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A
mulher é e sempre será para o homem um mistério “Deus
criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e
mulher Ele os criou”. Diante de tantas propostas de vendas de homem
e de mulheres nos meios de comunicação visual e auditiva, esta frase
do Livro do Genesis 1, 27, fica um pouco sem sentido. Como podemos
vender alguém que é imagem de Deus? Ou como podemos utilizar alguém
que é imagem de Deus, somente por um momento? Como dizer que hoje
somos livres, se a cada momento também nós podessemos ser vendidos? Estas
perguntas podem causar em nós outra pergunta: onde e como isto está
acontecendo? A dúvida é sinal de que ainda não sabemos o que somos
em relação ao outro sexo, e muito menos sabemos quem ou o que somos.
Partimos então das primeiras paginas da bíblia, onde temos de
maneira alegórica, quem é a pessoa humana no seu especifico: homem e
mulher. Primeiramente
Adão e Eva: criação que Deus viu que era bom. Criação esta que não
é somente o homem, mas a pessoa humana, ou seja, homem e mulher, cada
um no seu especifico. Isto acontece depois de um Concilio no interior
de Deus, “Façamos”, ou seja, a pessoa humana não é somente um
ato criado, mas uma decisão do interior de Deus, criado à imagem e
semelhança deste mesmo Deus. Criados
a imagem de Deus: a pessoa se torna assim um deus no mundo, não para
impor-se como senhor de tudo, mas para ser a figura ratificada do
governo de Deus, ou seja, como a pessoa é imagem de Deus, onde o
homem está deveria estar este sinal que ali quem governa é Deus,
pois aquele é a imagem deste Deus, mas não é Deus, pois a pessoa é
imagem imperfeita de Deus por ter sido feita de pó. Masculino:
é o memorial, ou seja, a recordação de Deus. Podemos lembrar aqui
do Homem perfeito, Jesus Cristo que é a cabeça do corpo, onde nós
somos os membros. O homem é esta cabeça na sociedade, pois traz no
seu interior a capacidade de fecundar, ou seja, de criar nova vida,
pois viu a criação primeira. Não digo aqui de outra criação, mas
de uma nova criação através do auxilio do homem, se este tiver a
capacidade de olhar a criação com os olhos daquele que é o Criador.
Podemos lembrar aqui de Romanos 8,19 “toda criação espera
ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus”. Feminino:
durante muito tempo a mulher foi colocada como um ser inferior, ou
seja, como alguém que não deve e não pode viver somente fazer. Mas
a mulher no seu interior tem a capacidade de acolher o novo. Podemos
citar quando está gestante, pois no seu físico tem uma fenda capaz
de receber vida e gerá-la (vagina). Receber esta vida num contexto de
amor recíproco e responsável, de amor vivido. Mas infelizmente, em
nome da erotização do comercio, a mulher usa esta capacidade de
acolhimento não para a vida, mas para a morte, cada vez que usa de
maneira comercial o seu corpo que é dádiva da criação. A
mulher é e sempre será para o homem um mistério, pois quando esta
foi criada, este estava dormindo, para que não se inchasse de
orgulho, por ter sido feita dele, mas para que a reconhecesse como
alguém intima dele. Feita da costela, para dizer que não esta nem
acima, nem abaixo, caminha com ele, do lado dele, na intimidade de ser
semelhante a ele, pois foi feita do osso dele. A mulher então é a
ajuda de Deus ao homem para se salvar, pois quando este se via sozinho
no paraíso não se conhecia, pois vivia a solidão do mundo incomunicável.
Por isso um ajuda o outro a se salvar, pois ao ver o outro deveríamos
nos ver também. Aqui podemos dar tantos exemplos de homens e mulheres
que viveram uma profunda santidade sem precisar ser objeto do outro:
Francisco e Clara, Bento e Escolástica, João da Cruz e Tereza D Ávila
e tantos outros. O
Reino de Deus acontece quando homem e mulher vivem um relacionamento
sincero de comunhão e libertação e de uma completar o outro no seu
especifico. Precisamos um do outro. Por
isso, a vocação do ser humano só será realizada quando este viver
um relacionamento de comunhão sincera com o sexo oposto “sereis uma
só carne”, e vai muito alem do que se pensa sobre este termo como
relação sexual. Não estou fazendo aqui uma afronta ao celibato, mas
convidando a viver verdadeiras amizades entre homem e mulher, como
citei acima. Todos viveram a santidade no celibato. Pois a relação
homem e mulher não é opcional, nem como se vive esta relação, pois
estamos num mundo onde temos que conviver com outras pessoas, não
temos como fugir delas. Somos chamados a viver a unidade na
diversidade de cada um. A
imagem de Deus no mundo só acontecerá então, quando homem e mulher
se relacionarem como Deus os criou, pois a imagem de Deus é comunhão
entre homem e mulher.
Padre Anderson Marçal
Fonte:cancaonova.com
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