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A REALIDADE ATUAL DA IGREJA CHILENA
O teólogo Luis Cárdenas convida a ver a realidade eclesial com perspectivas reais. Diz que, hoje em dia, vivemos "o avanço e o domínio de uma igreja anti-conciliar”. Isso se nota no aumento progressivo, que causa inquietação, da maioria de bispos Opus Dei e conservadores que estão no Chile", que "têm feito de tudo para anular os processos de renovação que caracterizam a igreja de João XXIII”.
"Temos que ser realistas: afora os testemunhos isolados ou alguns grupos que mantém certa identidade, creio que a Igreja Libertadora, que fez uma opção desde os pobres, não tem articulação orgânica, não existe no Chile", afirma.
Por sua parte, Fernando Aliaga, doutor em História da Igreja, crê que "quando se trata de situações como a que se vive no Chile atualmente, de desemprego, a mensagem dos Bispos expressa praticamente tudo o que colocava a doutrina da libertação, no sentido de que Cristo é um Cristo histórico, que o amor aos pobres é tradução do amor a Deus".
Existe a percepção generalizada nos membros da Igreja mais libertadora ou de caráter mais conciliar que a igreja do Chile, hoje, está negando seu passado recente.
O pe. Humberto Guzmán percebe "um retrocesso e a coexistência de duas correntes muito grandes: uma conservadora e uma mais liberal, que busca caminhos e está aberta ao mundo", resume.
"Atualmente, a cúria vaticana está em uma postura de retrocesso e há um deterioro de tudo o que o Concílio Vaticano II abriu na igreja e no mundo. João XXIII pediu para abrir as janelas para que entrasse ar fresco e creio que isto está sendo perdido em muitos lugares e fundamentalmente no Vaticano", completa.
"Minha percepção, após contatos com a Zona Oeste de Santiago e com regiões do Chile, é que a Igreja em geral está muito voltada para dentro de si mesma, não assume ser fermento na massa, nem a luz do mundo", sustenta Guzmán.
As ênfases desta Igreja estão centradas na moral, diz a Irmã Rocco. A partir de sua experiência afirma que "é tão diferente quando propões uma igreja desde os cânones, o divórcio, que os envolvidos estão excomungados, que os separados não podem fazer isto, ao invés de propor uma Igreja desde Cristo, que partilha com a pecadora, com a adúltera e chama os pecadores a ser seus discípulos".
"Se eu mostro uma igreja a partir dos cânones, as pessoas não conhecerão nunca a Jesus e me interessa que as pessoas conheçam a Jesus. Eu estudei toda a história da Igreja e para evangelizar necessito somente do Evangelho", resume.
Para o Vigário Baeza, "há uma sintonia bastante grande entre a Igreja mais de base, que vive em meio dos pobres, e a hierarquia no problema dos desempregados, dos direitos humanos. Aí há muita sintonia. Quando fala nestes termos é escutada".
"O problema, agrega, é a atitude que se toma depois de dar uma orientação, uma declaração do magistério. A primeira reação frente a uma demanda é ajudar a solucionar o problema: dar trabalho, conseguir alimentos, influir no governo. Porém, há um a atitude para fazer com que os próprios afetados se movam".
No mesmo sentido, o pe. Dubois diz que "a Igreja quer ver os resultados imediatos. Porém, aí há um trabalho mais cuidadoso a fazer, de atenção à vida. Se a Igreja se preocupara muito mais pela forma, prepararia para o futuro uma semente mais numerosa e a colheita seria mais provável de alcançar", resume Dubois.