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20/06/2009
Outros - Ano
sacerdotal
FIDELIDADE
DE CRISTO, FIDELIDADE DO SACERDOTE" (Padre Mateus Maria)
Caros irmãos, que a Paz esteja convosco!
Hoje comemoramos a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, e junto
com ela, comemoramos a jornada mundial pela santificação dos
Sacerdotes, como também iniciamos solenemente o Ano Sacerdotal, no
qual o Santo Padre fez questão de proclamar São João Maria Vianey,
como o patrono de todos os sacerdotes e não mais só dos párocos, e
nesta alegria festiva, o Santo Padre expressou aos membros da Congregação
para o Clero, que o seu objetivo com este ano em prol da santificação
dos sacerdotes é “ajudar a Igreja e o povo fiel, a perceber cada
vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote, e o seu
valor”.
O Cardeal Hummes Prefeito da congregação do Clero ressaltou dizendo:
“O motivo fundamental da comemoração do ano sacerdotal, se dá, ao
grande valor que o Santo Padre dá aos sacerdotes, dando a eles uma
importância especial, e com este ano, deseja dizer o quanto os ama, o
quanto os quer ajudar a viver com alegria e com fervor sua vocação e
missão, de modo que em todo este ano possamos todos refletir sobre o
sacerdócio”.
Durante este ano, o Santo Padre, publicará o “Diretório para os
confessores e diretores espirituais”, assim como um apanhado de
textos sobre temas essenciais da vida e da missão sacerdotal na época
atual.
È uma graça também comemorar hoje nesta solenidade do Sagrado Coração
de Jesus a abertura do ano sacerdotal, pois o sacerdócio está
totalmente ligado ao coração de Jesus, que é manso e humilde,
modelo de doação oblativa que deve estar diante dos olhos do
sacerdote.
Refletindo um pouco mais sobre esta unidade que há entre o coração
de Jesus e o sacerdócio, podemos refletir que o sacerdócio, nada
mais é que um imenso dom de amor, que nasceu do coração de Jesus,
que amou a todos, que se doou por todos aqueles que se colocam abaixo
da cruz, para serem lavados na água, fonte batismal, e no seu sangue
redentor.
O Santo Padre tendo o seu olhar voltado a realidade da Igreja a nível
universal, sabe da necessidade que a Igreja possui de ter santo e
dedicados pastores, homens de Deus, que possam com autenticidade
proclamar a palavra de Deus e vivê-la em sua vida, chamados a serem
‘um outro Cristo’, que é e sempre será o modelo para o exercício
do ministério sacerdotal. Mas para isso é necessário que o
sacerdote tenha uma vida de união profunda e amizade com Cristo, e a
Igreja em sua sabedoria, e em sua força, convoca os seus filhos a
orarem, a sustentarem os seus sacerdotes com a oração, com o sacrifício,
com o jejum, pois cada de nós, não é apenas um filho da Igreja, mas
é membro da Igreja, e sendo membro, faz parte do corpo, no qual a
Igreja além de Mãe é por excelência a esposa que reclina a cabeça
no coração do amado e lhe pede os favores, e perscruta o seu coração.
Esta iniciativa do nosso amado pastor e custódia da fé, o papa Bento
XVI, nos ajuda também a refletir no nosso papel importantíssimo,
diria até contemplativo e missionário para a santificação dos
nossos sacerdotes, nos estimulando a orar pela santificação do
clero, e não a julgar, com os nossos pesos e medidas desequilibrados.
Deus quer precisar da nossa oração para salvar as almas, inclusive
para salvar as almas dos seus pastores, que a causa desta cultura pós-moderna,
relativista, urbana, pluralista, secularizada, laicista, tem
contaminado não só a sociedade em geral, mas tem entrado e sujado a
pureza da Santa Igreja.
Devemos ser colunas de oração para a Igreja, como São Francisco de
Assis, que no sonho do Papa, sustentava toda a Igreja do Latrão que
caia em ruínas, devemos seguir o exemplo de tantos santos e santas,
que amaram a Igreja, a ponto de doarem a sua vida por ela. Mas
poderemos doar a nossa vida pela Igreja, se doamos concretamente o
nosso tempo para a santificação da mesma, com a nossa oração de
amor.
Somos chamados a orar pela santificação dos sacerdotes, para
que eles possam durante este ano, receberem uma nova conversão, para
que possam ter os seus corações dilatados e assimilados ao coração
de Jesus, correspondendo a vocação que receberam pela imposição
das mãos e da oração consacratória, para que possam dizer: “não
sou mais eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gal. 2, 20).
No fundo da nossa Igreja de Deus Pai, há o cartaz de abertura do ano
sacerdotal, com o Lema: “Fidelidade de Cristo, fidelidade do
sacerdote”, e este também é um chamado a oração principalmente
para nós padres, pois o sacerdote que reza, se torna cada vez mais
fiel ao seu ministério, e amará cada vez mais a ‘Igreja
hierarquica’, como também a ‘Igreja povo de Deus’.
O Sacerdote então é chamado a seguir o modelo de Cristo, a ser fiel
a vontade do Pai, como Cristo o foi, devendo “ser”, a imagem visível
do próprio Cristo para os homens, sinal do amor que doa a vida
levando à solidariedade autêntica com aqueles que sofrem, com os
pobres espirituais e materiais.
O sacerdote chamado por Deus a celebrar os mistérios da salvação,
os sacramentos, a Santa Missa, não de qualquer jeito, não como um
evento feito em um placo de teatro ou um show, não como alguém que
está dando qualquer coisa ao povo, mas deve, viver intensamente cada
um destes mistérios, com a oração, para como Cristo, doar-se, se
deixar partir, vivendo o seu sacerdócio no escondimento da
noite, como aquele agricultor que sai a semear, e lança a palavra, a
qual cresce na terra, cresce no coração do homem, no silêncio da
noite, vivendo também a Eucaristia, orando e se entregando por
aqueles que participam do banquete e do sacrifício, vivendo a dor do
abandono, como Jesus a viveu na Agonia no horto, mas sobre tudo,
vivendo a alegria da ressurreição e do encontro com os seus, como
viveu com os discípulos a margem lago de Tiberíades, onde eles o
reconheceram: ‘É o Senhor!’.
Em muitos de nós sacerdotes, o povo também reconhece a presença do
Senhor, e por isso deseja até nos tocar, ser tocados, pois pela fé
sabem que são um outro Cristo.
Certa vez eu conversava com o nosso querido Pe. Simeão, reitor desta
Igreja de Deus Pai, e ele me dizia: “Se nós padres soubéssemos o
bem que fazemos nos encheríamos de orgulho, por este motivo, Deus não
permite que todo o bem que fazemos venhamos a saber”. E nesta linha
de pensamento o Santo Padre apresentou no dia 16 de Junho, a figura do
Santo Cura d’Ars, como modelo do ministério sacerdotal a ser
seguido.
“O grande Cura d’Ars consciente de ser, enquanto padre, um dom
imenso para o seu povo dizia: "Um bom pastor, um pastor segundo o
coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a
uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia
divina". Falava do sacerdócio como se não conseguisse alcançar
plenamente a grandeza do dom e da tarefa confiados a uma criatura
humana: "Oh como é grande o padre! (…) Se lhe fosse dado
compreender-se a si mesmo, morreria. (…) Deus obedece-lhe: ele
pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do céu e
encerra-se numa pequena hóstia".
E, ao explicar aos seus fiéis a importância dos sacramentos, dizia:
"Sem o sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem O
colocou ali naquele sacrário? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma
no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta
para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? O sacerdote.
Quem a há-de preparar para comparecer diante de Deus, lavando-a pela
última vez no sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o
sacerdote. E se esta alma chega a morrer [pelo pecado], quem a
ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o
sacerdote. (…) Depois de Deus, o sacerdote é tudo! (…) Ele próprio
não se entenderá bem a si mesmo, senão no céu". "Se
compreendêssemos bem o que um padre é sobre a terra, morreríamos, não
de susto, mas de amor. (…) Sem o padre, a morte e a paixão de Nosso
Senhor não teria servido para nada. É o padre que continua a obra da
Redenção sobre a terra (…) Que aproveitaria termos uma casa cheia
de ouro, senão houvesse ninguém para nos abrir a porta? O padre
possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecônomo
do bom Deus; o administrador dos seus bens (…) Deixai uma paróquia
durante vinte anos sem padre, e lá serão adoradas as bestas. (…) O
padre não é padre para si mesmo, é para vós".
Sabendo então de tão grande mistério de amor que encerra o
sacerdotes, do outro lado, vemos a face negativa do mau testemunho, há
muitos escândalos na Igreja, muitos que prostituem o corpo da
Igreja, prostituindo o seu corpo, dão mau exemplo, mas estes não são
reflexo da Igreja, embora muitos, são uma pequeníssima porcentagem,
usada por satanás, para macular a santidade da Igreja, com o
homossexualismo, com a pedofilia, com relações sexuais, e com o
desvio do dinheiro do povo. Contudo as suas obras o julgarão, e nós
devemos apenas orar, mas não ficar apenas em uma oração
sentimental, mas se sabemos algo e temos provas, devemos denunciar até
na policia, para que o reino de Deus se construa e se aproxime cada
vez mais de nós.
Irmãos, precisamos de santos sacerdotes, sacerdotes interessados em
se doar para a santificação do povo, precisamos de bispos que seja
mais pastores que mercenários interessados no dinheiro e na fama,
precisamos de pastores que não estejam interessados apenas em
aparecer na mídia, dando o mau exemplo para o clero e o povo de Deus
com as bobeiras que às vezes dizem, com a falta de comprometimento
com a radicalidade evangélica, com a falta de comportamento clerical,
precisamos de pastores que tenham a coragem de erguer a voz nas
catedrais proclamando profeticamente a boa nova, que automaticamente
denuncia o pecado, denunciando o abuso de crianças, denunciando o
aborto, denunciando a violência urbana, denunciando a prostituição
de crianças, jovens e mulheres, denunciando o tráfico de drogas,
denunciando a imoralidade sexual, e as mentiras pregadas na mídia em
relação às questões bioéticas referentes à inseminação
artificial, e etc..., não precisamos de pastores que aparecem na
televisão dizendo: ‘O nome de Jesus é doce’. Precisamos sim de
Pastores que tenham em uma mão o bastão com pregos na ponta, para
defender o seu rebanho dos mercenários, dos animais ferozes, e na
outra tenham o cajado, para ritmar o passo das ovelhas, e puxar as que
estão se extraviando do caminho ou caindo no precipício, por isso
devemos rezar, rezar com o coração, rezar com força de Deus, rezar
no espírito, rezar com um amor profundo pela igreja, para podermos
receber santas e perseverantes vocações, vocações proféticas para
os nossos tempos impregnados pela oposição silenciosa ao Papa e ao
seu magistério petrino.
Diz Jesus no evangelho: “A messe é grande, mas os trabalhadores são
poucos. Peçam, pois, ao Senhor da messe que envie trabalhadores para
a sua messe!” (Mt 9,37-38).
O Santo Padre, no discurso aos sacerdotes de Freising, 14 de setembro
de 2006, ressaltou: “Jesus diz:“Rogai ao Senhor da messe para que
envie trabalhadores para a sua messe!”. Isto significa que: a messe
existe, mas Deus quer servir-se dos homens, a fim de que ela seja
levada ao celeiro. Deus necessita de homens. Necessita de pessoas que
digam: Sim, eu estou disposto a me tornar seu trabalhador na messe,
estou disposto a ajudar para que esta messe, que está amadurecendo
nos corações dos homens, possa realmente entrar nos celeiros da
eternidade e se tornar perene comunhão divina de alegria e de amor.
Rogai ao Senhor da messe”! Isto quer dizer também: não podemos
simplesmente “produzir” vocações, elas devem vir de Deus. Não
podemos, como talvez noutras profissões, por meio de uma propaganda
bem visada, através das chamadas estratégias adequadas, simplesmente
recrutar pessoas. A chamada, parte primeiramente do coração de Deus,
deve sempre encontrar o caminho rumo ao coração do homem. E no
entanto, exatamente para que chegue aos corações dos homens, é
necessária também a nossa colaboração. Rogar ao senhor da messe
significa certamente, antes de mais nada, rezar para isso, sacudir o
coração e dizer: “Faça-o por favor! Desperte os homens! Acenda
neles o entusiasmo e a alegria pelo Evangelho! Faça-os entender que
este é o mais precioso de todos os tesouros e que quem o descobriu
deve transmiti-lo!”
Nós sacudimos o coração de Deus. Mas o rogar a Deus não se realiza
somente mediante palavras de oração; implica também na transformação
da palavra em ação, para que o nosso coração rogador lance a faísca
da alegria em Deus, da alegria pelo Evangelho, e suscite em outros
corações a disponibilidade a dizer um “sim”. Como pessoas de oração,
repletas da Sua luz, atingimos os outros e, envolvendo-os na nossa oração,
fazemos com que entrem na luz da presença de Deus, que fará então a
sua parte.
Neste sentido queremos sempre e novamente rogar ao Senhor da messe,
sacudir seu coração e tocá-lo com a nossa oração, como também
tocar os corações dos homens para que Ele, segundo a sua vontade, faça
amadurecer neles o “sim”, a disponibilidade e a constância -
através de todas as confusões do tempo, através do calor do dia e
também através da escuridão da noite - de perseverar fielmente no
serviço, haurindo continuamente dele a consciência de que, embora
fadigoso, este esforço é bom, é útil porque conduz ao essencial,
ou seja, a fazer com que os homens recebam o que esperam: a luz de
Deus e o amor de Deus”.
A nossa oração deve então ser de confiança, deve encontrar o coração
de Deus, que é amor infinito.
Na primeira leitura da missa de hoje, podemos perceber que o
Senhor possui um amor que transcende aquele do homem, e mesmo quando
Israel se distanciava de seu amor, para servir outros deuses, o Senhor
afirmava: ‘Eu Sou Deus, e não um homem, por isso o meu coração não
me permite abandonar o meu Filho Israel’.
Na festa da solenidade do Sagrado coração de Jesus, vemos
evidenciada a figura do coração de Deus, que demonstra que Ele é um
Deus que ama incondicionalmelte a obra de suas mãos, de suas
entranhas, por isso este amor de Deus em relação ao homem, na língua
hebraica é ‘Hessed’, que significa, um amor incondicional que faz
com que Deus veja no homem como a carne de sua carne, fruto de suas
entranhas, e ao mesmo tempo é um amor ‘Emet’, amor de aliança,
ou seja, embora o homem o negue e o trai, ele permanece sempre fiel, o
seu pacto de amor é eterno, Ele o Senhor, não muda de idéia e não
volta atrás com o seu amor, embora o homem tente fazê-lo.
O amor de Deus por nós foi tão grande, que Ele decidiu concretizá-lo,
não só criando o homem, mas possuindo um coração físico em Jesus,
um coração humano, capaz de amar divinamente, capaz de ensinar os
homens a amar com o seu amor, e por isso decidiu encarnar-se
como o Salvador, encarnou-se para amar, encarnou-se para nos salvar,
encarnou em sí todo o amor divino a tal ponto que viveu a paixão
estrema de amor por nós, e este amor, foi derramado em nossos corações
por meio do Espírito Santo, ou seja a nós foi dado não só a
capacidade de sentir este amor, mas de responder a este amor, amando,
por isto eis a necessidade de meditarmos cada vez mais na dor, na paixão
e morte de Jesus, para aprendermos a amar e corresponder a este amor.
No evangelho de hoje, escutamos que do coração de Jesus traspassado
na cruz, verteu sangue e água para a nossa salvação, coração este
que é desprezado e maltratado; basta olhar a história, no dia 16 de
junho de 1675, durante a adoração ao Santíssimo Sacramento, Nosso
Senhor apareceu a Santa Margarida Maria Alcoque, e descobrindo seu
Coração, disse-lhe: “Eis o coração que tanto tem amado os
homens e em recompensa não recebe, da maior parte deles, senão
ingratidões pelas irreverências e sacrilégios, friezas e
desprezos que tem por Mim neste Sacramento de Amor”. É triste
perceber que este coração ainda hoje é mal tratado e desprezado,
primeiramente pelos que são mais íntimos do Senhor, os seus
ministros.
Contudo, lemos em Oséias: Israel, ‘desde pequeno eu já te
amava’, e as estas palavras, podemos ajuntar também as palavras do
Senhor ao profeta Isaias: “Eis que teu nome está gravado nas palmas
de minhas mãos!”. O amor do Senhor por nós, foi tão grande que
Ele fez questão de deixá-lo gravado em eterno no seu coração e nas
suas mãos, o nosso nome está gravado mesmo! Por amor Deus deixou-se
crucificar, por amor, deixou que os pregos transpassassem a sua carne,
as suas mãos e pés, por amor a lança feriu o seu lado, e como disse
também o profeta “e nas suas chagas fomos curados”. Isto tudo
para dizer que a palavra chagas na língua grega, significa “typos”,
que significa ‘impressão’, palavra esta que mais tarde com o
desenvolvimento da comunicação em massa com as gráficas, derivou a
palavra “tipografia”, que significa “impressão da escrita”.
Quero dizer com isto que Jesus, por meio de suas chagas, gravou o
nosso nome em suas mãos, dando a sua vida por amor a nós, que o traímos
e o negamos com o nosso pecado continuamente.
Irmãos, devemos orar muito pelos nossos sacerdotes, com a convicção
de que a oração toca o coração de Deus. Um exemplo disto se dá
com a serva de Deus Louise Marguerite Claret de la Touche, que
foi preparada pelo próprio Jesus que lhe apareceu, e a chamou para o
apostolado de renovação do sacerdócio. Ela contou que aos 5 de
junho de 1902, durante uma adoração, aparecera-lhe o Senhor e a
instruiu para este apostolado, diz ela:
“Eu o havia rogado para que Ele me desse algumas almas das noviças
do Mosteiro, que eu pudesse plasmar para Ele. Ele respondeu-me:
‘Dar-te-ei almas de homens’. Fiquei em silêncio pois não
compreendi suas palavras. Jesus acrescentou: ‘Dar-te-ei almas de
sacerdotes. Ainda mais surpreendida por estas palavras, perguntei:
‘Meu Jesus, como o farás?’. Ele então me expôs a obra que
estava preparando e que devia aquecer o mundo com o amor. Jesus
continuou a explicar o seu plano e portanto quis dirigir-se aos
sacerdotes: ‘Como a 1900 anos atrás eu pude renovar o mundo com
doze homens – eles eram sacerdotes – hoje também eu poderia
renovar o mundo com doze sacerdotes, mas deverão ser sacerdotes
santos.”
O Senhor mostrou então para Louise Marguerite a obra em sua plenitude
de santidade, e ela escreveu. “Se o sacerdote quer realizar a sua
missão e proclamar a misericórdia de Deus, deveria em primeiro
lugar, ele mesmo ser invadido pelo Coração de Jesus e deveria ser
iluminado pelo amor de Seu Espírito. Os sacerdotes deveriam cultivar
a união entre si, ser um coração e uma alma e nunca ser obstáculo
uns para os outros, mas pelo contrário, deveriam ser instrumentos de
amor, de colaboração no ministério, uns para os outros, para
possibilitar cada vez mais a fecundidade e a amplitude de alcance de
seus trabalhos apostólicos”.
Termino esta homilia fazendo asceno a uma doutora da Igreja, Santa
Teresa do Menino Jesus, mais conhecida como Santa Teresinha, que
descobriu a sua verdadeira vocação dentro da Igreja, diz ela;
“Comprendi que a Igreja tem um corpo formado de vários membros e
neste corpo não pode faltar o membro necessário e o mais nobre:
entendi que a Igreja tem um coração e este coração está inflamado
de amor.
Compreendi que os membros da Igreja são impelidos a agir por um único
amor, de forma que, extinto este, não mais derramariam o sangue.
Percebi e reconheci que o amor encerra em si todas as vocações, que
o amor é tudo, abraça a todos os tempos e lugares, numa palavra, o
amor é aterno. Então, delirante de alegria, exclamei: Ò Jesus, meu
amor, encontrei afinal minha vocação: minha vocação é o amor.
Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, minha mãe, eu serei o amor e
desse modo serei tudo, e meu desejo se realizará”. E após este
experiência de amor, Santa Teresinha consagrou toda a sua oração
pela santificação dos sacerdotes, e viveu todas as contrariedades e
sofrimentos, consagrando tudo aos missionários.
Que nós sacerdotes, irmãs consagradas e irmãos leigos, e vós povo
aqui presente na Igreja de Deus Pai, possamos neste ano sacerdotal
orar com amor, sendo testemunhas do amor de Cristo Jesus. Que nossa
oração possa ser o sangue que jorra no corpo da Igreja, bombeados
pelo coração de Nosso Senhor. Amém!
"Que o Senhor vos abençoe: "Em nome do Pai e do Filho
e do Espírito Santo" Amém!
Unidos em oração com Maria
Pe. Mateus Maria, FMDJ
Mosteiro Menino Jesus
Fonte:
Recados do Aarão
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