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Pai...

Pai, o termo, tem diversas significações e uma delas é a da Divindade, ou seja, Deus! Qual a razão, então, para uma pessoa ser chamada de Pai? Como ser um Pai? Citaremos nesta discussão um pouco de Santo Anselmo, para assim, tentarmos esclarecer sobre os atos e atitudes de um ser que deve ser a imagem e a semelhança para o outro! Buscamos no Dicionário Aurélio eletrônico um conceito de Pai:Homem que deu ser a outro; homem que tem um ou mais filhos; genitor, progenitor; animal do sexo masculino que gerou outro; designação bíblica da divindade; benfeitor, protetor; pai de família: indivíduo que tem mulher e filhos; ou será Pai do Mal (diabo)”?

Como podemos ver acima este ser, é e deve ser o nosso, amparo, esteio, espelho etc? Pois é nele que outras pessoas se espelham para a sua formação intelectual. Podemos viver todo tipo de problema e o nosso amparo é e sempre será o nosso Pai! Temos todos um único Pai, que é o Ser que nos ilumina, que transcende a todos, Onipotente (que pode tudo; que tem poder absoluto; todo-poderoso) e Onipresente, o bem feitor de tudo, que não cobra nada, que faz com dedicação, amor e carinho, vê quando um filho erra e o perdoa sempre.

Como um Pai pode, nestes termos, diferenciar os filhos? Filho, uma “Expressão de carinho”, “alheio que se toma e se considera como próprio sem qualquer formalidade legal (adotivo)”, “Ter direitos iguais a outrem e não dever ser excluído de benefícios que devem ser comuns”. Qual a quantidade de amor a ser dado, doado, emprestado por um Pai a seu filho ou seus filhos? Existe um meio ou modo para medirmos ou quantificarmos o amor de um Ser para outro? Podemos imaginar que o Ser dotado da imperfeição pode amar alguém ou a ninguém? Ou este Ser deseja que todos sejam submissos? Com esta submissão chegando até aos carinhos dados! No século VIII a.C., tudo o que era melhor em sua espécie tinha “Arete” (excelência), tanto um animal, um homem ou um vegetal.

Treinar homens e animais era a mesma coisa, passando depois a se restringir somente ao homem que devia ser, bom, belo e forte, ter habilidades de guerra e sangue de nascimento. O que contava era ter qualidade, para ser “Arete”, como “virtude” depois do século V a.C. Acima do homem como ser gregário ou como suposto eu autônomo, ergue-se o homem como idéia. A ela aspiraram os educadores gregos, bem como os poetas, artistas e filósofos. Nisto a essência da educação consiste na modelagem dos indivíduos pela norma da comunidade. Os gregos foram adquirindo gradualmente consciência clara do significado deste processo mediante aquela imagem do homem e, que o ideal de homem, segundo o qual se devia formar o indivíduo, começa com a “Paidéia”, que tinha um único significado na criação de meninos. Nisto vemos que o Pai não pode esquecer que seu filho é e sempre será a sua essência, diz Santo Anselmo “[...], portanto, o filho é a virtude, a sabedoria ou a verdade e a justiça do pai e tudo mais que esteja de acordo com a essência do espírito supremo”. (Negrito Nosso)

Assim “[...] tudo o que foi criado, tenha ou não vida, e qualquer que seja a sua existência é, nele, vida e verdade” (Santo Anselmo). O que pode levar um Pai à não amar um filho, dentre todos os seus filhos? Não foi dado a todos o Dom do perdão e até mesmo o que um filho fez para receber o perdão de seu Pai? Este dom foi dado por nosso Pai Celestial a todos os seres ou somente a alguns? Como ser um Pai? Igual ao maior ou somente o pecador carnal? Será que um filho, mesmo aquele que não foi gerado no seio familiar, é diferente? Vivendo em um mundo só seu e se esquecendo de que seus filhos necessitam de sua compreensão.

A essência que mais tratamos aqui é o carinho, afago, meiguice, carícia, cuidado, desvelo, este que somente lhe será dado em troca de um agrado. Não será o filho que deve receber o carinho? Ou este ser pensante, Pai, que muitos denominam de racional? Ser, este, egoísta, que notoriamente se acha o maior e que pensa estar acima de tudo e de todos, o qual logicamente podemos qualificar como sendo irracional. Neste ponto o colocar como irracional não ofenderemos aos animais, ditos irracionais que muitos falam não serem dotados de pensamento. Mesmo tendo sido criados por Deus, dados Bíblicos, o animal e o homem que é a sua imagem e semelhança. O homem é dotado de inteligência e racionalidade. Nesta criação faltou dar aos homens a sensibilidade de conviver em perfeita harmonia com os seus pares. Isto é que não nos deixa saciados ou contente com as atitudes de alguns pais.

Estes Pais “distantes” deveriam assistir a programas onde os animais são a principal atração e verem que estes, mesmo irracionais não abandonam suas crias enquanto não estão aptas a andarem sozinhas. Muitos são os que defendem que os animais irracionais são condicionados a fazerem qualquer coisa. O que podemos dizer dos animais que migram? A migração é um modo de condicionamento? E quem os condicionou? Foi Deus? Se até isto Ele fez, porque não condicionou aos homens a serem bons Pais ou pelo menos Pai de todos os seus filhos? Será que podemos entender que Deus nos ensinou como fazer, mas alguns por não terem o Dom da Sabedoria, e ou se acharem o sabe tudo não fazem o que o nosso Criador nos ensinou?

O que podemos esperar deste Pai? O Pai deve ter em sua busca não a perfeição do carinho, pois, este é um Dom Divino, e sim uma troca de experiência, o devir, a esperança, o projeto pessoal para onde se quer ir com todos os seus filhos!  Ensinando-os a dar e receber carinhos, compreender e ser compreendido, amar e ser amado. Com sabedoria, saber a hora do afago e de chamar a atenção, a cuidar de si mesmo, a trocar experiências com os outros, ouvir aos mais experientes e etc. E não ser carregado de verdades subjetivas, daquilo que é válido somente para si e que só a ele pertence, pois, integra o domínio das atividades psíquicas, sentimentais, emocionais deste sujeito. No relacionamento entre Pai e filho os dois não podem estar emocionalmente em época diferentes e se assim estiverem, pode causar problemas por que um dos parceiros não saberá localizar existencialmente o outro.

O Pai mesmo carregado em seus pré-juízos tem a oportunidade de sofrer alterações. O amor entre Pai e filho tem que ser como o sentido do fogo para Heráclito, que acende e apaga conforme a constância do amor dado. Pai figura expositiva, progenitor, rancoroso, o sabe tudo, relapso, omisso, distante, inimigo; ou amigo, confidente, amoroso, interessado, afetuoso, colega, parceiro, bondoso, honesto, companheiro, irmão e etc. Qual o pai devemos ter e ser?

Clarismar Fernandes dos Santos Júnior

E-mail: clarismarjunior@hotmail.com

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