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A
interferência da fé em nossa saúde física e mental
Por mais polêmica que seja a discussão sobre a interferência da fé
em nossa saúde física e mental, esse assunto transcende os nossos
consultórios quando transmitimos aos pacientes um diagnóstico
desfavorável. Devemos
permanecer calados, frios ou até sarcásticos quando nos fazem referência
à pretensa proteção divina? Evidentemente que não, pois a nossa
impotência profissional sempre é reafirmada pela inexorabilidade do
sofrimento e da morte. Além da nossa competência profissional e técnica,
não podemos nos esquecer de que à nossa frente pode estar um ser que
sofre e que, independente da sua doença, está ali para ser ouvido e,
muitas vezes, para ter o seu sofrimento compartilhado com aquele
que o atende. Todo
o cartesianismo e o ceticismo de vários cientistas ficaram
extremamente abalados com os acontecimentos que ocorreram em muitos
santuários marianos de todo o mundo. Incapazes de provar eventuais
fraudes, foram obrigados a admitir os fatos, embora não conseguissem
explicá-los. Isso ocorreu em Lourdes, pequena cidade dos Pirineus
Franceses, onde anualmente acontecem milhares de curas inexplicáveis
segundo a ciência, atribuídas à fé e às orações pelo Comitê
Internacional de Médicos. Em
1903, Aléxis Carrel, médico cirurgião de Lyon, França, testemunhou
publicamente a cura milagrosa de um peregrino Com
a abertura da Igreja Católica ao pentecostalismo cristão, iniciado
nos Estados Unidos nos anos 70, reuniões de oração se
multiplicaram e com elas uma quantidade enorme de curas em todo o
mundo. A ciência não ficou alheia ao que acontecia. Grupos médicos
começaram a analisar os casos, inicialmente apenas para verificar
possíveis fraudes, mas depois para tentar compreender a essência dos
fatos. A
partir do final dos anos 90, surgiram cursos, congressos e eventos
enfocando a relação entre a espiritualidade e a saúde, dando como
frutos uma enormidade de trabalhos científicos publicados no mundo
todo. São estudos qualitativos, como entrevistas, grupos focais e
inquéritos; e quantitativos como coortes (status de exposição),
casos-controles, estudos tranversais, ensaios clínicos randomizados,
metanálises e revisões da literatura. Os resultados mais
consistentes que saíram dessas publicações demonstraram associação
entre frequência a serviços religiosos e redução das taxas de
mortalidade, especialmente no sexo feminino. Muitas
críticas foram feitas por vários pesquisadores alegando a
fragilidade metodológica dos estudos, principalmente pela existência
de inúmeras variáveis não controladas durante os trabalhos.
Recentemente, no entanto, os trabalhos publicados têm recebido maior
atenção metodológica, controlando-se variáveis que poderiam
influir nos resultados, tais como, sexo, suporte social, idade e
renda. É
extremamente interessante o estudo da relação entre o envolvimento
religioso e a saúde, aspecto que tem ocasionado aumento significativo
das pesquisas nessa área, principalmente com a realização de exames
não invasivos, capazes de reconhecer áreas cerebrais envolvidas
durante a oração, tais como a tomografia computadorizada com emissão
de positrons, o PET scan e a ressonância magnética funcional. Existem
inúmeras explicações dos possíveis mecanismos envolvidos na relação
entre envolvimento religioso e estado de saúde como a prática
de ritos e crenças que podem levar as pessoas a viverem com níveis
de estresse menores ou as fazerem experimentar emoções positivas
como a capacidade de perdoar, promovendo, dessa forma, uma melhor
qualidade de vida. Por
outro lado, um grande número de pesquisas tem demonstrado a associação
dos efeitos negativos do estresse sobre o estado de saúde,
ocasionando várias patologias, entre elas a doença cardiovascular,
principal responsável pela mortalidade nos dias de hoje. Por isso, o
interesse dos pesquisadores vem se dirigindo à interação entre os
sistemas imunológico, neurológico e psicológico, que exerce papel
preponderante na gênese dos benefícios que o envolvimento religioso
poderia trazer aos indivíduos no tratamento auxiliar de várias
patologias, como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares,
depressão, ansiedade, entre outras. O
envolvimento religioso ou espiritual é uma das grandes forças que
atuam no mecanismo de defesa contra o estresse crônico, podendo ser
excelente no auxílio à prevenção ou no combate de inúmeras moléstias
e também no aumento da expectativa de vida. Roque
Marcos Savioli
Fonte:cancaonova.com
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