|
CONTINENTE AMERICANO |


América do Norte América Central América do Sul
Encerra-se aqui a série "Católicos no Mundo".
Paises da América:
AMÉRICA: JUSTIÇA E PAZ
“O motivo todo mundo já conhece: o de cima sobe e o de baixo desce", diz uma música baiana. Esta é a exata parábola do continente americano. Basta pegar qualquer indicador social para se ter uma idéia: as condições de vida de uma pessoa de classe média que vive nos Estados Unidos são 76 vezes superiores às de uma pessoa da mesma classe social que vive e trabalha no Haiti. Um abismo, quando isso se traduz em comida, remédios, escola, moradia e transporte.
Este é o continente americano: terra prometida e paraíso das liberdades individuais para alguns, e pesadelo e terra de escravidão para outros. Há momentos em que a diferença é entre a vida e a morte.
Não há paz para as Américas sem justiça. Um modelo de sociedade deve ser revertido: o de um capitalismo selvagem que gerou profundas desigualdades.
A Igreja atua há algumas décadas nesta direção com seus bispos, como Dom Samuel Ruiz, e seus missionários e missionárias, como as leigas Mara, Cristina e Mônica que militam nas frentes ameríndias para um mundo melhor.
Justiça - A Igreja católica fez história na história recente do continente. Destacou-se na luta por justiça e liberdade, foi decisiva na crítica e no combate às ditaduras, formou pessoas e grupos que atuaram na busca de projetos alternativos da sociedade. Produziu até um novo pensamento teológico - a Teologia da Libertação - que ajudou a entender a relação estreita entre fé e vida, fidelidade ao Evangelho e compromisso de transformação da sociedade. Hoje, muitos dizem que houve uma guinada dessa Igreja lutadora para preocupações internas e, principalmente, para a disputa do rebanho religioso com os novos grupos protestantes, especialmente evangélicos. Seja como for, não terminou o engajamento dos cristãos no social e no político. Aliás, o que antes estava mais restrito ao campo católico, expandiu-se para outros ambientes religiosos. "Não é um fato generalizado, mas cada vez tem um número maior de pastores e fiéis de Igrejas evangélicas que se dão conta de que a fé evangélica também indica que existe uma responsabilidade cidadã muito concreta", avalia Darío López, presidente do Conselho Nacional Evangélico do Peru e pastor da Assembléia de Deus daquele país. No Peru, ele acrescenta, as Igrejas evangélicas se envolveram em ações cívicas através de movimentos de direitos humanos, ao longo de toda a década de 80 e parte da década de 90, e, nesse período, em torno de 600 pastores evangélicos foram assassinados. Não é que agora mudaram de rumo. Mudaram os campos de atuação, mas eles estão ainda lá, querendo contribuir para mudanças efetivas no país. No ano passado, a Igreja Batista Emmanuel, de El Salvador, comemorou seu 36º aniversário com uma carta pastoral, em que os líderes religiosos expressaram sua preocupação com a violência. Disseram que não se tratava de lutar apenas contra o pecado das pessoas, mas que precisava intervir com coragem na mudança das estruturas. Chegaram a sugerir uma cruzada ecumênica pela paz.
Posições desta natureza têm sido freqüentes em quase todos os países latino-americanos (e mesmo nos norte-americanos). Mudou o enfoque, mudaram os campos de atuação, foram ampliados os horizontes, mas não diminuiu a sensibilidade de muitos que querem uma Igreja inserida na história, voltada para a vida, atenta ao pobre e inteiramente a serviço do Reino.
Números:
- Países: 35
- Superfície: 42.560.270 km2
- População: 809.100.000 habitantes
- Línguas: inglês, francês, espanhol, português e línguas nativas (quíchua, aimará, guarani, caingangue, etc.)
- Religiões:
· cristãos: 734.100.000 (90,7%)
· católicos: 479.700.000 (59,3%)
· protestantes: 212.400.000 (26,2%)
· ortodoxos: 7.200.000 (0,8%)
· outros: 35.034.000 (4,3%)
· muçulmanos: 8.890.000 (0,9%)
· outros: 66.912.000 (8,2%)
- Expectativa de vida: 79 anos no Canadá e 50 anos no Haiti
- Renda per capita: 13.240 dólares (29.080 nos Estados Unidos e 380 no Haiti. No Brasil, 4.802).