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As
marcas não são apenas sociais; são um problema de saúde pública
Mais comum do que as estatísticas apresentam, a violência doméstica
e familiar é um fato explícito ou, muitas vezes, velado, encoberto,
praticado dentro de casa, entre parentes (homem e mulher, entre
filhos, dos filhos para com os pais e vice-versa, dentre outros),
incluindo a violência e o abuso sexual contra criança, os
maus-tratos contra idosos e contra a mulher, e violência contra o
parceiro. Este problema se torna cada vez mais evidente, porque as
marcas não são apenas sociais, mas geram um problema de saúde pública
e cuidados que cada vez mais são percebidos e necessários às vítimas
desses tipos de violência. As
pesquisas divulgadas mostram que os meninos são vítimas mais
frequentes de violência física, porém, no que se refere à violência
sexual, as vítimas mais frequentes são as meninas ( A
abertura para esse assunto não é muito fácil, pois, muitas vezes, a
violência é silenciosa, envolve segredos familiares e aproxima-se
dos agressores que, muitas vezes, estão mais próximos do que a família
gostaria de encarar. É
interessante entender o que é cada um dos tipos de violência e saber
como lidar com ela. a)
Violência física
– ação única ou repetida, intencional, cometida por um adulto ou
pessoa mais velha que a criança ou adolescente, que provoque dano físico,
de grau variado de lesão que leve até à morte; b)
Violência psicológica
– envolve um padrão de comportamento destrutivo do adulto, que
interfere negativamente na competência social da criança, por meio
de práticas de rejeição, isolamento, ameaça, descaso, corrupção,
expectativas e exigências irreais, violências que não deixam marcas
físicas, mas afetam diretamente o comportamento e o lado emocional
dos violentados; c)
Violência sexual
– ato ou jogo sexual, com a intenção de estimular sexualmente ou
de usar a criança ou adolescente para obter satisfação sexual por
parte de adulto ou de pessoa em estágio mais avançado de
desenvolvimento. Existe também a chamada negligência que pode ser
caracterizada como o abandono parcial ou total dos responsáveis e/ou
a omissão quanto a oferecer as necessidades básicas e da supervisão
essencial à segurança e ao desenvolvimento da criança, quando não
associadas a privações socioeconômicas. A
violência contra a criança mostra-se, na maioria das vezes, como
fator de risco para que apresentem problemas de comportamento,
ajustamento escolar e de uma percepção social negativa, ou seja, com
uma visão distorcida, amedrontada e até mesmo isolada dos
relacionamentos sociais. Para enfrentar este problema, são utilizadas
as chamadas redes sociais de apoio, ou seja, todos os recursos
pessoais da criança e da família que são usados para enfrentar o
problema da violência, como a própria família, a escola, os meios
sociais frequentados pelas vítimas, além do suporte público e político
no combate de tais situações. Outra
forma de agressão cometida por pais e parentes que pode prejudicar o
desenvolvimento emocional, muito comum por aparentemente não causar
danos às vítimas, são as violências psicológicas. Comparar a
criança com o seu irmão, apontar os defeitos físicos e intelectuais
ou castigá-la trancando-a no quarto escuro, são exemplos desse tipo
de violência, dificilmente detectada, pois o agressor acredita que
seu ato é apenas uma brincadeira ou forma de educar, mas pode gerar
medos e conflitos na criança ou jovem. Os
principais sinais apresentados pelo jovem ou criança que sofre violência
são: ansiedade, choros constantes sem aparente motivo, medo,
pesadelos, tentativas de suicídio, marcas de violência no corpo,
ataques de pânico, baixo rendimento escolar, sentimento de
inferioridade. Se
a sociedade pudesse viver o verdadeiro uso da palavra
"amar", que não aquele afirmado também pela mídia, ligado
apenas ao namoro e ao sexo, e sim pensar no amor por sua definição
mais simples – relacionar-se com igualdade de consideração, sem
superioridade ou inferioridade, sendo tolerantes às falhas e diferenças
humanas – muitos casos não seriam mais presenciados. Amar é não
fazer ao outro coisas que nós não gostamos que sejam feitas conosco.
O que nós não gostamos de receber, certamente o outro também não
deve gostar. A partir desta vivência, nos tornaremos cooperadores um
do outro em vez de destruidores. Que possamos ser agentes na extinção
desta violência, com o máximo de respeito e ação frente a tais
situações. Elaine
Ribeiro
Fonte:cancaonova.com
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