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Ressuscitai
os mortos é uma ordem para todos os cristãos
08.03.2008
- Comentário do padre Raniero Cantalamessa, OFM Cap., pregador da
Casa Pontifícia, à Liturgia deste domingo.
V Domingo da Quaresma
Ezequiel 37, 12-14; Romanos 8, 8-11; João 11, 1-45
A ressurreição do coração
Os relatos do Evangelho não existem só para serem lidos, mas também
para serem vividos. A história de Lázaro foi escrita para nos dizer
isto: há uma ressurreição do corpo e uma ressurreição do coração;
se a ressurreição do corpo ocorrerá "no último dia", a
do coração sucede, ou pode ser feita, a cada dia.
Este é o significado da ressurreição de Lázaro, que a liturgia
quis sublinhar com a eleição da primeira leitura de Ezequiel sobre
os ossos secos. O profeta tem uma visão: contempla um monte de ossos
secos e compreende que representam a moral do povo, que está abatida.
As pessoas vão dizendo: "Se desvaneceu nossa esperança, tudo se
acabou para nós".
Para eles dirige a promessa de Deus: "Eis aí que eu abro vossos
sepulcros; vos farei sair de vossos túmulos... Infundirei meu espírito
em vós e vivereis". Neste caso tampouco se trata da ressurreição
final dos corpos, mas da ressurreição atual dos corações à
esperança. Aqueles cadáveres, se diz, se reanimaram, se puseram em pé
e eram "um enorme, imenso exército". Era o povo de Israel
que voltava a ter esperarança, após o exílio.
De tudo isso deduzimos algo que sabemos por experiência: que se pode
estar mortos... inclusive antes de morrer, enquanto ainda estamos
nesta vida. E não falo só da morte da alma por causa do pecado; falo
também daquele estado de total ausência de energia, de esperança,
de desejo de lutar e de viver que não se pode chamar com nome mais
indicado que este: morte do coração.
A todos aqueles que pelas razões mais diversas (fracasso matrimonial,
traição do cônjuge, perdição ou enfermidade de um filho, ruínas
econômicas, crises depressivas, incapacidade de sair do alcolismo, da
droga) se encontram nesta situação, a história de Lázaro deveria
chegar como repique de sinos na manhã de Páscoa.
Quem pode dar-nos esta ressurreição do coração? Para certos males,
bem sabemos que não há remédio que valha. As palavras de alento
abandonam o terreno que encontram. Também na casa de Marta e Maria
havia judeus para consolá-las, mas sua presença não havia mudado
nada. É necessário "mandar chamar Jesus", como fizeram as
irmãs de Lázaro. Invocá-lo, como fazem as pessoas sepultadas por
uma avalanche ou sob os escombros de um terremoto, que chamam com seus
gemidos a atenção dos resgatadores.
Frequentemente as pessoas que se encontram nesta situação não são
capazes de fazer nada, nem sequer de orar. Estão como Lázaro no túmulo.
É preciso que outros façam algo por elas. Nos lábios de Jesus
encontramos uma vez este mandamento dirigido a seus discípulos:
"Curai os doentes, ressuscitai os mortos" (Mt 10, 8). O que
queria dizer Jesus? Que devemos ressuscitar fisicamente os mortos? Se
assim fosse, na história se contam com os dedos de uma mão os santos
que puseram em prática este mandato de Jesus. Não; Jesus se referia,
também e sobretudo, aos mortos de coração, aos mortos espirituais.
Falando do filho pródigo, o pai diz: "Estava morto e voltou à
vida" (Lc 15, 32). E não se tratava certamente de morte física,
havia regressado a casa.
Aquele mandato: "Ressuscitai os mortos", se dirige portanto
a todos os discípulos de Cristo. Também a nós! Entre as obras de
misericórdia que aprendemos desde crianças, há uma que diz:
"enterrar os mortos"; agora sabemos que existe também a de
"ressuscitar os mortos".
Fonte: Canção Nova/ Zenit
Fonte: Portal Anjo
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