|
Um
caminho de vida cristã do qual o casal deve participar A
Igreja não quer discriminar nem punir os casais em segunda união,
mas sim, oferecer-lhes um caminho espiritual – pastoral adaptado à
sua situação. Este caminho espiritual-pastoral é apontado
claramente pela “Familiaris Consortio”. Este caminho pode ser
chamado e é de fato um caminho espiritual-pastoral, muito rico de
frutos espirituais de vida cristã, mesmo que o “status
permanente” de segunda união e sem retorno seja uma situação
“irregular”. A
Exortação Apostólica “Familiaris Consortio”, 1981, de João
Paulo II, no n. 84, exorta os casais divorciados a participar de um
caminho de vida cristã que deve consistir em: “Ouvir
a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da Missa, a perseverar
na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da
comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a
cultivar o espírito e as obras de penitência... que se resume em
"perseverarem na oração, na penitência e na caridade". A
Exortação Apostólica “Sacramentum caritatis”, 2007, de Bento
XVI, no n.29, reafirma o convite de cultivar, quanto possível: “Um
estilo cristão de vida, através da participação da Santa Missa,
ainda que sem receber a comunhão, da escuta da Palavra de Deus, da
adoração Eucarística, da oração, da cooperação na vida comunitária,
do diálogo franco com um sacerdote ou mestre de vida espiritual, da
dedicação ao serviço da caridade, das obras de penitência, do
empenho na educação dos filhos”. Escutar
é algo mais que ouvir. É atender ao que se diz. É ir assimilando e
tornando pessoal o que foi dito. É algo ativo, não passivo. É uma
abertura a Deus que a eles dirige a Sua Palavra. Por intermédio de
Isaías ou de Paulo fala-lhes aqui e agora. Algumas vezes, esta
Palavra os consola e os anima. Outras, julga suas atitudes e
desautoriza seu estilo de vida, convidando-os para a conversão.
Sempre os ilumina, os estimula e os alimenta. A
Palavra que Deus lhes dirige é sobretudo uma Pessoa: o Seu Verbo, a
Sua Palavra, Jesus Cristo. Ele não se dá somente no Pão e no Vinho,
mas está realmente presente na Palavra que nos é proclamada e que
escutamos. Também a nós o Pai continua a dizer: “Este é o meu
Filho muito amado: escutai-O”. A
leitura da Sagrada Escritura, acompanhada pela oração, estabelece um
colóquio de familiaridade entre Deus e o homem, pois a Ele falamos
quando rezamos, a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos” (DV
25). Este colóquio torna-se mais intenso pela “Lectio divina”, ou
seja pela leitura meditada da Bíblia, que se prolonga na oração
contemplativa. A Lectio é divina, porque se lê a Deus na Sua Palavra
e com o Seu Espírito, pode ajudar os casais em segunda união na
consecução de uma grande familiaridade não só com a Palavra, mas
com o mesmo Deus. Jesus,
sendo vivo e presente no Sacrário, pode ser visitado e adorado. Ele
espera, ouve, conforta, anima, sustenta e cura. Por conseguinte, a
visita e a adoração ao Santíssimo é um verdadeiro e íntimo
encontro entre o visitante e o Visitado, que é Jesus. A visita e a
adoração são uma escolha pessoal do visitante, e, acima de tudo, um
ato de amor para com o Visitado. A simples visita ao Santíssimo
transforma-se em adoração, que é o ponto mais alto desse encontro. Os
casais em segunda união são chamados e convidados para serem os
adoradores do Santíssimo através da prática tradicional da hora
santa, que muito os ajudará na espiritualidade, seja do grupo como
também do próprio casal. A prática frequente da hora santa não é
um opcional, por isso não se pode deixar facilmente de lado, pois ela
é necessária para a perseverança. Se
o próprio Jesus, moribundo na cruz, deu Maria como Mãe ao discípulo:
“Mulher, eis aí teu filho” e a você discípulo como mãe: “eis
aí, tua mãe!” (João 19, 26-27), é bom e recomendável que o
casal em segunda união não tenha medo em fazer esta visita de
carinho para receber conforto, força e consolação de sua Mãe. Essa
visita pode ser feita numa capela dedicada a Virgem Maria ou em casa
junto com a família ou na intimidade do seu quarto. Pensando nisso,
é bom e confortável que o casal em segunda união não se esqueça
de visitar, quantas vezes puder, Maria Santíssima. Visitar
Maria, a Mãe de Jesus, é ir ao seu encontro sem reservas, é
entregar-se de coração a um coração que não tem limites para
amar. Nossa Senhora em Medjugorie disse aos videntes e a nós seus
filhos: “Se soubésseis quanto vos amo choraríeis de alegria”.
Maria nos ama muito, como filhos queridos. O que ela mais deseja é
ver seus filhos deixarem-se AMAR POR ELA. O seu desejo é o de seu
Filho: salvar a todos. A Santíssima Virgem nos espera todos os dias,
e ela sabe que quanto mais perto estivermos dela, mais perto ficaremos
de Jesus, pois a sua meta é a de nos levar a Jesus. 4.
Perseverança na Oração O
casal em segunda união é convidado para perseverar na oração. A
oração pode ser pessoal, pode ser oração como casal ou como oração
da família com os filhos, ou oração comunitária com os outros
casais ou com outros fiéis. 5.
Participação da Santa Missa: um encontro de amor. O
casal de segunda união, como todo bom cristão, considerando este
amor infinito de Jesus, deve participar da Santa Missa com amor
fervoroso, de modo particular no momento da consagração, pois é
nesse momento que Jesus é vivo e presente. Bento
XVI, em recente discurso ao clero de Aosta, valoriza a participação
dos casais recasados da Santa Missa mesmo sem a comunhão Eucarística.
A esse respeito o Papa fez este lindo e confortável comentário: “Uma
Eucaristia sem a comunhão Eucarística não é certamente completa,
pois lhe falta algo essencial. Todavia, é também verdade que
participar na Eucaristia sem a comunhão Eucarística não é igual a
nada, é sempre um estar envolvido no mistério da Cruz e da ressurreição
de Cristo. É sempre uma participação no grande Sacramento, na
dimensão espiritual, pneumática, e também, eclesial, se não
estreitamente sacramental. E
dado que é o Sacramento da Paixão de Cristo, Cristo sofredor abraça
de modo particular estas pessoas e comunica-se com elas de outra
forma; portanto, elas podem sentir-se abraçadas pelo Senhor
crucificado que cai por terra e sofre por elas e com elas. Por
conseguinte, é necessário fazer compreender que mesmo que,
infelizmente, falte uma dimensão fundamental, todavia tais pessoas não
devem ser excluídas do grande mistério da Eucaristia, do amor de
Cristo aqui presente. Isso parece-me importante, como é importante
que o pároco e a comunidade paroquial levem tais pessoas a sentir
que, se por um lado, devemos respeitar a indissolubilidade do
sacramento e, por outro, amamos as pessoas que sofrem também por nós.
E devemos também sofrer juntamente com elas, porque dão um
testemunho importante, a fim de que saibam que no momento em que se
cede por amor, se comete injustiça ao próprio Sacramento, e a
indissolubilidade parece cada vez mais menos verdadeira”. O
mesmo Sumo Pontífice também recorda que o sofrimento faz parte da
vida humana e no caso dos casais em segunda união é “um sofrimento
nobre”. O sofrimento é considerado, de uma certa maneira, como o
oitavo sacramento. Outros
meios que auxiliam os casais em segunda união viver o caminho
espiritual-pastoral: A).
Formação Pessoal e de Casal É
necessário para eles, como para todos os casais, uma formação
pessoal e uma formação como casal, podendo participar da formação
e da catequese que a paróquia ou outra realidade propõe para todos. B).
Grupos de Oração O
casal em segunda união tem a possibilidade de participar de grupos de
famílias e de grupos de oração para a sua formação, como também
para se ajudar mutuamente. C).
Obras de Caridade O
casal em segunda união, como todo cristão, deve empenhar-se nas
obras de caridade organizadas pela paróquia ou por outras entidades,
como voluntários... lembrando-se de que “a caridade cobre uma
multidão dos pecados” (I Pedro 4,8). D).
Praticar a Justiça O
casal em segunda união pode e deve participar das iniciativas em
favor da justiça. E).
Diálogo em família O
casal em segunda união como família procure viver o diálogo com os
vários membros para que haja paz e colaboração; aceite fazer a
vontade de Deus, sobretudo quando ela é difícil ou quando o
sofrimento bater à sua porta; abra o seu coração aos parentes e aos
vizinhos, aos colegas... especialmente em necessidade. F).
Viver no cotidiano a vida cristã O
casal em segunda união procure viver de maneira cristã a vida
cotidiana no trabalho, em casa, no relacionamento com os vizinhos e
com a sociedade: este é o caminho que os aproxima da salvação. G).
Um caminho espiritual valorizando a família. O
caminho de vida espiritual, comum a todos os casais, levará
certamente o casal em segunda união a valorizar a importância da família
também para o bem da sociedade; a valorizar a própria casa como
lugar onde se constrói o Reino de Deus e se opera o bem imitando a
Família de Nazaré. Padre
Alir Sanagiotto, SCJ
Fonte:cancaonova.com
|
|
Copyright © Pai de Amor - Todos os direitos reservados |