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Físicos
voltam a estudar a idade do Santo Sudário
3.04.2008
- A obsessão pela relíquia mais controversa da cristandade acaba de
voltar aos laboratórios. Pesquisadores da Universidade de Oxford, no
Reino Unido, e do Turin Shroud Center, nos Estados Unidos, estão
investigando a possibilidade de uma contaminação rara no Santo Sudário,
a mortalha de linho que supostamente teria envolvido o corpo de Jesus
Cristo após sua morte na cruz. Se tal contaminação ocorreu mesmo, a
idade do Sudário estimada pela datação com carbono-14 -- apenas uns
700 anos, indicando que o pano é uma fraude medieval -- estaria
incorreta.
A nova bateria de testes é uma prova de como a imagem enigmática do
Sudário continua fascinando cientistas e leigos, exatos 20 anos
depois do suposto teste definitivo de sua autenticidade -- no qual a
mortalha acabou não passando. E também mostra como é difícil um
estudo objetivo do artefato: é quase impossível encontrar uma visão
científica consensual sobre o pano, com acusações de má-fé feitas
tanto por defensores quanto por detratores da relíquia.
Caso se trate mesmo de uma falsificação, também não há uma
explicação universalmente aceita de como ela teria sido criada. Um
livro que acaba de chegar ao Brasil defende a tese de que se trata de
uma espécie de fotografia primitiva, usando uma argumentação
interessante, mas força a barra ao atribuir a obra a ninguém menos
que o personagem favorito das teorias da conspiração, o gênio
Leonardo da Vinci.
O teste original da idade do Santo Sudário, hoje abrigado na Catedral
de São João Batista em Turim (Itália), aparentemente seguiu à
perfeição as exigências do método científico. Três grupos
diferentes -- da Unidade de Acelerador de Radiocarbono de Oxford, da
Universidade do Arizona (EUA) e do Instituto Federal de Tecnologia da
Suíça -- receberam amostras da borda do pano, longe da imagem, e as
submeteram à datação por carbono-14.
Nesse tipo de teste, estuda-se o desaparecimento gradual dessa forma
radioativa e instável de carbono. O carbono-14 é absorvido por todos
os seres vivos -- inclusive as plantas usadas para fazer o linho do
Sudário -- durante seu metabolismo. Quando morrem, todos possuem uma
proporção parecida de carbono-14 em suas moléculas, e essa proporção
decai a uma taxa fixa ao longo do tempo. Com isso, a idade de qualquer
amostra de matéria orgânica pode ser estimada.
Ora, os três laboratórios obtiveram resultado parecido: o pano teria
sido tecido entre os anos 1260 e 1390, no final da Idade Média. No
entanto, John Jackson, do Turin Shroud Center, propõe que o Sudário
pode ter sido contaminado por monóxido de carbono (CO), uma molécula
na qual o carbono-14 aparece em proporções anormalmente altas.
"Uma quantidade relativamente pequena de monóxido de carbono,
equivalente a uns 2% do carbono no linho [do Sudário], seria o
suficiente para alterar a idade da amostra em cerca de mil anos",
declarou em comunicado oficial o diretor da Unidade de Acelerador de
Radiocarbono de Oxford, Christopher Ramsay. "Estamos colaborando
com a equipe de John Jackson para verificar as taxas de reação [do
CO com o pano]."
Ramsay, no entanto, lembra que nenhuma amostra datada por carbono-14
até hoje apresentou esse tipo de problema, graças principalmente à
pequena quantidade do monóxido de carbono na atmosfera. No entanto,
Jackson aposta que o incêndio que quase destruiu o pano no século 16
poderia ter criado as condições necessárias para o suposto erro de
datação.
"A equipe de Jackson ainda não conseguiu replicar essas condições,
mas continua sendo possível, embora não muito provável, que futuros
experimentos comprovem a idéia deles", afirma Ramsay. Os laboratórios
estão realizando experiências para tentar verificar se, em alguns
contextos, a absorção maciça de CO pelo tecido acontece mesmo.
Enquanto os físicos britânicos e americanos tentam entender os dados
contraditórios, o livro "O Sudário de Turim", dos
escritores britânicos Lynn Picknett e Clive Prince, apresenta uma
mistura curiosa de análise científica e muita imaginação para
explicar as anomalias encontradas na imagem. Na obra, recém-lançada
no país, a dupla argumenta que o Sudário é um auto-retrato fotográfico
de Leonardo da Vinci, feito provavelmente em 1492.
Apesar da tese aparentemente fantasiosa, os dois apresentam um bom
resumo das controvérsias científicas em torno da misteriosa
mortalha. Um dos problemas é que muitos dos pesquisadores envolvidos
no estudo do Sudário nos anos 1970 e 1980 eram católicos fervorosos,
tendendo a ver o pano como a "prova física" da ressurreição
de Jesus. Por isso, todas as supostas provas de autenticidade da
imagem são contestadas.
Dois trabalhos famosos, por exemplo, disseram ter achado pólen de
plantas que só crescem juntas durante a primavera da Palestina em
meio ao Sudário, o que provaria sua origem em Jerusalém, onde Cristo
foi crucificado. No entanto, botânicos independentes afirmam que
mesmo os melhores microscópios não permitiriam uma identificação tão
precisa das espécies de plantas.
O mesmo vale para os supostos traços de sangue -- classificado como
pertencente ao tipo AB -- na mortalha. Alguns cientistas argumentam
que, na verdade, há ali resquícios de corantes usados por artistas
medievais, como o ocre vermelho. Para piorar, o pano parece ter sido
extensamente manuseado ao longo dos séculos, o que permitiria a
contaminação por pólen, DNA e até sangue estranhos ao
"dono" original do Sudário.
Para completar, a imagem mostra detalhes incrivelmente realistas de
ferimentos de chibatadas, de lança -- a mesma que teria perfurado o
tronco de Jesus e feito escorrer "sangue e água", de acordo
com o Evangelho de João -- e marcas da crucificação. Aliás, a
marca do cravo que teria pregado um dos braços de Cristo à cruz fica
não na palma da mão, mas num local preciso do pulso, que dava
estabilidade ao corpo crucificado. Era assim que os antigos romanos
crucificavam seus prisioneiros, mas na Idade Média -- suposta data em
que o Sudário foi forjado -- ninguém mais sabia disso. Tanto que as
imagens da época mostram Jesus pregado pelas palmas das mãos.
No entanto, o aspecto mais intrigante do Sudário é que ele parece
abrigar uma imagem "fotográfica": todos esses detalhes só
são vistos no negativo das fotografias tiradas dele, já que a imagem
"normal" é muito tênue. Lynn Picknett e Clive Prince, os
autores do livro, afirmam que isso indica uma origem fotográfica ou
protofotográfica para a própria imagem.
Para comprovar isso, eles usaram substâncias e técnicas disponíveis
no fim da Idade Média e na Renascença para tentar criar seu próprio
"Sudário". Como pigmento sensível à luz, escolheram uma
mistura de clara de ovo e sal de cromo. Usando uma câmera escura
(instrumento rudimentar que inspirou as câmeras fotográficas),
conseguiram projetar a imagem de um busto de gesso numa tela coberta
com o pigmento. O resultado foi uma imagem do busto que tinha até o
famoso "efeito de negativo" do Sudário.
Questão de fé
O ponto fraco do interessante experimento é a ligação com Leonardo
da Vinci. Eles acham que o artista criou o Sudário a pedido da Igreja
mas, por ser herético, quis realizar uma brincadeira blasfema contra
Jesus colocando seu próprio rosto no pano, "colando-o" em
cima da imagem de um cadáver crucificado. Os argumentos são
circunstanciais: afinal, "só Leonardo" teria conhecimento
suficiente de anatomia e óptica para bolar uma fraude tão detalhada.
Além do mais, a margem de erro do teste de carbono-14 poderia, em
tese, significar que o Sudário foi feito no fim do século 15.
No fim das contas, acreditar nessa tese vira quase tão questão de fé
quanto acreditar na autenticidade do Sudário -- a qual, é bom
lembrar, não tem importância nenhuma para a fé cristã. Afinal, em
nenhum lugar do Novo Testamento se diz que Jesus deixaria uma prova física
de sua Ressurreição para forçar os descrentes a segui-lo.
Fonte: G1
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Lembrando...
Especialistas no Santo Sudário indicam que filme “A Paixão” se
ajusta à realidade
Madri, 06/04/2004 -
O Centro Espanhol de Sindonologia, com sede em Valência e dedicado ao
estudo do Santo Sudário de Turim, afirma que o filme “A Paixão de
Cristo” de Mel Gibson “baseia acertadamente muitas de suas cenas
em estudos realizados sobre a própria tela” embora “a crueza da
crucificação do corpo refletido no Sudário supera as mais duras
cenas do filme”.
O vice-presidente do Centro de Sindonologia, Jorge Manuel Rodríguez,
indicou à agência AVAN que um dos “momentos mais fortes do filme e
que mais se ajustam à realidade é o da flagelação, onde são
empregados instrumentos de tortura muito semelhantes aos utilizados na
época”, entre outros, látegos com tiras de couro com bolas
farpadas nas pontas que “arrancavam a pele e deixavam a pessoa em
carne viva”.
Segundo o especialista, os estudos realizados por médicos legistas
sobre o Santo Sudário determinaram que “cerca de 50 por cento da
pele do corpo que a tela envolveu estava ferida. As lesões mostradas
no filme estão de acordo com a realidade”.
Igualmente, “a cena final da Ressurreição está totalmente de
acordo com as últimas investigações sobre o Santo Sudário que
constatam que a tela murchou, como aparece no filme, e o corpo saiu do
lenço sem desmanchar o envoltório”, acrescentou Rodríguez, que já
ofereceu mais de 600 palestras e conferências sobre o Santo Sudário
nos últimos dez anos.
Entretanto, estudiosos da Síndone de Turim afirmam que “a realidade
dos fatos superam em dureza as imagens que mostra ‘A Paixão’ por
mais violentas que pareçam”. Assim, a coroa que rodeia a cabeça de
Jesus Cristo no filme “produz muito menos incisões do que as que
reflete o Sudário no qual foram contabilizadas até 60 feridas que
rodeiam toda a cabeça e couro cabeludo”, precisou Rodríguez.
Após lembrar que no filme Jesus Cristo é cravado na Cruz com cravos
que transpassam as palmas das mãos, o vice-presidente do Centro de
Sindonologia declarou, entretanto, que “as pesquisas sobre o Santo
Sudário revelam que os cravos foram colocados no crucificado no
carpo, quer dizer, nos ossos dos pulsos, o que provocava uma dor muito
maior”.
Dá-se a circunstância de que a colocação do cravo sobre o carpo
toca o nervo mediano e “produz o movimento do polegar para dentro da
palma ”. Por isso, “no tecido do Santo Sudário não aparecem os
dedos polegares e mostra apenas a forma de quatro dedos em cada mão”.
Finalmente, o especialista disse que “no filme aparece Jesus Cristo
com as mãos amarradas com cordas e, entretanto, isto não aparece no
Santo Sudário porque, nesse caso, o tecido teria mostrado algum sinal
de desgarramento na pele onde foram colocadas as ataduras”,
precisou.
Fonte: ACI Digital
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