|
Que
não falte ao rebanho a fortaleza do Pastor
No IV Domingo da Páscoa,
a Igreja, na oração coleta, pede a Deus que não falte ao rebanho,
apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor. Essa prece adquire um
sentido especial ao celebrar-se, a cada ano, o Domingo do Bom Pastor.
No imaginário humano é muito real a relação entre rebanho e pastor
e na atividade pastoril é muito forte a afinidade que se estabelece
entre ambos. É uma relação interativa. A fraqueza no rebanho de
ovelhas se revela de muitas maneiras: na fome, quando falta a
pastagem, no perigo de morte pelo ataque de lobos, na perda da segurança,
ao dar-se o desgarre do rebanho, no comprometimento da qualidade de
vida por conta da conduta mercantil do pastor. Na
linguagem dos profetas e nos lábios de Jesus, o rebanho dos campos é
a representação do povo, as ovelhas são imagens das pessoas. No
rebanho humano, a fraqueza se evidencia de forma muito acentuada,
diversificada e permanente. Esse rebanho é o povo de Deus; nele estão
presentes todas as pessoas, com sua respectiva missão e seu peculiar
ofício no seio da comunidade cristã. Sendo povo de Deus, todos fazem
parte desse corpo: papa, bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados/as
e leigos/as. Na abrangência desse universo, a fraqueza do pastor se
manifesta na pessoa de cada um de seus membros. A fraqueza do
rebanho humano faz parte do ser das pessoas e compreende a conduta
desviada do povo. São Paulo tinha plena consciência da fraqueza
humana: “Quem julga estar de pé tome cuidado para não cair” (I
Cor 10,12); “Ora trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que
todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de
nós” (II Cor 4,7). Na
história da Igreja, da era primitiva aos dias de hoje, a fraqueza do
rebanho está bem caracterizada, desde a autoridade mais destacada na
hierarquia eclesiástica ao anônimo fiel de uma comunidade
interiorana. Ninguém está isento de erro, nenhuma pessoa está
impermeabilizada diante das ingerências institucionais, das interferências
sociais e das influências humanas. A face do pecado se evidencia, com
muita frequência, na vida das comunidades, a reincidência nos erros
está demonstrada no dia a dia das pessoas, a prática de crimes
envolve indivíduos absolutamente insuspeitos. Na etiologia de fatos
dessa natureza, via de regra, há defeitos na educação familiar,
elementos do contexto social e falhas no processo de sua formação
eclesiástica. Portanto, são componentes da personalidade de seus
autores que estão diretamente ligados à sua própria história de
vida. Esses fatos têm uma repercussão maior quando os pecadores e
criminosos são pessoas revestidas de ofícios sagrados. Porém, a
comunidade cristã e a própria sociedade têm capacidade de
discernir, identificando o pecado, sinal da fraqueza humana, e o crime
que fere a lei divina e a lei humana, por isso, é inaceitável em
qualquer contexto. Assim, diante da divulgação de casos de pedofilia
e efebofilia, registrados num passado mais distante ou recente, e no
presente, tendo como autores bispos, sacerdotes e religiosos, é
necessário reconhecer a gravidade da conduta desses membros da Igreja
que vai muito além da fraqueza humana. Embora o percentual dos casos
envolvendo pessoas consagradas seja infinitamente menor do que os
casos de pedofilia dentro dos lares, esses pedófilos são
responsabilizados perante Deus, por sua situação de pecado, e devem
ser responsabilizados perante a lei, pela prática de crime. Esta é a
orientação da Igreja. A
fortaleza do Pastor é fator de segurança para o rebanho. A sua retidão
e sua santidade constituem as melhores referências e iluminações
para o rebanho.
Jesus se apresenta como Bom Pastor e considera ovelhas de Seu rebanho
todos aqueles que ouvem Sua voz e trilham Seus caminhos. Os membros do
rebanho, qualquer que seja o seu lugar e sua função, devem pautar
sua vida e sua conduta segundo a fortaleza do Pastor, Jesus Cristo,
porque n'Ele não há pecado, nem cometeu crime algum. Dom
Genival Saraiva
Fonte:cancaonova.com
|
|
Copyright © Pai de Amor - Todos os direitos reservados |