|
Um
quadro clínico que requer atenção
No artigo anterior, comentei com você sobre a DPP - Depressão
Pós-Parto, porém, é muito conhecido – entre a
psicologia e a área médica – um outro quadro clínico chamado de
"Tristeza Materna" (baby blues, post-partum blues). O
que muda entre um e outro é a intensidade dos sintomas e a gravidade
do quadro e a forma como atinge a mulher, incapacitando-a, colocando
em risco sua vida e a do bebê e a capacidade de fazer coisas, até
mesmo as mais simples do dia a dia, como arrumar-se, fazer sua higiene
pessoal, amamentar, dentre outras atividades. Como
já comentei, é muito importante que a mulher seja cuidada nesse período;
é comum que o marido ou os parentes achem muito normal ou até mesmo
uma fraqueza da mulher ou até “coisa de mãe e de grávida”. O
risco não é apenas materno, mas também da qualidade da saúde
mental do recém-nascido, pois a mãe passa a destinar sentimentos
negativos ao filho, muitas vezes, este passa a ser vítima de
maus-tratos; em casos extremos ela sente vontade de eliminar a vida da
criança. Isso não é apenas maldade ou falta de Deus. Trata-se, sim,
de um quadro que requer atenção redobrada, acompanhamento materno e
proximidade com ela. A
sociedade trata certas regras, quando falamos sobre depressão
e gestação, como se a mulher necessariamente tivesse que transbordar
de alegria diante do nascimento do filho. Isso é o socialmente
esperado; porém, a estrutura emocional feminina reage de forma
diferente a cada caso. Certamente, não é uma ingratidão pelo
milagre de vida que lhe foi concedido, pelo milagre da maternidade. A
tarefa de ser mãe, algo que pode inicialmente ser muito desejado,
pode despertar sentimentos de incompetência, incapacidade, limitação
nos papéis ocupados pela mulher na sociedade, na família, no
casamento. Gosto
da leitura e complemento com um dos textos que busquei: "O
processo de transformação psíquica que uma mulher precisa passar no
ciclo gravídico-puerperal envolve três grandes momentos que englobam
pequenas etapas vividas de formas diferentes para cada sujeito. A
transformação da filha em mãe, a transformação da autoimagem
corporal e a relação entre a sexualidade e a maternidade. Cada um
destes temas requer uma reordenação psíquica que incide sobre as
vicissitudes de cada mulher. A mentalidade de que a chegada de um
filho é isenta de ambiguidade, tende a dificultar o auxílio que
estas mães precisam receber. Algumas mulheres não conseguem admitir
para si mesmas que merecem ajuda, escondendo dos cônjuges e da família
seu estado" (IACONELLI, V. - Revista Pediatria Moderna,
julho-agosto, 2005). Os
números mostram claramente esta realidade: a Tristeza Materna
("baby blues") acomete até 80% das mulheres, mas devido ao
tabu mencionado pode se imaginar um índice até maior. "É um
estado de humor depressivo que costuma acontecer a partir da primeira
semana depois do parto. Este humor é coerente com a enorme tarefa de
elaboração psíquica citada anteriormente (transformação da filha
em mãe, a transformação da autoimagem corporal, a administração
da relação entre a sexualidade e a maternidade). De forma geral, a
mulher sente que perdeu o lugar de filha sem que tenha ainda segurança
no papel de mãe; que o corpo está irreconhecível, pois se já não
é mais de uma grávida tampouco retomou sua forma original; que entre
ela e o marido encontra-se um terceiro elemento. O bebê emerge como
um outro ser humano aos olhos desta mãe e precisa encontrar um espaço
dentro desta configuração anterior (casal) de forma a deixar
preservada a sexualidade dos pais. Forma-se o triângulo que remete o
casal a suas próprias questões com seus pais" (idem). O
quadro é benigno, à medida que estas questões possam ser elaboradas
e regridem por si só por volta do primeiro mês. Aparecem sintomas
como irritabilidade, mudanças bruscas de humor, indisposição,
tristeza, insegurança, baixa autoestima, sensação de incapacidade
de cuidar do bebê e outros. Lembre-se:
"A tarefa de uma mãe de bebê é monótona, desgastante e sem
recompensas ou reconhecimento do bebê, a curto prazo. O bebê é
impiedoso em suas necessidades e é difícil que a mãe possa
atender-lhe se estiver num estado de comprometimento psíquico" (idem).
O
conhecimento é essencial na percepção e até mesmo antecipação da
existência potencial desta problemática que acomete tantas famílias.
Deixe
seus comentários! Espero que tenha gostado deste post! Elaine
Ribeiro
Fonte:cancaonova.com
|
|
Copyright © Pai de Amor - Todos os direitos reservados |