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24/02/2008
Deus
DOGMAS
SOBRE DEUS:
Deus é aquele que É. Deus não tem explicação! Deus não se
estuda, a Ele se vive pela fé. Mas ao homem, é certamente dado
conhecer com absoluta certeza da existência de Deus, e isso se faz
pelas obras visíveis da criação. A razão natural permite ao homem
ao menos penetrar na fímbria deste tão grande mistério, ainda aqui
nesta terra, porque depois, na eternidade, este conhecimento virá de
imediato.
Nós vivemos e acreditamos em Um só Deus, em três Pessoas
absolutamente distintas. Este mistério supremo é ininteligível ao
homem, e nem adianta raciocinar sobre ele. Tudo o que se conseguirá são
apenas confusões e erros. Deus Se revelou nas Escrituras, e isso nos
deve bastar para crer nele.
Toda esta matéria que segue é compilada por Dercio Antonio
Paganini
(Formatação, Maria)
1. A EXISTÊNCIA DE Deus
Possibilidade de reconhecer a Deus como a única luz da razão
natural
- O concilio Vaticano I (1869-1870), sob Pio IX (1846-1870), declarou:
· "Se alguém
disser que Deus vivo e verdadeiro, criador e Senhor nosso, não pode
ser reconhecido com certeza pela luz natural da razão humana por meio
das coisas que foram feitas, seja excomungado." (Dz. 1806). "A
mesma Santa Mãe Igreja sustenta e ensina que Deus, princípio e fim
de todas as coisas, pode ser reconhecido com certeza pela luz natural
da razão humana partindo das coisas criadas." (cf. Dz.
1785).
O Concilio apresenta os seguintes elementos:
a. O objeto de nosso conhecimento é
Deus uno e verdadeiro, Criador e Senhor nosso; é portanto um Deus
distinto do mundo e pessoal.
b. O princípio subjetivo do
reconhecimento é a razão natural em estado de natureza caída.
c. Os meios do reconhecimento são as
coisas criadas.
d. Esse reconhecimento é de per si
um reconhecimento certo.
e. E é possível, ainda que não
constitua o único caminho para chegar a conhecer a Deus.
Provas da Escritura:
· "Pela grandeza e
formosura das criaturas, por racionalidade se chega a conhecer ao
Criador delas" (Sab.13,1-9.15).
· "Porque desde a
criação do mundo, a invisibilidade de Deus, Seu eterno poder e Sua
divindade são conhecidos através das criaturas, de modo que são
inescusáveis" (Rm 1,20).
A idéia de Deus não é inata em nós, mas temos a capacidade para
conhecê-Lo com facilidade, e de certo modo espontaneamente por meio
de Sua obra.
2. A EXISTÊNCIA DE DEUS COMO OBJETO DE FÉ
A existência de Deus não apenas é objeto do conhecimento da razão
natural, mas também é objeto da fé sobrenatural
- Segundo o Concílio Vaticano I (1869-1870), sob Pio IX
(1846-1878), declarou em 24 de abril de 1870:
· "A Santa Igreja
Católica Apostólica e Romana, crê e confessa que existe um único
Deus Verdadeiro" (Dz. 1782).
Este mesmo Concílio condenou como herética a negação da existência
de Deus:
· "Se alguém negar
que apenas Deus é o Verdadeiro Criador e Senhor das coisas visíveis
e invisíveis, seja excomungado" (Dz. 1801).
Provas da Escritura:
A fé na Escritura de Deus é condição indispensável para a salvação:
· "Sem a fé é
impossível agradar a Deus, pois é preciso que quem se acerque de
Deus creia que Ele existe e que é remunerador dos que O buscam"
(Hb 11,6)
A revelação sobrenatural da existência de Deus confirma o
conhecimento natural de Deus, faz com que todos possam conhecer a
existência de Deus com facilidade. Não existe contradição no
sentido de que uma pessoa possa temer ao mesmo tempo a ciência e a fé
da existência de Deus, já que, em ambos os casos, o objeto formal é
diverso:
Evidência Natural X Revelação Divina
Ao primeiro chegamos pela razão natural e, ao segundo, pela razão
ilimitada da fé.
3. A UNICIDADE DE Deus
Não existe mais que um único Deus
- O concílio de Latrão (1215), sob Inocêncio III (1198-1216)
declarou:
· "Firmemente
cremos e simplesmente confessamos que Deus é apenas Um" (Dz.
428). "A santa Igreja Católica Apostólica romana crê e
confessa que existe um único Deus Verdadeiro e Vivo" (Dz.
1782).
Provas das Escrituras:
· "Ouve Israel,
Iaveh é nosso Deus, apenas Iaveh" (Dt 6,4).
· "Sabemos que o ídolo
não é nada no mundo e que não existe mais que um único Deus."
(1 Cor. 8,4).
· v. tb. At 14,14; 17,23;
Rm 3,39; Ef 4,6; 1Tim 1,17; 2,5.
Os Santos Padres provam a unicidade de Deus por Sua perfeição
absoluta e pela unidade da ordem do mundo. Diz Tertuliano:
· "O Ser Supremo e
Excelentíssimo precisa ser único, e não pode haver igual a Ele,
porque se não for assim, Ele não seria o Ser Supremo, e como Deus é
o Ser Supremo, com razão diz nossa verdade Cristã: Se Deus não é o
Único, não há nenhum Deus"
São Tomás [de Aquino] deduz especulativamente a unicidade de Deus
devido à Sua simplicidade, da infinidade de Suas perdições e da
unidade do universo (S.Th. I,11,3).
A história comparada das religiões nos ensina que a evolução
religiosa da humanidade não passou do politeísmo ao monoteísmo, mas
sim, ao contrário, ou seja, do monoteísmo ao politeísmo (cf. Rm
1,18). Se opõe a este dogma básico do Cristianismo o politeísmo dos
pagãos e o dualismo agnóstico-maniqueista que supunha a existência
de dois princípios não criados e eternos.
4. DEUS É ETERNO
Deus não tem princípio nem fim
- O Concílio IV de Latrão e o Concílio Vaticano atribuem a
Deus a eternidade:
· "Firmemente
cremos e simplesmente confessamos que apenas um é o Verdadeiro Deus
eterno..." (Dz. 428). "A Santa Igreja Católica,
Apostólica Romana crê e confessa que existe um único Deus
Verdadeiro, Vivo, Eterno, Imenso, Incompreensível, Infinito em Seu
entendimento e vontade e em toda perfeição" (Dz. 1782).
O Dogma diz que Deus possui o Ser Divino sem princípio nem fim, sem
sucessão alguma, em um agora permanente e indivisível.
Provas das Escrituras:
· "Antes que os
montes, a terra e o universo tivessem sido criados, Tu existíeis
desde a eternidade até a eternidade" (Sl 89,2).
· "Antes que Abraão
nascesse, eras Tu" (Sl 2,7; Jo 8,58).
Especulativamente, a eternidade de Deus se demonstra por sua absoluta
imutabilidade; a razão última da eternidade de Deus é a plenitude
absoluta de um ser que exclui toda potencialidade e, portanto, toda
sucessão (S.Th. I,10,2-3).
5. SANTÍSSIMA TRINDADE
Em Deus há três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo; e cada uma
delas possui a essência divina que é numericamente a mesma
- O Concílio de Latrão (1215), sob Inocêncio III (1198-1216)
diz:
· "Firmemente
cremos e simplesmente confessamos que apenas um é o Deus Eterno,
Verdadeiro, Imenso, Imutável, Incompreensível, Onipotente e Inefável;
Pai, Filho e Espírito Santo; três pessoas certamente, mas uma só
essência, substância ou natureza absolutamente simples. O Pai não
vem de ninguém, O Filho apenas do Pai, e o Espírito Santo de Um e de
Outro, sem começo, sempre, e sem fim" (Dz.428).
O dogma da Trindade é declarado por este Concílio, mas o Concílio
de Florença (1438-1445), sob Eugênio IV (1431-1447), apresentou um
compêndio desta doutrina que pode ser considerada como a meta final
da evolução do dogma:
· "Por razão desta
unidade, o Pai está todo no Filho todo no Espírito Santo; o Filho
está todo no Pai e todo no Espírito Santo; o Espírito Santo está
todo no Pai e todo no Filho. Nenhum precede ao outro em eternidade, ou
o excede em grandeza, ou o sobrepuja em poder..." (Dz. 704).
Provas das Sagradas Escrituras:
· No Antigo Testamento fica
subentendida a alusão ao mistério da Trindade:
· "Façamos ao
homem..." (Gn 1,26).
· "Disse-me Iaveh:
Tu és Meu Filho hoje Te gerei" (Sl 2,7).
· No Novo Testamento:
· "O Espirito Santo
virá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com Sua sombra,
e por isto, o Filho criado será Santo, será chamado Filho de
Deus" (Lc 1,35) - Espírito Santo, Altíssimo e Filho do Altíssimo.
· "Viu o Espírito
Santo de Deus descer como pomba e vir sobre Ele, enquanto uma voz do céu
dizia: 'este é Meu Filho Amado, em Quem tenho Minha complacência'"
(Mt 3,16ss).
· "Ide, pois, e
ensinai a todas as gentes, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo" (Mt 28,19).
Onde é revelado claramente o mistério da Trindade é em Mt 28,19.
Assim como o homem pode por sua única razão descobrir a um Deus Uno,
ao conhecimento de um Deus Trino não poderá chegar senão através
da Divina Revelação.
Em Deus, a ação de entender, o mesmo que a de amar, se identificam
com sua própria essência divina, pois seu entender e seu querer
constituem um mesmo Ser. Por isso, nos dois procedimentos divinos, ou
seja, que dá origem ao Filho por via de geração, e a que dá origem
ao Espírito Santo por via de amor procedente do Pai e do Filho, não
se dá sucessão alguma, nem por prioridade nem por posteridade... são
eternas com a mesma eternidade de Deus.
O Pai, com efeito, vendo refletido em sua própria essência a Seu
Verbo Divino, que é a Imagem perfeitíssima de Si mesmo, O ama com um
amor sem limites. E o Verbo, que é a Luz do Pai, Seu Pensamento
eterno, Sua Glória, Sua Formosura, o Esplendor de todas Suas perfeições
infinitas, devolve a Seu Pai um amor semelhante, igualmente eterno e
infinito. E ao encontrarem-se as correntes do amor que brota do Pai
com aquela que vem do Filho, salta, por assim dizer, uma torrente de
chamas que é o Espírito Santo, amor único, ainda que é mútuo,
vivente e subsistente, abraço inefável, vínculo que completa ao Pai
e ao Filho, na unidade do Espírito Santo (v. "Perfeição
Cristã", de Roe Marin, p. 53).
Fonte: Recados do
Aarão
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