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O
chamado é iniciativa de Deus Por
que Saulo (Paulo) perseguia a Igreja? Pergunta que nos interroga,
sensibiliza e abre uma grande lacuna. Por que Deus escolheu um
perseguidor? Tanta gente boa. Mas vamos conhecer primeiro Saulo para
podermos entender o porquê da pergunta. Saulo, natural de Tarso da
Cilícia, filho da tribo de Benjamim, a mesma do rei David, era filho
de comerciantes ricos, cidadão romano, ligado à seita dos fariseus,
aluno do glorioso rabino Gamaliel, zeloso defensor da Torá. Ele era
fariseu, filho de fariseu. Israelita
orgulhoso, alma de fogo e coração íntegro, ainda jovem, era
conhecido apenas por seu nome judeu de Saulo. Impulsionado pelo
entusiasmo impetuoso da mocidade; abrasado em ânsias de proselitismo
próprio do judeu, julgou que tinha missão religiosa para cumprir:
combater o Cristianismo até destruí-lo. Por considerá-lo uma traição
ao Judaísmo, perseguia os seguidores de Cristo porque eles tinham
abandonado a lei mosaica para seguir um tal de Jesus, sobre o qual um
monte de fanáticos cristãos pregavam e diziam ter ressuscitado dos
mortos . Ele,
como um bom judeu, intelectual e fiel à lei, precisava fazer alguma
coisa para acabar com aqueles que estavam destruindo o Judaísmo.
Quando Paulo se dirigia pelo caminho a Damasco, seu coração estava
cheio de agressividade contra os cristãos, não porque fosse um homem
mau, mas por ser fiel às tradições nas quais havia sido formado.
Estava cheio de agressividade, pois se sentia ameaçado por esta nova
fé que se opunha às suas tradições mais caras nas quais fora
ensinado. Era pelo amor de Deus que perseguia os inovadores. Um
belo exemplo de experiência de Deus é a do Apóstolo Paulo. O que
lhe acontece no caminho de Damasco foi certamente uma experiência de
ponta, marcante e indelével. Esse foi um momento muito importante em
sua vida. Mas ele esteve certamente também intensamente unido ao
Cristo durante todos os anos seguintes de sua vida e não apenas nesse
momento particular. Essa
experiência era para Paulo, unicamente para ele. Naquele momento
Jesus o queria, o Senhor se apossa da vida dele, mas sem lhe tirar a
liberdade. Então ele passa a pertencer unicamente a seu Senhor, pelo
qual foi convocado. Agora sua vida se resume na obediência ao seu
Senhor. Deus
foi absolutamente livre no chamado de Paulo, nada foi lhe imposto,
sendo ele livre para dar uma resposta responsável a Altíssimo. O
Senhor, quando o chamou, pôs em seu coração a capacidade de
resposta, não o amarrou, nem o obrigou a nad, mas lhe deu condições
de decidir e corresponder ao dom recebido. O Senhor abriu-se a Paulo
em uma condição de diálogo, algo pessoal e íntimo. O
apóstolo dos gentios passou por uma transformação histórica e
interior, tornou-se uma nova criatura porque Deus lhe concedeu o dom
da fé e da esperança. Por intermédio de Cristo, ele recebeu de Deus
a vida nova. O
chamado é uma pura iniciativa de Deus. O Senhor quando vocaciona alguém
já tem um projeto para a vida de quem responde o ''sim'', não como
uma predestinação, mas como uma resposta de amor. Ninguém veio do
ocaso, nem para ficar solto no mundo, todos viemos para livremente dar
uma resposta ao projeto de Deus único e irrepetível. Dizer “sim”
é tornar-se um canal de graça para os outros e para o mundo. Neste
sentido nós participamos do plano do Pai. O
seguimento a Deus é apenas uma "gratidão" espiritual.
Acima de tudo foi Ele quem possibilitou ao homem participar da existência
que pertence somente a Ele. Seguir
ao Senhor deve ser a expressão máxima da alegria de todo ser humano;
deve exalar o perfume de Cristo. Toda vocação deve tornar-se
atraente, deve provocar nas pessoas um encontro com Deus, transformar
o mundo, os corações. Por
isso, uma vez vivendo e experimentando o amor vocacional, o chamado de
Deus não deve ser vivido de forma frustrante deixando a vocação
tornar-se velha; esta deve ser sempre nova, apresentar a cada dia a
novidade do Espírito Santo. Os outros precisam ficar fascinados com o
efeito da graça na vida de quem é consagrado ao Senhor. É preciso
comunicar a vida para os homens que somente Cristo pode dar. Pe.
Reinaldo Cazumbá
Fonte:cancaonova.com
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