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A
Luz que brilha nas trevas
O
prólogo do evangelho de João nos diz que a luz veio para brilhar nas
trevas. No entanto, se não reconhecemos as trevas que existem em nós
mesmos, se nós não as tocamos, através da experiência de nossas próprias
feridas, a luz não poderá penetrá-la e continuaremos sendo pessoas
divididas.
Podemos encontrar dois tipos de trevas no interior do ser humano.
Antes de qualquer coisa, sabemos que nenhum ser humano possui uma
sexualidade perfeitamente integrada em capacidade de relação.
Depois, existe a necessidade de controlar e de dominar; portanto, os
dois aspectos acham-se bastante interligados. Quando temos uma
sexualidade ferida, corremos o risco de desejar dominá-la pela
vontade e de cultivar uma personalidade de dominação, que não sabe
ouvir e que sempre procurará dominar todas as situações.
Permitindo
que o Espírito Santo penetre nossas fraquezas, nosso corpo e nosso
psiquismo ferido, aos poucos, fazemos a experiência da ressurreição.
Se porventura pensamos que somos perfeitos, seremos como o irmão mais
velho do filho pródigo, que julga todo o mundo. Mas o filho pródigo
não julga pessoa alguma, porque experimentou o perdão; ele se deixou
envolver pelos braços de seu pai, e assim sentiu-se amado como era,
com suas feridas e fraquezas. Ele se levantou para não mais julgar.
Para tornar-mos homens e mulheres de compaixão, que não julgam nem
condenam, mas que perdoam, devemos tomar esse caminho, que nos renova
desde o interior.
A vida em comunidade também é um caminho. Acreditávamos que tudo
ali fosse bonito e perfeito, mas descobrimos injustiças, pessoas que
não sabem ouvir, e estruturas imperfeitas; começamos a duvidar. Mas
a sabedoria humana consiste em descobrir e amar a pobreza da
comunidade, a pobreza da Igreja. Nós não ficamos na Igreja por ela
ser bonita e perfeita: a Igreja de Jesus é uma assembléia de
pecadores, mas de pecadores convocados. Assim, a comunidade é o
lugar de nosso crescimento, mas também de sofrimento e celebração.
A sabedoria do caminho consiste em acolher nossa própria pobreza,
nossas próprias feridas e as dos outros. Ela não alimenta ilusões,
não tem medo de tocar a realidade nem pretende que tudo seja ou possa
tornar-se perfeito. Não, ela simplesmente nos revela que Deus reside
no coração de nossa pobreza e de nossa fragilidade.
No livro Anna et Mister God, Ana conta que durante toda sua vida
procurou fugir do vazio que sentia no interior de si mesma através da
música, das palavras e de todos os tipos de atividades, até o dia em
que descobriu Deus escondido nesse vazio. Deus está escondido no coração
daquele que sofre, do pobre. É todo o mistério do Verbo que se fez
carne, da Luz que desce à lama para tornar-se acessível a todos, na
comunhão e no amor.
São Paulo procura nos lembrar, na epístola aos filipenses, que, para
ser homens e mulheres de esperança, agentes de união e paz, devemos
seguir Jesus por esse caminho da humildade, Ele que foi obediente até
a morte na cruz, Ele que venceu a rejeição total. Por isso Deus o
exaltou.
Seu Irmão: Eduardo Rocha Quintella
E-mail: eduardoquintella@uol.com.br
Website: www.eduardoquintella.org
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