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21/02/2007
Também
no sertão
Extraído
do livro:
O Fim do Mundo está próximo! Profecias antigas e recentes do Padre
Jules Marie, 2ª edição - 1939 - Livraria Boa Imprensa - Rio (A língua
portuguesa do livro, antiga, foi atualizada. Este livro pode ser
encontrado na Biblioteca Nacional do Brasil -- RJ. O autor, na época
padre, veio posteriormente a se tornar bispo.)
Digitado por Fabio R. Araujo em setembro de 1998.
A primeira edição deste livro estava no prelo quando tive notícia
de uma das aparições de Maria Santíssima no norte do Brasil.
A notícia foi-me transmitida por um sacerdote exemplar, incapaz de
ilusão ou de fraude.
Preferi esperar e deixar para mais tarde a divulgação do fato, que a
autoridade eclesiástica, sempre prudente e justamente desconfiada,
conservava secreta, para evitar precipitações ou juízos mal
fundados.
Eis que perto de dois anos depois, um amigo enviou-se uma revista alemã,
de responsabilidade e de orientação segura: Koenigsreuthes Jahrbuch
- 1936, onde encontrei a narração resumida, mas completa, destas
aparições.
É desta revista que traduzo o fato, sem mudar nem acrescentar uma vírgula.
Achei as aparições revestidas de todos os requisitos de veracidade,
cabendo à autoridade eclesiástica pronunciar-se a respeito, o que
cedo ou tarde ela fará, seguindo como sempre segue, as normas do
tempo e da prudência.
Sendo aparições e revelações privadas, estas têm apenas um valor
humano, e merecem só uma fé humana; porém mesmo assim vale a pena
citá-las e meditá-las, porque se a mesma credulidade é um mal, a
incredulidade sistemática é um mal maior.
Haverá qualquer coisa de tão singular numa aparição da Mãe de
Deus em terras brasileiras?
Não somos nós uma nação consagrada à Virgem Imaculada da
Aparecida?
Não somos nós, também, um povo amoroso e dedicado ao culto de nossa
Mãe Celeste?
Se ela se dignou a mostrar-se um dia em Lourdes, La Salette, Pontmain,
Pellevoisin, na França; em Fátima (Portugal) e ultimamente em
Beauraing e Baneaux, na Bélgica, porque ela não se mostraria também
no Brasil, dando-nos deste modo, uma prova de seu amor maternal e da
sua solicitude para com o povo brasileiro?
Cada um poderá acreditar ou não acreditar nos fatos aqui narrados. A
Igreja nada determinou; há, pois, liberdade de aceitá-los ou de
rejeitá-los; como há liberdade de silenciar os fatos ou de publicá-los.
É apoiado sobre esta liberdade, sem querer adiantar os julgamentos da
autoridade eclesiástica, que aqui publico a tradução da revista de
Koenigsreuth:
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I. PRIMEIRA APARIÇÃO
Maria Santíssima apareceu ultimamente num lugarejo do norte, em
agosto de 1936. Se omito o nome do lugar, é atendendo o desejo das
autoridades eclesiásticas.
Era 6 de agosto de 1936.
Duas meninas foram mandadas ao campo afim de colher mamona. Uma
chama-se Maria da Luz e a outra Maria da Conceição. Esta é de família
pobre e conta 16 anos de idade, filha de um empregado do pai de Maria
da Luz.
Na ocasião das aparições, aquelas redondezas eram perturbadas por
bandos de gatunos que roubavam e saqueavam a valer, causando grande
inquietação nos habitantes.
Durante esta saída, Maria da Conceição, perguntou a sua
companheira: "Que farias se os ladrões nos encontrassem
agora?"
- Ficaria muito quieta, pois Nossa Senhora nos protegeria - respondeu
Maria da Luz.
Casualmente aquela, olhando para uma montanha próxima, exclamou:
"Veja lá uma Senhora". De fato lá se achava uma Senhora
que as chamava por acenos, tendo nos braços um belo menino.
Do lado em que as meninas estavam, era impossível a subida: as rochas
e ramos emaranhados impediam a passagem; foi-lhes necessário tomar um
desvio, passando perto de sua casa para poderem subir com mais
facilidade. Como eram onze horas da manhã, a mãe de Maria chamou-as
para almoçarem. Elas não quiseram ir, contando o que tinham visto e
queriam seguir o caminho até aquele lugar.
A mãe - boa senhora, vice-presidente do Apostolado da Oração -
disse simplesmente: "É história, venham almoçar." Neste
momento, chega o pai, Arthur Teixeira, para almoçar. As meninas
sentadas de fronte à casa, falavam sobre aquela senhora com a criança
nos braços, a qual lhes acenara. A janela estando aberta, a mãe de
Maria da Luz ouviu a conversa e narrou-a ao pai desta.
O sr. Arthur pediu-lhes que contassem o que haviam visto; as meninas
lhe disseram tudo, asseverando com tal segurança que ele quis
acompanhá-las. Tomando uma foice, começou a limpar o caminho,
quando, quase sem saber como, as meninas já haviam alcançado o cume
do monte.
De lá as meninas lhe gritavam, apontando em direção de uma pedra
branca. Com dificuldade ele alcançou o alto, mas nada via do que lhe
diziam.
Entretanto, a mãe não ficou tranquila em casa; trouxe consigo as
crianças, em número de cinco ou seis. Destas últimas, ninguém
conseguiu ver coisa alguma.
Apesar das meninas sustentarem que viam diante de si uma senhora com
um menino, o pai, para mais segurança, mandou que elas lhe
perguntassem o que desejava.
Perguntaram e a visão respondeu: "Minhas filhas, virão tempos
calamitosos para o Brasil! Dizei a todo o povo que se aproximam três
grandes castigos, se não for feita muita penitência e oração."
Restava-lhe muito a dizer ainda, mas ficou para mais tarde. As notícias
corriam de boca em boca e os homens se aglomeravam naquele lugar onde
fora vista aquela senhora com a criancinha, esperando ver qualquer
coisa, mas nada viam.
II. PRIMEIRAS AVERIGUAÇÕES
Entretanto, o vigário da Paróquia mandou chamar o pai de Maria da
Luz, aconselhando-lhe que trouxesse a menina a fim de participar do
retiro espiritual das Filhas de Maria, desde o dia 10 a 15 de agosto,
preparando-se então para a primeira comunhão. Nesta ocasião o pai
poderia estar com o sr. Bispo.
Mas não foi somente esta a singular aparição da Senhora. Na
passagem diária das meninas naquele lugar, ela lhes aparecia.
As opiniões eram, como só acontece em tais casos, sempre divididas;
uns acreditavam, outros zombavam.
As advertências de Nossa Senhora eram reiteiradas: pedia sempre e
insistia que era preciso rezar; senão seu Filho castigaria
severamente o País.
Certo dia houve um garoto naquele lugar, que atirou uma pedra em direção
à aparição. As meninas, disseram que a pedra atingiu a mão de
Nossa Senhora e que jorrava muito sangue.
Como dizíamos, atendendo o pedido do vigário, o pai levou a menina
para P., apresentando-a ao sr. Bispo, mas este mandou seu secretário
ouvi-la, pois estava muito ocupado.
Após a audiência, o padre disse: "Vocês estão
enganadas." Porém Maria da Luz sustentou a palavra. Terminou-se
a conversa entregando o padre umas perguntas, das quais ela devia
pedir resposta à Senhora e enviá-las em seguida, na primeira ocasião,
por escrito.
A menina enviou a resposta pedida. Apesar de ela ser um tanto
atrasada, não houve a menor inexatidão. Foram as seguintes as
perguntas formuladas:
- 1 Quem pode mais que Deus?
- 2 Quantas pessoas há em Deus?
- 3 Quais são estas pessoas?
- 4 Em nome de Deus dizei quem sois e que quereis:
- 5 Quereis falar com um padre?
- 6 Que significa o sangue que jorra da vossa mão?
Após dois dias, o padre recebeu da menina as seguintes respostas:
1 -- Ninguém.
2 -- Três.
3 -- Pai, Filho e Espírito Santo.
4 -- Sou a Mãe da graça e venho avisar ao povo que se aproximam três
grandes castigos.
5 -- Sim.
Então a menina perguntou com qual padre, enumerando diversos. A aparição
respondeu:
- Quero falar com o padre que lhe fez estas perguntas.
6 -- Representa o sangue que será derramado no Brasil.
Estas respostas fizeram o Padre refletir e decidir ir àquele lugar
para examinar se encontraria provas ou se eram ilusões ou falsidades.
III. APARIÇÃO DE JESUS E MARIA
O lugar das aparições - "Guarda" - é localizado num alto,
circundado de montanhas. Em baixo da montanha, num vale, está a casa
dos pais de Maria da Luz, a 500 metros de distância.
A subida é muito penosa. "Só com muita dificuldade cheguei em
cima, escreve o sacerdote. Foi-me necessário tirar os sapatos para
subir. O calor era insuportável. Numa distância de 40 a 50 metros,
divisei o lugar das aparições e as duas meninas com o pai, os quais
já estavam em cima; elas me diziam que a Senhora olhava para mim de
cima, enquanto eu subia.
- Que está fazendo a aparição?
- "Está sorrindo", disseram elas.
"Eu olhei primeiro, examinando o que havia por ali: tudo era
pedra e entulho; na nossa frente estava um formidável abismo; no
lugar das aparições notava-se algo como em forma de quatro (4); no
lado esquerdo outros números como um (1-1); no meio, uma linha
branca, um pouco mais alta, que se podia alcançar só por meio de uma
escada.
"Lá está a aparição", diziam as meninas; mas eu nada
via. Sob a pedra que se achava diante de mim, numa abertura, corria um
pouco d'água.
"Perguntei ao pai de Maria da Luz se aquela água sempre existiu
ali. Ele me disse: não; mas como muitos não acreditassem nas aparições,
as meninas pediram um sinal; desde então começou a brotar água.
Fiquei em cima com Maria da Luz e pedi que Maria da Conceição, com o
sr. Arthur, se retirasse um pouco abaixo, na montanha. Assim eles dois
nos podiam ver, mas não ouvir. Então, eu disse à Maria da Luz: -
"Dize-me agora a verdade e não prégues mentiras, pois do contrário
serás infeliz para toda a tua vida".
Eu queria fazê-la confessar que nada via. Ela, porém, permaneceu
inabalável. Quando eu perguntei o que a aparição estava fazendo,
disse-me ela, olhando em direção ao lugar:
- Ela olha para cá e está sorrindo.
- Agora dize-me: como está Ela?
Maria da Luz olha e diz:
- Vejo uma bela Senhora, cujo vestido é creme, quase como vosso
capote. O manto é azul celeste, pendendo do pescoço, onde está
seguro por uma fivela, com pedras preciosas... Num braço está a
criança.
- Em que braço? No direito ou no esquerdo?
A menina não sabia distinguir o braço direito do esquerdo. Fez uma
vira-volta com o corpo e mostrou-me o braço esquerdo.
"Ela, como o menino, traz uma coroa de ouro na cabeça",
disse-me a jovem.
- E a outra mão? - perguntei.
Fez então uma nova vira-volta (apontando-me) mostrando-me o braço
direito estendido para baixo.
"A criancinha enlaça o pescoço da mãe com o bracinho
direito", disse ela, dando uma vira-volta e apontando o braço. A
senhora tem na cinta uma fita da mesma fazenda e da mesma cor que a do
vestido. Vejo somente um dos pés.
- Qual deles? - perguntei.
Ela mostrou o pé direito, fazendo outra vira-volta.
"Atrás da Senhora vê-se um bonito oratório com duas torres
fechadas. O oratório, que tem a forma de uma casinha, tem pedras
preciosas nas suas torres".
IV. NOVAS INVESTIGAÇÕES
Chamei então o pai com a outra menina, ao qual, tendo chegado, eu
disse: o senhor tome Maria da Luz e vá ficar no mesmo lugar. Eu fico
com Maria da Conceição.
"Compreendeste alguma coisa do que eu disse a tua companheira?
perguntei à moça.
- Não senhor, disse ela.
Então eu lhe disse: Maria da Luz já me disse tudo e confessou a
verdade: tudo o que vós arranjastes é mentira e invenção. Agora
quero que me digas também a verdade: não é certo que nada vês? A
menina ficou como aterrorizada e olhando para o ponto das aparições,
disse-me em tom choroso: "Se Maria da Luz disse isto ou não, eu
não sei; mas agora eu vejo a Senhora como antes".
Procurei embaraçá-la por meio de muitas perguntas, afim de averiguar
se era imaginação... Eu sou padre, nada vejo! Tu que nada és, dizes
que vês Nossa Senhora? Ela permaneceu sempre firme.
- Está bem - disse eu - dize-me o que vês agora.
Ela narrou tudo minuciosamente e fielmente como a sua companheira.
Quando ela apontava o lugar da aparição no ponto, eu dizia, para
experimentá-la: Maria da Luz me disse que é noutro lugar, lá do
outro lado. Então ela olhava parao lugar que eu dizia e respondia:
"Não, eu vejo Nossa Senhora naquele lugar branco. No lugar que
Maria da Luz indicou ao senhor, eu nada vejo."
Não encontrei sequer uma contradição no que as meninas me diziam.
Chamei então Maria da Luz - deixando o pai onde estava - e perguntei
a ambas se viam a Senhora. Ambas responderam: "Sim, vemos".
- Perguntem a Nossa Senhora se ela me vê, disse eu. Perguntaram, e
Ela respondeu que sim.
- Perguntem a Nossa Senhora se eu posso formular algumas perguntas
numa língua estrangeira.
- Sim, responderam, por Ela.
Fiz então umas oitenta ou noventa perguntas em alemão, que as
meninas não compreendem e recebi todas as respostas certas. Eu
recebia as respostas por intermédio das meninas, em português,
fielmente conforme eu perguntava em alemão, como: "Wer bist du?"
(quem é você?) - "A Mãe do Céu". "Wie heisst das
Kind auf deinem Arm?" (como se chama a criança em seu braço?)
- Jesus.
- Porque apareceis aqui?
- Para avisar ao povo que três grandes castigos cairão sobre o
Brasil.
- Quais são os castigos.
Não respondeu, fazendo sinal com a mão para fazer entender, ou que não
podia falar, ou que não queria.
- Podeis então dizê-lo mais tarde?
- Sim.
- Por que não dais um sinal visível, para que o mundo possa ver que
sois a Mãe de Deus?
- Já o dei.
- Qual é o sinal?
- A água que está correndo em baixo.
- Para que serve esta água?
- Para remédio.
- Para todas as doenças?
- Sim, mas para quem tem fé.
- Quem quiser pode tirar daquela água?
- Não, só as duas meninas.
- Porque não podem tirar quem quiser?
- Para que todos creiam.
Cortemos aqui as respostas, para destacar bem o que segue, pois é a
parte essencial das revelações da Mãe de Deus.
V. AMEAÇAS E REMÉDIOS
O Sacerdote continua o mesmo interrogatório, penetrando cada vez mais
no âmago das questões palpitantes que a Virgem Santa quer revelar.
- Qual é o fim da vossa aparição aqui?
- Avisar que três grandes castigos virão sobre o Brasil.
- Quais castigos.
De novo ela fez sinais, fazendo entender que não podia ou não queria
falar.
- Que é necessário fazer para desviar os castigos?
- Penitência e oração.
- Qual a invocação desta aparição?
- Das Graças.
- Que significa o sangue que corre das vossas mãos?
- O sangue que inundará o Brasil.
- Virá o comunismo a penetrar no Brasil.
- Sim,
- Em todo o País?
- Sim.
- Também no interior?
- Não.
- Os padres e os bispos sofrerão muito?
- Sim.
- Será como na Espanha?
- Quase.
- Quais são as devoções que se devem praticar para afastar estes
males?
- Ao coração de Jesus e a mim.
- Não basta só uma?
- Não.
- Quereis que se pregue sobre este assunto?
- Sim.
- Permiti-lo-ão as autoridades eclesiásticas?
Fez um gesto como se não quisesse dizê-lo.
- Darão licença mais tarde?
- Sim.
- Quereis que se construa uma igreja aqui?
- Não.
- Quereis mais tarde?
- Fez os mesmos gestos.
- Esta aparição é a repetição de La Salette?
- Sim.
- Haverá uma romaria aqui?
- Sim.
- Por que apareceis neste lugar, cuja subida é tão difícil?
- Para o povo romeiro poder fazer penitência.
- Quanto tempo faz que estais aqui?
- Fez um gesto com o dedo, com se quisesse dizer: "há muito
tempo".
- Se sois a Mãe de Deus, então dai-nos vossa benção.
Instantaneamente as duas videntes exclamam: "Olha lá!!! Está
nos abençoando"... e fizeram o sinal da cruz.
- Se sois a Mãe de Deus e a criança é o Menino Jesus, manda que Ele
nos dê a benção.
Neste momento, as duas pobres camponesas, admiradas e transportadas de
júbilo, exclamaram: "Ele já sabe dar a benção também!"
Fizeram mais uma vez o sinal da cruz.
Uma das meninas exclamou ainda: "Agora vimos a outra mãozinha do
menino. Até agora ela estava enlaçada ao pescoço da Mamãe. Ele
estende para o senhor os dois bracinhos."
Fiz ainda muitas perguntas, obtendo respostas certas.
Descendo eu, disse às duas meninas: "Agora vejam se a Senhora
ainda está lá". Responderam ambas: "Sim, Ela está em
frente de sua casinha, abençoando-nos".
- Para que tanta benção? disse eu, como se estivesse amolado e em
tom grave.
As meninas ficaram trêmulas e atemorizadas.
- Pergunta a Ela, para que tanta benção!
- Para que sejais felizes, disse Ela.
Perguntei de novo, em alemão: "Somente as duas ou eu também."
Responderam elas: "Para o senhor também".
Tudo o que vi impressionou-me muito, excedendo as minhas expectativas.
Umas das perguntas versou sobre os acontecimentos de Koenigsreuth,
perguntando se aqueles fatos eram de Deus ou do demônio - "É de
Deus", disse a aparição.
VI. PROVIDÊNCIAS E OPOSIÇÕES
As providências do Bispo foram as seguintes: que as meninas fossem
examinadas pelo médico. Procedeu-se ao exame e averiguou-se que ambas
são completamente sãs.
A aparição repetia-se. Mas as contradições surgiam à medida que
se falava nas aparições.
A água corria constantemente, em pouca quantidade, e como que saindo
da pedra.
Começaram as curas extraordinárias; foi pena que os médicos não
fossem avisados para examiná-las. Em todo o caso, o povo dá
veracidade aos fatos e neles crê.
Opinam que tenha havido profanação da fonte, embora não se saiba ao
certo; e Nossa Senhora pediu que se fizesse um muro ou uma cerca, pois
só as almas contritas e piedosas podiam assim aproximar-se afim de
fazerem orações e penitências.
Fez-se a cerca, visto as pessoas se aglomerarem sempre mais em
romaria. Veio a polícia e derrubou a cerca. Imediatamente secou a água
até então corrente.
O sacerdote mandou de novo construi-la e fechou as portas; logo depois
a água brotou.
Após oito dias veio a polícia novamente, destruiu a cerca e, como na
outra vez, desapareceu a água.
Falou-se que houvera sido o Bispo quem mandou a polícia.
Este negou-o, dizendo que não sabia de nada.
A aparição repetidas vezes veio e as meninas afirmaram que a Senhora
lhes dissera: "Tenham paciência; as coisas que vêm de Deus são
mesmo assim".
Mandou então o padre que as meninas perguntassem a Nossa Senhora quem
havia mandado os soldados, e a resposta foi esta: "Quem mandou
foi um padre!"
Quinze dias depois, uma carta das meninas chegou, dando-me o nome do
culpado.
Entretanto, a água não corria mais naquele lugar, mas um pouquinho
acima. As meninas afirmaram que tinham pedido a Nossa Senhora para
fazer a água sair novamente; então começou a correr.
Nossa Senhora recomendou que não se disesse isto a qualquer pessoa,
para que só os bons recebessem da água.
Maria da Luz entrou num colégio, a pedido de Maria Santíssima, para
mais tarde, após ter adquirido um pouco de instrução, entrar no
convento. A aparição pediu que as despezas necessárias fossem
feitas pelo Padre, autor daquelas perguntas.
Maria da Conceição está ainda com seus pais, em casa: parece-me que
ela nunca mais viu a aparição.
Outro fato sobre Maria da Luz: em todas as festas de Nossa Senhora,
ela a viu na montanha de Guarda.
Certo dia, perguntando algo a Nossa Senhora, recebeu esta resposta:
"Nunca mais me manifestarei aqui em Guarda e os três castigos não
virão já, porque o povo está melhor; mas é necessário ainda rezar
muito e fazer penitência". Recomendou de novo a devoção ao
Coração de Jesus e a Ele.
VII. CONCLUSÃO
Tal é a narração publicada na revista Koenigsreuth. As relações
escritas que me foram transmitidas, sendo recolhidas dos lábios do próprio
sacerdote que formulou as perguntas são mais extensas, porém a narração
acima é o resultado fiel do conjunto e outros pormenores nada de
essencial ajuntam ao fato.
Fonte:
Recados do Aarão
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