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Enfoque
desfocado
Tudo
na vida deve ter limites que não podem ser ultrapassados
Na mente de muitas pessoas ainda existe aquela convicção de
que remédio bom tem de ser amargo. Este, sim, teria efeito garantido.
O mesmo se diga sobre o uso legítimo do prazer do corpo. Muitos acham
que a busca do prazer físico tem embutido em si um ressaibo
pecaminoso. Esta maneira de pensar cria muitos culpados imaginários.
Leva àquela falsa ideia do “eu não presto”.
Jesus, ao contrário, além de ter uma vida disciplinada, também
aceitava participar de momentos de boas refeições e tomar bons
vinhos. Isso não dava, no entanto, o direito aos Seus inimigos de
acusá-Lo:
“O Filho do Homem é um comilão e beberrão, amigo dos pecadores”
(Lc 7, 34). Trata-se dos prazeres legítimos que Deus colocou à nossa
disposição. O mundo civil, nos dias atuais, está muito bem equipado
com ofertas de prazer. Oferece abundância de comidas sofisticadas, até
em linha popular; roupas de grande beleza; joias variadíssimas; remédios
em abundância; drogas para esquecer as agruras da vida; festas para
todos os gostos; exacerbação sexual. Parece que se está fixando o
princípio de vida, comentado por São Paulo: “Comamos e bebamos,
porque amanhã morreremos” (I Cor 15, 32).
Mas não nos iludamos. Tudo na vida deve ter limites, que não podem
ser ultrapassados: comida, festas, vida sexual, esportes. Estamos na
civilização da abundância, na qual as pessoas buscam sempre mais
prazer. Mas as coisas boas precisam estar acompanhadas de disciplina e
até de sacrifício. Basta vermos o concurso que foi realizado de Miss
Universo. Procurou-se a “mulher mais linda do mundo”. Mas que
enorme sacrifício que tiveram de enfrentar: pouca comida, muito exercício,
concentração de várias semanas, obediência – sem discussão -
aos organizadores... Tudo por um título efêmero.
Podemos viver tranquilamente os prazeres legítimos da vida, sem
traumas. Mas atenção! O salmista ensina: “Deus é o meu bem”
(Sl 16, 2).
Dom Aloísio R. Oppermann scj – Arc. Uberaba
domroqueopp@terra.com.br
Fonte:cancaonova.com
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