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Enquanto
Marx diz o que é teu é meu, Cristo prega: O que é meu é teu
É notório o espanto que certos termos do recente Programa Nacional
dos Direitos Humanos, publicado pelo Governo Lula, têm causado à
população brasileira. Com certos aspectos positivos, vários pontos
são mesmo assustadores e inesperados. Como
compreender que uma pretensa intenção de defender direitos humanos
inclua a aprovação de leis abortistas? Onde está defendido o
direito da criança, que ainda se encontra no seio materno, de nascer,
de viver e ter seus demais direitos reconhecidos? Como
pode alguém condenar métodos agressivos do tempo do Governo militar
e propor a prática de tortura ao agredir os corpos das criancinhas no
ato abortivo, em determinados métodos, quando são literalmente
dilaceradas até sem anestesia, ou simplesmente eliminadas com outros
métodos como se o ser humano pudesse ser descartado como lixo?
Como
podem os autores deste problemático Programa semear novamente o clima
de terror no País, depois de, anteriormente, ter sido feita lei de
anistia? E por que esquecer as atrocidades também praticadas por
pessoas da esquerda, com sequestros, assaltos, mortes em vista de um
sistema político que julgavam melhor e desejavam impor ao País? Os
fins não podem justificar os meios. Quanto a sistemas políticos
alternativos, é bom que se reveja o efeito ineficaz na Rússia, na
Polônia, na Albânia, na Alemanha Oriental e em outros países onde o
comunismo esteve presente por décadas e os resultados não foram os
prometidos e onde os direitos humanos também não foram respeitados.
Há, de fato, um engano em certas cabeças: desejar comparar Marxismo
com Cristianismo. Entre as duas teorias que parecem sugerir semelhanças,
há uma diferença determinante: enquanto Marx diz o que é teu é
meu, Cristo prega: O que é meu é teu. Como
pode alguém afirmar a defesa da família e provocar situações que
ferem ao real conceito familiar, criando casamentos de pessoas do
mesmo sexo, como se tudo fosse igual? Como
pode alguém tentar controlar exageradamente a imprensa, retirando do
cidadão o direito de protestar contra medidas que agridam aos seus
direitos? Como
pode o Governo, em nome de uma pseudolaicidade, impor aos cidadãos um
regime ateu, agressivo aos sentimentos religiosos, impedindo de todas
as maneiras a prática e a expressão livre da fé? Incomodar-se com símbolos religiosos é próprio de quem não
crê e deseja gerir um povo que crê como se fosse obrigado a ser ateu
ou a agir como ateu. O Governo laico é justo quando ele defende o
direito dos cidadãos de expressar livremente sua fé, mas é
totalmente injusto quando agride a consciência religiosa do seu povo
e desconhece a realidade histórica de sua gente, permeada de profundo
senso religioso. A seguir da forma que o Programa propõe, daqui a
pouco será proibido erguer em praças públicas uma cruz, uma estátua
de algum líder religioso, construir monumentos à Bíblia ou edificar
templos com características arquitetônicas próprias. Isso são
sinais da ideologia ateísta e preconceituosa contrária ao direito
dos cidadãos de crer em Deus e de expressar livremente sua religião.
É cruel ver que tudo isso vem embutido em pacote sobre o qual se
escreve “Direitos Humanos”, quando é justamente o seu contrário.
As
medidas publicadas nas vésperas do Natal, dia sagrado para a grande
maioria do povo brasileiro, não deixam de assustar a nós Bispos que
ouvimos o Presidente da República afirmar de público, na Assembléia
da CNBB de 2002, que jamais admitiria em seu governo qualquer medida
que agredisse a fé cristã do povo brasileiro e citou, emocionado, a
religiosidade genuína de sua digna e saudosa mãe. Como entender
isso? Dom
Gil Antônio Moreira
Fonte:cancaonova.com
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