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Não
há como negar a negligência do homem A
Semana Mundial do Meio Ambiente passou, mas o bom tratamento
dispensado à natureza deve ser constante, deve contar com o zelo
nosso de cada dia, todos os dias. Celebrar a vida é direito de todos
e, neste caso, cabe atenção aos pequenos atos de dedicação das
pessoas que se permitem cuidar do ambiente nos lugares da região onde
moram. Parecem florescer onde estão, onde a vida precisa ser vívida
e vivida. Mas é preciso mais. Em
um mundo conturbado em nossos dias o tema meio ambiente pede reflexão,
nos chama à conscientização acerca das graves violações
promovidas pelo homem que explora mal os bens desta terra merecendo rígida
fiscalização e maior empenho dos Estados. Mas estes, por sua vez,
administram mal os recursos advindos de seus cidadãos e de grandes
corporações. As
causas das agressões ao meio ambiente estão diretamente relacionadas
aos pilares culturais, políticos e econômicos, que demandam agregação
de valores para um desenvolvimento ético, responsável e sustentável.
O que se faz atualmente para resguardar a natureza é muito pouco. Por
mais que governos e grandes empresas propaguem seus esforços na
preservação do meio ambiente ainda mostram-se longe de colocar o
tema como prioridade, talvez, pela diversidade de interesses. Os cidadãos,
por seu lado, deveriam defender com grande vigor e coragem propostas
de valorização e defesa da natureza. Não
há como negar a negligência do homem no domínio dos instrumentos
tecnológicos nos últimos anos e na desordenada intervenção no meio
ambiente. Excluindo-se os de força maior, o maior predador da
natureza causou acidentes ambientais sem precedentes que poderiam ser
evitados. Recentemente
nos deparamos com a triste e lamentável ocorrência de um fato que
poderá vir a ser o mais grave de todos os tempos. No Golfo do México,
na plataforma de petróleo da empresa British Petroleum, uma explosão
deixou 11 funcionários desaparecidos e uma mancha de óleo que se
espalha rapidamente pela costa dos Estados Unidos, não se sabendo, ao
certo, a real extensão deste trágico acidente de conseqüências
ainda não calculadas. A
partir deste gravíssimo episódio poderíamos elencar alguns
acidentes anteriores entre os piores das últimas três décadas como
o da Espanha, em 2002. Na ocasião, um navio das Bahamas afundou a Há
ainda o caso Exxon Valdez, no Alasca, em 1989. O vazamento de 260 mil
barris de petróleo arrasou milhares de vidas marinhas. Na Rússia, a
explosão de um reator da usina nuclear de Chernobyl, em 1986, deixou
muitos mortos, trabalhadores feridos e crianças doentes do câncer, vítimas
da radiação. E no Brasil, novamente, um acidente na Vila Socó, em
Cubatão, SP, em 1984, matou 93, segundo dados oficiais; porém,
extraoficialmente mais de 500 pessoas teriam ido a óbito na Baixada
Santista. Com
alguns casos expostos, entre tantos outros não citados aqui, podermos
apelar, uma vez mais, para que Estados, corporações e cidadãos não
sejam nem fiquem indiferentes aos danos ao meio ambiente. As ações
dos governos precisam ser mais eficazes com fiscalizações severas,
com aplicação de recursos em saneamento básico, no controle do uso
do solo, na manutenção dos recursos essenciais de modo sustentável,
no conhecimento e na educação ambiental, sem deixar de alertar que a
degradação do meio ambiente é um fator de risco à qualidade de
vida podendo gerar mais pobreza e, conseqüentemente, miséria. Boa
vontade e a elaboração de políticas públicas justas, com gestões
éticas integradoras é o desejo de uma imensa maioria. Por este
motivo, há que se preservar o meio ambiente das interferências
nefastas do homem chamando-o para um manejo sustentável,
"urgente necessidade moral de uma nova solidariedade", se
quisermos deixar uma terra 'recuperada' e vida mais digna para nossos
filhos e netos. Em
uma de suas mensagens sobre o tema, o Papa Bento XVI chamou a atenção
para a atual degradação ambiental. Disse que esses acontecimentos
“são fruto de questões relacionadas ao conceito existente de
desenvolvimento e da relação do homem com seu semelhante e com a
natureza.” Para o Pontífice, decidir pela realização de uma revisão
profunda do modelo de desenvolvimento e refletir sobre o sentido da
economia e dos seus objetivos poderão corrigir “disfunções e
deturpações". No que se refere à crise ecológica, o Santo
Padre é enfático: ela é resultado da falta de projetos políticos e
da busca de "míopes interesses econômicos". A
aquisição de conhecimentos e sua reta aplicação nos projetos de
conservação, obviamente, contribuirão para melhorar a vida das
pessoas com a ampliação da cidadania e a diminuição dos desperdícios.
Lembre-se: os recursos naturais são exauríveis, podendo se esgotar
um dia se não soubermos utilizá-los de modo racional. O
cardeal Renato Raffaele Martino afirmara durante um debate na ONU
sobre mudança climática, que “o conhecimento é o único recurso
autenticamente inextinguível que garante um ambiente e um
desenvolvimento sustentáveis; somente o conhecimento, acompanhado de
um sentido ético do nosso relacionamento com o meio ambiente, pode
ajudar a orientar os nossos esforços, tanto no presente como em relação
às gerações vindouras.” Bento
XVI, na Encíclica Caritas in Veritate, assegura que “o
desenvolvimento humano integral está intimamente ligado com os
deveres que nascem da relação do homem com o ambiente natural,
considerado como uma dádiva de Deus para todos, cuja utilização
comporta uma responsabilidade comum para com a humanidade inteira,
especialmente os pobres e as gerações futuras.” Educar,
investir no ser humano com respeito, paciência e sabedoria, pode ser
o caminho viável, cabendo aos governos e sociedade a responsabilidade
e o compromisso com a vida e o efetivo exercício cidadão. Reinaldo
César - Jornalista TV Canção Nova
Fonte:cancaonova.com
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