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Dezembro 2005
Já
coloquei anteriormente um texto sobre este assunto, na 3ª
Montanha,
quando falei do confiar em Deus. Há ali um texto completo, com
amostras e exemplos do confiar, mas por algum motivo meu coração me
manda escrever sobre o Salmo 61: Confiança Absoluta! Parece,
então que aquele primeiro “Confiar” ainda não foi
suficientemente claro. E então peço a Deus que me ilumine neste mais
profundo e perfeito confiar, de modo absoluto, porque sinto isso em
meu coração. Realmente é coisa de raiz que se aprofunda cada vez
mais, à medida que vem a tempestade. E quanto mais ligados em Deus,
menos dores...
Vejam: quem não teme uma tempestade? Com seus raios
fulminantes, seus ribombos vibrantes e estremecedores! Até os mais
corajosos tremem as pernas, e se arrepiam quando ouvem o som de algum
trovão. A primeira particularidade interessante é que a gente teme e
treme diante do trovão, mas o trovão não faz mal a ninguém. Ora,
quem mata é o raio. E este assusta só um pouco a gente, mas quem o
ouve já não precisa temer o trovão, porque está vivo, não é
verdade? Quem vê o raio e não ouve o trovão, ou é surdo, ou já
era, como se diz. Ou seja, muitas vezes os homens temem a
coisa errada, e dão valor maior a aquilo que é inofensivo. Um
simples ribombar de trovão!
Mas insisto no trovão, no raio fulminante, como forças
demonstrativas do poder de nosso Bom Deus. E me pergunto: como pode
Alguém ser tão infinitamente poderoso, e ao mesmo tempo tão terno,
com tom até de humildade? Quem pode com um raio? Nem o mais poderoso
dos homens, nem a mais perfeita das máquinas o pode conter. Ambos –
homem ou máquina – se acertados em cheio por um deles, se reduzem a
simples fumaça e pó. São pulverizados. Mesmo assim está dito: Ao
fragor de Vosso trovão, os povos fogem e quando Vós vos ergueis, as
nações se dispersam (Is 33, 3). Ou seja, em Deus, até mesmo
aquilo que é inofensivo assusta, sim aos que têm o Santo Temor.
Mas, embora poderoso e terrível, que é um simples raio,
diante da Onipotência infinita de Deus? Ainda que você multiplique
por bilhões o poder de e a força demolidora de um raio, ainda assim,
isso será simples sombra diante da força do Altíssimo.
Muitos outros exemplos eu já dei do poder de Deus, de Sua força,
entretanto nada me parece suficiente para explicar a realidade, até
porque Deus é inexplicável. Então porque falo nesta Força
Inaudita, neste Poder Supremo? Porque definitivamente, nós estamos em
suas bondosas e carinhosas mãos. Os extremos infinitos, se tocam num
só, e mesmo Senhor.
Falemos agora no oposto, de coisas simples, tênues, macias...
Quem sabe, em algo invisível? Tomemos o ar como exemplo. Você já
pensou no quanto o ar é importante para a gente? De fato, sem ar
temos apenas alguns segundos de vida, um minuto, quem sabe? Pois o ar
vem de Deus! É como se Deus estivesse nele, e O respirássemos. E tal
como necessitamos do ar para viver, muitos mais ainda,
necessitamos do próprio Deus... que fez o ar... e que nos fez também!
Então devemos sorver a Deus, como sorvemos o ar.
Vimos então, o inaudito, o colossal... onde está Deus! Depois
vimos também o leve, o invisível... onde também Ele está. Em toda
parte Ele está, embora não seja nada disso que mostramos. E se O
vemos no estupendo e no grandioso, também nos simples e no invisível,
a pergunta é simples: Qual a chance que temos de nos livrar Dele?
Sim, quem o quiser fazer? Eu não! A resposta é: nenhuma!
Então somos escravizados automaticamente por esta Força, e não
nos dado qualquer outra alternativa? De não dependermos Dele, não! Não
existe possibilidade alguma, nem nunca haverá, de não depender
de Deus. Mesmo os ateus e atoas, mesmo os hereges e os maus, mesmo os
obstinados e teimosos, mesmos aqueles que neguem a Deus, até o limite
último de sua podre existência, mesmo estes, precisam de Deus para
existir. Não há como prescindir de Sua força, seu Poder, e seu
Amor... Sem morrer! Sem desaparecer!
Já quanto ao desprezarmos a Deus, sim, em nosso coração
arrogante, isso é possível, porque faz parte de nossa gloriosa
liberdade. O homem pode sim, quebrar este vínculo – não de ser
Dele dependente fisicamente para existir – mas no desejo e na
vontade sim. Em sua alma teimosa, sim! Mas isto não é atitude de bom
senso, e sim de desvario! Isso não é obra da inteligência, mas de
loucura. Isso é ser ridículo, é ser Dom Quixote, como guerrear com
os moinhos de vento. É ser um tolo e quimérico colecionador de
estrelas.
Qual então, a atitude de esperteza, para não dizer obra
excelente de Sabedoria? Se não podes com um inimigo, te junta com
ele, diz o ditado popular. Num sentido diferente, mas que o leitor
entenderá como exemplo, se não puderes com Deus, te junta com Ele.
Isso é ser ter uma gota de sabedoria. É ser, também, inteligente!
Que será tão néscio a ponto de ser escravo do grão de pó, quando
pode ser sacerdote, profeta e rei do infinito?
Entretanto, é preciso saber que não se pode enganar a Deus
com ardis e tramas. Com meios termos e subterfúgios! Com Ele, só
existe um modo de SER: é ser inteiro! Corpo, mente e espírito!
Coração e alma, sentimentos e pensamentos, expressões e afetos,
palavras e ações, desejos, amor acima de tudo e de todos. Ar que se
respira, comida de que se alimenta, força que dá a vida, hálito que
sustenta, enfim dar-lhe até o extremo último de nós: a vontade! Sim,
nossa preciosa vontade, a única coisa que realmente é nossa, e não
pertence a Deus. “Ninguém pode pertencer de coração a dois
senhores”.
Como você viu, para você chegar a este extremo de liberdade,
é preciso entender o infinito de Deus, e o abismo de nossa infinita
miséria. É preciso entender que Ele é tudo e não somos nada. É
preciso conhecer minimamente a Deus, só então se poderá ama-Lo, na
conta última de nosso amor. E somente quem O conhece na justa
profundidade, é então capaz de CONFIAR Nele, de forma absoluta,
consciente e livre, mas inarredável.
Eu falei em liberdade acima, e deixei de propósito em aberto,
porque o amigo poderá se perguntar: como, liberdade? Se não tenho
alternativas de fugir desta presença, se não posso me libertar das
ameias que me prendem a Deus, pois sem Ele não consigo viver, como
posso ser livre Nele? Eis aí o grande segredo da verdadeira
Liberdade, aquela que vem do Criador, o Pai Perfeito, Eterno e Bom:
Mergulhar profundamente em Deus é a mais extrema e perfeita forma de
liberdade que existe. Mergulhar num abismo de Amor. Porque este abismo
não tem fim! Isto se chama confiança absoluta.
Mas, deixemo-nos conduzir pela boca do Salmista o Rei Davi! Ele
que falava pela boca do próprio Deus! Quem sabe assim conseguiremos
entender este abismo de liberdade, que gera a confiança absoluta
em Deus. O Salmo é o 61. Salmo
61, 1Ao mestre de canto. Segundo Iditum. Salmo de
Davi.*2Só em Deus repousa minha alma, só dele me vem a
salvação. 3Só ele é meu rochedo, minha salvação;
minha fortaleza: jamais vacilarei.
Um dia, transformei isso em versos de um canto: Só em Deus
eu encontro refúgio! Só em Deus eu encontro a Paz. Só em Deus,
alegria infinita... A minha alma, feliz, se compráz! Quando a
gente lê estes versos de Davi, parece que nossa alma vai se inundando
de uma paz inefável, de um doce carinho, de uma ternura inexplicável,
e a gente sente a alma se encher da mais perfeita calma e paz. Saber
que NADA, absolutamente nada, nos atingirá, nem de leve, sem que Deus
o permita, nem um sopro de brisa, é algo que chega a nos assustar, e
devemos meditar profundamente nisso. 61,4
Até quando, juntos, atacareis o próximo para derribá-lo
como a uma parede já inclinada, como a um muro que se fendeu?
Os homens são estúpidos quando afrontam a
Deus, quando atacam seus irmãos e filhos do mesmo Pai, que ama a
todos indistintamente. É loucura a revolta, loucura a afronta,
loucura a rebeldia, loucura a teimosia em negar a Onipotência de
Deus, até porque, negar ao próprio Deus, é negar-se a si mesmo.
Isso é niilismo estúpido! 61,
5 Sim, de meu excelso lugar pretendem derrubar-me; eles
se comprazem na mentira. Enquanto me bendizem com os lábios, amaldiçoam-me
no coração.
Eis aqui a espada contra os corações divididos, aqueles que
tentam a Deus jogando com cartas marcadas. Ou você é inteiro de
Deus, ou pertence ao mundo, não existe o meio querer, o meio amar, o
meio pertencer. Ó, os fingidos, aqueles que rezam apenas para
aparecer, ou pedir favores pessoais, financeiros, riqueza, para depois
desprezarem a Quem os serviu. Tem disso! Negociam escandalosamente!
Isso é tentar a Deus, é querer derruba-Lo do seu Trono Eterno, como
Lúcifer o quis fazer um dia. E vejam no que deu! 61,
6 Só em Deus repousa a minha alma, é dele que me vem o
que eu espero. 7Só ele é meu rochedo e minha salvação;
minha fortaleza: jamais vacilarei. 8Só em Deus encontrarei
glória e salvação. Ele é meu rochedo protetor, meu refúgio está
nele.
Só quem confia plenamente, sem qualquer retenção de afetos,
com toda a força de seu coração e a explosão de sua alma, jamais
vacilará. É isso que devemos buscar, ainda antes da tempestade, então
ela se mudará em calmaria, mesmo em meios aos ventos de terror. Façamos
esta experiência que é impressionante. Se nos despirmos de qualquer
tipo de orgulho ou de mérito pessoal, será exatamente em meio à
tormenta que nós todos sentiremos em maior profundidade o amor a
Deus. Vocês verão isto! Vi isso, senti isso, e descrevi naquele
artigo: O caos! Deus será o único refugio possível naquele dia!
61,
9 Ó povo, confiai nele de uma vez por todas; expandi,
em sua presença, os vossos corações. Nosso refúgio está em Deus.
Os homens na realidade tentam se furtar à evidência de Deus,
fato que pode ver pelas obras do Criador. Então retêm seu coração
na dúvida, ou na esperança de que é possível viver sem Ele. Bilhões
já tentaram isso sem sucesso, não seremos nós os únicos a
descobrir esta fresta, por onde escapar das mãos de nosso Criador. E
afinal, se o fizéssemos, em que isso daria senão no vazio completo?
Então por que escapar? 61,
10 Os homens não passam de um sopro, e de uma mentira
os filhos dos homens. Eles sobem na concha da balança, pois todos
juntos são mais leves que o vento.
Aqui chegamos ao que realmente somos, e não passamos disso: um
sopro! O sopro é aquele ar que falei no começo! Ar que precisamos
para viver, como precisamos ainda mais do Deus que faz o ar. Se nos
for negado este sopro, morremos na mesma hora, e uma das mortes mais
agoniadas e doloridas. E não passamos de vento, de brisa leve que
passa e todos os homens juntos, são como uma pluma que esvoaça. Sem
Deus ela não tem rumo e bate em qualquer coisa, e fica jogada em
qualquer canto. Com Ele, temos destino, somos algo, e isso apenas
porque Ele o quer. Como se revoltar contra todo este Poder? 61,
11 Não confieis na violência, nem espereis vãmente no
roubo; crescendo vossas riquezas, não prendais nelas os vossos corações.
Eis o deus moderno erigido pelo homem: o dinheiro, a riqueza, o
poder, a fama, o lucro, o ter exacerbado e insaciável. É esta a
maior prova da loucura do homem. De que nos adianta ganhar o mundo
inteiro, se levamos no caixão apenas umas gotas de ar, que logo
se torna pestilento no fundo da terra? E mesmo que este caixão fosse
de ouro, como os sarcófagos dos faraós, de que adiantaria, se o
homem não consegue acrescentar, com todas as suas riquezas, sequer um
segundo ao tempo de seus dias? Prender, então – os nossos corações
– nas riquezas, e confiar nelas é loucura. Sabedoria é trocar toda
esta riqueza, por um sopro, um bafejo, um único suspiro do Amor de
Deus. Ele vale mais! 61,
12 Numa só palavra de Deus compreendi duas coisas: a
Deus pertence o poder, 13 ao Senhor pertence a bondade.
Pois vós dais a cada um segundo suas obras.
Na realidade, estas duas constatações dizem tudo. Porque a
quem pertence o Poder, tudo pertence. A quem pertence a Bondade, o
Amor, tudo é Dele. Nossas obras de amor é que irão ditar o Poder
com o qual Deus nos irá amparar, proteger, guardar e salvar. O Amor
que devotarmos a Deus, é que irá determinar – milimetricamente –
o Amor com o qual Ele nos abraçará.
Ora, todos desejamos cair nos braços do Pai, um dia destes...
Mas tenham certeza, o abraço Dele – embora sempre inefável,
carinhoso e terno – jamais será igual para todos. Deus seria
injusto se distribuísse e premiasse injustamente. Quem muito amar, e
confiar muito mais receberá do Amor. Quem levar este seu amor a uma
adoração permanente e profunda, com toda certeza receberá o
equivalente em progressão de afetos eternos.
Não só isso: Como Deus não se deixa vencer em generosidade,
Ele costuma premiar os que amam, com medidas cheias e calcadas, com
peso duplicado e até centuplicado. A progressão é geométrica. Quem
determina o índice do afeto Eterno, somos nós. Cada um de nós! Mas
a gente não deve fazer isso em vista simplesmente do prêmio e sim,
em vista da migalha que nos sobrar, como os cãezinhos que comem as
fagulhas que caem da mesa do dono. E são felizes, porque têm
alimento. Os que não confiam em Deus, nem isso têm!
Mas os homens – que não passam de um sopro – e falo em
especial dos arrogantes, eles se revoltam contra a natureza das
coisas, obstinando seus corações no mal, porque criticam não
existir uma possibilidade de se dar bem, longe de Deus.
E mesmo tendo a absoluta certeza de que isso é impossível, ainda
assim não desistem. E tentam se livrar Dele, desviando-se pelos
caminhos do mundo, onde quem manda – embora rastejando, e nunca será
diferente – é a serpente asquerosa, aquela maldita e da perdição
eterna.
Toda a felicidade deste mundo, tudo aquilo que é possível se
conseguir de alegria e de paz nesta terra, só será perfeita se
buscada em Deus. Se tida Nele e com Ele! Sim, milhões de homens e
também de mulheres, vão buscar esta felicidade nas coisas do mundo,
coisas finitas, coisas que duram apenas um lampejo da eternidade. Mas
este é o caminho dos infelizes! Toda a paz e toda a alegria que vem
do mundo – e de satanás – é pretensa alegria, é falsa paz. Ela
não dura mais que uma centelha, um átimo de tempo.
Por qual motivo os homens parecem insaciáveis na busca da
riqueza, do poder, e também do divertimento, ou da adrenalina? Porque
o mundo não satisfaz! Nunca, jamais ele satisfará! Não adianta
tentar! É tempo perdido! Olhem ao vosso redor, observem as pessoas,
buscando insaciáveis o divertimento, o esporte agressivo, a
adrenalina das coisas radicais e desafiadoras. E cada vez mais
radicais e cada vez mais desafiadoras. Que colocam não só a vida em
risco, mas também a própria alma. De que vale isso?
Que acontece com estes? Morrem infelizes, todos eles! Basta que
caiam no ostracismo, que ninguém mais se lembre deles – os ídolos
deste mundo – e já caem em depressão profunda, e morrem, e
fenecem, como aquela figueira sem frutos que Jesus menciona no
Evangelho. Estas pessoas, em sua absoluta maioria, vivem longe de
Deus. Aliás, não têm tempo para Deus, justamente por isso é que
satanás programa tantos campeonatos, para cada esporte, para cada
faixa de idade. Para que esqueçam de Deus. Para que eles nunca tenham
sossego, nem jamais encontrem a verdadeira paz. De que vale isso para
o eterno?
E então morrem longe do Amor. Árvores sem frutos,
amarelecidas pelo sofrimento de estar distante da ternura eterna. São
árvores que não provaram da brisa inefável com que o Criador
acaricia os que vivem Nele, mas que viveram sendo varridas e
reviradas, pelos vendavais que antecedem a tempestade, ou pelos ventos
quentes que sopram do deserto humano. Eles não têm a paz de quem
confia plenamente em Deus. Não têm o sossego de quem ama a Deus
acima de tudo e de todos, e a Ele se entrega!
Quem já não andou por estes vendavais tempestuosos? Quem de nós,
alguma vez, já não experimentou livrar-se das amarras que nos
prendem ao Criador? Como pequenos vermes inconseqüentes? Quem de nós
se deu bem nesta empreitada? Todos os que hoje vivem e pulsam os
caminhos de salvação, todos, a quem o Espírito Santo convidou para
o banquete da vida, todos a quem Deus arrancou do deserto interior, da
secura das almas para as fontes de águas tranqüilas e refrescantes
– só quem confia em Deus a encontra – devem agradecer dia e noite
por isso, nada de mérito, tudo dom... tudo um mistério!
Meu pensar já correu milhares de vezes pela vida dos ricos,
dos famosos, dos grandes deste mundo, dos belos, dos ídolos, dos
grandes atores e grandes desportistas, dos reis e dos cheios de títulos,
dos doutores e dos mais inteligentes, de todos aqueles que afinal
deveriam ter tudo para serem felizes, aqui e para sempre. São os que
confiam nos homens e confiam no mundo. Sabem o que eu encontrei? Falo
em quase todos, com raríssimas exceções? Apenas tristeza interior,
vazio da alma, secura de coração, coisas que levam ao envelhecimento
precoce, a um fim de esquecimento e inglório. A um triste ocaso de
vida, e a uma terrível interrogação quanto à eternidade. De que
valeu isto?
Muitos poderosos deste mundo, em vida não tremem diante de
nada, nem temem a coisa alguma, pois receberam o poder de Deus, e o
usam em proveito próprio. Mas está chegando o dia, em que todos
eles, todos os que eu apontei no parágrafo acima, irão temer e
tremer. Com olhos arregalados – aliás, esbugalhados – de pleno
pavor, irão se atirar cegamente em todas as direções. Buscando um
socorro que não vem, um abrigo que não existe, um amparo que parece
inútil, uma segurança que não é para eles. Só quem confia
plenamente em Deus, encontra abrigo! Refúgio seguro!
Ó sim, isso acontecerá com reis e príncipes, com grandes e
famosos, com astros e com estrelas. E verão finalmente o quanto são
cadentes, o quanto são decrépitos, o quão pouco têm de suporte
maior, capaz de os manter vivos e de pé. Todo joelho tremerá
naquele dia, não distante dia, mas mesmo tremendo alguns estarão
de pé. Infelizes dos que estiverem de joelhos, falo de todos os que não
têm hoje o suporte, o amparo de Deus. Quem
busca apenas conhecer o mundo e suas futilidades – tudo aqui passa
– chegará ao Dia do Senhor, como um pé de vento, sem suporte, sem
abrigo, sem base.
O mundo, distante de Deus é a mais pura ilusão. Tudo é ilusão
absoluta, distante Daquele que É tudo. Mas, incrível maravilha, está
no mergulhar Nele, a essência última da grande Sabedoria. Só os
violentos conseguem isso. Só os que buscam a salvação como
determinação inabalável, com denodo e pertinácia, conseguem
mergulhar fundo no Amor Eterno. A busca não é própria dos fracos, o
chegar é somente para os destemidos.
Quem é destemido? Destemido, em termos de salvação, é
aquele que não tem ouvidos para ouvir, quando o chamam de louco. Que
não tem olhos para ver, quando observa os muxoxos dos rebeldes, as
negativas dos descrentes, ou os ataques dos filhos das trevas.
Destemido é quem luta, passo a passo, lado a lado com o Amor, que não
se desgruda dele nem um pouquinho, mesmo que o chamem de covarde.
Destemido, é aquele que nunca desiste de levar uma palavra de conversão
a quem segue tortas vias, nem que este esteja para dar seu último
suspiro. A estes o prêmio, porque confiam plenamente em Deus. São
loucos sim, mas de Amor! E não cegos, e não cães mudos!
Comparem um grão de pó, com o infinito. Tudo o que você
fizer para este mundo, é o grão de pó. Tudo o que você fizer para
a eternidade, é o infinito. Por qual motivo então você irá perder
tempo com este grão de pó, se tem diante de sai o eterno e o
infinito? Ora, quem devota sua vida apenas para o grão de pó, não
tem direito, não tem cacife, não tem mérito algum, nem sequer tem
forças para galgar o infinito. Para chegar a eternidade no amor. Ó
sim, há também um infinito de trevas, destinado aos que vivem longe
do Amor, aos que amaram ao grão de pó. Cada um é livre para
escolher seu fim!
A estrada da Confiança Absoluta em Deus, é por vezes
– é quase sempre – difícil, mas nem tanto. Meu fardo é leve,
meu jugo é suave, disse Jesus! Eu explico: nós somos como
prisioneiros desta terra, deste mundo, porque nosso corpo mora aqui.
Somos prisioneiros deste corpo pesado, formado de minúsculos grãos
de pó, que nunca sairão daqui. Está, então, no libertar-se
progressivamente deste corpo pesado, desta terra de pó, deste pobre
mundo de trevas, a grande sabedoria de nossa existência.
Em verdade, é à medida que conseguimos a libertação do físico
e do perecível, que nos tornamos realmente livres para ser no eterno,
e em Deus. Somente uma pessoa que esteja neste estágio, que for capaz
de compreender a inutilidade – e a loucura – do desvencilha-se de
Deus, consegue finalmente ser livre. E é isso que os homens não
entendem. Eles buscam a liberdade deste mundo – onde estão
irremediavelmente presos – e buscam, como seu viu, uma simples
quimera.
Existe aquela história do alpinista, que se atrasou na descida
da montanha, e já escuro chegou ao fim da corda, mas não do abismo.
Então pediu, implorou a Deus uma ajuda, e eis que uma voz lhe disse:
solta a corda! Mas ele não soltou! E consta que no outro dia o
encontraram enregelado, estando a menos de um metro do chão firme. É
deste exemplo que uso para explicar a Confiança Absoluta em Deus:
Solte a corda! Que é como se Deus nos dissesse: jogue-se nos meus braços!
Claro que isso requer um aprendizado constante, um crescendo no
dia a dia. Quando Nossa Senhora pediu ao Cláudio: feche a confecção
e venha trabalhar comigo, ele fez isso! Quantos o fariam, tendo
família e filhos? Da mesma forma ela me disse um dia: Deixa o
escritório para teus filhos e funcionários, e vem trabalhar comigo!
E eu fiz imediatamente. E perguntem se estamos arrependidos disso.
Perguntem se algum de nós se arrependeu? Perguntem se queremos voltar
atrás?
Não, por favor, não considerem nosso exemplo como formas de
perfeição, nada disso. Eu apenas os apresento, porque estão próximos,
porque os vivemos, e porque vivendo esta situação, poderemos falar
daquilo que a gente sabe que funciona. Noutro dia, falei sobre os Sete
Dons. Ora, milhares de pessoas têm Dons incríveis, receberam com
eles o claro chamado para aplicar estes Dons em favor da salvação de
muitos, mas não os põem em prática. Não têm coragem. Não têm
confiança absoluta em Deus.
Ó sim, existem aqueles que imaginam que Deus vá lhes dar um
berro no ouvido, os convidando para a missão e o exercício de seu
Dom. Isso não acontecerá nunca, ou bem poucas vezes. O chamado é tênue
mas seguro. Todos somos chamados e exercer e aplicar nossos dons, para
que a graça da salvação aconteça. Mas para isso é primeiro
preciso dar o grande passo do “soltar a corda”, ou seja: a entrega
plena a Deus, da nossa Vontade! Quem
dá este passo, aprendeu a ter confiança plena e absoluta em Deus! A
estes o grande chegar.. Aarão
Fonte: Recados do Aarão |
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