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1/7/2009
Moral - Cavalo
de tróia
Para
que os amigos leitores percebam o caminho tenebroso pelo qual também
a nossa nação está enveredando, trago este artigo muito bem
explicado sobre o ardil do socialismo. De fato, já em 1964 os
comunistas tentaram emplacar aqui o seu regime saguinário, aos moldes
de Russia e Cuba, mas não conseguiram. E assim também outras nações
frustaram o acesso destes demônios ao poder.
Percebendo que as nações odeiam a guerra e o sangue do comunismo,
partiram eles para o "socialismo", que é uma forma disfarçada
de comunismo. Os objetivos de ambos são exatamente os mesmos. A
diferença que o comunismo toma o poder pelo sangue a a força, o
socialismo pelas manhas das falsas leis, os ardís da burocracia, a
fala mansa da serpente viperina. Dom Geraldo explica bem isso.
O mais repuganente neles é que odeiam o capital dos outros, mas o
amam, o idolatram, dele se locupletam e usam e abusam do dinheiro
"público" em benefício próprio. Vejam o que está
acontecendo com o tesouro da nossa nação!
SOCIALISMO: CAVALO DE TRÓIA A SERVIÇO DO COMUNISMO *
D. GERALDO DE PROENÇA SIGAUD, S. V. D.
1. Socialismo e comunismo
D. Sigaud (1909-1999): o socialismo é condenado pelo direito natural,
e não pode haver socialismo cristão.
O socialismo ensina a mesma doutrina marxista que o comunismo. Tem o
mesmo objetivo, a Revolução, e quer a mesma organização econômica
da sociedade. É materialista, rejeita a Religião, a moral, o
direito, Deus, a Igreja, os direitos da família, do indivíduo. Quer
que todos os meios de produção estejam nas mãos do Estado, e
igualmente toda a educação, todos os transportes, as finanças, e
que o Estado seja o soberano senhor de todas as forças da nação.
Deseja a supressão da diferença entre as classes sociais. Também
para o socialismo, a pessoa existe para o Estado, não o Estado para a
pessoa (cf. Leão XIII, Encíclica Rerum Novarum, Edit. Vozes, pp. 5 e
6).
A diferença que há entre os socialistas e os comunistas é uma
diferença de método. Os comunistas desejam a implantação imediata
da ditadura do proletariado para realizar a Revolução. Os
socialistas recorrem a meios "legais" para obter o mesmo
objetivo. Recorrem às eleições, às greves legais, às agitações
sem derramamento de sangue, para conseguir leis de nacionalização,
de ensino laico. Vão fazendo a nação deslizar para o comunismo em
geral sem convulsões violentas. O socialismo é uma rampa pela qual
as nações vão resvalando para o comunismo quase sem perceberem.
2. Socialismo e seus matizes
A vantagem tática do socialismo, para os que dirigem a seita
comunista, é que o socialismo pode tomar coloridos mais suaves. O
comunismo é vermelho-sangue. O socialismo pode ir do rubro ao
cor‑de‑rosa. O comunismo tem dificuldade de se fazer
passar por cristão. O socialismo arranja modos de se dizer cristão,
e assim realizar a Revolução paulatinamente e por etapas.
3. Socialismo cristão
Os fautores da Revolução realizaram esta proeza de enfeitarem o
socialismo com o rótulo de cristão. Com um semblante comovido tais
socialistas cristãos condenam o capitalismo como intrinsecamente mau,
pior do que o comunismo. E com comoção dizem que no comunismo há
muita coisa boa. Seu ódio à América do Norte é violento.
Suas simpatias pela Rússia são difíceis de esconder. Consideram o
capital uma abominação quando nas mãos daquele que o amealhou com
seu suor, mas o acham admirável quando nas mãos do Estado. Têm uma
confiança cega no Estado, e uma desconfiança irremediável da
iniciativa particular. Têm antipatia à ordem desigual e hierárquica
de uma sociedade de classes, e têm prazer de se proletarizar. Mas
confessam‑se e comungam, e se dizem católicos progressistas.
É possível um socialismo cristão?
Sua Santidade o Papa Pio XI já respondeu a esta questão na Encíclica
Quadragesimo Anno: "Se este erro, como todos os mais, encerra
algo de verdade, o que os Sumos Pontífices nunca negaram,
funda‑se contudo numa concepção da sociedade humana
diametralmente oposta à verdadeira doutrina católica. Socialismo
religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém
pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista" (Edit.
Vozes, p. 44, n.° 119).
E se o socialismo for muito moderado? Mesmo neste caso continua
incompatível com o Catolicismo. Pio XI é explicito também neste
ponto. Ouçamo‑lo: "E se o socialismo estiver tão moderado
no tocante à luta de classes e à propriedade particular, que não
mereça nisto a mínima censura? Terá por isto renunciado à sua
natureza essencialmente anticristã? Eis uma dúvida que a muitos traz
suspensos. Muitíssimos católicos, convencidos de que os princípios
cristãos não podem abandonar‑se nem jamais obliterar-se,
volvem os olhos para esta Santa Sé e suplicam instantemente que
definamos se este socialismo repudiou de tal maneira as suas falsas
doutrinas, que já se possa abraçar e quase batizar, sem prejuízo de
nenhum princípio cristão.
Para lhes respondermos, como pede a Nossa paterna solicitude,
declaramos: o socialismo, quer se considere como doutrina, quer como
fato histórico, ou como "ação", se é verdadeiro
socialismo, mesmo depois de se aproximar da verdade e da justiça nos
pontos sobreditos, não pode conciliar‑se com a doutrina católica,
pois concebe a sociedade de um modo completamente avesso à verdade
cristã" (Encíclica Quadragesimo Anno, Edit. Vozes, p. 43, n.°
117).
Realmente, Deus estabeleceu uma ordem natural, que não é licito ao
homem violar, e a esta ordem pertencem dois pontos que todo socialismo
viola. São os seguintes:
a) O papel subsidiário do Estado. O Estado não existe para absorver
ou substituir os indivíduos, as famílias e as associações, mas
para realizar as tarefas que estes elementos não podem realizar por
si mesmos. Assim João XXIII, na Encíclica Mater et Magistra:
"Essa ação do Estado, que protege, estimula, coordena, supre e
complementa, apóia‑se no "princípio de subsidiaridade"
(A. A. S., XXIII, 1931, p. 203), assim formulado por Pio XI na Encíclica
Quadragesimo Anno: "Permanece, contudo, firme e constante na
filosofia social aquele importantíssimo princípio que é inamovível
e imutável: assim como não é lícito subtrair aos indivíduos o que
eles podem realizar com as próprias forças e indústria para confiá‑lo
à coletividade, do mesmo modo passar para uma sociedade maior e mais
elevada o que sociedades menores e inferiores poderiam conseguir, é
uma injustiça ao mesmo tempo que um grave dano e perturbação da boa
ordem. O fim natural da sociedade e de sua ação é coadjuvar os seus
membros e não destruí-los nem absorvê‑los" (ibid., p.
203) (apud "Catolicismo", n.° 129, de setembro de 1961).
b) O indivíduo, as famílias, as associações têm direito de
possuir bens de raiz, bens móveis e bens produtivos. O Estado não
pode açambarcar estes bens para si. Os homens têm o direito e o
dever de proverem às suas necessidades, e o Estado não pode se
arvorar em Providência e suprimir este direito ou substituir‑se
a este dever.
Por isto tudo, o socialismo é condenado pelo direito natural, e não
pode haver socialismo cristão.
4. A Igreja primitiva foi comunista? As ordens religiosas são
comunistas?
Amados Filhos, provavelmente já tereis ouvido ou lido afirmarem que a
Igreja primitiva foi comunista e que as atuais Ordens Religiosas o são.
Depois do que dissemos a respeito do marxismo, compreendereis que
somente um ignorante ou uma pessoa de má fé pode afirmar uma
monstruosidade tal.Mas, mesmo se abstrairmos do marxismo, nem a Igreja
primitiva praticou, nem as Ordens Religiosas praticam o comunismo.
Vede bem que o essencial do comunismo é a negação do direito de
propriedade.
Ora, examinemos sob este aspecto a Igreja primitiva. Levadas da
vontade de seguir de perto o exemplo do Divino Mestre e realizar os
conselhos evangélicos, várias famílias cristãs de Jerusalém
resolveram viver no voto de pobreza. Para isto venderam tudo o que
tinham e entregaram o dinheiro aos Apóstolos para que com ele fosse
mantida a comunidade. Notai bem: os indivíduos desta comunidade
renunciavam a seus bens porque queriam. Quem não quisesse viver na
pobreza, não precisava. Assim disse São Pedro a Ananias:
"Conservando o campo, ele não ficava teu? E vendendo‑o, não
dependia de ti o que farias com o dinheiro?" (At. 5, 4).
A Igreja permitia que os que quisessem viver sem possuir nada
pessoalmente, o fizessem. Mas, de um lado, isto era livre; de outro, o
imóvel ou o dinheiro apurado passava a ser propriedade da comunidade.
Ficava pois de pé o direito de propriedade da comunidade; não era
negado nem transferido ao Estado.
Para desiludir os comunistas utópicos, devemos dizer que a primeira
tentativa de realizar o ideal da pobreza não foi bem sucedida.
Consumidos os capitais apurados na venda dos imóveis, criou‑se
em Jerusalém uma situação difícil, e foi preciso as outras
comunidades cristãs enviarem periodicamente esmolas para Jerusalém a
fim de sustentarem os irmãos que tinham renunciado a seus bens.
Verificou‑se que o voto de pobreza só é possível junto do
voto de castidade, e que o estado de pobreza evangélica não é possível
quando há família, mulher e filhos. Para pessoas casadas o caminho
da santidade está no trabalho e na reta administração das riquezas
temporais. Mais tarde a Igreja retomou a experiência, primeiro com
indivíduos isolados, os anacoretas, depois com pequenas comunidades
de eremitas, os cenobitas; só depois que raiou a liberdade para o
Cristianismo é que dois grandes Santos organizaram a vida de pobreza
evangélica aliada à obediência e à castidade: no Oriente, São Basílio;
no Ocidente, São Bento. Mas, se o monge renuncia a toda propriedade
pessoal, o mosteiro passa a ser o proprietário. Verifica‑se o
que se dá muitas vezes na família: se os indivíduos não são
donos, a família é a proprietária.
Vejamos agora o valor que tem a afirmação de que as Ordens
Religiosas são comunistas ou socialistas. Ninguém afirmará que as
doutrinas filosóficas, sociológicas, teológicas do comunismo se
encontram realizadas nas Ordens Religiosas. Tal afirmação é tão
absurda, que ninguém a tomaria a sério. Restaria então o tipo de
vida econômica das Ordens Religiosas. Perguntamos: o tipo de vida
econômica que o comunismo pretende implantar é aquele que as Ordens
Religiosas realizam há tantos séculos? Para respondermos com clareza
a este absurdo, que no entanto se repete com enfadonha monotonia,
vamos analisar um pouco mais de perto o tipo de vida econômica das
Ordens Mendicantes. É sabido que são elas que realizam o ideal de
pobreza evangélica mais absoluto entre as comunidades religiosas.
Verificado que nelas não há sombra do tipo econômico comunista,
fica provado que as outras Ordens e Congregações, em que o tipo de
pobreza é mais suave, a fortiori não podem ser tachadas de
comunistas.
Nas Ordens Mendicantes mais rigorosas, não só os Religiosos
individualmente nada possuem de próprio, mas nem mesmo a Ordem, as
Províncias ou conventos são os titulares das propriedades. Em lugar
deles a Santa Sé ou a Diocese são os proprietários formais. A
administração dos bens destinados à Ordem, à Província ou ao
convento é realizada por pessoas nomeadas pela Santa Sé ou pela
Diocese. Mas, se a propriedade não é nominalmente da Ordem, etc., os
frutos do patrimônio que existir, ou as esmolas dadas pelos fiéis,
se aplicam formalmente à manutenção daquele convento e daquela
comunidade para que são destinados. Assim, os Religiosos não têm os
ônus da propriedade e de sua administração, caridosamente
suportados pela Autoridade Eclesiástica, mas têm as rendas necessárias
para se manterem. É a realização da pobreza de Cristo e da fé na
Providência. É o "nihil habentes, et omnia possidentes" de
São Paulo (2 Cor. 6, 10 ) .
Assim, as Ordens Mendicantes são a mais formal refutação do
comunismo. Porque:
a) A renúncia às propriedades é uma afirmação clara da existência
do direito de propriedade, pois ninguém renuncia seriamente ao que não
existe.
b) Cada comunidade e cada Religioso tem o direito de viver dos frutos
do patrimônio e das esmolas que tocam ao convento, e que são
administrados pela Autoridade Eclesiástica em favor da comunidade, e
não arbitrariamente.
c) O Religioso renuncia ao direito de propriedade voluntariamente. O
comunismo nega este direito e confisca as propriedades violentamente.
d) O Religioso abraça a pobreza voluntária para melhor seguir a
Nosso Senhor Jesus Cristo e santificar melhor sua alma na esperança
da vida eterna. O comunismo diz que destrói a propriedade particular
para proporcionar a todos os homens a maior soma de prazeres nesta
terra, uma vez que não existe a vida eterna.
e) Na realidade, a pobreza voluntária dos Religiosos os leva a maior
liberdade no serviço de Deus. O comunismo, prometendo a maior soma de
prazeres, realmente tem por fim escravizar os homens, e depois, por
meio da fome, obrigá‑los à total apostasia de Deus.
f) A pobreza voluntária das Ordens Religiosas serve a Deus. O
comunismo serve a Satanás.
Concluindo, devemos pois dizer que a afirmação de que as Ordens
Religiosas realizam o tipo econômico do comunismo é uma verdadeira
blasfêmia.
_________
* Carta Pastoral Sobre a Seita Comunista – seus erros, sua ação
revolucionária e os deveres dos católicos na hora presente. D.
Geraldo de Proença Sigaud, S. V. D. Publicada em 6 de janeiro de 1962
na cidade de Diamantina, MG. 2º. Edição, Editora Vera Cruz, São
Paulo, 1963. Cap. IV, pp. 94-1014.
http://www.ternuma.com.br/sigaud.htm
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