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CONTINENTE ASIÁTICO |
Paises Asiáticos:
A VEZ DA ÁSIA
A Ásia constitui uma das maiores frentes para o compromisso missionário da Igreja. Em primeiro lugar, pelo seu tamanho: é o maior continente; em segundo lugar, pela sua população: dois terços dos habitantes da terra. Apesar das epopéias missionárias terem sido realizadas desde sempre, os povos da Ásia permaneceram impermeáveis ao cristianismo.
Talvez, hoje, o problema seja menos converter todos para uma mesma Igreja e mais encontrar caminhos de comunhão e de diálogo para construir um mundo melhor, diante das emergências planetárias.
Nessa direção vai o engajamento dos missionários e das missionárias, como o do brasileiro Vendelino Lorscheiter, há 50 anos no Japão, o de Sebastião D´Ambra, junto aos muçulmanos nas Filipinas, e o de Carlos Torriani, com seu centro interconfissional "A porta do céu".
RELIGIÕES:
cristãos: 306.401.000 (8,3%)
católicos: 108.437.000 (2,9%)
protestantes: 49.857.000 (1,3%)
ortodoxos: 14.161.000 (0,4%)
outros: 153.105.000 (4,1%)
muçulmanos: 807.034.000 (21,9%)
hinduístas: 792.897.000 (21,5%)
budistas: 351.043.000 (9,5%)
judeus: 4.323.000 (0,1%)
confucionistas: 6.219.000 (0,2%)
xintoístas: 2.715.000 (0,08%)
outras religiões: 1.042.300.000 (28,3%)
sem filiação: 231.000.000 (6,8%)
A Ásia desafia o cristianismo a encontrar outros caminhos para anunciar o Evangelho a seus povos. As Igrejas do continente apontam para um diálogo aberto com as outras religiões, capaz de enxergar a criativa ação do Espírito nas tradições milenares.
A Ásia possui 60% da população mundial. Seu território corresponde a um terço da superfície da terra; ela foi o berço das grandes religiões (hinduísmo, budismo, confucionismo, islã, judaísmo e cristianismo) e viu nascer algumas das mais antigas civilizações da história (China, Índia, Oriente Médio). É chamada "o continente do futuro".
Crise das religiões na Ásia, então, diante da pressão avassaladora da modernidade secularizada? Está acontecendo nesse continente o mesmo fenômeno que varreu a religião de muitas camadas da sociedade européia e norte-americana? A resposta é negativa. As afirmações dos teólogos expressam uma constatação e, mais ainda, uma preocupação por uma tendência em crescimento, mas que, por enquanto, não afeta a maioria da população. Também no Japão, apresentado como o exemplo máximo de secularização, a população continua a freqüentar os templos em determinados momentos do ano, repetindo, talvez de maneira só formal, gestos da tradição milenar.
Religiões - Muçulmanos (807 milhões), hinduístas (792 milhões), budistas (351 milhões), cristãos (306 milhões): são alguns números que revelam uma problemática profunda e questionam as Igrejas e sua ação missionária. Depois de cinco séculos de presença dos missionários no continente (sem contar a atividade dos nestorianos na Índia a partir do século 6, e, na China, cem anos depois, e dos franciscanos no Império Mongol nos séculos 13-14, atingindo, sobretudo, a China) a impressão é que a Ásia é impermeável ao cristianismo. Só nas Filipinas, os cristãos são 93% da população (católicos 83%); mas trata-se de um caso particular, devido à colonização espanhola que repetiu nesse país uma experiência de tipo "latino-americano". Pelo resto, para dar só alguns exemplos, na Índia os cristãos são 3,8% da população, no Japão 1,2%, na Indonésia 9,6%, na Tailândia 0,6%, na China 0,1%.
Seria a Ásia um fracasso da missão? As respostas dependem da idéia de cristianismo e do seu relacionamento com o mundo, as culturas e as religiões que cada um tem. Antigamente e até o Vaticano II, era comum a idéia de que fora da Igreja (católica) não havia salvação. Os fiéis das outras religiões eram destinados à perdição (ou ao Limbo). Havia, porém, uma abertura nesta posição rígida: admitia-se que pessoas em boa fé e observantes da lei natural podiam conseguir a vida eterna. Nesta posição, as religiões não-cristãs, se não eram consideradas "obra do diabo", estavam, porém, totalmente excluídas do plano divino da salvação.
O problema fundamental para os cristãos é como conciliar diálogo e anúncio, encontro com as outras religiões e afirmação da própria identidade, sem exclusivismos, mas também sem dissolver a verdade sobre Jesus Cristo, único Salvador.
O desafio da Ásia para a Igreja consiste no convite a repensar profundamente a missão como tradicionalmente foi realizada, sem chegar necessariamente a uma sensação de fracasso, mas procurando o significado e a função das religiões no plano de salvação de Deus. Estamos ainda no começo: seria perigoso queimar as etapas, encarando a questão de uma maneira superficial e apressada. Nisso, a dimensão existencial é mais proveitosa que o trabalho teológico. E já estão acontecendo em muitos países experiências de diálogo da vida, na escuta e conhecimento recíproco, na oração comum, na ação social conjunta, que constroem pontes e criam o terreno para um entendimento também teológico.