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16
Março 2005
Segue
a segunda parte das revelações do Paraíso, por Fanny Moisseieva! VI Assim
entrei no Paraíso onde cada mínimo rumor de prece é como incenso
nos ares. Que esplendoroso, amplo e luminoso era. Por todas as partes
ardiam luzes, acesas pela própria mão do Criador. Os moradores,
dignos do Paraíso, se estavam reunindo para a festa. Eu fiquei
impressionada com a extraordinária beleza das flores e das grinaldas
que adornavam os altares, diante dos quais se queimava incenso em
honra ao Deus Criador. Que
maravilhosa festa! Os formosos toucados estavam impregnados de aromas
dulcíssimos, muito diferentes dos terrestres. Os vestidos não eram
tecidos, porém havia árvores colossais que produziam grandes mantas,
adequadas para cobrir-se. Eu tinha ouvido o rumor daquela folhagem que
deixava cair no solo gotas de orvalho, e também vi outras plantas de
folhas parecidas com asas de borboletas, gigantescas e multicores.
Neste planeta os vestidos de cada um se reconheciam pela cor. Todos
segundo seus próprios méritos: cada habitante do Paraíso tem suas
cores, que se fixam e assim ficam para sempre. Há quem tenha amarelo,
roxo, verde... Todas
as coisas no Paraíso são multicores; assim, que cada um, segundo a
sua cor, pertence a uma determinada categoria de almas. Estas podem
vestir-se e adornar-se segundo esta categoria; se alguma destas almas
quiser trocar seus esplêndidos vestidos com outro da mesma cor, porém
não de outro matiz, podem fazer e então, o outro, deixado de lado,
voa e se desfaz no ar. O efeito que se obtém é esplendidíssimo, e
também as auréolas despendem chispas da várias cores. Eu
vi como iam chegando os anjos, com seus vestidos azuis a asas brancas
que o vento movia. Que formosos eram em sua eterna juventude. Depois,
a noite cobriu a abóbada celeste com véus escuros. Todos levantaram
os olhos cheios de esperança e um coro dulcíssimo começou a cantar:
Todos estão em Cristo e Cristo está em todos! O canto tinha
uma harmonia que para descreve-la são inúteis as palavras. Todos
esperavam em silêncio, imóveis, com os braços cruzados sobre o
peito. Parece que algo os impedia de moverem-se; e a distância se
ouvia o rumor de asas, enquanto se abriram milhares de novas flores e
cantaram milhões de anjos. A mente, que vaga absorta em luminosos
pensamentos compreende como se alguém o tivesse dito: Cristo
Ressuscitou! e não pensa outra coisa. Todos choravam mansamente,
tanto lhes havia comovido aquele doce canto. O
canto era cada vez mais forte, recordando o Calvário de Cristo: o
Sagrado Templo do Universo ressoava de hinos sagrados. De repente
todos se calaram de emoção: pressentia-se a presença de Cristo! Os
pássaros haviam deixado de cantar e os anjos haviam parado de falar.
Quieto também estava o bosque, até a pouco tão loquaz. Toda a
natureza estava imóvel sentindo a festa de seu Senhor. Os anjos, na
espera de Cristo, continham até a respiração. Foi então que do
alto chegaram sons alegres coros, cantados somente por maravilhosos
querubins. Estes tinham asinhas resplandecentes de ouro, todas tensas
como as pétalas de uma flor, enquanto suas cabeças se inclinavam
delicadamente. Ligeiras e suaves estas cabecinhas rodeavam a Cristo, e
seu canto era sobre-humanamente doce. Eram miríades, e suas asas se
moviam sem tréguas. O
esplendor do céu, entretanto as tornava ainda mais formosas: e as auréolas
irisadas que os rodeava entrelaçavam-se entre si produzindo um efeito
dos mais extraordinários; aumentavam as vibrações da música
encantadora, aumentavam os acordes do jogo de luzes, aumentava a
alegria das almas e uma onda de emoção invadia a intimidade da alma.
Não podem ser encontradas as palavras exatas para descrever a imensidão
daquela alegria e daquela felicidade. Esta alegria, e esta felicidade,
não são como as conhecidas na terra: são eflúvios que fazem vibrar
todo o ser, como se nos transportasse a um êxtase sublime. A alma, em
tal momento é como se quisesse chorar e também cantar. Reluzia
Cristo, infinitas vezes mais que o esplendor do sol e ante a Luz que
Dele emanava, tudo o mais se escurecia. Ao Seu redor, os querubins
cantavam docemente: A natureza se adorna do Senhor! E vinham em
direção Dele, com as mãozinhas debaixo das asas, e desapareciam em
Sua luz. Na amplidão do etéreo caminho estavam esparzidas flores em
profusão, e rosas, em memória da ressurreição. Em torno de Cristo
havia uma auréola que igualava em esplendor à soma da auréola de
todas as criaturas. Seus olhos reluziam de amor: a cor de suas pupilas
era a cor do Céu e suas vestes estavam entrelaçadas de claros raios.
O
Espírito do Altíssimo brilhava em Seu rosto. Ele Se alegrou com
todos os justos pela vitória sobre o inimigo e todas as almas tiverem
um só alento junto de Cristo. E em seus rostos floresceram sorrisos
ao ouvir a saudação: Glória ao Senhor! O som da música
celeste, perfeita em seus acordes e ressonâncias, mesclava-se com a
perfeita harmonia, tão diferente da música terrena que é impossível
descrevê-la! Há,
nas notas, completamente desconhecidas aos ouvidos dos mortais, como
que doçura e santidade. Esta música das esferas celestiais desperta
nas almas dos ouvintes uma alegria tão luminosa e pura, que tudo o
mais se esquece e se apaga; um único desejo toma todas as almas:
render honra e glória continuamente ao Senhor! Cantaram logo em
resposta, e apenas se calava um coro, ouro começava o mesmo canto. Então
se levantou a Virgem Maria e se pôs aos pés do Senhor, porém
distante, resplandecendo no fulgor de seus raios, enquanto na parte
oposta se ergueu o Arcanjo São Gabriel, que levantando uma fugida
Cruz anunciou: Cristo Ressuscitou! E milhões de almas
responderam: Em verdade, Ele ressuscitou! Junto
de mim passou um santo, e sua face me pareceu com a de alguém que eu
não via ha muito tempo. Tremendo de emoção, eu escutava o grito
sempre crescente da multidão: Cristo ressuscitou! Cristo
ressuscitou! E ao redor Dele havia muitíssimos cristãos, de
todas as partes e seu amor igualmente animava a todos. Os querubins
voavam por todos os lados, alegres, cantando louvores pela vida
eterna. Seu canto punha a alma em êxtase, e os justos sabem bem que
mil anos de feliz Paraíso passam como um só dia. Suave se ouvia um
som de lira e o divino mundo estava impregnado daquela melodia
encantadora. A cada passo aumentava a alegria e cada vez mais alto
ressoava a oração. E eu vi como o irmão se encontrava com a irmã.
Havia chegado a hora da data festiva e as almas voavam uma para a
outra. Não
era uma reunião como as que estamos acostumados a ver aqui em nosso mísero
mundo terreno. Ali as almas estão privadas de seus corpos, não têm
necessidade de expressões exteriores para manifestar seu afeto, pelo
que interagem apenas com um movimento da parte sensitiva da alma. E
como todo o Paraíso está como que impregnado de amor, e tanto o ar
do espaço está saturado dele, que por eles se transmite o amor, por
meio de vibrações. Não há necessidade de falar: cada alma é
transparente ao pensamento dos outros e nada se pode esconder. Assim,
quando se encontram os entes queridos que se amam, sua auréola
cintilante irradia muitas vezes mais, pela alegria do encontro. Porém,
ao mesmo tempo nunca se esquecem, por primeiro de tudo, de amar ao
Senhor. E assim eu vi encontrar-se homens e mulheres muito diferentes,
que haviam vivido em épocas distintas, porém todos se sentiam unidos
ao Senhor. Ao redor, todo o firmamento despendia raios de luz vivíssima,
como uma formidável expressão do Amor Universal. Que
outra alegria pode comparar-se a esta ternura infinita? Deus concedeu
aqui o dom do Amor, e aqui não se fala mais que de amor, porém um
amor santo, enlevado e não terreno. Aqui são desconhecidos os
sofrimentos do amor terreno. Depois
que duas almas se haviam encontrado, entoando um hino, elas voavam ar
afora em um êxtase amoroso. E eu disse a meu companheiro: Sem o
amor, o Paraíso não seria perfeito! Pelo eu ele me disse: Aqueles
que tenham amado em vida permanecem unidos no amor também depois da
morte! Tu
me havias prometido – disse eu ao meu companheiro – me mostrar o
dia de festa de meus pais. Porém, como, não os viste? Não,
disse eu surpreendida! E ele falou: talvez não os tenhas
reconhecido, mas entrementes, passaste precisamente junto deles. Nos
dias de festa, quando os justos vêem a este planeta, é concedido a
todos os parentes unir-se, gozando juntos a alegria do encontro. Eu te
havia prometido uma coisa e a mantenho! Olha, estão aqui! Então
eu os vi e verdadeiramente e reconheci a meus falecidos pais: e
experimentei um infinito sentimento de amor, de ternura e de emoção.
Porém eles desapareceram em seguida! Olhando ao redor vi que todos tinham o mesmo aspecto inteligente e feliz, assim que ninguém necessitava de conselhos e ajudas, porque cada espírito já havia entendido tudo aquilo que Deus concede compreender as suas criaturas. E é tal que, se o Senhor oferecesse a quem tenha sido na terra um pobre mendigo, o voltar a vida terrena como um imperador, ou rei deste mundo, ele choraria suas mais cálidas e sinceras lágrimas, rogando ao Senhor que não o privasse nunca das alegrias celestiais. Ó, que doce é a vida no Paraíso! Então,
Cristo começou a conversar com todos. E a Ele subiam louvores e bênçãos,
mas ninguém ousava achegar-se perto de sua Sagrada Pessoa. VII E
naquele momento a Virgem dirigiu uma ardente oração a Cristo. <A
Ti, oh Senhor, peço a salvação de todo o povo caído da terra, que
vive debaixo do jugo dos ímpios e chefes cruéis. E a quem mais digno
poderiam dirigir-se em sua dor? Quem os pode libertar das cadeias?
Somente Tu, ó Cristo Salvador poderás, com a misericórdia de Tua
graça, tornar serena a vida cinzenta e penosa destes escravos
impotentes. Salva-os! Ensina-os! Dá-lhes a Luz que os guie nas
trevas! Torna a trazer, à sua terra nativa, estes exilados! Derrame
as Tuas bênçãos sobre sua desventura. Eles me rezam, pedindo por
Tua Pátria, e eu, Filho meu, imploro tua misericórdia, maior que
toda a culpa>. Assim
havia rezado a Santa Mãe Maria, e naquele momento um dos justos, com
vestido de ouro, se prostrou diante de Cristo e de braços abertos Lhe
dirigiu a seguinte oração: Ó senhor, no luminoso dia de Tua
ressurreição, da libertação do povo que um dia confiaste ao meu
cuidado, faz ressuscitar na fé e guia seus passos para o justo
caminho. Senhor, favorece a meu povo: A Rússia chora! Eu tenho estado
lá em baixo e tenho visto como todos, a exceção de uns poucos ímpios,
invocam Teu Nome. Ó Cristo, Senhor do mundo: Tu que vês tudo, e
podes tudo, ajuda-os! Ele
o olhava com profunda humildade, encolhido, e de pronto reconheci:
ante Deus estava meu soberano! Que terminou dizendo: ó Senhor
perdoa-nos, que somos teus servos! Depois se calou com um grave
suspiro! Então
falou Cristo sobre a vida Eterna e todos O escutaram com muita atenção,
porém as palavras do Senhor eram tão elevadas que não tinham nada a
ver com nossa mentalidade terrena. Não se podia escutar as palavras
de Cristo, sem comover-se, tanta era a bondade do Senhor; minha mente
não as compreendeu! Mas minha alma sim, porém este mistério é
sobre humano: Eis porque esta Páscoa foi para mim tão luminosa! A
Santa Mãe, toda resplandecente de raios, tomou lugar junto a seu
Divino Filho e meu soberano e disse: Tua sabedoria, ó Senhor, é tão
grande que Tua vontade é para mim mais querida que a minha. E então
uma onda de entusiasmo pareceu envolver a todos. Cristo ascendia! Para
Onde? Mistério! Mistério
que a alma não pode resolver, que os olhos não podem saber: onde se
encontra Deus! Subia Cristo e junto com Ele sua Mãe Santa, esplendidíssima
em sua majestade. E enquanto eles desapareciam naquele mar de luz, os
bem-aventurados cantavam: Glória
infinita a ti, ó Salvador! Sol
e alento do Paraíso! Tua
Luz, que nunca se escurece e morre, Nos
entra como o ar de um suspiro! E
vemos com a visão espiritual Os
muitos Universos de Teu Reino. Tua
face, aguda como flecha, Transpassa
cada alma em seu perfil E
seu destino eterno traça. E
nossa eternidade formosa, É
como um milagre: Vemos
a paz do Universo E
nele, a paz de cada estrela, De
cada mundo, que é sagrado. Teu
comando ordena os céus! Por
tua Vontade Divina está traçado O
caminho de cada um, E
por toda a eternidade. Assim
cantava os louvores a Crist,o o coro celestial. Depois todos os
bem-aventurados voaram: uns para seus parentes, outros para seus
amigos, e outros para a terra, para rever a seus queridos amigos. Difícil
é descrever as esplêndidas alegrias e os divinos êxtases de muitos,
mas me foi proibido falar. Com certeza, se o homem pudesse imaginar o
que é o Paraíso, com que desejo não invocaria a morte? Porque no além,
acima, se sucedem sem fim as alegrias, umas atrás das outras. Eu não
saberia decidir outra coisa. Por pura casualidade me foi concedido
visitar o Paraíso! Conclusão da Autora Neste
momento, passei a experimentar um cansaço geral. Tive a sensação de
que algo como um vestido pesado, tosco, áspero e estreito encerrava
meu ser etéreo. Fiz um movimento com a cabeça, movi meus braços e
senti o contato com uma tela. Isso é um cobertor, pensei
confusamente! Abri
os olhos e em lugar do Céu límpido e luminoso vi o teto da sala, as
paredes brancas e a cama do hospital. Meus sonhos haviam terminado! Eu
havia despertado, depois de um sono letárgico de nove dias. Desde
Han-Kow – China – fui levada a ir até a enorme cidade de Shangai,
para uma operação urgente. Pelas ruas se levantavam magníficos e
soberbos palácios, sede de bancos europeus e chineses. Os hotéis de
luxo me recordavam os palácios imperiais reais, e também as casas de
comércio, nas ruas principais, pareciam imponentes palácios. Os
mostruários das joalherias deslumbravam os olhos com o cintilar de
suas jóias e no horário noturno as salas dos grandes restaurantes e
dos “dancings” da moda pareciam lugares de alegria, no apogeu da
felicidade e das alegrias sexuais. Porém
para mim era penoso, triste, observar tudo isso: Que coisa miserável
isso tudo! Que mesquinharia! Que indizível nulidade ante a majestade
das cenas que vi e que certamente as vereis também vós todos, depois
de vossa morte terrena. Eu sei que em meu relato, muitas vezes minhas
palavras foram incapazes de descrever com exatidão os matizes e as
sensações experimentadas pela alma. Mais que nada foi difícil
dar-vos a conhecer com palavras terrenas o sentimento do Amor, que é
absolutamente impossível fazer compreender em sua altíssima beleza,
amor que não tem comparação nem limites e ultrapassa a
possibilidade do humano pensamento. O
Universo do Senhor é tão imenso que até as mais incríveis
conquistas terrenas parecem pequenas, tão pequenas e mais miseráveis
do que um grãozinho de areia diante do imenso oceano. E agora, na última
pagina de meu livro, ao decidir dar adeus aos meus leitores, quero
recordar as grandes e santas palavras da oração: Pai nosso, que
estais no Céu, santificado seja Vosso nome.... Pelos séculos dos séculos! Fim! Arnaldo
explica: Depois
de uma tão fabulosa descrição do Céu, do Paraíso, embora como a
autora diga-se incapaz de bem o descrever com a linguagem humana, não
me poderia furtar a alguns comentários e a lembrar alguns tópicos
importantes. Digamos primeiro, se a linguagem humana é pífia para revelar e descrever os segredos do Céu, também a mente humana é frágil para entender os profundos mistérios de Deus. Quem não consegue se emocionar, porém, com a simples descrição feita por esta senhora, também será incapaz de, como grão de areia se colocar na própria condição humana, e a partir dali conceber um Deus Infinito e Eterno. E assim, antes de ser menos esplendoroso que a descrição feita por ela, o Céu deve ser melhor ainda, porque uma coisa é certamente ver e descrever, outra, muito mais intensa é viver a realidade e sentir. Tudo
nos leva e nos remete a dois pólos distintos, de nosso destino
eterno: Primeiramente vimos, em dois capítulos, o horror inenarrável
do báratro nefando: o inferno! A câmara do eterno suplício! Daquele
antro dos horrores indizíveis, apenas o grito de desespero de uma
noite que não termina, de um dia que nunca vem, de um sofrimento que
nunca acaba, e se perpetua em contínuas ondas de dor. Mas, não esqueçamos:
Esta é uma escolha pessoal dos vivos: não foi Deus quem escolheu
este lugar para pessoa alguma! É aqui nesta vida, que se escolhe, que
se determina o local que se quer ficar na eternidade. Deus sempre nos
desejou o Céu, e para chegar a ele nos deixou os mandamentos e a Lei
eterna, imutável, absolutamente fácil de ser seguida: a lei do
Amor universal! O
homem é livre, gloriosamente livre, até para escolher o inferno por
morada eterna. E ninguém, nenhum ser humano, por mais idiota que
seja, ou por mais culto e douto, poderá um dia dizer que foi
enganado, que não sabia, que não imaginava, que não pensava que o
inferno existisse, que o demônio fosse tão mau: nada disso! TODOS
sabem claramente, pois a Lei de Deus é impressa nas almas: somente os
que a sufocam decidida e livremente é que se perdem eternamente! São
os que aceitam o convite de satanás, e que vão, dia após dia, com
seu cínico e descarado proceder, apagando todas as luzes de Deus de
seu firmamento: o final é as trevas eternas! E enquanto restar uma
luz, por mínima que seja, sempre Deus estará aguardado a conversão
e a volta para Ele. Eis que o remorso eterno pelas chances
desperdiçadas será o grande castigo dos maus! No
outro pólo, é o Amor Eterno e infinito! Inenarrável também,
indescritível, somente quem o vive é que pode avaliar. Novos mundos
se reciclando e se formando, cada dia um mundo diferente, um ambiente
novo, uma veste nova, um perfume novo, flores, plantas, árvores frutíferas,
cantos, música e o eterno pulsar do esplendor da natureza em Deus. Oh
como é imenso o poder do Criador, do Deus Altíssimo! Como os homens
subestimam este poder e este Amor! No Céu é a luz permanente, a
alegria constante, uma satisfação de plenitude eterna, que não quer
outra coisa, que não pede outra coisa do que estar com Deus para
sempre e viver com Ele, mesmo não O vendo, mas sabendo que Ele
existe. O
que me encantou nas descrições desta vidente, foi a separação do Céu
em diferentes planetas – como ela chama – e não somente um local
como eu imaginava desde criança. Isso faz sentido e tem lógica. Nós
sempre temos dito que existem diferentes níveis de felicidade no Céu,
e então a separação dos planetas por diferentes níveis de
felicidade é uma explicação plausível. O que não quer dizer
jamais que Deus não está presente em todos estes planetas. Mas como
se viu, quanto mais se sobe para perto de Deus, mais fortemente se
observa o Seu Amor eterno, e mais se intensifica o gozo dos justos. E
verdade, aqui ela ainda não descreveu o verdadeiro Céu do Altíssimo,
o trono de Deus Onipotente, e sim, apenas o planeta dos grandes
santos. Quanto
ao capítulo V – na verdade algumas poucas linhas – que deixamos
fora para não confundir, ele se refere a um planeta onde só viviam
animais. Não traduzimos este, porque, por um lapso qualquer de
linguagem, nós poderíamos dar a impressão de que Deus também
reserva um lugar eterno aos animais que morrem, o que é inconcebível
porque eles não têm alma, nem são eternos. Sim, podem existir
diferentes planetas onde somente a vida animal segue seu curso, e
estes planetas podem ser milhares, e os tipos de animais em cada um
podem ser infinitos, tudo porque infinito é o Poder de Deus. Ora,
o Universo não tem fim! Entender isso é impossível ao ser humano! E
embora as distâncias entre eles sejam incomensuráveis, transpô-las
é questão de instantes para os que vivem a eternidade em Deus. Eu já
tive a graça de ver e de sentir, em sonhos, o que significa este
transporte pelos ares, em velocidades inauditas, pela
imponderabilidade. Os espíritos podem transpor estas distâncias com
a velocidade de um raio, sem sofrer qualquer efeito da gravidade, ou
embate de qualquer barreira no caminho. No voar não se meche sequer
um fio de cabelos, e se nesta velocidade batesse em uma rocha dura, não
se sentiria mais que um suavíssimo toque. Também
já tive a graça de ouvir a música celestial em sonho, e por alguns
instantes, o que me fez dormir profundamente passados apenas alguns
acordes. E igualmente a graça de cantar com a voz dos
bem-aventurados, aquela que um dia pensarei cantar para o Altíssimo:
nada comparável a voz humana atual, nenhum barítono, por mais
perfeito, será um dia capaz de contar como um ser celestial, tal como
nenhum músico, por mais afinado e perfeito que seja, será capaz de
tocar como os Serafins e os Tronos de Deus, O Altíssimo e o
Onipotente. E quem já teve a graça imensa de abrir uma pontinha
destes véus eternos, de sentir alguns de seus pulsares, de ouvir
alguns de seus eflúvios, com toda a certeza entenderá bem o que
Fanny Infimova Moisseieva quis nos dizer. Duas
coisas agora: tendo cada um de nós feito um contraponto entre estas
duas realidades eternas – Céu e Inferno – deve entender que disso
Deus nos chama a uma fulminante decisão! Lutar, até as últimas
conseqüências, até o último alento de nossas forças, para que
ninguém – nem mesmo os mais odiosos inimigos de Deus – se perca;
e ao mesmo tempo, lutar, com todas as nossas forças, para que TODOS
se salvem eternamente.O inferno é terrível! O Paraíso é incrível! E
certamente que nós todos esperamos os Novos Céus Nova terra, tão
longamente prometidos pelo nosso Deus. Haverá sim modificações
neste novo Céu, até porque os que hoje habitam já as mansões
celestes ainda não ressuscitaram dos mortos e não receberam seus
corpos. Da mesma forma a terra, com habitantes santos, somente pelos
justos, com carne espiritualizada, e será como um destes planetas
abençoados que a nossa vidente visitou e nos descreveu. Natureza magnífica,
frutos saborosos e sem conta, árvores que dão frutos o ano inteiro,
bem mais deliciosos, sabores diferentes e agradáveis, mais
nutritivos, em suma, nada de armazenar, pouco trabalho e muita
felicidade. Vale
a pena lutar pelo Céu para todos! Que o inferno seja de ninguém!
Nossas orações, nossos sacrifícios, nossa caridade maior de
conduzir para o Céu, de levar as pessoas e as almas para Deus, enfim,
nosso AMOR, será a chave para a conseguir este objetivo. Da
intensidade de nossa luta, da força de nosso amor, virá o mérito do
planeta, ou da parte do Céu aonde iremos habitar, mais longe ou mais
perto de Deus. Melhor mesmo é coladinho com Ele, mas seria pretensão
sendo nós tão incuráveis pecadores. O
amor é a medida de todas as coisas: Deus nos medirá por ele! Desejo
a todos o Céu! Arnaldo
Traduzido
do livro: MI SUENÕ LETARGICO DE NUEVE DIAS Fundacion
Maria Mesajera Zaragoza Espanha Fonte: Recados do Aarão |
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