeza São Luiz Montfort, tal como Padre Emmanuel, amariam ao
extremo estarem vivos neste nosso tempo, onde a graça abundante de Deus se
derrama como jamais sobre a terra. E nós temos a imensa graça deste privilégio.
Poucos, porém a vivem, a querem a almejam. Então a força abissal desta graça
se destinará para o bem de poucos. Ainda falta certamente muito a percorrer
para chegarmos onde o Santo prenunciava, mas é preciso tentar, é preciso
buscar com verdadeiro amor. E sem medo! Amar a Verdadeira Igreja e defendê-la
diante dos ataques hereges e das insinuações de satã. Chegaremos lá, com as
bênçãos do Altíssimo! Jesus estará à nossa frente como General! Maria é
conosco, a Comandante! Então gritemos como São Miguel: “Quem
é como Deus?”
Mas o Anticristo será, sobretudo, um impostor; por conseqüência ele encontrará
como adversários principalmente os apóstolos armados com o crucifixo. Como a
última perseguição revestirá o aspecto de uma sedução, estes unirão a
paciência dos mártires à ciência dos doutores. Nosso Senhor fez Santa Teresa
vê-los tendo na mão gládios luminosos (12). À frente destas falanges intrépidas,
aparecerão dois enviados extraordinários de Deus, dois gigantes de santidade,
dois sobreviventes dos tempos antigos; referimo-nos a Henoc e Elias, de quem
falaremos no artigo seguinte.
12 >
Naturalmente que as armas são as de Deus. Nenhum apóstolo final conseguirá
dar um só passo avante, se confiado apenas em suas forças. As armas são
divinas: as Escrituras, o Catecismo, os documentos da Igreja. Também a Cruz e o
Rosário de Maria. Alie-se a isso a oração constante, que partindo do dom
da piedade, conduzem à ciência e a
fortaleza, estes os únicos dardos inflamados que produzem efeito sobre o
inimigo. O próprio Jesus manejou as Escrituras quando se defendia do demônio!
Além disso, a espada de São Miguel é flamejante, leve e fácil de manejar,
corta de todos os lados e é imbatível em qualquer guerra. Usemos dela! Sim,
com São Miguel!
SÉTIMO
ARTIGO (Setembro de 1885) - HENOC E
ELIAS
Os fatos maravilhosos que descrevemos não são suposições aventurosas; são
verdades tomadas na Santa Escritura e que seria pelo menos temerário negar.
Antes do fim dos tempos, e durante a perseguição do Anticristo, aparecerão no
meio dos homens dois extraordinários personagens, chamados Henoc e Elias (13).
Quem são estes personagens? Em que condições farão sua entrada providencial
no cenário do mundo? É o que vamos examinar à luz das Escrituras e da Tradição.
13
> Na realidade, estas duas personagens citadas nas escrituras e que virão á
terra no final dos tempos – aliás já estão aqui profetizando – não são
exatamente Henoc e Elias, mas sim a personificação dos Sagrados
Corações, de Jesus e de Maria.
São eles que apresentam ao mundo o espírito da Palavra – por Jesus – e a
Profecia – por Maria, a profetiza dos tempos finais. De fato, sem as mensagens
de Jesus e Maria, em todo o mundo – através dos profetas atuais – a
humanidade inteira estaria boiando. Embora sim – creio firmemente nisso –
também muitos profetas antigos começarão a aparecer na terra, para missões Não
só eles, mas também padres já falecidos e até leigos. Deus usará de todos
os meios para converter a humanidade. A indicação dos dois é apenas
figurativa, embora eu acredite piamente que muitos personagens da história do
povo judeu, lhes aparecerão no final para atestar que Jesus é o Messias.
Henoc é um dos descendentes de Set, filho de Adão e raiz da raça dos filhos
de Deus. Ele é o chefe da sexta geração a partir do pai do gênero humano.
Eis o que o Gênesis nos ensina a seu respeito: "e Jared viveu 162 anos e
gerou Henoc... Ora Henoc viveu 65 anos e gerou Matusalém. E Henoc andou com
Deus e depois de ter gerado Matusalém viveu 365 anos. E andou com Deus e
desapareceu porque Deus o levou" (Gn 5, 18-25).
Deus o levou com a idade de 365 anos, quer dizer, nessa época de grande
longevidade, na idade madura. Não morreu, desapareceu. Foi transportado vivo,
para um lugar conhecido apenas por Deus. Aí está o que sabemos de Henoc,
patriarca da raça de Set, trisavô de Noé, ancestral do Salvador. Quanto a
Elias, sua história é melhor conhecida. Henoc, anterior ao Dilúvio, nasceu
muitos milhares de anos antes de Jesus Cristo. Elias apareceu no reino de
Israel, menos de mil anos antes do Salvador; é o grande profeta da nação
judaica.
Sua vida não podia ter sido mais dramática (Rs 3; 4). Pode-se dizer que ela é
uma profecia em ação do estado da Igreja, no tempo da perseguição do
Anticristo. Vivia errante, sempre ameaçado de morte, sempre protegido pela mão
de Deus, que ora o esconde no deserto onde corvos o alimentam, ora o apresenta
ao orgulhoso Acab, que treme diante dele. Dá-lhe as chaves do céu para
desencadear a chuva ou os raios; sobre o monte Horeb favorece-o com uma visão
cheia de mistérios. Em resumo, o faz crescer até o porte de Moisés, o
Taumaturgo, de modo que com Moisés acompanhe Nosso Senhor sobre o Monte Tabor.
O desaparecimento de Elias corresponde a uma vida de estranha sublimidade.
Caminhando com Eliseu, seu discípulo, abre para si uma passagem no Jordão
tocando as águas com sua capa. Anuncia que vai ser arrebatado ao céu. De
repente, "enquanto caminhavam,
conversavam entre si, eis que um carro de fogo e uns cavalos de fogo os
separaram um do outro; e Elias subiu ao céu no meio de um turbilhão. E Eliseu
o via e clamava: Meu pai, meu pai, carro de Israel e seu condutor! E não o viu
mais" (4 Rs 2, 11-12).
E foi assim que Elias, o amigo de Deus, o zelador de sua própria glória, foi
arrebatado e transportado, também ele, para uma região misteriosa, onde
encontrou seu ancestral, o grande Henoc. Qual é essa região? Henoc e Elias estão
vivos, isto é certo. Onde Deus os esconde? Será em alguma parte inacessível
do mundo aqui embaixo? Será em alguma plaga do firmamento? Ninguém pode dizer.
Pode-se apenas afirmar que por enquanto eles estão fora das condições
humanas; os séculos passam a seus pés sem atingi-los; permanecem na idade
madura, sem dúvida, na idade em que foram arrebatados do meio dos homens.
Sua reaparição no cenário do mundo não é menos certa do que seu
desaparecimento.
Assim fala destes grandes personagens o autor inspirado do Eclesiastes,
exprimindo toda a tradição judaica. "Henoc agradou a Deus e foi
transportado ao paraíso para pregar a penitência às nações" (Ecle 44,
15).
"Quem pode se gloriar como tu, ó Elias? Tu foste arrebatado ao céu num
redemoinho de fogo, numa carroça tirada por cavalos ardentes; tu, de quem está
escrito que no tempo dos julgamentos virás para abrandar a ira do Senhor, para
reconciliar o coração dos pais com os filhos e para restabelecer as tribos de
Jacó" (Ib, 47). Estas palavras de um livro canônico nos esclarecem que
Henoc e Elias têm uma missão futura a cumprir. Henoc deve pregar a penitência
às nações, ou, se preferir em outra tradução, levar as nações à penitência.
Elias
deve, um dia, restabelecer as tribos de Israel, quer dizer, devolver o lugar de
honra a que elas têm direito na Igreja de Deus. A unanimidade dos doutores
compreende que esta dupla missão se realizará simultaneamente no fim do mundo.
Elias, em particular, é considerado o precursor de Jesus Cristo que vem do céu
como juiz; este pensamento salta manifestamente dos Evangelhos (Mt 17; Mc 9).
Então, os homens verão um dia, e não sem espanto, Henoc e Elias reaparecerem
no meio deles e pregarem penitência com extraordinário brilho. São João os
chama as duas testemunhas de Deus, e assim os descreve no seu Apocalipse (11,
3-7). "Eles profetizarão durante
1.260 dias, revestidos de saco”. "São
as duas oliveiras e os dois candelabros postos diante do Senhor da terra”.
“Se alguém lhes quiser fazer mal, sairá fogo de suas bocas que devorará os
seus inimigos; e se alguém os quiser ofender, é assim que deve morrer”.
(14)
14 > Aqui novamente a figura dos candelabros, das oliveiras, tem sido explicado pelos profetas como os mesmos Sagrados Corações. Estes 1.260 dias são simbólicos, mas com toda certeza referem-se aos dias de hoje, agora, quando os estamos vivendo. Milhares de milagres têm sido realizados por eles, em toda a terra, e isso explica a profecia. E virão coisas ainda maiores com o correr dos dias. Basta estar ligado em Deus, e veremos! E este