Agora é com vocês

AGORA É COM VOCÊS
Mt 28, 16-20

Três anos de convivência, de entendimentos e conflitos. Três dias de morte, separação, fugas e tristezas. Quarenta dias de alegria, euforia, dúvidas, medo, certezas e incertezas. Esta era a realidade dos discípulos que um dia ousaram seguir Jesus de Nazaré.


Quando eles estavam certos de que Jesus era o filho de Deus, o Messias, o esperado, foram surpreendidos com o anúncio do próprio  Jesus de que iria para Jerusalém para ser preso, judiado e morto pelos chefes e doutores da lei.


Alguns duvidaram, outros, como no caso de Pedro, repreenderam-no: “Mestre não digas isso nem de brincadeira, o povo  te adora e depois tem outra coisa, se preciso for a gente dará a vida por ti”. O medo de perder uma pessoa que amamos, faz-nos termos a mesma atitude de Pedro, sem saber o que dizer, colocamos as nossas vidas a prêmio. Jesus conhecia cada um dos seus discípulos assim como  conhece cada um de nós e sabia muito bem o que se passava dentro de cada um.


Para por mais lenha na fogueira  e mais desorientação na cabeça dos discípulos, Jesus na hora mais bonita do encontro, na Ceia, anuncia: “um de vocês vai me trair. Vai me entregar nas mãos dos chefes dos fariseus”. A angústia tomou conta de todos os presentes e, um a um à sua maneira começou a  interrogar “serei eu mestre”?  A traição assusta, dói demais e machuca abrindo feridas dolorosas. 


Não tem jeito, o que tinha sido previsto por Jesus, aconteceu. Um deles o traiu, ele sofreu e morreu. O desespero e o medo tomaram conta deles. Ninguém mais conversava, não se pensava em mais nada, alguns até choravam e outros não suportando  a ausência, fugiram. Foram  três dias que pareceram três eternidades, como se uma nuvem escura tivesse pousado sobre a terra e nenhuma luz mais poderia ser avistada.


De repente o susto: “Ele está vivo”! Alguns,  mesmo tendo sido traidores acreditaram. Os fujões foram surpreendidos, e o viram cara a cara. Outros que por não terem mais esperança porque não acreditavam o suficiente para entender que ele voltaria duvidaram e desafiaram “se eu não puser o meu dedo no lugar dos pregos ou da lança, não acredito”. Tanto uns como os outros foram pegos de surpresa e sem entenderem, ouviram uma voz mais que conhecida  que dizia: “a paz esteja convosco”. 


O medo se desfaz, o sorriso volta aos lábios, os corações quase que explodem numa incontida alegria. São quarenta dias de júbilo e ao mesmo tempo um friozinho na barriga: “será que Ele vai embora ou vai morrer novamente”? A presença quase que diariamente nas situações mais inusitadas, o diálogo de ternura, foram pouco a pouco preparando novamente  cada um para um dos momentos mais importantes: o passar de discípulos, de meros seguidores e admiradores para missionários-testemunhas. Quando o Senhor percebeu que eles estavam prontos, pediu que retornassem lá aonde tudo tinha começado: na Galiléia. “Façam o caminho de volta”. Era preciso que eles relembrassem cada momento e sentissem de novo as sensações maravilhosas da presença do Mestre. O caminho de volta para a Galiléia reascendeu em cada um o sentimento de pertença e de adesão a um projeto até então conduzido pelo mestre. No caminho de volta nasce o sonho da memória: “não sabemos o que nos espera na Galiléia, mas seja lá o que for nunca mais o deixaremos”. “Mesmo que ele não apareça mais, todo mundo há de saber quem ele foi e o que ele significa para as nossas vidas”.


Chegados à Galiléia, nova surpresa, o Senhor já estava lá à espera. Dialoga com eles como sempre o fez. Sonda o ambiente. Percebe o coração de cada um e faz o seu pronunciamento mais solene. “Amigos,  eu vou partir. Nunca mais me verão. Ate aqui fizemos tudo juntos, mas daqui pra frente é com vocês. Se me amam de verdade VÃO PELO MUNDO TODO ANUNCIEM O EVANGELHO E BATIZEM EM NOME DO PAI, DO FILHO  E DO ESPÍRITO SANTO. Não tenham medo, estarei com vocês até o final dos tempos”. “AGORA É COM VOCÊS”


Quando um amor é de verdade, a gente não se cansa de falar da pessoa amada. Muito menos se envergonha da sua presença. Anseia para que todos a conheçam. Esta foi a atitude dos discípulos: eram apaixonados pelo mestre e, portanto entendiam que suas vidas não teriam mais nenhum sentido sem a presença Dele. Apostaram  tudo, inclusive a própria vida.


Enviado por: Ir. Silvio da Silva

E-mail:silvioda_silva@yahoo.com.br

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