www.paideamor.com.br

 
wpeA11.jpg (3989 bytes) Deus não se ilude com sua mediocridade cristã

 

Nada melhor que um belo dia de sol, à beira de uma bela lagoa, com belos cantos de pássaros a nos encantar, numa bela rede a balançar, um belo livro de Teologia a nos fazer viajar com as Asas de Deus e com uma baita preguiça a embalar nossas vontades. 
 
Entre um cantar e outro de pássaros, sobre os quais eu não sabia absolutamente nada, nem sequer suas raças, lá estava eu amando meu ócio momentâneo. 
 
Pessoas transitavam pela estrada deserta e empoeirada contando causos e falando coisas que eu pouco entendia. Mas algo colocou minha orelha em pé: “Hoje não vou à Missa. Vou fazer uma boa ação e isso é o mesmo que ir à Missa”, disse uma transeunte. Pus-me, então, a pensar sobre a simplicidade, ou mesmo mediocridade, de muitos cristãos, entre esses, milhares de católicos (ou que assim se confessam). 
 
Mas aquele era o momento de evangelizar e eu não podia deixar passar essa hora da graça de Deus para mim e para aquela transeunte. 
 
Pedi licença para entrar na conversa, abri o portão e pedi com “paciência evangélica”: “Gostaria de ouvir novamente o que a senhora falou, posso?”. Sem hesitar aquela senhora repetiu com convicção: “Eu falei que não irei à Missa hoje e que vou fazer uma boa ação porque isso é a mesma coisa que ir à Missa”. 
 
Sem pensar, sem falar, só a meditar (por intermédio do Espírito Santo) fitei-a atentamente até que meus lábios resolveram pedir: “Posso intervir nessa convicção pouco cristã?” A pergunta, nessa hora, foi a de sempre: “O senhor é evangélico?” “Não sou não, se bem que me acham com cara de pastor, mas sou sim um crente em Jesus de Nazaré, Filho do Senhor Deus do Universo”, respondi com firmeza. 
 
“Tudo bem, eu também creio, mas de qual religião o senhor é?” “Sou católico”, respondi. 
Incrédula, aquela senhora me olhou, pôs a mão no rosto e disse à amiga que a acompanhava: “Tá vendo Marli? Tá tudo mudado mesmo. Católico agora é igual a um crente...” A minha risada foi inevitável, mas aproveitei a descontração para apresentar-me àquelas senhoras e questionar o que eu queria desde o início: “A senhora não acha que está equivocada com relação à importância da Sagrada Eucaristia?” “Por quê?”, questionou-me minha nova amiga. 
 
Prossegui explicando que em primeiro lugar não fazemos “escambo” com os Sacramentos, ou seja, damos uma esmola, Deus acha bom e está tudo certo entre nós e Deus. Depois a gente não compra entrada para o céu, nossa entrada no céu se faz à medida que passamos pelas portas estreitas dessa terra. E, é claro, nenhum católico pode menosprezar o valor da Sagrada Eucaristia e da Mesa da Palavra onde Deus se faz Palavra, Comida e Bebida. Nada há de mais Sagrado em nossas vidas que os Sacramentos, sinais da presença constante de Deus em nossos corpos e em nossas historias. 
 
“Se isso for ser católica eu quero mesmo é ser do jeito que sou”, completou indignada minha nova (agora) “quase amiga” e “quase católica/cristã”. 
 
“Ah!”, completei pausadamente, “estava me esquecendo de uma coisa: como a senhora está me achando parecido com um evangélico, então, em João Capítulo 8, versículo 32, Jesus nos fala assim: ‘Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’. Sabe o que Ele quis dizer com isso?” Minha amiga somente fez sinal negativo com a cabeça. Expliquei: “Ele quis dizer, entre outras coisas, que quando não sabemos que estamos agindo mediocremente em nossa vida cristã, dentro da Sua imensa Misericórdia, Deus nos perdoa. Portanto, a partir de agora, a senhora não poderá mais agir na inocência cristã. Ou seja: responderá diretamente a Deus caso não queira entender e viver tudo o que falei para a senhora, que não verdade são Palavras de Deus através da Bíblia, do nosso Catecismo, dos Documentos da Igreja, etc”. 
 
Antes que minha fala fosse interrompida e não mais tivesse a vez da palavra, ousei completar: “E tem mais uma coisinha só que eu gostaria de esclarecer: o crescimento na fé também nos impele a ajudar os irmãos com um pedaço de pão ou uma palavra amiga, mas só podemos ajudar quando temos a dar, não é? Não é melhor nos enchermos espiritualmente de Deus para depois distribuirmos o pão material aos outros? Senão as nossas obras serão apenas obras e não obras fundamentadas num alicerce firme na fé”. 
 
Vi diante de mim uma senhora espantada com essas palavras. Não sei se ela achou-me diferente, louco, esquisito ou um “projeto de pastor em busca da primeira ovelha”. De uma coisa estou certo, no aperto de mão (sem palavras) que ela me deu, sentiu-se reconfortada por Deus. Tudo o que eu realmente quis foi, através da minha boa vontade, firmá-la como agente ativa do Reino. Uma lágrima que teimava em cair do seu rosto, rolou roupa abaixo, sendo o aval desse encontro evangélico. 
 
É verdade que uma nova amizade ainda não foi firmada, mas o tempo haverá de mostrar à minha quase nova amiga que as verdades do Reino, por vezes, são muito pesadas. Até mesmo os discípulos de Jesus, um dia, se perguntaram: “Quem as pode suportar?” 
 
Assim como essa senhora veio à minha vida, um dia voltará e, no lugar daquela lágrima que caiu do seu rosto eu verei um sorriso sincero, de uma cristã verdadeira, que bebeu da Água da Vida que eu a ajudei a retirar do Poço. 
 
Enquanto esperava por esse dia, voltei a falar sozinho com os meus pássaros, com meu livro, com meu ócio momentâneo e concluí: Deus não se ilude com nossa mediocridade cristã. 



Enviado por: José Luis dos Santos

E-mail:pesdomensageiro@hotmail.com

Fonte: pesdomensageiro.blog.terra.com.br

Voltar

 

Copyright ©  Pai de Amor - Todos os direitos reservados.