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Católicos
gregos criticam ortodoxos
A Grécia é o único país da União Européia a banir o proselitismo em sua
constituição, e também o único deste bloco econômico a ter sido condenado
pela Corte Européia de Direitos Humanos devido à falta de liberdade religiosa,
no caso Kokkinakis. Embora este país tenha progredido na proteção de
liberdade religiosa, a corrida para os Jogos Olímpicos de Atenas expõe o
calcanhar de Aquiles da Grécia em seus registros de direitos humanos.
Os católicos, assim como todos aqueles que não seguem o cristianismo ortodoxo,
sofrem discriminação no país, segundo o porta-voz da Igreja Católica na Grécia.
"Há um racismo religioso na Grécia, que se vê por toda parte. Sinto-me
fuzilado cada vez que devo defender minha religião ante a imprensa e os meios
de comunicação (gregos), que autorizam nossos detratores ortodoxos a nos
acusar sem argumento, com ódio e de forma equivocada", afirma Nicos
Gasparakis.
Na Grécia, a religião oficial é o cristianismo ortodoxo. Ao menos 90% dos
cerca de 11 milhões de habitantes gregos foram batizados na ortodoxia. Há
aproximadamente 200 mil católicos no país.
"Ainda existe discriminação contra os católicos na Grécia. Nas Forças
Armadas, por exemplo, a discriminação atinge todos os não ortodoxos. Segundo
uma circular confidencial em vigência no Exército e que remonta a 1991, os que
não são cristãos ortodoxos são submetidos a um tratamento diferente, a um
regime diferente que o dos ortodoxos", diz.
"Para entrar na Evelpidon, a escola de cadetes, um católico foi obrigado
nos últimos anos a converter-se à ortodoxia", de acordo com o porta-voz
católico.
"Um bacharel foi rejeitado seis vezes nos exames de admissão na escola de
policiais apesar de seus bons resultados. O jovem buscou a intervenção de dois
deputados, um socialista e um de direita. Eles lhe prometeram que a aprovação
viria caso ele se apresentasse pela sétima vez. O jovem foi protestar, após a
sétima rejeição, mas eles lhe responderam em uníssono: você não deixou
claro que era católico", afirma Gasparakis.
O arcebispo católico de Atenas, o monsenhor Nicolaos Foscolos, reclamou
diversas vezes contra a situação dos católicos no país, especialmente em
reportagens publicadas pelo diário ateniense "Ethnos" (independente).
"Esperamos que, em vista da publicidade (em torno da peregrinação do papa), a situação melhore", diz Gasparakis.