|
|
|
www.paideamor.com.br |
|
17
Agosto 2006
As
visões e revelações da Bem-aventurada Elizabeth Canori Mora
(Retirado,
com cortes, do site Lepanto) Pouco
conhecida pelo público brasileiro, nesse sentido, são as visões da
Bem-aventurada Elizabeth Canori Mora (1774-1825). A
Bem-aventurada Elizabeth escreveu-as de próprio punho em centenas de
páginas dirigidas a seu confessor, hoje zelosamente custodiadas no
arquivo dos padres trinitários, Esses
manuscritos podem assombrar a mais de um fiel pouco precavido. O
censor teológico, que em 5-11-1900 emitiu sábio e nobre juízo,
isentando-os de erro, sentiu a necessidade de desfazer as objeções
que se poderiam levantar contra as revelações mais surpreendentes da
Bem-aventurada, hoje cultuada nos altares (vide quadro abaixo). Breves
dados biográficos da Bem-aventurada Elizabeth Elizabeth
Canori é filha de Tomás Canori, grande proprietário de terras
romano, e de Teresa Primoli, aristocrática dama da Cidade dos Papas.
Após receber esmerada educação familiar, desposou um jovem
advogado, Cristoforo Mora, filho de um rico médico da mesma Roma, em
10-1-1796. Do casal nasceram quatro filhas, duas das quais morreram
com pouca idade. Tudo
augurava ao novo matrimônio um brilhante futuro. Mas a tragédia veio
logo. O marido entregou-se à crápula, arruinou a família e
abandonou o lar, seduzido por uma mulher de má vida. Foi preso pela
polícia pontifícia, primeiro num cárcere, depois num convento.
Jurou mudar de vida, mas após retornar ao seu lar, tentou repetidas
vezes assassinar sua esposa Elizabeth (a respeito desse tema, vide
ilustração da p. 29). Ela foi de uma fidelidade heróica, oferecendo
pelo marido enormes sacrifícios. E profetizou que ele acabaria
morrendo sacerdote. Assim
foi. Após o falecimento da Bem-aventurada, em 5-2-1825, Cristóforo
caiu em si e fez-se religioso, levando exemplar vida de penitência.
Foi ordenado sacerdote e morreu rodeado de grande consideração. Quando
abandonada pelo esposo, incompreendida pelos familiares, Elizabeth
teria caído na miséria se benfeitores compassivos não a tivessem
auxiliado. Entre eles encontravam-se Prelados romanos, que narraram ao
Papa Pio VII os seus méritos. O Pontífice, beneficiado pelas orações
e sacrifícios dela, concedeu privilégios pouco comuns à capela
privada da sua humilde casa. Sua
causa de beatificação foi introduzida em 1874, durante o pontificado
do Bem-aventurado Pio IX. Pio XI aprovou o decreto de heroicidade de
virtudes em 1928, tendo sido Elizabeth Canori Mora beatificada em
24-4-1994 por João Paulo II. A
denúncia do pecado De
modo análogo, agiu Deus em relação à Bem-aventurada Elizabeth. No
Natal de 1813, ela foi arrebatada a um local inundado de luz, onde inúmeros
santos rodeavam um humilde presépio. Nele, o Menino Jesus chamava-a
docemente. A própria Elizabeth descreve sem preocupações literárias
a surpresa que teve: "Só
de pensar, me causa horror. [...] Vi o meu amado Jesus recém-nascido
banhado no seu próprio sangue [...], nesse momento compreendi por via
intelectual qual era a razão de tanto derramamento de sangue do
Divino Infante apenas nascido. [...] A má conduta de muitos
sacerdotes seculares e regulares, de muitas religiosas que não se
comportam segundo o seu estado, a má educação que é dada aos
filhos por parte dos pais e mães, como também por aqueles a quem
incumbe uma obrigação similar. Estas são as pessoas por cujo bom
exemplo deve aumentar o espírito do Senhor no coração dos outros.
Mas eles, pelo contrário, apenas nasce [o espírito de Nosso Senhor]
no coração das crianças, fazem-lhe uma perseguição mortal com sua
má conduta e maus ensinamentos." Conspiração
contra a Igreja, revelada por Deus A
partir de então, Deus foi-lhe revelando o lamentável agir de certos
setores eclesiásticos que atraíam a cólera divina, acumpliciados
com a Revolução que derrubava tronos e seculares costumes cristãos
na ordem temporal. Os
anjos conduziram espiritualmente a Beata Elizabeth a antros secretos
onde se tramava essa conjuração. De cada vez, novas aberrações lhe
eram desvendadas. Em 24-2-1814 foram-lhe exibidas cenas que lembram a
crise dos dias em que vivemos: "Via — narra ela — muitos
ministros do Senhor que se despojavam uns aos outros; raivosamente
arrancavam-se os paramentos sagrados; via serem derrubados os altares
sagrados pelos próprios ministros de Deus"5. Em
22-5-1814, enquanto rezava pelo Santo Padre, "vi-o viajando
rodeado de lobos que faziam complôs para atraiçoá-lo." "O
mundo todo estava em caos" Em
16-1-1815, os anjos mostraram-lhe muitos eclesiásticos que "sob
manto de bem, perseguem a Jesus Crucificado e Seu Santo
Evangelho", e que "como lobos raivosos tramavam derribar o
chefe da Igreja do seu trono"8. Então ela foi levada
"a ver o cruel estrago que a Justiça de Deus está para fazer
entre aqueles miseráveis: com sumo terror, via que em torno de mim
fulguravam os raios da Justiça irritada. Via os prédios caírem Porém,
o que mais a impressionou foi ver Deus indignado. Num local altíssimo
e solitário, viu Deus representado por "um gigante forte e irado
até o extremo contra aqueles que O perseguiam. Suas mãos onipotentes
estavam cheias de raios, o seu rosto estava repleto de indignação: só
o seu olhar bastava para incinerar o mundo inteiro. Não tinha nem
anjos nem santos que o circundassem, mas somente a Sua indignação
circundava-o por todas partes".10 Tal
visão durou apenas um instante. Segundo a Bem-aventurada Elizabeth,
"se tivesse durado mais um momento, certamente eu teria
morrido". A descrição acima lembra a visão do inferno
apresentada a Lúcia, Francisco e Jacinta. Entre ambas as visões há
uma correlação profunda. Enquanto à Bem-aventurada Deus manifestou
sua justa indignação pelas ofensas que sofre, Nossa Senhora em Fátima
apontou o destino das almas que ofendem a Deus e morrem impenitentes. A
gravidade do pecado de apostasia do mundo No
Natal de 1816, foi mostrado à Bem-aventurada Elizabeth também o
quanto esses ultrajes ofendem a Ssma. Virgem. Pode-se entrever um
limite de pecado, que a misericórdia da Rainha do Céu não permitirá
que seja ultrapassado. A
Bem-aventurada Elizabeth viu Maria Santíssima "triste e
dolorosa". Perguntou-lhe então a razão da sua dor. "A Mãe
de Deus voltou-se para mim, e disse: `Contempla, ó filha, contempla a
grande impiedade'. Ouvindo estas palavras, vi que ousadamente apóstatas
tentavam arrancar temerariamente o seu Santíssimo Filho de seu puríssimo
seio e dos seus santíssimos braços. Diante deste grande atentado, a
Mãe de Deus não pedia mais misericórdia para o mundo, mas justiça
ao Divino Pai Eterno; o Qual, revestido da sua inexorável justiça e
cheio de indignação, voltou-se para o mundo. Naquele momento toda a
natureza entrou em convulsão, e o mundo perdeu a sua boa ordem, e se
formou sobre a Terra a maior infelicidade que se possa contar ou
imaginar. Uma coisa tão deplorável e aflitiva que deixará o mundo
reduzido à última desolação". Antevisões
dos castigos O
véu que envolve os castigos anunciados em Fátima em 1917, de alguma
maneira foi levantado para a Bem-aventurada Elizabeth. O que ela viu
fornece-nos subsídios para entender melhor o que Nossa Senhora previu
depois na Cova da Iria. Com
efeito, em 7-6-1815 Deus mostrou-lhe, mais uma vez, a punição que
atraíam sobre a humanidade esses "lobos rapaces sob pele de
ovelha, [...] acérrimos perseguidores de Jesus Crucificado e de Sua
esposa a Santa Igreja". "Parecia-me — escreveu — ver
todo o mundo em convulsão, especialmente a cidade de Roma. [...] O
que dizer do Sacro Colégio? Por causa da variedade de opiniões, uns
tinham sido dispersados, outros abatidos, outros desapiedadamente
assassinados. De modo similar eram tratados o clero secular e a
nobreza. O clero regular não sofria a dispersão total, mas era
dizimado. Inumeráveis eram os homens de toda condição que pereciam
nesse massacre, mas nem todos se condenavam. Muitos eram homens de
bons costumes, e muitos outros de santa vida"13. Na
festa de São Pedro e São Paulo, 29-6- Tão
graves ameaças talvez pudessem parecer exageradas nos tempos da Bem- Vingança
divina contra os inimigos da Igreja Prosseguindo
a narrativa da visão, ela relata que São Pedro voltou para o Céu.
Então, na Terra "o firmamento ficou coberto de uma cor azul
tenebrosa, que só de ver causava terror. Um vento caliginoso fazia
sentir seu sopro impetuoso por toda parte. Com um veemente e tétrico
silvo uivando no ar, como feroz leão com seu assustador rugido, fazia
ressoar sobre toda a Terra o seu horripilante eco”. "O
terror e o espanto porão todos os homens e todos os animais em um
estado de supremo pavor, todo o mundo estará em convulsão e
matar-se-ão uns aos outros, trucidar-se-ão mutuamente sem piedade.
No tempo da sanguinária pugna, a mão vingadora de Deus pesará sobre
esses infelizes, e com a sua onipotência castigará o orgulho, a
temeridade e a desavergonhada ousadia deles; Deus servir-se-á das potências
das trevas para exterminar esses homens sectários, iníquos e
criminosos que pretendem derribar, erradicar a Igreja Católica, nossa
Santa Mãe, pelas suas raízes mais fundas e jogá-la por terra
[...]”. "Deus
rir-se-á deles e da sua maldade, e com um só aceno da sua mão
direita onipotente punirá esses iníquos, permitindo às potestades
das trevas saírem do inferno; e estas grandes legiões de demônios
percorrerão o mundo todo, e por meio de grandes ruínas executarão
as ordens da Divina Justiça, à qual estes malignos espíritos estão
submetidos, de maneira que não poderão fazer nem mais nem menos dano
do que permitirá Deus aos homens, aos seus bens, às suas famílias,
às suas infelizes aldeias, cidades, casas e palácios, e qualquer
outra coisa que subsistirá sobre a Terra [...]”. "Deus
permitirá que esses homens iníquos sejam castigados através da
crueldade de demônios ferozes, porque se submeteram voluntariamente
à potestade do demônio e confederaram-se com ele para causar dano à
Santa Igreja Católica. [...] Foi-me mostrado o horrendo cárcere
infernal. Eu via abrir-se na maior profundidade da terra uma caverna
tenebrosa e espantosa, cheia de fogo, de onde via sair muitos demônios,
os quais, tomando uns uma figura e outros outra, uns de animal, outros
de homem, vinham todos infestar o mundo e fazer por todas partes malefícios
e ruínas [...]. Devastarão todos os locais onde Deus tem sido e é
ultrajado, profanado, sacrilegamente tratado, onde se tem praticado a
idolatria. Todos esses locais serão demolidos, arruinados, e
perder-se-á todo vestígio deles". Triunfo
e honra da Igreja Na
mesma visão de 29-6-1820, após as purificadoras punições
descritas, a Beata Elizabeth viu São Pedro retornar do Céu num
majestoso trono pontifical. Logo a seguir, desceu com grande pompa o
Apóstolo São Paulo. Ele "percorria todo o mundo e algemava
aqueles malignos espíritos infernais, e os conduzia diante do Santo
Apóstolo São Pedro, o qual, com uma ordem cheia de autoridade,
voltava a confiná-los nas tenebrosas cavernas das quais tinham saído
[...]. Nesse momento viu-se aparecer sobre a terra um belo resplendor,
que anunciava a reconciliação de Deus com os homens"16. A
pequena grei dos católicos fiéis, refugiada sob as árvores com
forma de Cruz, foi então conduzida aos pés do trono de São Pedro.
"O santo escolheu o novo Pontífice — acrescenta a vidente —,
toda a Igreja foi reordenada segundo os verdadeiros ditames do Santo
Evangelho; foram restabelecidas as ordens religiosas, e todas as casas
dos cristãos tornaram-se outras tantas casas penetradas de religião;
tão grande era o fervor e o zelo pela glória de Deus, que tudo era
ordenado em função do amor de Deus e do próximo. Desta maneira
tomou corpo num momento o triunfo, a glória e a honra da Igreja Católica:
Ela era aclamada por todos, estimada por todos, venerada por todos,
todos decidiram segui-la, reconhecendo o Vigário de Cristo, o Sumo
Pontífice"17. "Cinco
heresias infeccionam o mundo" Disse-lhe
Nosso Senhor em inícios de 1821: "Eu reformarei meu povo e a
minha Igreja. Mandarei sacerdotes zelosos para pregar minha Fé,
formarei um novo apostolado, enviarei o Divino Espírito Santo a
renovar a Terra. Reformarei as ordens religiosas por meio de novos
reformadores santos e doutos. Todos possuirão o espírito de meu
dileto filho Inácio de Loyola. Darei um novo Pastor à minha Igreja,
douto, santo, repleto do meu Espírito. Com santo zelo reformará a
grei de Jesus Cristo"18. E acrescenta: "Ele me
fez conhecer muitas outras coisas concernentes a esta reforma. Vários
soberanos sustentarão a Igreja Católica e serão verdadeiros católicos,
depositando seus cetros e coroas aos pés do Santo Padre, Vigário de
Jesus Cristo. Vários reinos abandonarão os seus erros e voltarão ao
seio da Fé católica. Povos inteiros converter-se-ão e reconhecerão
como religião verdadeira a Fé de Jesus Cristo". Deus
lhe fez ver várias vezes uma esplendorosa nave nova, símbolo da
Igreja restaurada, que estava sendo armada pelos anjos. Também, em
10-1-1824, mostrou-lhe o principal obstáculo para a conclusão dessa
nave. Ela viu cinco árvores de desmesurado tamanho: "Observei
que essas cinco árvores com suas raízes alimentavam e produziam um
emaranhadíssimo bosque de milhões de plantas estéreis e selváticas".
Deus lhe fez entender que essas cinco enigmáticas árvores
simbolizavam "as cinco heresias que infeccionam o mundo nos
nossos tempos". Falsas
máximas e os erros espalhados pela Rússia Em
22-1- A
vidente ouviu que as cinco aludidas heresias se identificavam com as
"falsas máximas da filosofia de nosso tempo". Máximas
essas que, segundo ela, estavam no cerne dos movimentos revolucionários
da sua época, inspirados no espírito e nas doutrinas da Revolução
Francesa. Tais máximas orientavam a conjuração que subvertia a
Igreja e a ordem sócio-política. Apresenta-se
ainda aqui mais uma relação com a mensagem de Fátima. Pois nesta,
Nossa Senhora apontou a difusão dos erros da Rússia — isto é, o
comunismo — como um dos castigos que viriam se o mundo não se
emendasse. Ora, os erros comunistas — inclusive nas formulações
mais atualizadas da chamada Internacional Rebelde, analisada em
vários artigos desta revista — são conseqüência necessária e
direta das "falsas máximas" que a Bem-aventurada.
Elizabeth apontou insistentemente como cerne do processo de subversão
do orbe católico. Confirmada
a certeza nas promessas de Fátima A
Bem-aventurada Elizabeth fechou os olhos para esta Terra em 5-2-1825,
quase um século antes da gloriosa manifestação de Nossa Senhora Por
tudo isso, as visões e revelações da Bem-aventurada Elizabeth
Canori Mora reforçam ainda mais a idéia da centralidade da mensagem
de Fátima e a certeza do cumprimento da promessa de Nossa Senhora aos
três pastorinhos em 1917: "Por fim, o meu Imaculado Coração
triunfará!" |
|
Copyright © Pai de Amor - Todos os direitos reservados. |