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Visão Cristocêntrica do homem

 

 

O senhorio escatológico de Jesus Cristo está presente em toda a vida da comunidade cristã. A vida cristã deve ser vivida em relação ao Senhor Jesus: no Senhor. 
Esta fórmula, repetidamente utilizada por Paulo em suas cartas, ressalta que a vinculação ao Senhor deve permear todas as relações do cristão e da comunidade.
Não basta celebrar o Senhorio de Jesus Cristo na liturgia, como também não basta fazer a profissão de fé nesse Senhorio.


É necessário viver no cotidiano da vida cristã o significado da aceitação desse Senhorio.
Ora, acrescenta Paulo, isto só se torna possível mediante a ação do Espírito Santo no cristão e na comunidade (cf. 1Cor 6, 17; 2Cor 3, 17).
É o Espírito quem possibilita a relação pessoal com o Senhor Jesus.


Unindo-nos a Jesus Cristo, conhecemos o homem. Este é um dos aspectos mais exigentes da fé cristã: ter em Jesus Cristo a compreensão do homem. É exigente, porque toca de perto o concreto da nossa existência. 
Toda a aventura do conhecimento humano tem sido marcada por essa busca da compreensão do homem, do sentido da sua vida, do seu destino, da natureza da sua realização, em felicidade. 
Todas as antropologias filosóficas e culturais procuraram compreender o homem a partir de si mesmo. Ora Jesus Cristo aparece-nos como o Homem; n’Ele eu posso continuar a procurar a compreensão do homem, a partir do Homem. 


Ele é mais do que um modelo, ponto de referência comparativo. A fé proporciona-nos uma união vital com Cristo, como dizia Paulo: Para mim viver é Cristo. 
É da densidade dessa união que brota a compreensão de nós mesmos. João Paulo II exprimiu, assim, esta densidade existencial: Cristo, Redentor do mundo, é Aquele que penetrou, de uma maneira singular e que não se pode repetir, no mistério do homem e entrou no seu coração. 
E citando o Concílio Vaticano II: Na realidade, só no mistério do Verbo encarnado se esclarece, verdadeiramente, o mistério do homem. 


Desta compreensão do homem, em Cristo, brota o sentido definitivo da sua vida com os outros, da sua morte, do sofrimento e da dor, sobretudo do amor. 
Em Cristo percebemos que o homem não pode viver sem amor. Citando,  a Redemptor Hominis: O homem que quiser compreender-se a si mesmo profundamente, deve, com a sua inquietude, incerteza e também fraqueza e pecaminosidade, com a sua vida e com a sua morte, aproximar-se de Cristo. 
Deve mergulhar n’Ele com tudo o que é (…) Quando se realiza, no homem, este processo profundo, produz frutos de adoração a Deus e de profunda maravilha perante si próprio. 


Esta visão cristocêntrica do homem é a base da antropologia cristã, isto é, da doutrina da Igreja acerca do homem, fundamento da sua dignidade, da exigência ética da sua existência, do horizonte da sua plena realização. 


A Igreja, que não cessa de contemplar o mistério de Cristo, sabe, com a certeza da fé, que a Redenção que se verificou na Cruz, restitui definitivamente ao homem a dignidade e o sentido da sua existência no mundo, sentido que havia perdido, em grande parte, por causa do pecado.

 
Seu Irmão: Eduardo Rocha Quintella
E-mail: eduardoquintella@uol.com.br
Website: www.eduardoquintella.org

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