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CONTINENTE AFRICANO |
Paises Africanos:
Igreja Católica supera desafios e cresce
na África
Os católicos africanos
comemoram satisfeitos o 25º aniversário do pontificado de João Paulo II, em
um cenário de expansão da Igreja Católica, apesar da concorrência
desafiadora das centenas de missões protestantes em busca de novos adeptos. O
continente africano, antes terreno privado dos missionários europeus, exporta
hoje inúmeros padres para o Ocidente e espera ser um dos candidatos favoritos
à sucessão do Papa.
A Igreja Católica na África tem um total de
140 milhões de fiéis, o correspondente a 17% da população do continente e,
embora hoje esteja enfrentando novos desafios, não pára de crescer. Cidades
como Lagos, a capital econômica da Nigéria e a maior do continente, vem
assistido há meses o florescimento de uma verdadeira indústria em torno de
religiosos pentecostais que seduziram grande número de fiéis com um marketing
atrativo e promessas de riquezas terrestres.
Incomodado, o bispo de Lagos Anthony Okogie não
escondeu sua revolta com os recém-chegados, acusando-os de subornar os fiéis.
"O maior problema que a Igreja africana tem de enfrentar é a marginalização",
declarou esta semana à imprensa, advertindo contra o auge das igrejas
independentes. "Apenas porque sabem ler e escrever, algumas pessoas querem
ter uma visão, fundam uma igreja e começam a se comportar como se tivesse uma
relação direta com o céu (...) Quando você reza, este tipo de pessoa reza
com você, mas sua mente está em outro lugar. Só pensa no seu bolso",
acrescentou.
Monsenhor Robert Sarrah, secretário da
Congregação para a Evangelização dos Povos, também tem a mesma preocupação,
mas considera que o enfraquecimento da fé seja uma ameaça maior para o
Ocidente do que para seu continente. "Na África, os jovens continuam sendo
muito sensíveis ao espiritual. Querem conhecer Deus e a fé", disse em
Dacar, capital de Senegal. "Inclusive, o número de padres e freiras está
aumentando", destacou.
Nas vésperas da comemoração do aniversário
de 25 anos de pontificado de João Paulo II, dia 16 de outubro, os curas
africanos continuam considerando o papa a pessoa mais capacitada para alimentar
esta crescente população de fiéis. "As visitas do Papa permitem aos católicos
congoleses se unir e comungar, pois vêem nisto a concretização da religião",
explica uma autoridade eclesiástica da República Democrática do Congo, país
africano com a maior comunidade católica.
O Papa já visitou diversos cantos da África,
reuniu multidões no coração do Marrocos muçulmano, inaugurou a maior basílica
do mundo na Costa do Marfim e canonizou o primeiro santo da Nigéria. Enfim, o
entusiasmo dos africanos em torno da religião católica pode ser explicado pelo
crescente poder de seus religiosos na hierarquia da igreja, visto que três
deles foram nomeados cardeais na semana passada.