Padre
Léo
Homem
que viveu sempre ancorado no Sagrado Coração de Jesus
Conheci
o padre Léo quando ele era ainda um adolescente de 17 anos de idade,
há 29 anos, lá no Biguá, um lugarejo escondido na Serra da
Mantiqueira, onde eu ia de vez em quando passar uns dias no campo, na
casa da tia Quinha.
Um dia, encontrei este jovem Léo tocando violão na bandinha que
animava a Missa na capela deste lugarejo; ali eu fazia algumas
palestras para jovens e adultos quando estava lá, a pedido do velho e
amigo padre Arlindo, de Delfim Moreira (MG).
O jovem Léo era meio arteiro, gostava de um cigarro, de uma bebida e
me disse que até de umas drogas. Mas Deus começou a transformar o
seu coração. Sua família veio morar em Itajubá (MG), e ele foi
estudar no SENAI; ali ele foi aluno de um de meus irmãos, o Paulo
Aquino, que dava aula de matemática lá, e dizia que ele era arteiro,
fazia farra na escola, e também promovia bagunças com os colegas.
Era meio adepto da teologia da libertação e avesso às coisas mais
espirituais.
Mas Deus foi tocando o coração dele e o chamou ao sacerdócio,
depois de participar da Renovação Carismática Católica. Acabou
indo para o seminário do Sagrado Coração de Jesus.
Aos poucos, foi se tornando um grande pregador por todo o Brasil e,
principalmente, por meio da Canção Nova se tornou muito conhecido e
amado. Viajou pelo mundo para pregar a Palavra de Deus, como nos EUA,
nos países da América do Sul, Japão, Portugal e Espanha. Podemos
dizer que se tornou o pregador que mais retiros pregava pela Canção
Nova e que mais gente arrebanhava para esses encontros.
São Paulo disse que “Temos esse tesouro em vasos de barro para
que transpareça claramente que este poder extraordinário provém de
Deus e não de nós” (2Cor 4,7). Padre Léo foi um exemplo
vivo e real desta palavra; seu poder de pregar era extraordinário:
poder de Deus colocado em um vaso de barro, que, com o tempo, se
"quebrou", mas mesmo "quebrado" exalava e
continuará exalando por muito tempo e por muitos lugares o perfume de
Cristo.
Padre Léo
deixou-nos uma obra maravilhosa que é a “Comunidade Bethânia”,
fundada para acolher e tratar jovens dependentes de álcool e de
drogas. São cinco casas em todo o Brasil, sendo uma delas em Lorena
(SP), a qual tivemos a alegria de ter fundado como a antiga “Casa de
Emaús” e depois passado para a Comunidade do Padre Léo. Só nesta
casa em Lorena são cerca de setenta jovens em recuperação. Este
trabalho deste grande homem de Deus precisa continuar a crescer, por
isso, precisa receber o apoio de todos que o amaram e, sobretudo,
daqueles que se beneficiaram do seu ministério. Não se cobra nada do
jovem que ali chega para tratamento, e lhe é dado amor,
espiritualidade e vida nova.
Padre Léo nos deixou também um acervo espiritual muito grande em
seus livros, palestras e músicas, tratando, sobretudo, da restauração
da pessoa humana, pela cura interior e pela restauração da família.
Na Comunidade Bethânia era um incansável pregador de retiros para
casais e para jovens, mas sabia atingir muito bem o coração de todos
com uma pedagogia especial, com alegria e profundidade.
Como sacerdote, percorreu uma caminhada que nos faz lembrar a do próprio
Jesus. Pregou durante um bom tempo, caminhando pelas estradas do
mundo, e depois viveu a sua paixão. Foi um ano inteiro de luta contra
um câncer (linfoma) que acabou levando-o para Deus. Mas ele não se
deixou vencer pela dor e pelo sofrimento. As palavras e gestos dele
nunca deixaram transparecer a dor, a qual sempre suportou na fé e na
esperança. Fez a sua última pregação na Canção Nova, no 'Hosana
Brasil', no dia 09 de dezembro de 2006. Uma pregação que tocou a
muitos; com a sua vida viveu aquilo que pregou.
Também é significativo o fato de que o Pe. Léo tenha sido velado na
primeira sexta-feira do ano, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus,
que ele tanto amou. Nesta festa, a Igreja nos mostra a misericórdia
do Coração de Jesus que vem ao encontro de nossas misérias, as
quais foram tão bem experimentadas por ele, especialmente em sua
juventude. Neste Sagrado Coração, ele viveu sempre ancorado, e tomou
como símbolo da sua Comunidade Bethânia. Hoje, este Coração se
abriu para acolhê-lo por toda a eternidade. Que de lá ele possa
interceder por cada um de nós na presença do Senhor.
Felipe
Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
Fonte:cancaonova.com
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