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Que
os cristãos estejam com corações abertos Iniciamos
o mês Missionário com o compromisso de viver em estado permanente de
missão como verdadeiros discípulos missionários, conforme nos pede
o Documento de Aparecida. Trabalhar na missão continental não é um
setor a mais ou uma reunião pastoral a ser cumprida com cansaço:
viver a dimensão missionária permanentemente é próprio do ser
cristão – faz parte de nossa essência. Não tem como ser cristão
sem ser missionário. O
primeiro missionário, palavra que significa enviado, foi Jesus
Cristo, o qual, na plenitude dos tempos, saindo do aconchego da
Trindade Santa, onde existia no princípio junto de Deus, se fez carne
e veio morar no meio de nós. Foi Ele que nos deu a conhecer a Deus,
que ninguém jamais viu. Isso está claro no Prólogo do Evangelho de
João: “De sua plenitude todos nós recebemos graça por graça.
Pois a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram
por meio de Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus; o Filho único,
que é Deus e está na intimidade do Pai, foi quem o deu a
conhecer.” (Jo 1, 16-18) Com
efeito, a missão principal de Jesus Cristo no mundo foi revelar a
face bendita de seu Pai, através de sua vida, milagres e cumprimento
estrito da vontade do Pai: “Eis que venho, ó meu Deus, para cumprir
a vossa vontade” (Hb 10,7): “rosto divino do homem, rosto humano
de Deus”. (Oração da Conferência de Aparecida elaborada pelo Papa
Bento XVI) Pois
bem, Jesus, sabendo que não era deste mundo e que voltaria ao Pai,
donde saíra, para dar continuidade à sua obra de sempre estar
revelando aos homens a vontade de Deus, escolheu apóstolos e discípulos
a quem incumbiu de dar continuidade à missão que lhe fora confiada.
Após sua ressurreição, Jesus apareceu aos onze discípulos, e lhes
disse: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda
criatura! Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será
condenado.” (Mc. 16, 15). Esse
mandato missionário recebeu os apóstolos, que os transmitiram aos
seus sucessores e vigorará até o fim dos tempos, quando se
implantar, definitivamente, o Reino dos Céus. “Embora todo discípulo
de Cristo tenha a obrigação de difundir a fé conforme as suas
possibilidades, Cristo Senhor chama sempre dentre os discípulos os
que ele quer para estarem com ele e os envia a evangelizar os povos.
(cf. Mc 3,11ss) E assim, mediante o Espírito Santo, que para
utilidade comum reparte os carismas como quer (1Cor 12,11), inspira no
coração de cada um a vocação missionária, e ao mesmo tempo
suscita na Igreja Institutos que assumam, como tarefa própria, o
dever de evangelizar, que pertence a toda a Igreja.” (cf.”Ad
Gentes” Capitulo IV, 23). O
missionário, ao entrar na vida de missão pelo impulso do Espírito
Santo, tem como paradigma aquele que “a si mesmo se aniquilou
tomando a forma de servo” (Fl 2,7), de forma que vem para servir e não
para ser servido. Assim,
o missionário não se envergonha da cruz e seguindo o Mestre, manso e
humilde de coração, mostra a todos que o jugo é suave e seu fardo
é leve. Com
efeito, a mensagem do Evangelho chegou até nós pelo anúncio missionário,
iniciada com a pregação dos apóstolos às primeiras comunidades
cristãs, e continua na Igreja através dos séculos, de pais para
filhos. Ao
anunciar Jesus, os missionários se dirigem particularmente aos pobres
e os declaram bem-aventurados, pois são os preferidos do Reino de
Deus. Preferência, sim, mas não exclusividade, pois o Reino de Deus
é de todos, sem exclusão de qualquer pessoa. A
orientação da Igreja é que os missionários devem procurar conviver
com as culturas das terras de missão, sem eliminar, ignorar, nem
abafar, nem silenciar essa realidade. Veja-se
a orientação da Igreja, especialmente para o Brasil: “Nossa
realidade exige que a catequese leve em conta os valores oriundos da
cultura e religiosidade indígena e afro-brasileira, sem ignorar
ambiguidades próprias de cada cultura. (cf. 1Cor 1,21) Ela não pode
eliminar, ignorar, nem abafar, nem silenciar essa realidade. É
importante considerar a globalização e a unidade da cultura e
religiosidade dos povos e etnias que se expressam na simbologia, mística,
ritos, danças, ritmos, cores, linguagem, expressão corporal e
teologia subjacente às suas práticas religiosas. Somente assim se
pode fazer uma verdadeira inculturação do Evangelho e compreender
melhor, mediante a convivência e o diálogo, as tradições
religiosas de cada grupo como verdadeira busca do sagrado. Por isso,
para uma catequese com esses povos, são necessários catequistas
provindos dessas culturas. Para isso, haja cursos específicos e
apropriados, em nível nacional e regional.” (cf. – Documento 84
da CNBB – Diretório Nacional de Catequese – paginas 171/172). Que
este mês missionário nos encontre com os corações abertos para que
em tudo seja Deus glorificado. Dom
Orani João Tempesta Fonte:cancaonova.com
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