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O
maior acontecimento da história "E
o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós" (João 1, 14).
Deus
se fez homem. Na Pessoa do Verbo, Ele assumiu a natureza humana sem
abandonar a divina. Foi o maior acontecimento da história. A
fé na Encarnação verdadeira do Filho de Deus é o sinal distintivo
da fé cristã: "Nisto reconheceis o Espírito de Deus. Todo espírito
que confessa que Jesus Cristo veio na carne é de Deus" (1 Jo
4,2). Esta é a alegre convicção da Igreja desde o seu começo,
quando canta "o grande mistério da piedade": "Ele foi
manifestado na carne" (1 Tm 3,16). Mas
por que Deus se fez homem? A Igreja nos responde: 1
- “O Verbo se fez carne para salvar-nos, reconciliando-nos com
Deus” (Catecismo da Igreja Católica – CIC § 457). "Foi
Ele que nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação por
nossos pecados" (1Jo 4,10). "O Pai enviou seu Filho como o
Salvador do mundo" (1 Jo 4,14). "Este apareceu para tirar os
pecados" (1 Jo 3,5). O
pecado de toda a humanidade ofendeu a Majestade Infinita de Deus
Criador; e nenhum resgate humano seria suficiente para reparar a
ofensa contra a Majestade divina. O Catecismo afirma que: “Nenhum
homem, ainda que o mais santo, tinha condições de tomar sobre si os
pecados de todos os homens e de se oferecer em sacrifício por todos.
A existência em Cristo da Pessoa Divina do Filho, que supera e, ao
mesmo tempo, abraça todas as pessoas humanas, e que o constitui Cabeça
de toda a humanidade, torna possível seu sacrifício redentor por
todos” (CIC § 616). A
morte de Cristo realizou a redenção definitiva dos homens pelo
"Cordeiro que tira o pecado do mundo" e reconduziu o homem
à comunhão com Deus, reconciliando-o com Ele pelo "Sangue
derramado por muitos para remissão dos pecados". Este sacrifício
de Cristo é único. Ele realiza e supera todos os sacrifícios. Ele
é primeiro um dom do próprio Deus Pai: é o Pai que entrega seu
Filho para reconciliar-nos com Ele. É, ao mesmo tempo, oferenda do
Filho de Deus feito homem, o qual, livremente e por amor, oferece a
vida ao Pai pelo Espírito Santo, para reparar nossa desobediência. “Como
pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores,
assim, pela obediência de um só, todos se tornarão justos" (Rm
5,19). Por Sua obediência até a morte, Jesus realizou a substituição
do Servo Sofredor que "oferece sua vida em sacrifício expiatório",
"quando carregava o pecado das multidões", "que Ele
justifica levando sobre si o pecado de muitos". São
Gregório de Nissa, Padre da Igreja (†340), explica: “Doente,
nossa natureza precisava ser curada; decaída, ser reerguida; morta,
ser ressuscitada. Havíamos perdido a posse do bem, era preciso no-la
restituir. Enclausurados nas trevas, era preciso trazer-nos à luz;
cativos, esperávamos um salvador; prisioneiros, um socorro; escravos,
um libertador. Essas razões eram sem importância? Não eram tais que
comoveriam a Deus a ponto de fazê-lo descer até nossa natureza
humana para visita-la, uma vez que a humanidade se encontrava em um
estado tão miserável e tão infeliz?” (Or. Catech. 15: PG
45,48B). A
Epístola aos Hebreus fala do mesmo mistério: “Por
isso, ao entrar no mundo, ele afirmou: Não quiseste sacrifício e
oferenda. Tu, porém, formaste-me um corpo. Holocaustos e sacrifícios
pelo pecado não foram de teu agrado. Por isso eu digo: Eis-me aqui...
para fazer a tua vontade” (Hb 10,5-7, citando Sl 40,7-9 LXX). 2
– "O Verbo se fez carne para que conhecêssemos o amor de
Deus" (CIC § 458).
"Nisto
manifestou-se o amor de Deus por nós: Deus enviou seu Filho Único ao
mundo para que vivamos por Ele" (1 Jo 4,9). "Pois Deus amou
tanto o mundo, que deu seu Filho Único, a fim de que todo o que crer
nele não pereça, mas tenha a Vida Eterna" (Jo 3,16). Ninguém
mais tem o direito de duvidar do amor de Deus por nós. O que mais o
Senhor poderia ter feito por nós? Além de nascer como homem, sujeito
às nossas fraquezas, ainda experimentou a morte na cruz. São
Paulo canta o mistério da Encarnação: “Tende
em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus: Ele tinha a condição
divina, e não considerou o ser igual a Deus como algo a que se apegar
ciosamente. Mas esvaziou-se a si mesmo, assumiu a condição de servo,
tomando a semelhança humana. E, achado em figura de homem,
humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz!” (Fl
2,5-8). 3
– “O Verbo se fez carne para ser nosso modelo de santidade” (CIC
§ 459).
"Tomai
sobre vós o meu jugo e aprendei de mim..." (Mt 11,29). "Eu
sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai a não ser por
mim" (Jo 14,6). E o Pai, no monte da Transfiguração, ordena:
"Ouvi-o" (Mc 9,7). Pois Ele é o modelo das Bem-aventuranças
e a norma da Nova Lei: "Amai-vos uns aos outros como eu vos
amei" (Jo 15,12). Este amor implica a oferta efetiva de si mesmo
em seu seguimento. 4
– “O Verbo se fez carne para tornar-nos "participantes da
natureza divina" (II Pd 1,4). (CIC § 460). Santo
Irineu (†202) assim explicou essa verdade: "Pois
esta é a razão pela qual o Verbo se fez homem, e o Filho de Deus,
Filho do homem: é para que o homem, entrando em comunhão com o Verbo
e recebendo, assim, a filiação divina, se torne filho de Deus"
(Adv. Haer., 3,19,1). São
Tomás de Aquino disse: “O Filho Unigênito de Deus, querendo-nos
participantes de sua divindade, assumiu nossa natureza para que aquele
que se fez homem dos homens fizesse deuses" (Opusc. Felipe
Aquino
Fonte:cancaonova.com
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